No
universo da tecnologia corporativa, vivemos sob uma pressão constante por agilidade.
A máxima "chegar primeiro" parece ditar as regras do jogo, prometendo
atenção, investimentos e uma fatia maior do mercado. No entanto, essa corrida
desenfreada tem um lado B: uma avalanche de soluções que brilham por um
instante e se apagam no seguinte, deixando um rastro de frustração e recursos
desperdiçados. É nesse cenário que surge a pergunta que não quer calar: o que
realmente importa na hora de adotar tecnologias emergentes? A consistência de
uma base sólida ou a velocidade de implementação?
A
verdade é que essa é uma falsa dicotomia. O verdadeiro erro estratégico está
nos extremos: de um lado, a paralisia da espera pelo "momento
perfeito"; de outro, a adoção indiscriminada de qualquer novidade que
apareça. Na Emiolo, ao longo de 20 anos co-criando soluções para gigantes do
mercado, aprendemos que a inovação sustentável não é uma questão de "ou,
mas de "e". Trata-se de encontrar a medida certa, um equilíbrio
dinâmico que se apoia em três movimentos fundamentais.
O TRIPÉ DA INOVAÇÃO SUSTENTÁVEL
Construir fundações, não atalhos: Antes de pensar em inovação, é preciso garantir o básico bem-feito. Estamos falando de dados confiáveis, APIs bem estruturadas, uma arquitetura de cloud robusta e segurança em primeiro lugar. Sem um alicerce sólido, qualquer iniciativa inovadora, por mais promissora que seja, não passará de um piloto com prazo de validade.
Apostar com inteligência, não com impulso: Inovar não é um jogo de azar. É preciso tratar
cada nova aposta como uma hipótese a ser validada, com um ROI claro e
mensurável. Isso nos permite escalar o que funciona e, tão importante quanto,
descartar rapidamente o que não gera valor, sem apego ou desperdício de
recursos.
Capacitar pessoas, não apenas implementar ferramentas: A melhor tecnologia do mundo é inútil se a equipe
não consegue operá-la e sustentá-la no dia a dia. A verdadeira transformação
digital acontece quando as pessoas e os processos estão preparados para
absorver a inovação e torná-la parte da cultura da empresa.
TECNOLOGIAS EMERGENTES: O QUANDO E O PARA QUÊ
No
dia a dia, enfrentamos inúmeras dificuldades para testar ou criar um produto. É
aqui que as tecnologias emergentes podem ser verdadeiros game-changers - mas
apenas quando aplicadas com propósito claro e estratégia bem definida. A
questão não é se devemos usá-las, mas para quê e qual a utilidade específica de
aplicá-las em cada contexto.
Tome
como exemplo o caso da Lovable, uma startup que revolucionou o desenvolvimento
de software ao atingir $100 milhões em ARR em apenas 8 meses. O segredo não foi
apenas usar IA, mas aplicá-la de forma cirúrgica.
O
que torna o case da Lovable tão relevante para grandes empresas é a estratégia
por trás da tecnologia. Eles não simplesmente "adotaram IA" - eles
identificaram um problema específico (a complexidade do desenvolvimento de
software), definiram um público claro (citizen developers) e aplicaram a
tecnologia emergente de forma a criar valor mensurável e escalável.
A
verdadeira inovação não vem da tecnologia em si, mas da clareza sobre o
problema que ela resolve.
A APLICAÇÃO ESTRATÉGICA EM GRANDES CORPORAÇÕES
Para
decisores de TI em grandes empresas, a lição é clara: tecnologias emergentes
como IA, IoT, blockchain ou computação quântica não são fins em si mesmas. São
ferramentas poderosas que, quando aplicadas com propósito, podem acelerar
processos, reduzir custos e criar novos modelos de negócio.
A diferença entre sucesso e fracasso está na capacidade de responder a três perguntas fundamentais antes de qualquer implementação:
1.Qual problema específico estamos resolvendo? Não basta que a tecnologia seja "interessante" - ela precisa endereçar uma dor real e mensurável.
2.
Como isso se integra à nossa infraestrutura existente? A
inovação não pode ser um corpo estranho no sistema; precisa se conectar
organicamente ao que já existe.
3.Qual o ROI
esperado e como vamos medi-lo? Sem métricas claras de sucesso,
qualquer projeto de inovação vira um experimento sem fim.
CONSISTÊNCIA COMO CATALISADOR DA VELOCIDADE
É
importante ressaltar que consistência, no nosso vocabulário, não é sinônimo de
lentidão. Pelo contrário. É sobre criar as condições para que a inovação se
torne um processo recorrente, escalável e, acima de tudo, sustentável. A
verdadeira velocidade não vem da pressa sem rumo, mas da capacidade de reduzir
atritos, tomar decisões mais rápidas e assertivas, porque existe uma base de
dados confiável e uma governança clara.
Em
um mercado como o brasileiro, com níveis tão distintos de maturidade digital
entre os setores, esse equilíbrio se torna ainda mais crucial. As empresas que
investem em consistência constroem uma resiliência tecnológica capaz de
suportar ambientes de alta complexidade regulatória e econômica. Já aquelas que
apostam todas as suas fichas na velocidade correm o risco de ver suas
iniciativas naufragarem no longo prazo.
O FUTURO PERTENCE AOS EQUILIBRISTAS
No
fim das contas, a competitividade não nasce da velocidade, mas do equilíbrio. O
mercado está saturado de soluções que prometem revolucionar tudo e acabam
revolucionando nada. O verdadeiro diferencial competitivo será construído por
quem souber dosar consistência e agilidade, entregando valor de forma contínua,
sem jamais perder a capacidade de se mover rápido quando a oportunidade certa
surgir.
As
tecnologias emergentes não são o futuro - elas são o presente. A questão é
saber aplicá-las com a sabedoria de quem entende que inovação sustentável é uma
maratona, não uma corrida de 100 metros. E nessa maratona, vencem aqueles que
sabem quando acelerar, quando manter o ritmo e, principalmente, quando parar
para ajustar a estratégia.
Thelma Valverde -
CEO da eMiolo, startup de tecnologia focada em desenvolver soluções
inteligentes e customizadas para grandes corporações. Com mais de 10 anos de
experiência na liderança de projetos inovadores, Thelma tem sido uma força
motriz na criação de softwares que impactam diretamente a eficiência
operacional de grandes empresas. Sob sua liderança, a eMiolo foi reconhecida
como uma das principais startups em Open Innovation no Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário