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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Promessas de Ano Novo: por que a mudança não espera o réveillon

Na virada do ano, o ser humano vira um ser altamente promissor. Promete coisas que não prometeu nem no casamento — e com muito menos testemunhas. Promete acordar cedo, comer melhor, beber menos, amar mais, gastar menos, ganhar mais, responder mensagens atrasadas, aprender inglês, fazer pilates, meditar, ligar para a mãe e perdoar aquele colega que mastiga alto. Tudo isso até, no máximo, o dia 15 de janeiro, quando a realidade retorna do recesso.

O Ano Novo é uma espécie de gerente de expectativas muito mal treinado. Ele nos olha com aquela cara de “agora vai” e a gente acredita. Afinal, se o calendário muda, por que nós não mudaríamos junto? É uma lógica curiosa: passamos o ano inteiro sendo exatamente quem somos, mas achamos que bastam fogos, roupas brancas e uma contagem regressiva para nos tornarmos pessoas completamente diferentes. Mais organizadas. Mais saudáveis. Mais zen. Mais pontuais — essa promessa é particularmente otimista.

As resoluções de Ano Novo são quase sempre sinceras. O problema não é a mentira, é o exagero. Prometemos versões irreais de nós mesmos, como se fôssemos personagens de propaganda: sempre focados, disciplinados e felizes antes do café da manhã. Não somos. Nunca fomos. E tudo bem. O erro está em achar que a mudança acontece por decreto, no dia 1º, às 00h01, como um download automático de maturidade.

Janeiro passa. Fevereiro vem com boletos. Março chega com cansaço. E, quando percebemos, estamos em dezembro de novo, prometendo as mesmas coisas, com pequenas variações de vocabulário. O “vou cuidar mais de mim” vira “agora é sério”. O “vou mudar” vira “dessa vez vai”. Não vai — se continuar dependendo apenas do réveillon.

Talvez a grande armadilha seja essa ideia de que a mudança precisa de uma data solene. Como se fosse falta de educação melhorar numa terça-feira qualquer. Como se o hábito saudável só funcionasse se inaugurado com champanhe. A verdade inconveniente é que a transformação não gosta de fogos. Ela prefere silêncio, repetição e dias comuns. Gosta de segunda-feira chata, de quinta-feira cansada e até de domingo preguiçoso.

Mudar não é um evento. É um processo. E processos não respeitam calendários festivos. Eles acontecem quando a gente erra menos do que ontem, insiste um pouco mais do que gostaria e desiste um pouco menos do que costuma. A verdadeira virada não acontece à meia-noite — acontece quando você decide, numa quarta-feira qualquer, fazer diferente. Mesmo sem plateia. Mesmo sem promessa.

No fim das contas, talvez o Ano Novo não sirva para mudar a vida, mas para nos lembrar de algo simples: não precisamos esperar o próximo janeiro para sermos um pouco melhores hoje. E isso, convenhamos, é uma promessa bem mais possível de cumprir.

 

Francisco Carlos - CEO Mundo RH e Tec Login - Top 100 People 2023

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