Doenças do aparelho digestivo podem evoluir de forma silenciosa por anos; exames preventivos ajudam a identificar alterações antes que se tornem graves
O início do ano
costuma ser marcado por promessas de mudança e cuidado com a saúde e o check-up
médico entra, cada vez mais, como parte desse movimento. No entanto, quando o
assunto é o sistema digestivo, muitos problemas podem se desenvolver sem
apresentar sinais claros, o que reforça a importância dos exames preventivos,
mesmo na ausência de sintomas.
Segundo o Dr.
Lucas Nacif, cirurgião gastrointestinal e membro do Colégio Brasileiro de
Cirurgia Digestiva (CBCD), doenças como câncer colorretal, esteatose hepática,
inflamações intestinais e alterações pancreáticas podem evoluir de forma
silenciosa.
“Em muitos casos,
quando os sintomas aparecem, a doença já está em um estágio mais avançado. O
rastreamento é fundamental para identificar alterações precocemente e aumentar
as chances de tratamento menos invasivo e com melhores resultados”, explica.
Exames que
ajudam a decifrar os sintomas
Entre os
principais exames indicados no check-up digestivo estão:
- Pesquisa de sangue
oculto nas fezes, capaz de detectar sangramentos microscópicos, muitas
vezes associados a pólipos ou tumores intestinais;
- Colonoscopia, exame
considerado padrão-ouro para rastreamento do câncer colorretal, permitindo
visualizar o intestino e remover lesões antes que se tornem malignas;
- Ultrassonografia
abdominal, útil para identificar alterações no fígado, vesícula, pâncreas
e outros órgãos;
- Exames
laboratoriais, que avaliam enzimas hepáticas, inflamações e alterações
metabólicas relacionadas ao sistema digestivo.
De acordo com o
especialista, a colonoscopia passa a ser recomendada de forma rotineira a
partir dos 45 anos, mesmo para pessoas sem histórico familiar e que se
considera saudável.
Janeiro lidera
buscas por sintomas digestivos
Um estudo publicado na PubMed Central, com base em dados do Google Trends entre 2015 e 2025, identificou padrões sazonais nas buscas por sintomas gastrointestinais nos Estados Unidos. A análise mostrou que a dor de estômago, sintoma mais pesquisado no período, apresenta pico em janeiro, com aumento de 15,7% nas buscas. A azia também atinge seu maior volume no início do ano, com crescimento de 14%.
Outros sintomas apresentam picos em diferentes
períodos: inchaço abdominal e diarreia têm maior procura no verão, com altas de
41,8% e 21,2%, respectivamente, enquanto a constipação registra pico em
fevereiro (18,9%).
Histórico
familiar exige atenção redobrada
Pessoas com histórico familiar de câncer digestivo devem iniciar o rastreamento ainda mais cedo, geralmente 10 anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado. “Essa antecipação pode salvar vidas, pois aumenta as chances de identificar pólipos antes que se tornem malignos. Mesmo não sendo possível impedir o câncer de aparecer, a descoberta precoce do tumor oferece mais opções de tratamento e um prognóstico mais positivo, além de altas taxas de cura em muitos casos”, explica.
Mais do que um protocolo médico, o check-up digestivo de início de ano deve ser visto como um investimento em qualidade de vida e longevidade. “Cuidar do intestino, do fígado e do sistema digestivo como um todo é cuidar da saúde do corpo inteiro”, conclui.

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