Avaliações otorrinolaringológicas ajudam a identificar doenças silenciosas, prevenir perdas auditivas e melhorar sono, respiração e qualidade de vida em todas as idades
Quando se fala em check-up médico, exames de sangue, coração e pressão arterial costumam estar no topo da lista. Já a avaliação de ouvido, nariz e garganta ainda é frequentemente deixada de lado. O problema é que diversas doenças otorrinolaringológicas evoluem de forma silenciosa e só são percebidas quando já causam impactos significativos na audição, na respiração, no sono e na comunicação.
Segundo a Dra. Ana
Beatriz, otorrinolaringologista do Hospital Paulista, essa percepção equivocada
faz com que muitas pessoas procurem o especialista apenas diante de sintomas
evidentes, como infecções ou perda auditiva já instalada.
Doenças que avançam sem dor (e merecem atenção)
Diversas condições comuns podem se desenvolver de forma gradual, sem causar incômodos imediatos. Entre elas estão a perda auditiva progressiva, relacionada à idade ou à exposição ao ruído, muitas vezes percebida apenas quando já interfere na comunicação; otites crônicas e disfunções da tuba auditiva; rinite e sinusite crônicas, que prejudicam respiração, sono e concentração; além da apneia do sono, frequentemente subdiagnosticada, mas associada a riscos cardiovasculares.
Outro sinal de
alerta é o zumbido, que pode indicar alterações auditivas ou neurológicas,
assim como as lesões iniciais de laringe, comuns em profissionais da voz e que,
quando diagnosticadas precocemente, têm tratamento mais eficaz.
Crianças, idosos e quem convive com ruído
Alguns públicos merecem acompanhamento ainda mais atento. No caso das crianças, a avaliação auditiva começa ao nascimento, com o teste da orelhinha, e deve seguir ao longo da infância, especialmente diante de atrasos de fala, dificuldades escolares ou infecções de repetição. Avaliações respiratórias também são fundamentais, já que crianças respiradoras bucais tendem a dormir mal, o que impacta diretamente o rendimento escolar e o comportamento.
Entre idosos, a recomendação é realizar audiometria periódica (de preferência, anual) para detectar precocemente a perda auditiva relacionada à idade. Já pessoas expostas a ruído intenso, como quem frequenta shows, utiliza fones de ouvido com frequência ou trabalha em ambientes barulhentos, devem incluir exames auditivos preventivos na rotina.
Exames como
audiometria, imitanciometria, nasofibroscopia e, em alguns casos, avaliações do
sono, fazem parte desse acompanhamento e ajudam a mapear alterações antes que
elas se tornem irreversíveis.
Prevenção hoje, qualidade de vida amanhã
A detecção precoce é um dos principais benefícios do check-up otorrinolaringológico. Identificar alterações no início permite tratar, controlar ou reduzir significativamente a progressão de diversas doenças.
Entre os ganhos estão a preservação da audição e da comunicação, melhora da qualidade do sono e da respiração, prevenção de impactos cognitivos (especialmente em idosos) e um desenvolvimento mais saudável da linguagem em crianças.
“O check-up
otorrinolaringológico deve ser encarado como uma estratégia de prevenção, não
apenas de tratamento. Incluir ouvido, nariz e garganta na rotina de cuidados é
investir em bem-estar, autonomia e qualidade de vida ao longo de todas as fases
da vida”, reforça a médica.
Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

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