Barulho intenso pode causar zumbido,
perda temporária ou danos permanentes, explica otorrinolaringologista
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Estamos na última semana de dezembro e 2026 já está
batendo na porta. A virada do ano costuma ser marcada por festas, shows ao ar
livre e a tradicional queima de fogos. Embora o momento simbolize renovação e
alegria, o excesso de barulho pode representar riscos reais à saúde auditiva e
ao bem-estar geral, especialmente de crianças, idosos e pessoas mais sensíveis
ao som.
De acordo com a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do
HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, a distância dos fogos é um fator
decisivo para evitar danos. “Quanto mais longe, melhor. O ideal é manter pelo
menos 150 metros de distância, principalmente no caso das crianças, que são
mais sensíveis por terem o conduto auditivo menor”, orienta. Ela lembra que,
sempre que possível, o melhor cenário é optar por fogos sem estampido. “Hoje já
existem alternativas visuais, bonitas e sem barulho, que respeitam pessoas
sensíveis ao som, crianças e até animais”, destaca.
Mesmo exposições curtas podem causar prejuízos. “O som intenso
pode gerar um trauma acústico, levando a zumbido e até a uma sequela auditiva”,
explica a médica. Segundo ela, o ouvido possui mecanismos de proteção, mas eles
têm limites. “Uma intensidade muito alta, ainda que por pouco tempo, pode
ultrapassar essa proteção natural”, alerta.
Crianças e idosos apresentam risco maior, mas adultos jovens
também não estão imunes. “A vulnerabilidade aumenta com a idade, mas qualquer
pessoa pode sofrer danos auditivos se estiver exposta a sons muito intensos”,
afirma. Em situações em que não é possível manter distância, o uso de proteção
pode ajudar. “Abafadores, tipo concha, tanto para adultos quanto para crianças,
conseguem reduzir cerca de 30 decibéis e são mais confortáveis, além de
evitarem a introdução de objetos no conduto auditivo”, orienta.
Durante festas e shows de réveillon, a atenção deve ser redobrada
com caixas de som potentes. “Volumes muito altos podem causar perda auditiva
temporária e, em alguns casos, permanente. Tudo vai depender da intensidade, do
tempo de exposição e da sensibilidade de cada pessoa”, explica. A médica lembra
que normas como a NR-15 ajudam a ter uma noção de segurança. “Sons acima de 100
decibéis são toleráveis por um período muito curto. Em shows, as pessoas ficam
expostas por horas, muitas vezes próximas às caixas, o que aumenta bastante o
risco”, ressalta.
Alguns sinais indicam que algo não vai bem logo após a exposição
ao barulho. “Os sintomas mais comuns são zumbido e dificuldade para escutar.
Muitas pessoas relatam um apito ou sensação de ouvido tampado”, diz. Nesses
casos, a orientação é clara. “É fundamental se afastar da fonte sonora, fazer
repouso auditivo e procurar avaliação médica”, recomenda.
Além do impacto auditivo, a fumaça dos fogos também merece
atenção. “Ela irrita as vias aéreas, começando pelo nariz e pela garganta, e
pode atingir os pulmões, principalmente em pessoas com rinite, asma ou outras
doenças respiratórias”, explica. Ardor, ressecamento, tosse e falta de ar estão
entre os sintomas mais frequentes, que variam conforme a quantidade inalada e o
tempo de exposição.
Para atravessar a virada com segurança, a especialista reforça
medidas simples. “Manter distância de fogos e caixas de som, evitar ambientes
muito ruidosos, se hidratar bem e respeitar os sinais do corpo fazem toda a
diferença”, orienta. Segundo ela, qualquer barulho estranho no ouvido não deve
ser ignorado. “Se surgir um zumbido, apito ou dificuldade súbita para escutar,
é importante procurar atendimento o quanto antes”, finaliza a Dra. Raquel
Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.
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