Sobrecarga
emocional de dezembro ajuda a explicar o aumento de sintomas físicos sem causa
clínica aparente em adultos brasileiros
Levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS)
indica que os transtornos de ansiedade atingem cerca de 301 milhões de pessoas
no mundo, enquanto a depressão afeta mais de 280 milhões. No Brasil, dados da
Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE) mostram que quase 10% da população adulta já
recebeu diagnóstico de depressão, quadro que costuma se agravar em períodos de
maior estresse emocional, como o fim do ano.
Para o psicólogo e pesquisador Jair Soares dos
Santos, do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT), o calendário
de dezembro reúne fatores que ampliam a sobrecarga psíquica.
“Confraternizações, cobranças familiares, balanços pessoais e expectativas para
o próximo ano se acumulam em poucas semanas. Quando não há espaço para elaborar
essas emoções, o corpo encontra outras formas de expressão”, afirma.
Sintomas como dores musculares, crises
gastrointestinais, enxaquecas, fadiga persistente e alterações no sono
tornam-se mais frequentes nesse período, mesmo na ausência de diagnósticos
clínicos objetivos. A explicação está no impacto direto do estresse emocional
prolongado sobre o funcionamento do organismo.
Pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam
que o estresse crônico está associado ao aumento de processos inflamatórios e a
alterações no sistema imunológico, o que contribui para o surgimento de
sintomas físicos recorrentes. A literatura científica também aponta correlação
entre sofrimento psíquico não elaborado e quadros como síndrome do intestino
irritável, dores crônicas e manifestações de ansiedade somatizada.
Segundo Santos, o problema não está nas celebrações
em si, mas na pressão social por demonstrar bem-estar em um momento emocionalmente
desafiador. “Há uma exigência silenciosa de felicidade e harmonia, mesmo quando
a pessoa está exausta ou atravessando perdas. Esse conflito interno favorece a
somatização”, diz.
A leitura psicossomática não substitui a avaliação
médica, mas contribui para ampliar a compreensão de sintomas persistentes sem
causa orgânica identificável. Especialistas recomendam atenção a sinais como
dores recorrentes, insônia, alterações bruscas de apetite, crises de ansiedade
e queda de imunidade, além da busca por acompanhamento profissional quando
essas manifestações se repetem. Estes fatores devem ter atenção especial quando
não possuem causas definidas.
Em um período marcado por encontros e celebrações,
o cuidado passa também pelo reconhecimento de limites emocionais. “Escutar os
sinais do corpo é uma forma de prevenção. Ignorá-los pode transformar um
desconforto passageiro em um problema crônico”, conclui Santos.
Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
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