Pesquisar no Blog

sábado, 27 de dezembro de 2025

Mergulho em águas rasas: uma brincadeira de verão que pode custar caro à saúde

O Brasil teve 609 internações hospitalares por traumas
decorrentes de mergulho em águas rasas em 2023
Pexels

Acidentes aquáticos seguem fazendo vítimas graves no Brasil

 

Com a chegada do calor, das férias e dos feriados, é comum que brasileiros busquem rios, lagos, cachoeiras e piscinas para se refrescar. No entanto, o que parece um momento de lazer e diversão pode terminar de forma trágica. Ano após ano, o mergulho em águas rasas segue fazendo vítimas graves em todo o país. 

Segundo o Boletim 2025 da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), apenas em 2023 foram registradas 609 internações hospitalares por traumas decorrentes de mergulho em águas rasas no Brasil, com 33 óbitos. 

A faixa etária mais afetada está entre 15 e 44 anos, representando 76% dos casos, e 95% das vítimas eram homens. Em um período de dez anos, entre 2013 e 2022, o custo hospitalar desses atendimentos chegou a R$ 9,7 milhões, considerando apenas os dados do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Os números não incluem vítimas atendidas na rede privada ou aquelas que não precisaram de internação, o que indica que a dimensão real do problema pode ser ainda maior.
 

O risco oculto do impacto

O maior perigo do mergulho em águas rasas está no impacto com o fundo, que pode esconder pedras, bancos de areia ou variações inesperadas de profundidade. De acordo com o Dr. Luiz Muller, ortopedista do Eco Medical Center, especializado em coluna e tratamento de escoliose, o impacto da cabeça com o fundo pode causar fraturas cervicais graves, levando a lesões neurológicas permanentes, paraplegia e até à morte imediata. 

Mesmo quando o mergulho é feito em pé, os riscos continuam presentes, com possibilidade de fraturas de tornozelo, joelho, quadril e da coluna lombar. As lesões na coluna cervical são as mais preocupantes e, em muitos casos, irreversíveis. 

A prática de mergulhar de cabeça em locais de profundidade desconhecida é apontada como uma das principais causas de traumatismo medular no Brasil. Estima-se que cerca de 24% das fraturas cervicais associadas a acidentes aquáticos necessitem de cirurgia, além de longos períodos de reabilitação e impacto profundo na qualidade de vida.

 

Prevenção simples evita tragédias

Grande parte desses acidentes pode ser evitada com medidas simples. Antes de entrar na água, é essencial verificar a profundidade, entrando devagar, em pé, e avaliando o fundo com cuidado. 

O Dr. Luiz Muller reforça que nunca é seguro pular de cabeça, ou mesmo em pé, em locais de água turva, onde não é possível enxergar o fundo. Nessas situações, não há como planejar um mergulho com segurança, e o mais indicado é evitar qualquer tipo de salto. 

Outro fator importante é não consumir bebidas alcoólicas antes de atividades aquáticas, já que o álcool reduz os reflexos e aumenta significativamente o risco de acidentes.

 

Atenção redobrada também em piscinas

Embora os acidentes sejam mais comuns em ambientes naturais, como rios, lagos e cachoeiras, as piscinas também oferecem riscos. Mesmo com água translúcida, erros de cálculo podem fazer com que a pessoa atinja o fundo, a borda ou áreas mais rasas, além de colocar outras pessoas em perigo. 

Por isso, a orientação é clara: mergulho seguro é aquele que respeita os limites do ambiente. Informação, prudência e supervisão, especialmente no caso de crianças e adolescentes, são fundamentais para que o verão seja sinônimo de diversão — e não de acidentes evitáveis.

 

Eco Medical Center


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados