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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Oyá à frente em 2026: o tempo é das mulheres


No dia 27 de dezembro, no Instituto Cultural Omiô de Tradições Africanas, Casa de Ogun e Òrúnmìlà, localizado em Papucaia, Cachoeiras de Macacu (RJ), realizei a leitura oracular através dos Búzios que revelou os caminhos espirituais do ano de 2026.

 

Ao contrário de previsões que apontaram Ogum como orixá regente do ano, o que se revelou no meu jogo foi algo mais complexo, profundo e simbólico: Oyá, conhecida como Iansã, se apresenta à frente, abrindo os caminhos, mas caminhando nos trilhos de Ogum. Oyá soprará o vento da mudança; Ogum sustentará o caminho por onde esse vento passar.

 

O Odù que nasceu no meu jogo foi Odi Méjì, um caminho que fala de cortes necessários, encerramentos de ciclos, confrontos inevitáveis e amadurecimento forçado. Nada em Odi acontece pela metade.

 

Oyá rege os ventos, os espíritos ancestrais, os movimentos bruscos e as viradas que não pedem licença. Sua presença à frente indica que 2026 será um ano em que a força feminina ganha ainda mais visibilidade, especialmente no campo da justiça, da denúncia e da reparação.

 

Veremos mulheres se organizando, se reunindo, se posicionando com firmeza para exigir respostas diante da violência, da opressão e do silenciamento. Esse movimento já começou, mas tende a se intensificar. Oyá não varre o que está fora do lugar: ela expõe o que está escondido, revela, derruba e obriga a sociedade a olhar o que está por trás dos panos.

 

Será também um ano em que muitas mulheres precisarão assumir as rédeas de seus próprios caminhos, tomando decisões difíceis, rompendo vínculos adoecidos e deixando para trás estruturas que já não sustentam suas vidas.

 

Odi Méjì é uma caída no jogo de búzios que fala de perdas possíveis, especialmente no plano espiritual e energético. Isso não significa fatalidade, mas alerta: a energia do coletivo pode oscilar, exigindo mais cuidado com o corpo, a mente e o espírito. O ideal é andar na linha para não ser pego distraído. 

 

É um ano que pede resiliência, autocuidado consciente e práticas que sustentem vitalidade. Quem negligenciar sua saúde emocional e espiritual pode sentir mais fortemente o peso do ano.

 

Odi também fala de confrontos que se intensificam. Tensões mal resolvidas tendem a explodir. Situações adiadas retornam com força. Nada escondido permanece oculto por muito tempo.


 

Excesso, vícios e o risco das fugas

 

2026 exige atenção redobrada aos excessos em todos os ângulos. Odi Méjì alerta para o risco de descontar frustrações em vícios, jogos, compulsões e comportamentos autodestrutivos.

 

Não será um ano para fugir da realidade, mas para encará-la com dignidade. Será necessário manter a estabilidade emocional em meio a cenários difíceis. Quem não sustentar o próprio eixo pode se perder facilmente.


 

Política, quedas e revelações

 

No campo político e social, o ano segue intenso e turbulento. Odi Méjì fala de prisões, quedas públicas, escândalos revelados e verdades vindo à tona depois de muito tempo ocultas.

 

Muitos que se sustentaram em estruturas frágeis ou corruptas verão seus castelos ruírem. Oyá sopra o vento que levanta os panos. Ogum corta o que precisa ser cortado.


 

Coragem para quem será visto

 

Paradoxalmente, este também é um ano de grande destaque para algumas pessoas. Reconhecimento, visibilidade e ascensão são possíveis, mas somente para quem tiver coragem.

 

Odi Méjì não entrega nada a quem teme o próprio crescimento e quem se mostra indisponível. Você precisará estar disposto a ajudar o coletivo se quiser receber esse reconhecimento e crescimento esperado. As bênçãos exigirão postura, preparo emocional e responsabilidade com aquilo que se recebe.


 

Saúde emocional: um ponto-chave do ano

 

Para quem já enfrenta ansiedade, instabilidade emocional ou fragilidade espiritual, 2026 pede proteção máxima. Com recursos psicológicos e espirituais bem estruturados, será possível superar medos antigos. Sem cuidado, porém, esses medos podem ganhar força e dominar. Não será um ano neutro. Ele amplifica aquilo que já está dentro de cada um.


 

Um banho simples de alinhamento e proteção

 

Como orientação prática, deixo uma receita simples de banho para manutenção do equilíbrio, firmeza e clareza espiritual:

Macere:

  • folhas de peregún verde
  • folhas de peregún vermelho
  • folhas de colônia
  • folhas desfiadas de dendezeiro
  • folhas de àkókò
  • folhas de louro

 

Macere tudo em uma bacia com água até que ela fique bem verde.

 

Em seguida, rale sobre esse banho:

 

  • 1 obi (noz de cola) 
  • 1 orobô 

 

Use com consciência, intenção e respeito, lembrando que banho não substitui postura, mas sustenta o caminho de quem está disposto a caminhar.

 


Oferenda a Oyá com 7 acarajés

 

Prepare 7 acarajés, com zelo e silêncio interior. Pode também comprar esses acarajés em uma feira. Coloque-os em cima de uma folha de bananeira. A oferenda deve ser entregue em caminho aberto, uma estrada, sempre com respeito à natureza e às normas do lugar.

Ao ofertar, faça seu pedido com clareza, pedindo a Oyá justiça nos caminhos, coragem para atravessar mudanças, proteção contra violências visíveis e invisíveis, discernimento para agir com dignidade em tempos de conflito,

 

Mais importante do que a oferenda em si é a postura após o ritual. Oyá responde ao movimento verdadeiro: quem pede ventos precisa estar disposto a mudar de lugar, mudar de atitude e mudar de rota.

 

2026 não será um ano de acomodação.

 

Será um ano de travessia.

 

E Oyá sopra apenas para quem tem coragem de caminhar.

 

Axé

 

 

Vitor Friary - Doutorando em Estudos Africanos, mestre em Psicologia e autor de livros publicados no Brasil e nos Estados Unidos. Sacerdote das religiões de matriz africana, é Babalawo no culto de Orunmilá e Hungbono no culto Jeje Savalú, atuando nos cultos a Ifá, aos Voduns e aos Orixás. Integra essas tradições há mais de 35 anos e é iniciado nos cultos sagrado dos Voduns há 10 anos.e dirige o Instituto Cultural Omiô de Tradições Africanas. Instagram: @sabedoriafricana


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