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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Como lidar com o vício do parceiro nas festas de fim de ano

Psicólogo explica por que o período intensifica conflitos familiares e orienta como agir sem reforçar culpa, vergonha ou recaídas

 

As festas de fim de ano costumam acender dinâmicas emocionais que ficam adormecidas ao longo de meses inteiros. Para muitas famílias, dezembro não traz apenas encontros, viagens e celebrações, mas também o impacto silencioso de vícios do parceiro – seja em álcool, apostas, pornografia, jogos digitais ou compras compulsivas. A combinação entre expectativas altas, convivência intensa e necessidade de “parecer tudo bem” cria um ambiente propício para tensões que se acumulam e explodem.

 

Segundo o psicólogo clínico Leonardo Teixeira, especializado em comportamentos compulsivos, o fim do ano costuma intensificar os conflitos porque pressiona emocionalmente todos os envolvidos. “No Natal e no Ano-Novo, as pessoas convivem mais de perto, passam mais tempo observando o comportamento do parceiro e, muitas vezes, percebem mudanças que vêm se acumulando há meses. Quando o vício já existe, dezembro expõe aquilo que a rotina esconde”, afirma.

 

Para o especialista, o impacto não é apenas sobre quem apresenta o comportamento compulsivo, mas sobre toda a estrutura emocional da relação. A pessoa que convive com um parceiro em compulsão carrega uma mistura de medo, frustração, esperança e exaustão. O ciclo se repete com discussão, promessa, recaída, silêncio. “Famílias costumam interpretar o vício como escolha ou falta de força de vontade. Isso cria um ambiente de culpa que só piora o quadro. O vício não é sobre caráter; é sobre sofrimento emocional”, explica.


 

Por que o fim do ano acende esse conflito

 

Teixeira aponta três fatores principais que tornam o período delicado. O primeiro é a ruptura da rotina: festas, folgas e horários irregulares favorecem impulsos. O segundo é a pressão social: a necessidade de mostrar felicidade amplia a sensação de inadequação, o que leva a comportamentos de fuga. O terceiro é a hiperestimulação emocional: saudade, cansaço, balanço da vida e expectativas para o ano seguinte criam um terreno fértil para recaídas.

 

Ele explica que muitos parceiros vivem em estado de alerta, tentando prever sinais de recaída e controlar o comportamento do outro, uma carga emocional difícil de sustentar. “Quem vive ao lado de uma pessoa em compulsão também adoece emocionalmente. A ansiedade, o medo de conflito e o cansaço se acumulam. A família percebe que está pisando em ovos, e isso desgasta a relação”. 


 

Como agir sem reforçar culpa ou acelerar recaídas

 

Para o psicólogo, a forma como o parceiro reage faz toda a diferença. Confronto agressivo, cobrança excessiva e tentativas de vigilância aumentam a vergonha e a impulsividade. O caminho mais eficaz envolve acolhimento, limites claros e diálogo sem julgamento.

 

Ele orienta que familiares busquem informação antes de tentar resolver o problema, identifiquem gatilhos comuns nas festas e criem acordos para o período, como reduzir situações de risco, evitar discussões em momentos de tensão e estimular a pessoa a pedir ajuda profissional. “A parceria é importante, mas não pode virar controle. A função do familiar não é vigiar. É apoiar, orientar e colocar limites que protejam ambos.” 


Teixeira reforça que procurar ajuda especializada não deve ser visto como derrota, mas como cuidado com a saúde mental. CAPS, psicoterapia, grupos de apoio e estratégias de prevenção de recaída são caminhos possíveis, e mais eficazes quando o tabu é rompido. “O amor não cura compulsão, mas o acolhimento abre a porta para o tratamento. Fim de ano é um período sensível, mas também pode ser o momento em que a pessoa finalmente decide buscar ajuda. Quando existe escuta, a mudança é possível”.  

 

Leonardo Teixeira - É psicólogo clínico, especializado no tratamento do vício em apostas, com mais de nove anos de experiência na área. Criador do Programa Cartada Final, já ajudou dezenas de pessoas a romperem o ciclo da compulsão, reconstruírem sua autoestima e retomarem o controle da vida familiar e financeira. Formado em Psicologia pela Universidade do Contestado (SC) e pós-graduado em Psicologia do Esporte, Leonardo também é especialista em Gestalt-terapia, o que lhe garante uma abordagem integrativa e humanista para lidar com os desafios complexos da dependência. Reconhecido como referência no tema, é criador do maior canal sobre vício em apostas, com mais de 110 mil seguidores, impactando milhares de famílias com informações, reflexões e ferramentas práticas para prevenção e tratamento. Sua atuação une ciência e prática clínica, o consolida como um dos principais especialistas do Brasil no combate ao vício em apostas.

 


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