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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Sucesso total ou fracasso estrondoso? O que esperar da Copa do Mundo de 2026

FiFA/Divulgação

De um lado, a despedida de lendas como Cristiano Ronaldo e a promessa do espetáculo mais grandioso de todos os tempos; de outro, preços exorbitantes de ingressos, dificuldades com vistos e ameaças de mudanças de Trump. 

Tudo quase pronto. A menos de seis meses da abertura, em 11 de junho, as expectativas e temores para a Copa do Mundo de Futebol Masculino de 2026 estão nas alturas. Em jogo, um espetáculo que pode gerar bilhões de dólares em ganhos para o esporte e para diversos setores econômicos, ou um fiasco em que foram gastos outros bilhões.

Os números do maior torneio de todos os tempos são superlativos para o bem e para o mal, literalmente, gerando muitas críticas e dúvidas. Mesmo a imprensa dos Estados Unidos, país que concentrará a maior parte dos jogos, mas que não tem no futebol um esporte popular, tem se dedicado frequentemente ao tema.

Segundo documento divulgado pela FIFA, a expectativa é de um público presencial aos jogos de 6,5 milhões de pessoas e outros bilhões assistindo remotamente, e impacto de US$ 40,9 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) global, além dos benefícios aos setores de turismo, transportes e varejo. Os governos deverão receber em torno de US$ 9,4 bilhões em impostos diretos e indiretos, e serão gerados 824 mil empregos de período integral.

A previsão é que o torneio envolva gastos de US$ 13,9 bilhões, incluindo investimentos de capital, custos das cidades-sede, orçamento da própria FIFA e de turistas esperados.

Serão, pela primeira vez na história, três países-sede: Estados Unidos, Canadá e México, e 48 seleções participantes (16 a mais que as 32 que estiveram no Qatar em 2022). Elas se enfrentarão em 104 partidas, durante 39 dias, desde a abertura, na Cidade do México, em 11 de junho, até a final em Nova York/Nova Jersey, nos EUA, em 19 de julho.


Amarelinha em destaque

E é neste ponto que começam as expectativas. As especulações sobre o futuro do Brasil, o maior campeão de Copas de todos os tempos, com Ancelotti, o técnico que conquistou tudo que o futebol de clubes pode oferecer, estão na pauta dos jornalistas norte-americanos. Em reportagem, a Fox Sports destacou a nova era da seleção sob o comando de seu primeiro treinador internacional e o controle que ele tem moldado ao time. Revelou, ainda, o que seria o sonho do treinador e de pessoas do mundo inteiro: uma final entre Brasil e Itália.

De acordo com os caminhos das seleções definidos em sorteio, essa final dos sonhos será possível caso um dos países se classifique em primeiro lugar em seu grupo da primeira fase e o outro passe em segundo lugar. Na hipótese de os dois conquistarem a mesma colocação em seus grupos na primeira fase (seja primeiro, seja segundo), Brasil e Itália poderão se encontrar em uma semifinal.

“A imagem de Ancelotti comandando o Brasil, talvez contra sua terra natal, na final da Copa do Mundo de 2026, é digna de um filme. Para o Brasil, é uma chance de acabar com 24 anos de frustração; para Ancelotti, uma chance de conquistar o que nenhum técnico estrangeiro jamais conseguiu: vencer a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira”, destaca reportagem da Fox.

Para além do Brasil, são grandes as expectativas para ver pela última vez o craque mega premiado Cristiano Ronaldo defender a camisa de Portugal em uma Copa. Com 41 anos em 2026, ele declarou em entrevista à CNN ser definitiva sua decisão.

Ao mesmo tempo, ainda pairam dúvidas sobre seu grande rival, Lionel Messi. Apesar de já ter se despedido oficialmente da seleção argentina, a pressão para que ele volte a defender seu país ainda uma última vez é grande. Messi atualmente mora e joga por um clube de Miami, o Inter Miami.


No centro das atenções

As emoções com esses e outros jogadores e seleções serão divididas, inicialmente, no que a FIFA chamou de três blocos de sedes: Oeste, Central e Leste. O Canadá responde por duas sedes (Toronto e Vancouver). O México terá três delas. Além da capital do país, que abrigará a abertura, Guadalajara e Monterrey também terão jogos.

São os EUA, porém, que receberão o maior impacto econômico (US$ 17,2 bilhões a mais no PIB) e devem dominar a maior parte do torneio, com 11 cidades-sede e 78 jogos, incluindo o palco da grande final. Além de Nova York/Nova Jersey, elas serão Boston, Filadélfia, Seattle, São Francisco, Los Angeles, Kansas City, Dallas, Houston, Atlanta e Miami.

Para algumas dessas regiões, a Copa pode ser a oportunidade de divulgar destinos turísticos menos conhecidos, como, por exemplo, Kansas City. “(O torneio) significa para essas localidades a oportunidade de se colocar no mapa. Muitos turistas estrangeiros nunca ouviram falar de Kansas City e agora ouvirão”, afirmou o professor de Economia Victor Matheson, em entrevista à rede ABC News.

 

Brasil deve jogar no MetLife Stadium, em Nova York, cidade-sede que deve faturar mais



Caminhos do Brasil

Na outra ponta, cidades-sede que já são destinos conhecidos apostam na criação de experiências que superem as expectativas para conquistar mais turistas. Na primeira fase, na Costa Leste, o Brasil jogará justamente em três delas. Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e Miami serão, nessa ordem, os locais dos jogos contra o Marrocos (em 13 de junho), Haiti (19 de junho) e Escócia (24 de junho).

A Filadélfia, que vai hospedar seis jogos no total, incluindo um no dia 4 de julho, feriado da Independência dos EUA, promete uma grande celebração na data. Já Miami, que será palco de sete partidas e é conhecida pela latinidade, tem a ambição de ser um hub inicial para torcedores, como os brasileiros, em suas jornadas.

“Estamos criando uma plataforma para que todos possam realmente aproveitar essa experiência, criar memórias com suas famílias e fazer parte de algo que levarão consigo para o resto da vida”, prometeu a CMO (Chief Marketing Officer) do Comitê Organizador de Miami, Janelle Prieto, em entrevista ao USA Today.


A Big Apple e o Super Bowl

Deve ser Nova York/Nova Jersey (NYNJ), no entanto, com o MetLife Stadium, a sede que irá faturar mais. O Comitê local anunciou que espera receber mais de 1,2 milhão de visitantes e acredita em um impacto econômico de US$ 3,3 bilhões na região. Os organizadores estão confiantes de que entregarão a maior Copa que o mundo já assistiu. Uma das vantagens, não só de Nova York, mas de todo o país, é a excelente infraestrutura existente, que será aproveitada.

“Com infraestrutura de classe mundial, diversidade cultural e conectividade incomparável, NYNJ está preparada para oferecer uma experiência memorável da Copa do Mundo da FIFA — dentro e fora de campo”, afirmou em evento recente o CEO do Comitê Organizador de NYNJ, Alex Lasry. “A final será o maior evento da história, e isso não é nenhum exagero. Se você pensar na audiência da última final da Copa do Mundo, foi a mesma quantidade de pessoas que assistiram aos últimos 13 Super Bowls juntos.”

O Super Bowl é a final do campeonato de futebol americano e é visto como um dos eventos mais assistidos do mundo, angariando milhões em campanhas publicitárias e patrocínios. A Copa do Mundo da FIFA 2026 tem sido comparada por muitos, nos EUA, como algo equivalente a mais de uma dezena de Super Bowls. Marcas de peso, como Coca-Cola, Visa, Ferrero North America, State Farm, Home Depot, Kia, Lenovo e Adidas confirmaram sua participação.


Temores (e preços) tão altos quanto as expectativas

As promessas de um grande espetáculo em Nova York, no entanto, caminham lado a lado com desafios igualmente grandes. Vem da partida final o exemplo de um dos pontos mais controversos do torneio organizado pela FIFA. No final de outubro, na segunda fase de vendas de ingressos, o público viu um salto assustador nos preços, que já vinham sendo considerados exorbitantes desde a abertura do primeiro lote, no começo daquele mês.

Não é exagero. “Nas alturas”, “astronômicos” e “inaceitáveis” foram alguns dos adjetivos dados por torcedores e até pela imprensa especializada. Para se ter uma ideia, o ingresso na Categoria 1 (arquibancada inferior e segundo andar) subiu de US$ 6,7 mil (cerca de R$ 37 mil pela cotação de 19/12) no primeiro lote de pré-venda para US$ 7 mil (aproximadamente R$ 38,6 mil) no segundo lote.

Os preços para a arquibancada superior, também na final, que íam de US$ 2.790 (ou R$ 15,4 mil) a US$ 4.210 (cerca de R$ 23,2 mil), passaram para a faixa dos US$ 3.450 (ou R$ 19 mil) a US$ 5.055 (equivalentes a R$ 27,8 mil).

Na primeira semifinal, em Dallas, a Categoria 1 foi de US$ 2.780 (pouco mais de R$ 15,3 mil) para US$ 3.295 (ou R$ 18,1 mil). Já os mais baratos, na Categoria 3 (andar superior acima do gol), passaram de US$ 720 (cerca de R$ 3,97 mil) para US$ 930 (ou R$ 5,1 mil). Na fase de grupos, os valores ficaram estáveis nos EUA, mas subiram cerca de 25% no Canadá e México, segundo o portal The Athletic, do New York Times.

As mudanças se devem à nova política implementada pela FIFA, no modelo de preços dinâmicos, com valores que flutuam de acordo com a demanda. A Federação ainda passou a oferecer um sistema de “direito de compra” que garante a aquisição de ingressos, mas acredita-se que os preços devam ficar ainda maiores nessa opção.

Ao lado dos valores proibitivos para muitos, pairam pontos nebulosos sobre interferências de cunho político nas localidades dos jogos. O presidente Donald Trump vem repetindo nos últimos meses que está preparado para ordenar a transferência de jogos de cidades que ele considera inseguras, chegando a citar nominalmente Seattle, São Francisco, Boston e Los Angeles. A mudança traria impactos econômicos e de imagem consideráveis.

Embora os contratos sejam fechados diretamente entre as cidades-sede e a FIFA, e não com o governo do país, um porta-voz da Federação sugeriu em outubro que ela se alinharia a Trump. O argumento é que a segurança é responsabilidade do governo e é a ele que cabe decidir o que é melhor nesse caso.

Existem, ainda, as dúvidas sobre o endurecimento e a lentidão no processo de emissão de vistos pelos EUA. Para resolver o problema da lentidão, Trump anunciou no mês passado o FIFA Pass, que permitirá que torcedores com ingresso comprado para a Copa possam furar a fila das entrevistas para visto a partir do início de 2026. O programa não garante a aprovação do visto, apenas o agendamento mais rápido da entrevista.


 Estela Cangerana, dos Estados Unidos

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