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| FiFA/Divulgação |
De um lado, a despedida de lendas como Cristiano Ronaldo e a promessa do espetáculo mais grandioso de todos os tempos; de outro, preços exorbitantes de ingressos, dificuldades com vistos e ameaças de mudanças de Trump.
Tudo quase pronto. A menos de
seis meses da abertura, em 11 de junho, as expectativas e temores para a Copa
do Mundo de Futebol Masculino de 2026 estão nas alturas. Em jogo, um espetáculo
que pode gerar bilhões de dólares em ganhos para o esporte e para diversos
setores econômicos, ou um fiasco em que foram gastos outros bilhões.
Os números do maior torneio de
todos os tempos são superlativos para o bem e para o mal, literalmente, gerando
muitas críticas e dúvidas. Mesmo a imprensa dos Estados Unidos, país que
concentrará a maior parte dos jogos, mas que não tem no futebol um esporte
popular, tem se dedicado frequentemente ao tema.
Segundo documento divulgado
pela FIFA, a expectativa é de um público presencial aos jogos de 6,5 milhões de
pessoas e outros bilhões assistindo remotamente, e impacto de US$ 40,9 bilhões
no Produto Interno Bruto (PIB) global, além dos benefícios aos setores de
turismo, transportes e varejo. Os governos deverão receber em torno de US$ 9,4
bilhões em impostos diretos e indiretos, e serão gerados 824 mil empregos de
período integral.
A previsão é que o torneio
envolva gastos de US$ 13,9 bilhões, incluindo investimentos de capital, custos
das cidades-sede, orçamento da própria FIFA e de turistas esperados.
Serão, pela primeira vez na
história, três países-sede: Estados Unidos, Canadá e México, e 48 seleções
participantes (16 a mais que as 32 que estiveram no Qatar em 2022). Elas se
enfrentarão em 104 partidas, durante 39 dias, desde a abertura, na Cidade do México,
em 11 de junho, até a final em Nova York/Nova Jersey, nos EUA, em 19 de julho.
Amarelinha
em destaque
E é neste ponto que começam as
expectativas. As especulações sobre o futuro do Brasil, o maior campeão de
Copas de todos os tempos, com Ancelotti, o técnico que conquistou tudo que o
futebol de clubes pode oferecer, estão na pauta dos jornalistas norte-americanos.
Em reportagem, a Fox Sports destacou a nova era da seleção sob
o comando de seu primeiro treinador internacional e o controle que ele tem
moldado ao time. Revelou, ainda, o que seria o sonho do treinador e de pessoas
do mundo inteiro: uma final entre Brasil e Itália.
De acordo com os caminhos das
seleções definidos em sorteio, essa final dos sonhos será possível caso um dos
países se classifique em primeiro lugar em seu grupo da primeira fase e o outro
passe em segundo lugar. Na hipótese de os dois conquistarem a mesma colocação
em seus grupos na primeira fase (seja primeiro, seja segundo), Brasil e Itália
poderão se encontrar em uma semifinal.
“A imagem de Ancelotti
comandando o Brasil, talvez contra sua terra natal, na final da Copa do Mundo
de 2026, é digna de um filme. Para o Brasil, é uma chance de acabar com 24 anos
de frustração; para Ancelotti, uma chance de conquistar o que nenhum técnico
estrangeiro jamais conseguiu: vencer a Copa do Mundo com a Seleção Brasileira”,
destaca reportagem da Fox.
Para além do Brasil, são
grandes as expectativas para ver pela última vez o craque mega premiado
Cristiano Ronaldo defender a camisa de Portugal em uma Copa. Com 41 anos em
2026, ele declarou em entrevista à CNN ser definitiva sua
decisão.
Ao mesmo tempo, ainda pairam
dúvidas sobre seu grande rival, Lionel Messi. Apesar de já ter se despedido
oficialmente da seleção argentina, a pressão para que ele volte a defender seu
país ainda uma última vez é grande. Messi atualmente mora e joga por um clube
de Miami, o Inter Miami.
No centro
das atenções
As emoções com esses e outros
jogadores e seleções serão divididas, inicialmente, no que a FIFA chamou de
três blocos de sedes: Oeste, Central e Leste. O Canadá responde por duas sedes
(Toronto e Vancouver). O México terá três delas. Além da capital do país, que
abrigará a abertura, Guadalajara e Monterrey também terão jogos.
São os EUA, porém, que
receberão o maior impacto econômico (US$ 17,2 bilhões a mais no PIB) e devem
dominar a maior parte do torneio, com 11 cidades-sede e 78 jogos, incluindo o
palco da grande final. Além de Nova York/Nova Jersey, elas serão Boston,
Filadélfia, Seattle, São Francisco, Los Angeles, Kansas City, Dallas, Houston,
Atlanta e Miami.
Para algumas dessas regiões, a
Copa pode ser a oportunidade de divulgar destinos turísticos menos conhecidos,
como, por exemplo, Kansas City. “(O torneio) significa para essas localidades a
oportunidade de se colocar no mapa. Muitos turistas estrangeiros nunca ouviram
falar de Kansas City e agora ouvirão”, afirmou o professor de Economia Victor
Matheson, em entrevista à rede ABC News.
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| Brasil deve jogar no MetLife Stadium, em Nova York, cidade-sede que deve faturar mais |
Caminhos
do Brasil
Na outra ponta, cidades-sede
que já são destinos conhecidos apostam na criação de experiências que superem
as expectativas para conquistar mais turistas. Na primeira fase, na Costa
Leste, o Brasil jogará justamente em três delas. Nova York/Nova Jersey, Filadélfia
e Miami serão, nessa ordem, os locais dos jogos contra o Marrocos (em 13 de
junho), Haiti (19 de junho) e Escócia (24 de junho).
A Filadélfia, que vai hospedar
seis jogos no total, incluindo um no dia 4 de julho, feriado da Independência
dos EUA, promete uma grande celebração na data. Já Miami, que será palco de
sete partidas e é conhecida pela latinidade, tem a ambição de ser um hub
inicial para torcedores, como os brasileiros, em suas jornadas.
“Estamos criando uma plataforma
para que todos possam realmente aproveitar essa experiência, criar memórias com
suas famílias e fazer parte de algo que levarão consigo para o resto da vida”,
prometeu a CMO (Chief Marketing Officer) do Comitê Organizador de Miami,
Janelle Prieto, em entrevista ao USA Today.
A Big
Apple e o Super Bowl
Deve ser Nova York/Nova Jersey
(NYNJ), no entanto, com o MetLife Stadium, a sede que irá faturar mais. O
Comitê local anunciou que espera receber mais de 1,2 milhão de visitantes e
acredita em um impacto econômico de US$ 3,3 bilhões na região. Os organizadores
estão confiantes de que entregarão a maior Copa que o mundo já assistiu. Uma
das vantagens, não só de Nova York, mas de todo o país, é a excelente
infraestrutura existente, que será aproveitada.
“Com infraestrutura de classe mundial,
diversidade cultural e conectividade incomparável, NYNJ está preparada para
oferecer uma experiência memorável da Copa do Mundo da FIFA — dentro e fora de
campo”, afirmou em evento recente o CEO do Comitê Organizador de NYNJ, Alex
Lasry. “A final será o maior evento da história, e isso não é nenhum exagero.
Se você pensar na audiência da última final da Copa do Mundo, foi a mesma
quantidade de pessoas que assistiram aos últimos 13 Super Bowls juntos.”
O Super Bowl é a final do
campeonato de futebol americano e é visto como um dos eventos mais assistidos
do mundo, angariando milhões em campanhas publicitárias e patrocínios. A Copa
do Mundo da FIFA 2026 tem sido comparada por muitos, nos EUA, como algo
equivalente a mais de uma dezena de Super Bowls. Marcas de peso, como
Coca-Cola, Visa, Ferrero North America, State Farm, Home Depot, Kia, Lenovo e
Adidas confirmaram sua participação.
Temores (e
preços) tão altos quanto as expectativas
As promessas de um grande
espetáculo em Nova York, no entanto, caminham lado a lado com desafios
igualmente grandes. Vem da partida final o exemplo de um dos pontos mais
controversos do torneio organizado pela FIFA. No final de outubro, na segunda
fase de vendas de ingressos, o público viu um salto assustador nos preços, que
já vinham sendo considerados exorbitantes desde a abertura do primeiro lote, no
começo daquele mês.
Não é exagero. “Nas alturas”,
“astronômicos” e “inaceitáveis” foram alguns dos adjetivos dados por torcedores
e até pela imprensa especializada. Para se ter uma ideia, o ingresso na
Categoria 1 (arquibancada inferior e segundo andar) subiu de US$ 6,7 mil (cerca
de R$ 37 mil pela cotação de 19/12) no primeiro lote de pré-venda
para US$ 7 mil (aproximadamente R$ 38,6 mil) no segundo lote.
Os preços para a arquibancada
superior, também na final, que íam de US$ 2.790 (ou R$ 15,4 mil) a US$ 4.210
(cerca de R$ 23,2 mil), passaram para a faixa dos US$ 3.450 (ou R$ 19 mil) a
US$ 5.055 (equivalentes a R$ 27,8 mil).
Na primeira semifinal, em
Dallas, a Categoria 1 foi de US$ 2.780 (pouco mais de R$ 15,3 mil) para US$
3.295 (ou R$ 18,1 mil). Já os mais baratos, na Categoria 3 (andar superior
acima do gol), passaram de US$ 720 (cerca de R$ 3,97 mil) para US$ 930 (ou R$ 5,1
mil). Na fase de grupos, os valores ficaram estáveis nos EUA, mas subiram cerca
de 25% no Canadá e México, segundo o portal The Athletic, do New York
Times.
As mudanças se devem à nova
política implementada pela FIFA, no modelo de preços dinâmicos, com valores que
flutuam de acordo com a demanda. A Federação ainda passou a oferecer um sistema
de “direito de compra” que garante a aquisição de ingressos, mas acredita-se
que os preços devam ficar ainda maiores nessa opção.
Ao lado dos valores proibitivos
para muitos, pairam pontos nebulosos sobre interferências de cunho político nas
localidades dos jogos. O presidente Donald Trump vem repetindo nos últimos
meses que está preparado para ordenar a transferência de jogos de cidades que
ele considera inseguras, chegando a citar nominalmente Seattle, São Francisco,
Boston e Los Angeles. A mudança traria impactos econômicos e de imagem
consideráveis.
Embora os contratos sejam
fechados diretamente entre as cidades-sede e a FIFA, e não com o governo do
país, um porta-voz da Federação sugeriu em outubro que ela se alinharia a
Trump. O argumento é que a segurança é responsabilidade do governo e é a ele
que cabe decidir o que é melhor nesse caso.
Existem, ainda, as dúvidas
sobre o endurecimento e a lentidão no processo de emissão de vistos pelos EUA.
Para resolver o problema da lentidão, Trump anunciou no mês passado o FIFA
Pass, que permitirá que torcedores com ingresso comprado para a Copa possam
furar a fila das entrevistas para visto a partir do início de 2026. O programa
não garante a aprovação do visto, apenas o agendamento mais rápido da
entrevista.
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/sucesso-total-ou-fracasso-estrondoso-o-que-esperar-da-copa-do-mundo-de-2026


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