No mundo corporativo, onde títulos acadêmicos e domínio técnico são cada vez mais comuns, o que realmente diferencia um profissional e impulsiona sua carreira é a forma como ele se comporta. Atitudes diante de conflitos, postura diante de críticas, capacidade de adaptação e empatia no trabalho em equipe são habilidades comportamentais cada vez mais valorizadas — e negligenciadas. Muitos profissionais se sabotam sem perceber, mesmo tendo excelente formação e experiência.
Segundo Orlando Pavani Júnior, especialista em Primazia da Gestão e Comportamento Humano, esse descuido com o desenvolvimento pessoal é um dos principais obstáculos para o crescimento profissional. “Mais de 80% das demissões não acontecem por questões técnicas e sim por lacunas comportamentais”, afirma. A boa notícia, segundo ele, é que ao reconhecer os próprios padrões e traços limitantes, é possível reverter esse cenário e alcançar novos patamares na carreira.
Pavani é categórico ao rejeitar o termo “inteligência emocional”. Para ele, trata-se de um equívoco popularizado por Daniel Goleman, que se apropriou de duas inteligências propostas por Howard Gardner – a intra e a interpessoal – e cunhou um termo que, do ponto de vista técnico, não faz sentido. “A emoção não tem inteligência nenhuma, nunca teve. O que podemos controlar com inteligência são os comportamentos que decorrem das emoções. Por isso, o termo mais adequado é inteligência comportamental”, explica.
Essa inteligência é essencial para o sucesso profissional, mas infelizmente ainda pouco trabalhada de forma estruturada ao longo da carreira da maioria das pessoas. “A formação acadêmica nos ensina habilidades técnicas, mas deixa de lado o desenvolvimento humano profundo, o autoconhecimento e a capacidade de lidar com as próprias emoções e com o outro de forma eficaz”, afirma Pavani.
Segundo ele, até mesmo ambientes religiosos – que, muitas vezes, acabam sendo o único espaço de tentativa de autodesenvolvimento – podem, em certos casos, contribuir negativamente. “Quando a prática religiosa reforça comportamentos inflexíveis, ela pode piorar o comportamento do indivíduo, gerando intolerância e confrontos insolúveis”, pontua.
Para quem deseja avançar na carreira, Pavani alerta para cinco comportamentos que mais sabotam o crescimento profissional:
● Falta de Consciência Emocional – É a
incapacidade de nomear
corretamente
o que se sente. A pessoa transfere a culpa de sua irritação ou incômodo ao
outro, sem reconhecer que o problema está dentro dela.
● Falta de Foco – Incapacidade de priorizar
tarefas e gerenciar o
tempo
com eficiência, o que gera dispersão e baixa produtividade.
● Falta de Elasticidade – Dificuldade em
considerar o ponto de vista
contrário
como parte do processo de construção de opinião.
● Falta de Compaixão Empática – Incapacidade
de se colocar no lugar
do
outro, prejudicando os relacionamentos interpessoais.
● Alta Expressão Emocional – Tendência de
demonstrar emoções de
forma exagerada, com gestos e expressões faciais que geram antipatia e afastamento.
Para identificar esses comportamentos sabotadores, o primeiro passo é o autoconhecimento. “É preciso viajar para dentro de si mesmo, sem medo do que vai encontrar. É aí que está o começo da transformação”, aconselha.
Pavani recomenda que o desenvolvimento da inteligência comportamental seja feito por meio de ferramentas específicas, como o teste que mapeia o modelo mental do indivíduo – disponível no site Olho de Tigre | Especialização comportamental – e de métodos estruturados. “Criamos uma especialização completa em desenvolvimento humano para ajudar o profissional a se tornar sua melhor versão”, conclui.
O
recado é claro: quem quer crescer na carreira precisa parar de mirar apenas nas
habilidades técnicas e começar a investir no seu comportamento. Afinal, são os
traços invisíveis do dia a dia que definem se alguém será promovido – ou
demitido.
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