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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Irmãos podem ter ancestralidades diferentes? A genética explica

Mesmo com os mesmos pais e a mesma história familiar, cada filho recebe uma combinação única de DNA, o que pode trazer surpresas em um teste de ancestralidade

 

Um sobrenome italiano, histórias sobre um bisavô português ou lembranças de parentes que vieram de outros lugares. Muitas famílias guardam pistas sobre suas origens em documentos, fotografias ou relatos que atravessam gerações. Mas existe uma parte dessa história que está no DNA. E uma delas surge quando irmãos fazem testes de ancestralidade. 

Mesmo sendo filhos do mesmo pai e da mesma mãe, os resultados de um teste de ancestralidade não precisam ser iguais. Um pode apresentar uma proporção maior de determinada ancestralidade do que o outro.

Essa diversidade genética ganha contornos ainda mais interessantes em um país marcado pela miscigenação. Um estudo publicado em 2026 na revista científica Scientific Reports, por exemplo, analisou marcadores genéticos de 302 indígenas de populações do Norte e Centro-Oeste do Brasil e encontrou diferenças expressivas entre os grupos estudados. A ancestralidade ameríndia estimada variou de 47,1% entre Jaguapiru e Bororó a 74,1% entre os Tiriyó, além de diferentes proporções de ancestralidade europeia e africana.1 

Dentro de uma mesma família, porém, outro mecanismo entra em cena. A explicação está na maneira como herdamos nosso material genético: cada filho recebe aproximadamente 50% do DNA da mãe e 50% do pai, mas as partes transmitidas não são necessariamente as mesmas. Durante a formação dos óvulos e espermatozoides, segmentos dos cromossomos são reorganizados. A cada gestação, surge uma nova composição. 

“Quando falamos que dois irmãos recebem metade do DNA da mãe e metade do pai, é fácil imaginar que essa divisão seja igual para todos os filhos, mas não é assim que acontece. Cada um recebe uma combinação própria e, por isso, um irmão pode carregar mais segmentos associados a determinada ancestralidade do que o outro”, explica Ricardo Di Lazzaro, médico doutor em genética e fundador de Genera, marca da Dasa.
 

Carga genética não está somente na aparência 

A recombinação genética também ajuda a entender por que irmãos podem ter predisposições diferentes para algumas condições de saúde presentes na família. Cada filho herda uma combinação própria de variantes dos pais. Em doenças comuns e multifatoriais, como diabetes tipo 2 e hipertensão, essa herança genética é apenas uma parte do risco, que também sofre influência de hábitos, ambiente e outros fatores. 

A ancestralidade pode trazer outras pistas. Algumas variantes associadas a doenças são mais frequentes em determinadas populações. A fibrose cística, por exemplo, tem maior frequência em populações de ancestralidade europeia, enquanto a doença falciforme é mais frequente em pessoas com ancestralidade africana. Isso não significa que essas condições sejam exclusivas desses grupos, nem que a ancestralidade, sozinha, determine quem desenvolverá uma doença. 

“A aparência também não revela todas as nossas origens. Cor da pele, textura do cabelo, formato dos olhos e outras características correspondem a uma parcela das informações presentes no genoma. Irmãos podem herdar combinações diferentes de variantes genéticas, inclusive algumas relacionadas à saúde. Por isso, compartilhar os mesmos pais não significa ter exatamente as mesmas predisposições genéticas”, afirma Di Lazzaro.
 

O que o teste pode mostrar? 

Segundo a Dra. Fernanda Soardi, consultora em genética e genômica do Lustosa, marca Dasa em Minas Gerais, os testes de ancestralidade analisam milhares de marcadores distribuídos pelo DNA e os comparam com bancos genéticos de populações de diferentes regiões do mundo. O resultado pode apontar, em percentuais, componentes de ancestralidade que nem sempre aparecem nos relatos familiares ou são percebidos pela aparência. Esses percentuais são estimativas e podem variar de acordo com as populações utilizadas como referência na análise. 

“No Brasil, essa investigação pode trazer resultados especialmente diversos. A formação da população brasileira reúne séculos de encontros entre povos indígenas, africanos, europeus e grupos que chegaram ao país em diferentes movimentos migratórios”, conclui a geneticista.
 

Referência:

Link


Dia Nacional de Combate ao Fumo: 6 sinais na saúde bucal que fumantes não devem ignorar

 

Envato
Tabagismo está entre os principais fatores de risco para doenças da boca; cirurgiã-dentista orienta sobre sinais de alerta e cuidados que ajudam a prevenir complicações

 

O cigarro costuma ser associado principalmente a doenças respiratórias e cardiovasculares, mas seus impactos também se manifestam na saúde bucal. O tabagismo pode favorecer alterações na mucosa, problemas gengivais e ósseos, perda de dentes e, em casos mais graves, câncer de boca. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o tabaco e o álcool estão entre os principais fatores de risco para o câncer da cavidade oral, que pode atingir regiões como lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, língua e a região abaixo dela. Nas estimativas do INCA para 2026, o câncer da cavidade oral é o quinto tipo de câncer mais incidente entre os homens no Brasil, com 12.260 novos casos estimados. A doença também pode afetar mulheres, e muitos casos ainda são diagnosticados em estágios avançados.

“Quando falamos sobre os impactos do tabagismo, é importante lembrar que a boca está diretamente exposta às substâncias presentes no cigarro. Além de aumentar o risco de doenças gengivais e câncer de boca, o hábito pode contribuir para a perda dentária e comprometer condições importantes para tratamentos de reabilitação oral, como os implantes dentários. Por isso, abandonar o cigarro e manter o acompanhamento odontológico são medidas fundamentais para preservar a saúde bucal”, orienta a cirurgiã-dentista e diretora da Neodent, Dra. Priscila Cordeiro.

O tabagismo também pode comprometer os tecidos que sustentam os dentes. Embora a placa bacteriana seja o principal fator associado às doenças gengivais, o cigarro pode agravar problemas já existentes, favorecendo inflamações, perda de suporte dos dentes, mobilidade e, em situações mais avançadas, perda dentária.

Esse impacto também merece atenção quando há necessidade de reabilitação oral. O sucesso de tratamentos com implantes dentários, que podem ser uma opção de reabilitação, quando clinicamente indicados para quem já perdeu os dentes, depende de uma série de fatores relacionados a hábitos e às condições da boca, e o tabagismo pode prejudicar a cicatrização e a integração do implante ao osso. Por isso, a avaliação e o acompanhamento profissional são essenciais para definir a melhor conduta em cada caso.


Quais sinais merecem atenção?

De acordo com o Ministério da Saúde, é importante observar regularmente lábios, bochechas, gengivas, céu da boca, língua e a região abaixo dela. Entre os sinais que devem ser avaliados por um profissional, Priscila destaca:

  • feridas na boca que não cicatrizam por mais de 15 dias;
  • manchas brancas ou avermelhadas;
  • caroços ou nódulos;
  • rouquidão persistente;
  • dificuldade para mastigar ou engolir;
  • dificuldade para movimentar a língua ou falar.

Ao identificar alguma alteração persistente na boca, mesmo que não provoque dor, é importante procurar um dentista ou outro profissional de saúde para avaliação. O diagnóstico precoce é importante e pode contribuir para melhores resultados no tratamento. É importante ressaltar que esses sinais também podem estar relacionados a outras condições de saúde e não significam, necessariamente, a existência de câncer.

 

Como proteger a saúde da boca?

  1. Parar de fumar
    Abandonar o cigarro é a principal medida para reduzir a exposição às substâncias tóxicas do tabaco. O SUS disponibiliza tratamento para cessação do tabagismo, conforme a organização local. Para tanto, a pessoa interessada deve buscar a UBS mais próxima.
  2. Manter uma boa higiene bucal
    Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia, utilizando creme dental com flúor, e usar fio dental diariamente podem ajudar a controlar a placa bacteriana e prevenir cáries e doenças gengivais.
  3. Fazer acompanhamento odontológico
    Consultas periódicas permitem identificar alterações nos dentes, gengivas e mucosas antes que evoluam. Para fumantes e ex-fumantes, a atenção aos sinais de alerta deve ser ainda maior.
  4. Reduzir outros fatores de risco
    O especialista reforça que consumo de bebidas alcoólicas também está associado ao câncer de boca. A combinação entre álcool e tabaco merece atenção especial, pois aumenta o risco de desenvolvimento da doença. Mais do que uma preocupação estética, cuidar da saúde bucal significa prevenir doenças e preservar estruturas importantes para a qualidade de vida. “Para quem já apresenta perda dentária e precisa de reabilitação oral, os implantes dentários são uma excelente alternativa, mas a avaliação individualizada é fundamental para determinar as possibilidades de tratamento para cada caso”, finaliza Priscila.

 

Neodent
Expedição Novos Sorrisos


Dormir muito não é dormir bem: como a apneia do sono afeta a saúde masculina e a produção hormonal

Especialista do Sabin Diagnóstico e Saúde alerta para os impactos da má qualidade do sono e destaca soluções para diagnóstico
 

Dormir várias horas nem sempre significa ter um sono reparador. Para homens que acordam cansados, apresentam sonolência durante o dia ou percebem queda de disposição, a qualidade do descanso pode ser um fator importante a se investigar. A apneia do sono, por exemplo, provoca interrupções da respiração durante a noite, reduzindo drasticamente a capacidade de recuperação do organismo. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos durmam pelo menos 7 horas por noite, regularmente. Segundo Ana Clara D’Campora, médica endocrinologista e especialista consultora do Sabin Diagnóstico e Saúde, mais do que cumprir a quantidade recomendada de horas de sono, estar atento a qualidade do descanso também é fundamental. "Condições como a ansiedade e a apneia podem impedir que a pessoa relaxe o suficiente e alcance nos níveis mais profundos do sono, levando àquela sensação de que dormiu, mas não descansou”, explica. 

A ansiedade pode comprometer a qualidade do sono ao dificultar o relaxamento, o adormecimento e favorecer despertares durante a noite. Como resultado: sonolência diurna, irritabilidade, dificuldade de memória, dores de cabeça matinais, ronco alto e pausas na respiração também são sinais que merecem atenção. Na apneia do sono, os microdespertares prejudicam a recuperação física e mental, afetando concentração, atenção e memória.
 

Sono, testosterona e saúde metabólica 

A fragmentação do sono também pode desregular a produção de hormônios, incluindo os sexuais. Existe uma associação clínica entre a apneia e a queda nos níveis de testosterona. Contudo, a relação não deve ser entendida apenas como uma causa direta, já que fatores como a obesidade podem influenciar ambas as condições. A idade, a síndrome metabólica e alterações no colesterol e na pressão arterial também são fatores que interferem na produção hormonal. 

“A pessoa não descansa e isso afeta a produção hormonal, pois é como se o corpo estivesse sempre em estado de alerta. A falta de um repouso adequado prejudica a disposição e até a capacidade de reter informações”, afirma Ana Clara. Fatores adicionais, como o estresse crônico, o diabetes, o uso de opioides, corticoides e esteroides anabolizantes, também são elementos que podem impactar negativamente a testosterona.
 

Quando investigar 

Ronco persistente, sonolência excessiva durante o dia, hipertensão e ganho de peso são sinais que merecem investigação. A apneia não tratada pode aumentar o risco cardiovascular e de resistência à insulina, além de comprometer memória e concentração e elevar o risco de acidentes relacionados à sonolência. A avaliação deve ser feita por um especialista, que poderá indicar o exame mais adequado para cada caso.
 

Exame do sono – Biologix

A avaliação da qualidade do sono pode ser feita por meio de exames inovadores, como o Biologix. O teste digital que já está disponível para os clientes do Sabin Diagnóstico e Saúde. Para ter acesso, basta agendar a entrega do aparelho no e-commerce do Sabin e recebê-lo em casa. O serviço de delivery providencia a retirada no dia seguinte. 

O Biologix conecta o smartphone a um sensor compacto e sem fios no dedo, similar a um oxímetro. O exame tem acurácia de 90% e foi validado clinicamente no InCor (Instituto do Coração do HCFMUSP), além de certificado pelos órgãos regulatórios. 

Tudo é feito por meio de um dispositivo sem fio, similar a um oxímetro, conectado via bluetooth a um aplicativo de smartphone. O laudo é liberado logo após a conclusão do exame, permitindo suporte ágil. O sistema acompanha parâmetros como saturação de oxigênio, frequência cardíaca e episódios de apneia durante o sono. A interpretação dos resultados, alinhada à avaliação clínica médica, é fundamental para o direcionamento de exames complementares e a definição da melhor conduta terapêutica para o resgate da qualidade do sono.



Grupo Sabin
site


Congelamento de tecido ovariano já é realidade no Brasil e é testado no exterior para retardar a menopausa

No Brasil, a criopreservação de tecido ovariano é usada há anos para preservar a fertilidade de pacientes com câncer; lá fora, ganha força a hipótese de usar a mesma técnica para adiar a menopausa, algo que ainda está longe de virar realidade no país


A criopreservação de tecido ovariano não é novidade no país e clínicas de oncofertilidade recorrem à técnica há anos para preservar a fertilidade de pacientes que precisam passar por tratamentos como quimioterapia.

 

“A técnica deixou de ser considerada experimental em vários países, proporcionou centenas de nascimentos e funciona principalmente para mulheres que correm risco de perder a função dos ovários por tratamentos médicos”, diz o ginecologista Edvaldo Cavalcante, responsável pelo Serviço de Cirurgia Minimamente Invasiva da Clínica Genics.

 

Esse uso, no entanto, segue regras específicas: pelo Parecer CFM nº 5/2021, o congelamento e o autotransplante de tecido ovariano para preservar funções reprodutivas ou hormonais só podem ser realizados no país dentro de protocolos de pesquisa clínica aprovados pelo sistema CEP/Conep. Na prática, isso significa que nenhuma mulher brasileira consegue hoje buscar o procedimento fora de um estudo autorizado, muito menos com o objetivo de adiar a menopausa.

 


A hipótese que vem de fora

 

É lá fora que ganha força uma ideia diferente da que sustenta o uso do procedimento no Brasil: congelar o tecido ainda jovem e reimplantá-lo por volta dos 50 anos, na tentativa de atrasar a chegada da menopausa em mulheres saudáveis, sem relação com câncer ou risco à fertilidade.

 

A hipótese ganhou força a partir de um estudo de modelagem matemática publicado em 2024, que estimou que congelar e depois transplantar tecido ovariano poderia atrasar a menopausa, com efeito tanto maior quanto mais jovem for a mulher no momento da coleta do tecido.

 

Os estudos ainda são iniciais. “É uma hipótese baseada em modelos matemáticos e em pesquisas preliminares, não existem apurações clínicas robustas que comprovem o funcionamento de forma segura em mulheres saudáveis”, diz Cavalcante.

 

Uma revisão sistemática publicada em 2022 na revista científica Human Reproduction Open, que reuniu dados individuais de 85 estudos ao redor do mundo, mostrou que mais de 70% das mulheres apresentaram retorno da função ovariana cerca de 19 semanas após o transplante do tecido congelado, com taxas de gravidez de 37% e de nascimento vivo de 28%, sendo que a maior parte das gestações ocorreu de forma espontânea.

 

O levantamento contabilizou ao menos 189 nascimentos a partir da técnica, número que revisões internacionais mais recentes já situam acima de 200, mas nenhum deles associado ao uso eletivo para adiar menopausa. Além de devolver a fertilidade, o reimplante permite a retomada da produção de estrogênio e progesterona, o que ajuda a restaurar o ciclo menstrual e a aliviar sintomas da insuficiência ovariana precoce.

 

Embora sociedades internacionais já reconheçam a criopreservação de tecido ovariano como método estabelecido para determinadas indicações médicas, seu uso eletivo em mulheres saudáveis para adiar a menopausa ainda é tema de debate, mesmo fora do Brasil: faltam evidências sobre segurança, duração e benefícios reais em comparação com a terapia hormonal tradicional e, por isso, não deve ser apresentado como tratamento rotineiro nem como substituto comprovado dela, afirma o sócio-fundador da Genics, Philip Wolff.

 

“Trata-se de uma área em desenvolvimento que ainda exige pesquisa clínica, acompanhamento de longo prazo, definição ética e regulatória. Mesmo assim, com otimismo, a clínica Genics já está se especializando nisso para que, no futuro, seja um serviço ofertado para a população”, finaliza Wolff.

 

Clínica Genics


Fontes citadas: Khattak, H. et al. "Fresh and cryopreserved ovarian tissue transplantation for preserving reproductive and endocrine function: a systematic review and individual patient data meta-analysis". Human Reproduction Open, 2022. Parecer CFM nº 5/2021.


Rastreamento e combate ao fumo são principais formas de prevenir câncer de pulmão, diz oncologista da Hapvida

 Especialista explica por que o diagnóstico precoce de pacientes de alto risco pode ampliar as chances de cura

 

O câncer de pulmão continua sendo um dos tumores mais letais do país, principalmente porque a maior parte dos casos só é identificada em fase avançada. Os dados mais recentes do INCA (Instituto Nacional de Câncer) indicam que apenas 16% dos casos são diagnosticados em estágio inicial, o que reduz significativamente as chances de cura. Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, o coordenador da equipe médica de Oncologia da Hapvida, Jorge Abissamra Filho, reforça que a detecção precoce pode mudar completamente o rumo do tratamento. 

Segundo o especialista, descobrir o tumor em estágio inicial costuma abrir espaço para um tratamento com intenção curativa, principalmente via cirurgia ou radioterapia. Dependendo do estágio e das características moleculares do tumor, o tratamento ainda pode ser complementado com quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo. “Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a possibilidade de cura”, afirma Abissamra. 

Ainda de acordo com o INCA, quando descoberto precocemente, 56% das pessoas com câncer de pulmão permanecem vivas cinco anos após o diagnóstico. Considerando todos os estágios da doença, esse índice cai para 18%.

 

Uma doença silenciosa 

Abissamra explica que o pulmão tem grande capacidade funcional e que pequenos tumores podem crescer sem se manifestar, sobretudo quando estão localizados longe dos brônquios maiores. Quando os sinais aparecem, costumam ser inespecíficos, como tosse persistente, falta de ar, cansaço, rouquidão, dor no tórax ou perda de peso sem explicação. “Tossir sangue é um sinal particularmente importante e deve ser investigado rapidamente”, alerta o oncologista. 

A referência internacional mais utilizada para o rastreamento da doença é a recomendação de tomografia computadorizada de tórax de baixa dose uma vez por ano para pessoas entre 50 e 80 anos, com carga tabágica de pelo menos 20 maços-ano, que ainda fumem ou tenham parado há menos de 15 anos. A indicação deve ser individualizada e discutida diretamente com o médico. “Fazer o rastreamento corretamente pode permitir descobrir um câncer quando ele ainda é pequeno, assintomático e potencialmente curável”, lembra o médico.

 

 Cigarros eletrônicos  

Sobre o uso crescente de cigarros eletrônicos, o especialista pondera que ainda não existem estudos de acompanhamento por décadas como há para o cigarro convencional, o que impede de afirmar com precisão qual é o risco de câncer de pulmão associado ao produto. Ainda assim, ele alerta para os perigos do vape, que pode conter nicotina, metais, partículas ultrafinas e substâncias potencialmente tóxicas e carcinogênicas.

 

Benefícios de parar de fumar  

Para quem já fuma há anos, Abissamra reforça que os benefícios de parar aparecem em etapas diferentes. As melhorias cardiovasculares e respiratórias surgem já nas primeiras horas e dias sem cigarro, enquanto a redução do risco de câncer de pulmão é progressiva e leva mais tempo. Cerca de dez a quinze anos após o abandono, esse risco cai de forma significativa em comparação a quem continua fumando, ainda que possa permanecer acima do risco de quem nunca fumou. “Nunca é tarde para parar. Mesmo uma pessoa que fuma há décadas obtém benefício ao abandonar o cigarro”, diz o médico.  

Para o Dia Nacional de Combate ao Fumo, a mensagem do oncologista é direta. “Não existe consumo seguro de cigarro”, afirma Abissamra.


Viih Tube coloca genética e intestino no centro da conversa sobre emagrecimento

Vídeo publicado nas redes sociais mostra exames usados para conhecer características individuais antes de definir ajustes na alimentação e na rotina 


A influenciadora Viih Tube publicou em suas redes sociais um vídeo em que mostra como são feitas as coletas de um teste genético e de microbiota intestinal que integram seu acompanhamento de emagrecimento. Ao explicar aos seus seguidores o procedimento e o que fazer com os resultados, a influenciadora destacou uma abordagem que cruza informações do DNA, da saúde intestinal e da rotina para entender fatores que podem interferir na resposta individual à alimentação e à perda de peso, buscando analisar aspectos biológicos antes de definir a estratégia de emagrecimento. 

Segundo Viih Tube, os exames fazem parte do acompanhamento realizado pela WeFit, uma healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão que atua com uma proposta de emagrecimento metabólico e utiliza os exames como parte da avaliação nutricional. As amostras são coletadas em casa, enviadas para análise e, depois, interpretadas por profissionais antes da definição ou do ajuste da estratégia alimentar. A proposta não é tratar genética ou microbiota como resposta isolada para o peso, mas acrescentar essas informações ao histórico, aos hábitos e à evolução de cada paciente. 

No vídeo, Viih Tube mostra a coleta do material genético feita com um swab passado na parte interna da boca. “É muito simples fazer o teste genético”, afirma a influenciadora ao demonstrar o procedimento. Depois da coleta, a amostra é enviada para análise. Segundo ela, uma das principais dúvidas dos seguidores estava menos no procedimento e mais no que acontece depois: “Você faz o teste genético e fica: o que eu faço com o resultado?”.

Para Bruna Makluf, nutricionista especialista em emagrecimento e diretora de Nutrição da WeFit, é justamente a interpretação que dá utilidade às informações. “O exame não entrega uma dieta pronta. Ele ajuda a conhecer características individuais que precisam ser analisadas junto com alimentação, rotina, histórico e outros dados de saúde. A partir daí, conseguimos entender melhor onde determinados ajustes podem fazer sentido”, explica. 

Na nutrigenética, são avaliadas variantes relacionadas a características como metabolismo de nutrientes, saciedade e resposta individual a determinados componentes da alimentação. O resultado aponta predisposições, mas não determina sozinho se alguém terá maior ou menor facilidade para perder peso.

“Genética não é destino. Uma predisposição não significa que aquilo obrigatoriamente vai acontecer. Ela é mais uma informação para compreender o organismo e individualizar a estratégia”, ressalta Bruna.

Já o exame da microbiota, também mostrado pela influenciadora, analisa microrganismos presentes no intestino. A composição desse ecossistema pode variar de acordo com alimentação, medicamentos, estilo de vida e outros fatores. Na avaliação nutricional, esses dados podem complementar a investigação de sintomas e das respostas do organismo.

No vídeo, Viih Tube também comenta sobre como o processo de acompanhamento vai além da realização dos exames e depende da adaptação da rotina ao longo do tempo. Bruna reforça que os testes são apenas uma das ferramentas dentro de um processo contínuo de avaliação e ajuste. “Nenhum exame, sozinho, define o caminho. Ele precisa ser interpretado dentro de um acompanhamento estruturado, que considera evolução, hábitos e consistência”, afirma. 

É essa combinação de informações que está por trás do chamado emagrecimento metabólico: olhar além do número da balança e considerar fatores que podem interferir no processo, como alimentação, saúde intestinal, sono, atividade física e características individuais. “Ter mais dados não significa, por si só, emagrecer melhor. O que faz diferença é conseguir interpretar essas informações e transformá-las em mudanças possíveis de manter na rotina”, conclui a nutricionista.

A busca por estratégias mais individualizadas ajuda a deslocar o emagrecimento de uma lógica baseada apenas em restrição alimentar e números na balança para uma leitura mais ampla do organismo. Nesse processo, exames e dados podem funcionar como ferramentas complementares para orientar escolhas, desde que sejam interpretados dentro do contexto de saúde, hábitos e rotina de cada pessoa. 

 


Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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Dia Nacional de Combate ao Fumo: nunca é tarde para parar de fumar

Às vésperas do dia 29/08, geriatra da SBGG explica como abandonar o cigarro pode diminuir complicações, favorecer a capacidade funcional e preservar a autonomia mesmo após décadas de tabagismo

 

"Nunca é tarde para parar de fumar. É claro que quanto mais cedo a pessoa abandona o cigarro, maiores são os benefícios. Mas mesmo depois dos 60, 70 ou 80 anos, a interrupção do tabagismo reduz o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), câncer e doenças respiratórias. Diminui também sintomas como tosse e reduz as idas ao pronto-socorro", explica Lucas Gomes de Andrade, médico geriatra e diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). 

Na Geriatria, porém, os benefícios da cessação do tabagismo vão além da prevenção de doenças. O foco também está em preservar a capacidade funcional, ou seja, manter condições de realizar as atividades do dia a dia com autonomia e independência pelo maior tempo possível. 

"Parar de fumar pode melhorar o fôlego, facilitar a prática de atividade física, reduzir infecções respiratórias, favorecer a recuperação após cirurgias e ajudar a pessoa idosa a manter sua independência por mais tempo. Em outras palavras, não é apenas viver mais. É viver melhor."
 

Mais do que prevenir o câncer de pulmão 

Embora o câncer de pulmão seja uma das principais doenças associadas ao tabagismo, os prejuízos do cigarro vão muito além desse diagnóstico. O hábito acelera o envelhecimento do organismo, favorece a perda de massa muscular, aumenta a fragilidade e compromete a capacidade funcional, fatores que interferem diretamente na autonomia e na qualidade de vida. 

"Além de aumentar o risco de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, o cigarro favorece perda de massa muscular, fragilidade e redução da capacidade funcional. Na Geriatria, nosso objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas preservar autonomia e qualidade de vida. E parar de fumar é uma das medidas que mais contribuem para um envelhecimento saudável", reforça Lucas. 

Parar de fumar é a medida mais importante, mas não a única. O cuidado também inclui atividade física regular, alimentação adequada, vacinação, controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e, em alguns casos, a avaliação da indicação de rastreamento do câncer de pulmão por meio de tomografia de baixa dose, conforme critérios clínicos.
 

O papel do geriatra 

O acompanhamento da pessoa idosa fumante vai muito além da recomendação para abandonar o cigarro. O trabalho do geriatra é compreender o momento de vida do paciente, identificar fatores que dificultam a cessação do tabagismo e construir um plano individualizado para aumentar as chances de sucesso. 

"A principal estratégia é ajudar o paciente a parar de fumar: acolher as demandas, conversar e entender se ele está no momento de parar de fumar ou a presença de gatilhos como depressão e ansiedade. Educação continuada e apoio à cessação do tabagismo devem fazer parte do acompanhamento longitudinal. Esta medida continua sendo a que mais reduz o risco de câncer de pulmão e de várias outras doenças relacionadas ao tabagismo."

Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo de abandono do cigarro. "O primeiro passo é acolher, sem julgamentos. Muitos idosos fumam há décadas e já tentaram parar diversas vezes e essas tentativas não representam fracasso, fazem parte do processo. O geriatra procura entender o grau de dependência, identificar as dificuldades e construir um plano individualizado. Dependendo da situação, podemos utilizar orientação comportamental, envolver a família e lançar mão de medicamentos que aumentam as chances de sucesso. Também é importante acompanhar o paciente ao longo do tempo. Recaídas podem acontecer, mas isso não significa que a pessoa não conseguirá parar definitivamente," finaliza Lucas.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

Fibra é a nova proteína? Nutriente foi o mais buscado através da alimentação no último ano; veja ranking completo

iStock

Levantamento da Maximum Boxing revela também os principais objetivos associados à alimentação, que vão de ganhar massa muscular e emagrecer a cuidar do intestino e fortalecer os ossos 

 

Já ouviu falar em fibermaxxing? A tendência de aumentar o consumo de fibras ganhou as redes — e, no Brasil, não foi diferente: o nutriente liderou as buscas online por alimentos que podem fornecê-lo. Um levantamento realizado pela Maximum Boxing, referência em equipamentos para esportes de combate, identificou mais de 1,1 milhão de pesquisas relacionadas a alimentos ricos em nutrientes no Google Brasil.

O estudo mapeou termos como “alimentos com” e suas pesquisas relacionadas, contemplando desde nutrientes específicos até finalidades associadas à alimentação. Entre os resultados, a fibra aparece no topo do ranking, seguida por vitamina B12 e proteínas — um retrato de como as pesquisas online refletem uma busca cada vez mais específica por informações sobre alimentação e suas possíveis relações com diferentes necessidades do organismo.

E não é só sobre descobrir o que colocar no prato, os brasileiros também demonstram interesse em entender como a alimentação pode contribuir para diferentes objetivos, como ganhar massa muscular, emagrecer, aumentar a imunidade ou lidar com necessidades específicas, como anemia e colesterol. 


Quais nutrientes os brasileiros mais querem no prato? 

O ranking mostra que a proteína, que por muito tempo foi uma das queridinhas quando o assunto era alimentação, agora divide espaço com uma nova protagonista. 

Aveia, frutas, verduras, legumes e leguminosas têm algo em comum: são ótimas fontes de fibras e podem ajudar na saúde intestinal, no controle do colesterol e da glicemia. E, ao que tudo indica, os brasileiros estão de olho nesses benefícios: os alimentos ricos em fibra lideram o levantamento (247 mil).

Em seguida, vem a vitamina B12 (207 mil), presente em alimentos que fazem parte do dia a dia, como carnes, peixes, ovos, leite e derivados. As proteínas (149 mil) completam o pódio, podendo ser encontradas em carnes, ovos, peixes, laticínios, feijão e outras leguminosas. 

Mas o ranking não para por aí: o ferro (143 mil) aparece em quarto lugar e pode ser encontrado em alimentos como carnes, feijão, lentilha e folhas verde-escuras. Logo depois vem a vitamina D (117 mil), presente em alguns alimentos, como peixes e produtos fortificados, e também relacionada à produção do nutriente pelo próprio organismo após a exposição solar.

O magnésio, com 81 mil buscas, também aparece entre os nutrientes mais procurados e ganhou espaço nas conversas sobre bem-estar, especialmente quando o assunto é sono e relaxamento. Na alimentação, está presente em castanhas, sementes, leguminosas e folhas verdes. 

Fecham o ranking o zinco, o potássio, o cálcio e a vitamina A. O resultado mostra que, quando o assunto é alimentação, a curiosidade vai bem além da proteína do shake ou da salada do almoço: há interesse por uma verdadeira lista de vitaminas e minerais — e por onde encontrá-los no prato.



O padrão que salta aos olhos é que os quatro primeiros do ranking (fibra, B12, proteína e ferro) concentram 746 mil, ou seja, quase 70% de todo o interesse está em resolver quatro frentes específicas: digestão/saciedade, energia, força muscular e disposição. Os seis últimos itens do ranking dividem os 30% restantes, sugerindo que são nutrientes buscados de forma mais pontual, geralmente atrelados a um sintoma específico, e não a uma tendência ampla como a fibra. 


 

Mas, afinal, por que esses nutrientes despertam tanto interesse? 

Quando o assunto é a finalidade da busca, ganhar massa muscular lidera com 222 mil pesquisas, reforçando a relação cada vez mais próxima entre alimentação, desempenho físico e composição corporal. Não por acaso, as proteínas aparecem como um dos principais elementos associados a esse objetivo, por seu papel na manutenção e construção da massa muscular.

Na sequência, aparecem motivações mais diretamente ligadas à saúde, e boa parte delas estabelece uma conexão com os nutrientes que lideram o primeiro ranking. “Alimentos para anemia” soma 145 mil buscas, enquanto o ferro aparece entre os nutrientes mais pesquisados. 

As buscas por “alimentos para baixar o colesterol” (128 mil) e “alimentos para soltar o intestino” (87 mil), por sua vez, dialogam com a fibra, líder isolada entre os nutrientes — que é diretamente associada ao funcionamento intestinal e também pode contribuir para a manutenção de níveis adequados de colesterol.

Emagrecer também aparece entre os principais objetivos, com 112 mil buscas, conectando-se tanto ao interesse por proteínas quanto à procura por alimentos ricos em fibras, que podem contribuir para a saciedade dentro de uma alimentação equilibrada. Já “alimentos para aumentar a imunidade” soma 100 mil pesquisas e dialoga com o interesse por nutrientes como vitamina D e zinco.

Completam o ranking as buscas por “alimentos para diarreia” (69 mil) e “alimentos para gastrite” (46 mil), mostrando que questões relacionadas ao sistema digestivo também levam os brasileiros a pesquisar alternativas alimentares. Já “alimentos para fortalecer os ossos” soma 27 mil buscas, objetivo que dialoga diretamente com o interesse por nutrientes como cálcio, vitamina D e magnésio.




O cruzamento dos dados mostra, portanto, que as buscas por alimentos não acontecem de forma isolada. Elas partem de objetivos concretos e levam os brasileiros a pesquisar quais nutrientes e alimentos podem estar relacionados a cada necessidade. 

"Esses dados mostram que o brasileiro já não deseja apenas ‘comer melhor’ de forma genérica. Ele quer entender quais nutrientes estão presentes nos alimentos e como a alimentação se relaciona a objetivos específicos, seja para ganhar massa muscular, emagrecer, cuidar do intestino ou fortalecer os ossos. A alimentação passa a ser vista de forma mais estratégica, de acordo com as necessidades e objetivos de cada pessoa", afirma William Ferraz, coordenador da Maximum Boxing.

 

Metodologia 

Para identificar os principais interesses dos brasileiros relacionados à alimentação, a Maximum Boxing analisou pesquisas realizadas no Google Brasil nos últimos 12 meses, a partir de dois grupos de termos.

O primeiro considerou buscas iniciadas por “alimentos com”, contemplando nutrientes como fibras, proteínas, vitaminas e minerais. O segundo reuniu pesquisas iniciadas por “alimentos para”, relacionadas a diferentes objetivos, como ganhar massa muscular, emagrecer, aumentar a imunidade e fortalecer os ossos.

A partir dos volumes de busca registrados para os termos analisados, foram elaborados os rankings de nutrientes e finalidades alimentares mais pesquisados pelos brasileiros no período.

 


Fonte: https://blog.maximumshop.com.br/bem-estar/nutrientes-na-alimentacao


Gordura no fígado afeta 1 em cada 3 brasileiros: entenda sintomas, diagnóstico e tratamento

A doença costuma ser silenciosa e está cada vez mais ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2. Endocrinologista da Dasa explica o que fazer quando suspeitar, como confirmar o diagnóstico e formas de reverter o quadro
 

Um em cada três adultos brasileiros tem gordura no fígado, doença silenciosa que pode ser identificada com exames simples, como exame de sangue e ultrassom abdominal, e, se tratada a tempo, revertida apenas com mudança de hábitos. 

A condição, chamada oficialmente de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), está ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2 muito mais do que ao consumo de bebidas alcoólicas. No Brasil, o estudo ELSA-Brasil, com 10.651 participantes, identificou a condição em 33,4% dos adultos avaliados. Entre jovens com diabetes tipo 2, a prevalência chega a 37%, segundo revisão de 2026 publicada na European Journal of Pediatrics. No mundo, a doença afeta 38% dos adultos e pode superar 55% até 2040, segundo revisão publicada na Clinical and Molecular Hepatology.
 

Quais são as causas da gordura no fígado

  • Obesidade
  • Diabetes tipo 2 e resistência à insulina
  • Consumo de bebidas alcoólicas: pesa menos do que se imagina — a MASLD está muito mais ligada à obesidade e ao diabetes tipo 2.


Confira os principais sintomas da gordura no fígado 

“Na maioria dos casos, a gordura no fígado não dá sintomas, o que atrasa o diagnóstico. Quando aparecem, os sinais costumam indicar um estágio mais avançado da doença”, explica Cristina Khawali, endocrinologista do Delboni e Lavoisier, marcas da Dasa. Dentre os sintomas, podemos destacar:

  • Cansaço constante
  • Desconforto ou dor no lado superior direito do abdômen
  • Inchaço abdominal, perda de apetite ou perda de peso sem explicação
  • Pele e olhos amarelados (icterícia), sinal de estágio avançado que também costuma vir com aumento do fígado, identificado pelo médico no exame físico

"Por décadas, o paciente com gordura no fígado era, no imaginário popular, o paciente que bebia. Mas, hoje, o perfil mais comum é o de alguém com sobrepeso, resistência à insulina ou diabetes tipo 2, muitas vezes sem sintoma nenhum, incluindo jovens. É por isso que chamamos de epidemia silenciosa: a pessoa só descobre a condição quando faz um exame de rotina ou quando a doença já avançou", explica a endocrinologista.
 

Como é feito o diagnóstico

  • Exame de sangue: avalia as enzimas do fígado e permite calcular o escore FIB-4, indicador de risco recomendado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) para quem tem pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
  • Ultrassom abdominal ou elastografia hepática: confirmam o diagnóstico quando o FIB-4 aponta risco — a elastografia é exame não invasivo que mede em poucos minutos o grau de gordura e de fibrose do fígado.
  • ELF (Enhanced Liver Fibrosis) – combina a análise de 3 marcadores biológicos diretos presentes no sangue e que refletem o grau de fibrose no fígado, sendo uma alternativa ou complemento à biópsia hepática ou exames de imagem.
  • Ressonância magnética ou biópsia hepática: reservadas para casos específicos, quando ainda há dúvida sobre o estágio da doença


Como tratar a gordura no fígado 

A perda de peso é a base do tratamento e age de forma escalonada: reduções de 5% ou mais já ajudam a reduzir a inflamação e estabilizar a fibrose; perdas sustentadas de 7% ou mais podem resolver a doença em 65% a 90% dos casos; e reduções acima de 10% chegam a resolver a doença em até 90% dos pacientes, com regressão da fibrose em quase metade deles, segundo a diretriz da SBD. Veja os pilares:

  • Dieta que priorize alimentos frescos e naturais, com forte presença de vegetais, grãos integrais e peixes
  • Atividade física aeróbica: 150 a 300 minutos por semana
  • Treino de força: duas vezes por semana
  • Comumente são prescritos medicamentos nos casos mais avançados, como pioglitazona e agonistas de GLP-1, como liraglutida e semaglutida — mas a indicação varia caso a caso
  • Cirurgia bariátrica: indicada em obesidade grave sem resposta a outras medidas

"A boa notícia é que dá para rastrear a doença sem procedimento invasivo. A elastografia hepática por ultrassom, disponível no Delboni e Lavoisier, mede o grau de gordura e de fibrose do fígado em poucos minutos. As diretrizes recomendam esse rastreamento a todo paciente com obesidade, pré-diabetes ou diabetes tipo 2, mesmo sem sintomas. Nesse estágio, ainda é possível revertê-la só com mudança de estilo de vida", diz Khawali.
 


Referências

Sociedade Brasileira de Diabetes. Manejo da doença hepática esteatótica metabólica (DHEM) no diabetes tipo 2 e pré-diabetes, Diretriz SBD, ed. 2025. Link

Younossi ZM, Kalligeros M, Henry L. Epidemiology of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease. Clinical and Molecular Hepatology, 2025. Link

Campos LR, Khalil SM, Souza M. The epidemiology of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease among pediatric patients with type 2 diabetes: systematic review and meta-analysis. European Journal of Pediatrics, 2026. Link

Estudo ELSA-Brasil: Link

Sociedade Brasileira de Diabetes. Esteatose hepática avança e já afeta crianças e adolescentes, 2026. Link

Tratamento de MASLD: destaques do novo guideline da ALEH (Associação Latino-Americana para o Estudo do Fígado). Link

 

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