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terça-feira, 19 de maio de 2026

“Peak Exposure” alerta sobre riscos do câncer Melanoma para as comunidades de esportes de inverno, montanhismo e atividades ao ar livre


A Klick Health no Reino Unido criou nova campanha e captou em tempo real as reações do público à exposição Peak Exposure”, em tradução livre, Exposição Máxima em parceria com a Mountain Training Association (MTA) e por meio de interações com a Mountaineering Scotland e a Outdoor Industries Association. 

“Temos muito orgulho do trabalho que estamos realizando com a Melanoma Fund”, afirmou Tim Jones, EVP e Executive Creative Director da Klick Health. E acrescenta: “Peak Exposure torna impossível ignorar o perigo invisível da radiação UV para as comunidades de esportes de inverno, montanhismo e atividades ao ar livre.” 

Criada como uma campanha visual baseada em pôsteres, cada peça foi desenvolvida como uma revelação em duas etapas. À distância, a imagem parece uma paisagem montanhosa de inverno. De perto, revela sua verdade: a marca de um melanoma real. Com isso, a campanha transmite uma mensagem clara: o câncer de pele também pode deixar marcas no inverno. 

O trabalho foi desenvolvido a partir de melanomas reais captados em estúdio, para manter a campanha real e tratada com sensibilidade. Pessoas reais vivendo com melanoma participaram do projeto. A maquiagem foi aplicada diretamente sobre a pele e ao redor de cada lesão para criar luz, sombra e textura em capturas macro, tratando a superfície como uma topografia natural. As lesões foram então fotografadas com altíssimo detalhamento e mapeadas em CGI para formar cristas de inverno, encostas e campos de neve. O resultado transforma algo familiar e bonito em um alerta. 

O câncer de pele é atualmente o tipo mais comum no Reino Unido, com mais de 21 mil casos de melanoma diagnosticados por ano, além de números significativamente maiores de cânceres de pele não melanoma. Apesar disso, a exposição ao sol continua sendo um dos riscos mais normalizados e menos questionados nas atividades ao ar livre. 

Pesquisa da Melanoma Fund aponta que 72% de treinadores, líderes e professores nunca receberam treinamento sobre proteção solar ou contra o calor; apenas 16% das organizações possuem uma política específica de proteção solar e mais de dois terços relatam incidentes relacionados ao sol ou ao calor, incluindo queimaduras solares e exaustão térmica.

Incorporando mudança com o Sunguarding Outdoors 

A campanha faz parte de uma missão maior da Melanoma Fund: a Sunguarding, que apoia organizações, instrutores e profissionais do setor outdoor a incorporar proteção solar e contra o calor na prática cotidiana. Isso inclui: Curso Sunguarding — programa de treinamento com certificação CPD para treinadores e líderes outdoor; Sunguarding Outdoors — orientações e recursos específicos para o setor; UV Safety Stations — infraestrutura projetada para ambientes ao ar livre, apoiando comportamentos seguros no mundo real. Organizações, instrutores e parceiros são incentivados a acessar o curso e os recursos em www.melanoma-fund.co.uk para incorporar a segurança solar no dia a dia.


Sedentarismo e intestino preso: por que a falta de movimento deixa o intestino mais lento

Exercícios físicos intensificam o movimento natural do intestino, facilitando a evacuação 

 

Você sabia que o sedentarismo e a constipação estão relacionados? Dos diversos benefícios que a atividade física regular fornece, o bom funcionamento do sistema digestivo está entre eles. Um dos principais motivos para isso é que os exercícios intensificam o movimento natural do intestino, chamado de peristaltismo. Portanto, a falta de atividades físicas tende a causar o efeito reverso, dificultando a evacuação1. 

Estima-se que cerca de 30% dos adultos no Brasil e no mundo sofram com “prisão de ventre”. O sintoma é ainda mais comum entre mulheres e normalmente está relacionado à baixa ingestão de fibras e água e ao estresse emocional, além do sedentarismo2. 

O distúrbio é caracterizado pela presença de dois ou mais dos seguintes sintomas: esforço para evacuar e queixas de eliminação de fezes endurecidas, presença de fezes duras ou em grumos, sensação de evacuação incompleta ou de obstrução/bloqueio anorretal, necessidade de manobras manuais para facilitar evacuações em mais 25% das evacuações e menos de três evacuações por semana2. 

Independentemente de qualquer sintoma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos realizem entre 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada semanalmente ou 75 a 150 minutos de atividades de intensidade vigorosa. A instituição também recomenda a realização de atividade em prol do fortalecimento muscular3. 

Mas quais são os melhores exercícios para acabar com o intestino preso? De modo geral, qualquer atividade física pode trazer benefícios, mas as aeróbicas de intensidade moderada são as mais recomendadas para melhorar o fluxo digestivo4. Entre os exercícios mais recomendados estão caminhadas, ciclismo, natação, corrida, yoga, Tai Chi, além de atividades de fortalecimento do core, como pilates4. 

A prática regular de exercícios como esses reduz a inflamação sistêmica, melhora a motilidade intestinal (movimento do intestino) e ajuda a prevenir a constipação, o que reduz as chances de desenvolver também hemorroidas ou fissuras anais4. 

Em alguns casos, a rotina entre trabalho, estudos e vida social pode dificultar a prática de exercícios físicos, mas algumas mudanças simples já fazem a diferença. Quando o assunto são as atividades físicas, fazer algo, mesmo que pouco, é melhor do que nada, como por exemplo subir ou descer de escadas, caminhadas de 20 a 30 minutos, brincar com os filhos ou pedalar5.

 

Sinais de alerta sobre a constipação e quando buscar um médico 

A constipação é um sintoma, não uma doença específica. Ela pode indicar alguma manifestação de enfermidade que necessita de investigação e diagnóstico6. Pessoas que sofrem com constipação apresentam taxa de mortalidade superior, em todas as causas, à de pessoas que não enfrentam o problema. O grupo também apresenta maior incidência de problemas cardíacos, dos rins e até câncer intestinal7. 

Segundo o gastroenterologista Décio Chinzon, médico consultor da Libbs, os sintomas devem servir como um ponto de atenção. “A constipação ocasional é comum, mas alguns sinais não podem ser ignorados. Sangue nas fezes, dor abdominal persistente, perda de peso sem explicação ou mudanças recentes no funcionamento do intestino são alertas importantes. Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica para investigar a causa e iniciar o tratamento adequado”, explicou.

   

Referências 

1. Carneiro RCMS, Antunes MD, Abiko RH, Cambiriba AR, Santos NQ, Silva SD, et al. Constipação intestinal em idosos e sua associação com fatores físicos, nutricionais e cognitivos. Aletheia. 2018;51(1-2):96-111. 

2. Silva AO, Siqueira MS, Vieira LM. Constipação intestinal, estado nutricional e hábitos alimentares e de vida de mulheres adultas brasileiras. Brazilian Journal of Health Review. 2025;8(1):1-15. 

3. Organização Mundial da Saúde (OMS). Diretrizes da OMS para atividade física e comportamento sedentário [Internet]. [Acesso em 8 abr. 2026]. Disponível em: https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/9e776de6-adc7-46c1-936f6dd2bb4f7373/content

 4. Al-Beltagi M, Saeed NK, Bediwy AS, El-Sawaf Y, Elbatarny A, Elbeltagi R. Exploring the gut-exercise link: A systematic review of gastrointestinal disorders in physical activity. World J Gastroenterol. 2025 Jun 14;31(22):106835. 

5. Ministério Público da União (MPU). Orientações nutricionais - Constipação [Internet]. [Acesso em 8 abr. 2026]. Disponível em: https://saude.mpu.mp.br/orientacoes/constipacao.pdf 

6. Sociedade Paranaense de Coloproctologia. Constipação [Internet]. 2022. [Acesso em 8 abr. 2026]. Disponível em: https://www.spcp.org.br/blog-spcp-geral/constipacao/5 

7. Cui J, Xie F, Yue H, Xie C, Ma J, Han H, Fang M, Yao F. Physical activity and constipation: A systematic review of cohort studies. J Glob Health. 2024 Nov 22;14:04197.

 

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.



Quando o diagnóstico não chega: o custo invisível do lipedema no Brasil

Mulheres com diversos graus de lipedema - crédito fotos: divulgação @ongmovimentolipedema


Subdiagnosticada, doença leva milhões de mulheres a anos de tratamentos ineficazes, gastos recorrentes e impacto profundo na qualidade de vida

 

Ainda pouco reconhecido no Brasil, o lipedema segue sendo uma condição frequentemente subdiagnosticada e o impacto disso vai muito além da ausência de dados consolidados. Estima-se que cerca de 10 milhões de mulheres no país convivam com a doença, e a grande maioria ainda não sabe. Por trás da dificuldade de identificação, existe um custo invisível que recai diretamente sobre a jornada das pacientes: a nos de tentativas frustradas, desgaste emocional e prejuízo financeiro.


Anos de tentativa até o diagnóstico

A administradora paulistana Leila Alves de Oliveira Lima (foto 3), de 38 anos, levou quase uma década para chegar ao diagnóstico correto de lipedema. Beneficiada pelo programa social da ONG Movimento Lipedema, organização vinculada ao Instituto Lipedema Brasil, ela descobriu a doença apenas aos 29 anos, após uma trajetória marcada por tentativas frustradas. “Foi um: ‘eu acho que você tem lipedema, procura no Instagram’”. Antes disso, passou por nutricionista, endocrinologista, fez uso de diferentes medicações e chegou a realizar cirurgia bariátrica, sob a hipótese de que se tratava apenas de sobrepeso. “Só quando fui fazer as cirurgias plásticas é que me falaram sobre o lipedema”, diz. O diagnóstico correto, com definição de grau e tipo da doença, veio posteriormente, com o Dr. Fábio Kamamoto. Segundo o Dr. Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil, o principal desafio hoje não é apenas tratar o lipedema, mas encurtar o tempo até o diagnóstico correto. “Muitas pacientes chegam após anos de tentativas que não funcionaram...”, comenta.

 

Erros comuns que se repetem no caminho

Antes de chegar ao diagnóstico correto, muitas mulheres passam anos sendo tratadas de forma equivocada, frequentemente associadas a quadros de obesidade ou orientadas a seguir dietas e abordagens que não tratam a causa real do problema. Nesse percurso, acumulam tentativas frustradas, desgaste emocional e gastos recorrentes com consultas e tratamentos que não trazem resultado. 

Esse cenário segue um padrão recorrente na prática clínica. “Por conta da falta de conscientização sobre o lipedema, é frequente vermos que entre elas começarem a ter sintomas – que começam na adolescência - e até achar um profissional ou ter uma informação que ajude ela a fechar o diagnóstico, são muitos anos. Não dá para prever quantos, mas são muitos. É muito frequente ver que elas passam por diversos médicos, procuram por uma explicação há muito tempo e que elas conseguem chegar em um diagnóstico por conta própria ou até através de alguma entrevista ou notícia que viram, ou até pela internet/redes sociais”, explica. 

O autodiagnóstico acaba por acontecer ou por falta de conhecimento ou por falta de respaldo dos profissionais de saúde. “Muitas têm diagnósticos que se confundem com outras doenças como, por exemplo, foram operadas mais de uma vez de varizes acreditando que a dor na perna vinha de uma questão venosa, que até parcialmente pudesse ser, mas que o lipedema continuava lá, assim como a dor e o incômodo. E nenhum desses profissionais trouxe o lipedema como uma hipótese. Então esses caminhos de confusão diagnóstica como, outro exemplo, dizer que é obesidade, colocar a mulher em dieta, em uma idade muito jovem, sem nenhuma eficácia, e com o passar dos anos fazer com que ela desaprenda a comer, desenvolvendo distúrbios alimentares, é algo bastante grave”, avalia.

 

Uma lacuna no sistema de saúde

Na prática clínica, esse padrão se repete: pacientes levam anos até obter um diagnóstico preciso, passando por diferentes profissionais e especialidades sem uma resposta definitiva. A falta de reconhecimento do lipedema por parte de muitos profissionais de saúde contribui para esse atraso, ampliando o impacto na vida dessas mulheres. 

Esse cenário também expõe uma lacuna estrutural no sistema de saúde. Hoje, o Brasil ainda não conta com protocolos clínicos consolidados para o lipedema no sistema público, o que dificulta o diagnóstico e o acesso ao tratamento. Na ausência de políticas públicas específicas, o custo da doença recai majoritariamente sobre as pacientes, tanto do ponto de vista financeiro quanto assistencial.

 

O impacto que não aparece

Além do prejuízo econômico, o custo também é emocional e físico. A frustração diante da ausência de melhora, a sensação de falha pessoal e a progressão dos sintomas afetam diretamente a qualidade de vida. Em estágios mais avançados, o lipedema pode trazer dor crônica, desconforto e limitações funcionais que impactam a rotina. 

Para o médico, o impacto vai além do físico. “Existe um desgaste emocional importante, porque são anos de tentativas sem resultado. Muitas pacientes chegam com a sensação de que fizeram tudo certo, mas ainda assim não tiveram resposta e isso afeta diretamente a autoestima e toda a vida delas”, finaliza.

 

Para além da prevalência 

A discussão sobre o lipedema precisa avançar para além da prevalência e focar também nas consequências do diagnóstico tardio. Dar visibilidade a essa jornada é essencial para ampliar o conhecimento sobre a doença, acelerar o diagnóstico e evitar que mais mulheres percorram o mesmo caminho de tentativas frustradas até o entendimento da doença que realmente têm. 



Instituto Lipedema Brasil - lipedemabrasil.com.br
@lipedemabrasil

 

Endometriose e dietas da moda: separando o joio do trigo

 

A endometriose é uma doença benigna que afeta quase oito milhões de brasileiras e caracteriza-se pela presença de tecido menstrual (endométrio) fora do útero, podendo atingir não só os órgãos reprodutivos, mas também intestino, bexiga e até os pulmões.  Cólicas menstruais intensas e infertilidade são queixas comuns em mulheres com endometriose, mas dor durante as relações sexuais e ao evacuar e urinar também podem ser encontradas.

Ao longo da vida, a endometriose pode comprometer o enfrentamento aos desafios diários, resultando em limitações para alcançar objetivos de vida, como concluir os estudos; avançar na vida profissional; interferir no desenvolvimento de relacionamentos estáveis e gratificantes ou afetar as chances de gravidez e formação de uma família, o que em suma acaba alterando profundamente a trajetória e a qualidade de vida de uma pessoa.

Apesar de ser tema frequente de pesquisas em todo o mundo, vários aspectos relacionados às causas e ao desenvolvimento da endometriose permanecem desconhecidas, não havendo nenhum tratamento curativo. Se há infertilidade, muitas vezes a opção são as técnicas de reprodução assistida. O tratamento deve ser individualizado dependendo dos sintomas, da idade da mulher e do desejo de engravidar no futuro. 

Estudos revelam que os melhores resultados são obtidos quando o tratamento é realizado por equipe multidisciplinar levando em consideração todas estas questões. As evidências científicas indicam que para os casos de dor, além da cirurgia e da suspensão da menstruação, o tratamento pode ser feito de modo seguro e eficaz com várias medicações hormonais disponíveis. Infelizmente nenhuma medicação é capaz de curar a doença. Neste contexto, dieta e atividade surgem como aliados importantes no alívio da dor e melhora da qualidade de vida.

A endometriose é considerada uma doença inflamatória e, por isso, a ideia de adotar uma dieta com alimentos considerados anti-inflamatórios vem se popularizando principalmente nas mídias sociais. No Brasil há cerca de 170 milhões de usuários de plataformas digitais, a maioria mulheres e o tema mais buscado é saúde. Dessa forma, não é difícil encontrar perfis apregoando dietas e suplementos quase milagrosos para tratar inúmeras afecções, incluindo endometriose.

Em relação à dieta, os estudos publicados até o momento apresentam resultados inconclusivos e heterogêneos. A adoção de uma dieta anti-inflamatória (rica em ômega-3 e vitaminas C, D e E) pode contribuir para redução da dor pélvica, particularmente quando seguida de forma consistente. A redução da ingestão de alimentos ultraprocessados, aliada ao consumo de três ou mais porções de frutas e vegetais e de laticínios com baixo teor de gordura são recomendáveis. É importante salientar que a dieta não deve ser o único tratamento adotado em casos de endometriose e a avaliação de uma nutricionista assim como atividade física regular e avaliação médica para excluir outras causas de dor pélvica que podem estar concomitantemente presentes é fundamental.

No que tange aos conteúdos encontrados em mídias sociais, as pessoas devem estar cientes de que devido à grande quantidade de informações postadas por praticamente qualquer pessoa, o conteúdo deve ser questionado já que a maioria das postagens não passa por verificação adequada nem qualquer tipo de validação científica. Além disso, muitas têm interesses comerciais explícitos ou velados.

Buscar referenciamento nos perfis de profissionais de saúde e organizações médicas assim como a orientação de seu médico ainda são medidas recomendáveis. Apesar de todos os avanços e disseminação de informações, ainda não é possível substituir uma avaliação médica especializada por uma live ou vídeo na rede social.

  

Márcia Mendonça Carneiro - Ginecologista do Biocor Rede D’Or, Professora Titular- Departamento de Ginecologia e Obstetrícia – Faculdade de Medicina da UFMG


Até 80% das mães atípicas assumem sozinhas os cuidados dos filhos

Muitos Somos Raros chama atenção para a sobrecarga enfrentada por mães de crianças com deficiência, doenças raras e condições neurodivergentes

 

A maternidade atípica no Brasil ainda carrega uma realidade pouco discutida fora das redes de apoio: o abandono paterno. Estima-se que cerca de 78%1 das mães atípicas sejam mães solo, enfrentando sozinhas os desafios emocionais, financeiros e estruturais relacionados ao cuidado contínuo de filhos com deficiência, doenças raras ou condições neurodivergentes. 

O cenário se soma a outro dado alarmante: mais de 5,5 milhões de brasileiros não possuem o nome do pai na certidão de nascimento, de acordo com o levantamento da USP2. Em 2020, mais de 80 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no Brasil3, evidenciando um contexto de abandono paterno que impacta diretamente milhares de famílias brasileiras. Para mães atípicas, a situação costuma ser ainda mais complexa. Além da responsabilidade integral pelos cuidados dos filhos, muitas deixam o mercado de trabalho, enfrentam dificuldades financeiras e convivem com a ausência de rede de apoio e acolhimento social. 

O tema ganha ainda mais relevância no contexto do Mês das Mães, data que frequentemente reforça imagens romantizadas da maternidade, mas pouco se fala sobre os desafios enfrentados por mulheres que sustentam sozinhas rotinas intensas de terapias, consultas médicas, acompanhamento escolar e cuidados permanentes.

Para o Muitos Somos Raros, maior plataforma brasileira independente dedicada às doenças raras e à comunidade de pacientes, ampliar o debate sobre maternidade atípica também significa discutir políticas públicas, saúde mental, acolhimento familiar e suporte social. 

“Existe uma sobrecarga histórica que ainda recai majoritariamente sobre as mães, especialmente quando falamos de deficiência, doenças raras e neurodivergências. Precisamos olhar para essas mulheres para além da ideia romantizada de força. Elas precisam de suporte, rede de apoio e acolhimento contínuo”, afirma Regiane Monteiro, diretora do Muitos Somos Raros. O abandono paterno não produz apenas impactos emocionais. A ausência de suporte familiar pode comprometer o acesso ao tratamento, dificultar a continuidade terapêutica e ampliar o adoecimento físico e mental das cuidadoras.

“Muitas mães atípicas acabam vivendo um isolamento muito profundo. Aos poucos, elas deixam de sair, de se cuidar, perdem vínculos sociais e passam a viver exclusivamente em função da rotina de cuidados dos filhos. Existe muito amor, claro, mas também existe medo, culpa, exaustão e uma sensação constante de invisibilidade. Ainda falta compreensão da sociedade sobre o que essas mulheres enfrentam diariamente”, afirma Natália Lopes Rodrigues, do Voz das Mães e parceira do Muitos Somos Raros.


Sobre o Muitos Somos Raros 

Desenvolvido pela Tino Comunicação, o Muitos Somos Raros é a maior plataforma brasileira independente dedicada às doenças raras e reúne uma das maiores comunidades de pacientes e familiares do País. O projeto produz conteúdos informativos e de serviço, como notícias, cobertura de eventos, novidades em tratamentos e atualizações sobre incorporações no SUS, via Ministério da Saúde, e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por meio dos planos de saúde. A iniciativa tem foco no suporte à comunidade rara e na geração de informações de utilidade pública que também alcançam médicos, profissionais de saúde, cuidadores, associações de pacientes e a sociedade em geral.

Mais informações: Link @muitossomosraros

Site da campanha: www.muitossomosraros.com.br


Medicina regenerativa: 7 motivos para investir no fortalecimento da sua saúde de dentro para fora

Abordagem que une ciência, prevenção e equilíbrio hormonal ganha espaço como aliada da longevidade e da qualidade de vida feminina

 

A busca por saúde deixou de ser apenas a ausência de doenças. Hoje, cada vez mais mulheres procuram estratégias que ajudem a manter o corpo em equilíbrio, prevenir desgastes e melhorar a qualidade de vida a longo prazo. Nesse cenário, a medicina regenerativa vem ganhando destaque como uma abordagem moderna, que atua na raiz dos problemas e promove o funcionamento mais eficiente do organismo.

Segundo a Dra. Maria Leticia Murba, médica especialista em Endocrinologia e Metabologia com foco em saúde hormonal feminina, o conceito vai além de tratamentos pontuais. “A medicina regenerativa tem como objetivo restaurar funções do corpo que foram comprometidas ao longo do tempo, seja pelo envelhecimento, pelo estresse ou por desequilíbrios hormonais. É um cuidado que olha para o organismo como um todo”, explica.

A seguir, a especialista destaca sete motivos para considerar essa abordagem como aliada da sua saúde.

1. Equilíbrio hormonal mais eficiente

Oscilações hormonais impactam energia, humor, sono e metabolismo. A medicina regenerativa ajuda a regular essas funções de forma personalizada.

“Quando os hormônios estão em equilíbrio, o corpo responde melhor em todas as áreas, desde a disposição até a saúde emocional”, afirma a médica.

2. Prevenção de doenças crônicas

Ao atuar de forma preventiva, essa abordagem reduz riscos de condições como diabetes, obesidade e alterações metabólicas.

“Não se trata apenas de tratar sintomas, mas de identificar desequilíbrios antes que eles evoluam para doenças”, destaca.

3. Melhora da energia e da disposição

Cansaço constante não deve ser normalizado. A medicina regenerativa investiga causas profundas e promove recuperação da vitalidade.

“Muitas pacientes chegam com fadiga persistente, e conseguimos melhorar significativamente esse quadro ao tratar a base do problema”, explica.

4. Saúde metabólica fortalecida

O metabolismo influencia diretamente peso, glicemia e funcionamento geral do corpo.

“Quando cuidamos do metabolismo, impactamos diretamente a qualidade de vida e a longevidade”, pontua.

5. Longevidade com qualidade de vida

Viver mais não basta. O objetivo é envelhecer com autonomia e bem-estar.

“A medicina regenerativa busca prolongar a saúde funcional, não apenas a expectativa de vida”, diz a especialista.

6. Impacto positivo na saúde da pele e no envelhecimento

O equilíbrio interno reflete na aparência externa.

“A pele é um reflexo do que acontece dentro do organismo. Quando há equilíbrio hormonal e metabólico, isso se traduz em um envelhecimento mais saudável”, explica.

7. Abordagem personalizada e integrativa

Cada paciente é único, e o tratamento também deve ser.

“Não existe protocolo padrão. Avaliamos histórico, exames, estilo de vida e necessidades individuais para construir um plano realmente eficaz”, ressalta.

Com um olhar mais amplo e preventivo, a medicina regenerativa se consolida como uma aliada importante para quem busca saúde de forma consciente e duradoura. Mais do que tratar doenças, a proposta é fortalecer o organismo para que ele funcione melhor em todas as fases da vida.

 

Hospitalizações por influenza A avançam; especialista aponta erros que aumentam transmissão

Pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista alerta para hábitos que aumentam a transmissão de vírus respiratórios dentro de casa e orienta quando os sintomas podem indicar quadros mais graves

 

Boletim InfoGripe/Fiocruz aponta aumento das internações por influenza A e alta circulação de vírus respiratórios como VSR e rinovírus. O avanço das doenças respiratórias continua a elevar a demanda nos hospitais, impulsionada por mudanças de temperatura, maior disseminação de vírus e piora na qualidade do ar. Especialista alerta que hábitos aparentemente inofensivos ajudam a ampliar os casos no outono. 

Segundo o pneumologista do Hospital Santa Catarina - Paulista, Dr. Alberto Cukier, o principal erro está em manter convívio próximo com outras pessoas mesmo diante de sintomas gripais. O hábito favorece a transmissão em cadeia entre diferentes faixas etárias e representa um potencial risco para os mais vulneráveis ao contágio, como crianças e idosos. 

“É bem comum que crianças levem vírus da escola para casa e, na rotina das famílias, acabem sendo cuidadas pelos avós. Esse contato, embora natural, aumenta a possibilidade de transmissão para pessoas que estão fragilizadas e que podem desenvolver quadros mais graves, assim como amplia o raio de contaminação”, explica. 

Outra prática frequente é a tendência de manter as atividades normalmente, mesmo com sinais de gripe e resfriado. “Muitas pessoas continuam trabalhando gripadas ou circulando socialmente, sem proteção, o que aumenta a disseminação. São comportamentos que parecem inofensivos, mas têm impacto direto na alta dos casos nesta época do ano”, completa o pneumologista.

 

Quando é mais que uma gripe?

Embora a maioria dos quadros seja leve e autolimitada, é fundamental estar atento à evolução dos sintomas. O especialista do Hospital Santa Catarina - Paulista explica que, em geral, manifestações como dor de garganta, coriza, febre baixa e mal-estar tendem a melhorar em um ou dois dias com medidas simples, como repouso, hidratação e uso de antitérmicos. 

“Alguns sinais, no entanto, indicam a necessidade de avaliação médica. Quando o paciente apresenta falta de ar, chiado no peito, febre persistente ou piora progressiva após os primeiros dias, é recomendado procurar atendimento. Esses podem ser indícios de complicações, como pneumonia, que exigem investigação e, em alguns casos, até internação”, alerta o médico. 

Quem faz parte do grupo de maior risco, como idosos e pessoas com doenças respiratórias prévias (asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica - DPOC, por exemplo) devem redobrar a atenção. “Pessoas que já têm dificuldades respiratórias, tendência a ter falta de ar, desconforto ao fazer atividades, podem piorar se forem acometidas por qualquer um desses fenômenos infecciosos”, lembra.

 

Uso inadequado de antibióticos

O uso indiscriminado de medicamentos, especialmente antibióticos, é um ponto de atenção. “A maioria das infecções respiratórias nessa época é causada por vírus, e antibióticos não têm resultado nesses casos. O uso inadequado, além de não trazer benefício, pode causar efeitos colaterais e contribuir para a resistência bacteriana, um problema crescente de saúde pública”, destaca o Dr. Alberto Cukier. 

“Preciso comprar remédio, fazer uso de alguma medicação forte? A resposta é não. Em situações como dor de garganta, nariz escorrendo ou desconforto, a adoção de medidas caseiras, como lavagem nasal ou uso de antitérmico, já é suficiente. Fora isso, ficar em repouso e se manter hidratado e alimentado, seja com chá, canja, o que for natural. Medicação em excesso piora a situação e ajuda a mascarar sintomas”, pontua.

 

O que de fato ajuda a prevenir

Disponibilizada pelo SUS, a vacina contra a gripe é uma aliada nesta época. Ela contribui para a redução de casos e, principalmente, de formas graves da doença. “A população toda deveria se vacinar contra influenza. Mesmo que não impeça 100% a infecção, a vacina diminui a circulação do vírus e reduz significativamente o risco de complicações. Assim, conseguimos diminuir os quadros gripais”. 

O especialista recomenda aproveitar as campanhas anuais para manter a vacinação em dia e reforçar a proteção. Para além disso, intensificar medidas simples e já incorporadas durante a pandemia, como lavar ou higienizar as mãos com frequência, usar máscaras e, ao tossir ou espirrar, evitar que essas gotículas fiquem pelo ar e contaminem outras pessoas. Confira as orientações:

  • Manter a vacinação contra influenza em dia
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes
  • Higienizar as mãos com frequência
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
  • Utilizar máscara em caso de sintomas
  • Manter ambientes ventilados


Infarto antes dos 40 anos e avanço da obesidade antecipam necessidade de check-ups no Brasil

Dados recentes mostram aumento de doenças crônicas em adultos jovens e reforçam a importância de exames preventivos mais precoces

 

O aumento de doenças crônicas entre adultos mais jovens está mudando a lógica da prevenção no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Cardiologia e do Ministério da Saúde indicam que mais de 7,8 mil pessoas com menos de 40 anos morreram por infarto entre 2022 e 20241 - um sinal de que problemas antes associados ao envelhecimento estão ocorrendo cada vez mais cedo. 

No mesmo período, a prevalência de diabetes mais que dobrou no país, passando de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, segundo o Vigitel 20252. A obesidade também avançou de forma expressiva, com crescimento de 118%, consolidando um cenário que especialistas já classificam como uma epidemia. 

“Diante desse contexto, a recomendação médica tem mudado: o check-up, tradicionalmente indicado a partir dos 45 anos, vem sendo antecipado. O check-up não é só uma medida de saúde individual, mas também uma ferramenta de gestão. Prevenir significa evitar custos futuros e preservar a qualidade de vida”, afirma Cristina Khawali, endocrinologista do Delboni e Lavoisier, laboratórios da Dasa em São Paulo. 

Segundo a especialista, vivemos uma “epidemia” de obesidade, devido ao crescimento acelerado e preocupante da doença nas últimas décadas, e se transformando em um grave problema de saúde pública. Cerca de 70% da população adulta tem sobrepeso, sendo que 30% apresentam obesidade. Isso impacta diretamente a idade de início da rotina de exames que, antes recomendada aos 45 anos, está sendo antecipada”, explica. 

Estudos internacionais reforçam os benefícios da prevenção. Uma pesquisa publicada na revista BMC Medicine3, que acompanhou cerca de 48 mil pessoas ao longo de nove anos, mostrou que indivíduos que realizavam check-ups periódicos apresentaram menor risco de morte por diversas causas, especialmente doenças cardiovasculares. 

Na prática, o acompanhamento regular permite identificar alterações precocemente e iniciar intervenções antes da progressão da doença — o que aumenta as chances de controle e reduz complicações.

Esse impacto também já é observado no ambiente corporativo. Empresas têm incentivado a realização de check-ups como estratégia para reduzir afastamentos e manter a produtividade.
 

Diretrizes da USPSTF (Atualizadas 2025)

A United States Preventive Services Task Force (USPSTF) recomenda que o check-up seja baseado em faixas etárias e fatores de risco:
 

Faixa Etária

Recomendação Geral

Foco Principal

19 a 49 anos

A cada 1 ou 2 anos

Pressão arterial, Saúde mental (Ansiedade/Depressão), IMC*.

50+ anos

Anualmente

Rastreamento de Câncer Colorretal, Densidade Óssea, Saúde Cardiovascular.

Fumantes (65-75 anos)

Exame único

Ultrassonografia para Aneurisma de Aorta Abdominal.


Além do estilo de vida, fatores individuais - como histórico familiar - também influenciam a periodicidade e o tipo de exame necessário. “Quando existe uma carga genética importante, a recomendação é iniciar a investigação ainda mais cedo, antes mesmo de qualquer sintoma”, finaliza.
 

*Índice de massa corpórea.
 

Referências

  1. Infarto entre jovens no Brasil entre 2022 e 2024 – Instituto Nacional de Cardiologia (INC)/Ministério da Saúde. Link
  2. Vigitel 2025- Aumento de Doenças Crônicas – Ministério da Saúde Link
  3. “Impact of the NHS Health Check on all-cause mortality: a backbone of the UK Biobank study”, publicado pela BMC Medicine.

Link


Dia Nacional de Combate à Cefaleia (19/5)

13 milhões de brasileiros convivem com cefaleia em 15 ou mais dias por mês 

Especialistas do Hospital Alemão Oswaldo Cruz alertam para os riscos da automedicação e explicam quando procedimentos podem fazer parte do tratamento
 

 Dor de cabeça é uma queixa comum, mas nem sempre deve ser tratada como algo passageiro. No Brasil, cerca de 95% das pessoas terão ao menos um episódio de dor de cabeça ao longo da vida, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cefaleia1. O mesmo levantamento aponta que aproximadamente 70% das mulheres e 50% dos homens apresentam esse tipo de dor pelo menos uma vez por mês. Em casos mais graves, cerca de 13 milhões de brasileiros convivem com episódios em 15 ou mais dias por mês, quadro compatível com cefaleia crônica. 

O alerta ganha força no dia 19 de maio, Dia Nacional de Combate à Cefaleia, data criada para orientar a população sobre os riscos, formas de prevenção e a importância do diagnóstico adequado. Embora muitas pessoas recorram ao uso frequente de analgésicos para aliviar os sintomas, a automedicação pode piorar o problema e contribuir para a cronificação de dores que antes eram esporádicas. 

No mundo, a dimensão do problema ajuda a explicar por que a cefaleia é tratada como uma questão de saúde pública. Uma análise do Global Burden of Disease publicada em 2025 na revista The Lancet, estimou que, em 2021, cerca de 2 bilhões de pessoas viviam com cefaleia tensional e 1,2 bilhão com enxaqueca2. A Organização Mundial da Saúde aponta que esses transtornos têm impacto pessoal, social e econômico relevante, especialmente pela perda de produtividade e pela redução da qualidade de vida3. 

Segundo o neurologista Dr. Diogo Haddad, coordenador do Centro Especializado em Neurologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a primeira etapa para tratar corretamente a cefaleia é entender qual é o tipo de dor, sua frequência e os sinais associados. Nem toda dor de cabeça é enxaqueca, e nem toda enxaqueca exige o mesmo tipo de tratamento. Em alguns casos, a cefaleia pode estar relacionada a tensão muscular, alterações do sono, jejum prolongado, estresse, consumo excessivo de analgésicos ou doenças que precisam de investigação específica. 

“Quando a dor passa a acontecer muitos dias no mês, interfere na rotina ou exige uso frequente de medicação, ela deixa de ser apenas um incômodo e precisa ser avaliada de forma especializada. O diagnóstico correto é o que define se o paciente precisa de mudança de hábitos, tratamento preventivo, investigação complementar ou associação de outras estratégias”, afirma o neurologista. 

De acordo com a Classificação Internacional das Cefaleias, a enxaqueca crônica é caracterizada por dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês, por mais de três meses, sendo que em pelo menos oito desses dias há características de enxaqueca4. No caso da enxaqueca crônica, parte desses episódios apresenta características típicas da doença, como dor pulsátil, piora com atividade física, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz ou ao som. Sem acompanhamento adequado, muitos pacientes acabam entrando em um ciclo de dor frequente e uso repetido de analgésicos, o que pode agravar o quadro.
 

Quando o tratamento vai além dos remédios

Para pacientes com cefaleia crônica ou enxaqueca refratária, ou seja, aqueles que não apresentam resposta suficiente às medidas convencionais, procedimentos intervencionistas podem ser considerados como parte do tratamento. Nesses casos, o neurologista costuma abrir a investigação e conduzir o diagnóstico, enquanto um especialista em dor aprofunda a avaliação sobre as opções procedimentais mais adequadas. 

Entre as alternativas estão a aplicação de toxina botulínica, bloqueios anestésicos de nervos periféricos, como o bloqueio do nervo occipital, e técnicas de neuromodulação. A indicação depende do tipo de cefaleia, da frequência dos episódios, dos tratamentos já realizados, das doenças associadas e do grau de incapacidade provocado pela dor. 

Segundo a anestesista especialista em dor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dra. Roberta Risso, esses procedimentos não substituem a investigação neurológica nem devem ser vistos como solução imediata para qualquer tipo de dor de cabeça. Eles fazem parte de uma estratégia individualizada, especialmente em pacientes que já convivem com dor frequente, limitação funcional e baixa resposta ao tratamento medicamentoso. 

“Os procedimentos podem ajudar a reduzir a frequência e a intensidade das crises em pacientes selecionados, mas precisam ser indicados com critério. A ideia não é tratar uma dor comum de forma agressiva, e sim oferecer alternativas para quadros crônicos, refratários ou muito incapacitantes, sempre dentro de um plano terapêutico mais amplo”, explica a especialista. 

A toxina botulínica, mais conhecida pelo uso estético, também tem aplicação em casos específicos de enxaqueca crônica. Já os bloqueios anestésicos podem ser utilizados para modular vias de dor em determinados perfis de pacientes. A neuromodulação, por sua vez, reúne técnicas que buscam interferir na transmissão dos estímulos dolorosos, podendo ser invasivas ou não invasivas, conforme a indicação
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Sinais de alerta

Apesar de a maioria das dores de cabeça estar relacionada a condições benignas, alguns sinais exigem avaliação médica imediata. Entre eles estão dor súbita e muito intensa, associada a febre, confusão mental, desmaio, alteração visual, perda de força, náusea rigidez na nuca, início da dor após trauma, mudança importante no padrão habitual da cefaleia ou surgimento de uma dor nova em pessoas acima dos 50 anos. 

Também devem procurar avaliação especializada pessoas que sentem dor de cabeça com frequência, usam analgésicos repetidamente, acordam por causa da dor, têm prejuízo no trabalho ou nos estudos, ou deixam de realizar atividades cotidianas por causa das crises. 

Para os especialistas, o principal recado é que dor de cabeça frequente não deve ser normalizada. Com diagnóstico correto, tratamento individualizado, multidisciplinar e especializado, é possível reduzir crises, evitar o uso excessivo de medicamentos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.


 Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Brasil envelhece mais rápido do que se prepara para cuidar da população idosa, alertam especialistas

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia completa 65 anos revisitando avanços no cuidado à população idosa e os desafios para garantir funcionalidade, prevenção e suporte às famílias 

 

O Brasil de hoje é muito diferente daquele em que a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia foi criada, em 1961. Na época, o país ainda era majoritariamente jovem e a expectativa de vida pouco ultrapassava os 50 anos. Agora, 65 anos depois, o cenário é outro: os brasileiros vivem mais, a população idosa cresce rapidamente e o país enfrenta o desafio de se preparar para o envelhecimento da população. 

“O envelhecimento populacional no Brasil aconteceu muito mais rapidamente do que em diversos países europeus. Tivemos avanços importantes, mas eles não acompanharam a velocidade dessa transformação”, afirma o geriatra Dr. Leonardo Oliva, presidente da SBGG. 

Na avaliação do médico, houve uma evolução significativa no cuidado à população idosa nas últimas décadas, incluindo a consolidação da Geriatria e da Gerontologia, maior foco em funcionalidade e qualidade de vida, avanços terapêuticos em áreas como oncologia e demências e a criação do Estatuto do Idoso, em 2003, marco importante para a garantia de direitos da população idosa no país. 

“Hoje entendemos que envelhecer bem não significa apenas tratar doenças, mas preservar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida ao longo do tempo”, destaca. 

Apesar disso, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para estruturar um modelo de cuidado adequado ao envelhecimento populacional. Falta de profissionais especializados, desigualdade de acesso, fragmentação dos serviços e ausência de uma rede contínua de cuidados estão entre os principais gargalos apontados pelos profissionais que atuam no cuidado à pessoa idosa. 

“Nosso sistema de saúde continua muito centrado na doença aguda. A pessoa idosa precisa de acompanhamento contínuo, prevenção e integração entre os serviços”, afirma Leonardo. 

“O Brasil precisa parar de pensar no envelhecimento apenas quando a dependência já está instalada. O cuidado precisa começar antes, com prevenção, acompanhamento e promoção de autonomia”, completa.
 

Viver mais não significa envelhecer melhor 

Para a fisioterapeuta e especialista em Gerontologia, Dra. Isabela Azevedo Trindade, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG, o principal desafio atual é garantir que o aumento da longevidade venha acompanhado de autonomia, independência e participação social. 

“Envelhecimento saudável vai muito além da ausência de doenças. Preservar a funcionalidade significa manter a capacidade de realizar atividades do dia a dia, tomar decisões e participar da sociedade com autonomia”, explica. 

Aspectos fundamentais para a qualidade de vida da pessoa idosa ainda recebem pouca atenção, como mobilidade, cognição, saúde mental, vínculos sociais e prevenção da perda funcional. “O impacto disso aparece diretamente no cotidiano. Muitos idosos acabam perdendo a independência precocemente, reduzindo participação social e apresentando pior qualidade de vida”, pontua. 

A especialista também chama atenção para o crescimento da demanda por cuidados contínuos, responsabilidade que ainda recai majoritariamente sobre as famílias. “O cuidado da pessoa idosa no Brasil ainda é sustentado principalmente por familiares, especialmente por mulheres, muitas vezes sem preparo, apoio psicológico ou suporte institucional adequado”, destaca Isabela. 

Para os profissionais, o envelhecimento populacional deve ser acompanhado por mudanças estruturais na forma como o país organiza o cuidado em saúde, incluindo maior investimento em prevenção, suporte às famílias, formação de profissionais e estratégias voltadas à manutenção da funcionalidade e da autonomia ao longo da vida. 

“A grande questão hoje não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas garantir que as pessoas consigam envelhecer com dignidade, autonomia e qualidade de vida”, conclui Leonardo.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

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