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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

É seguro tratar lipedema e varizes simultaneamente? Médico esclarece dúvidas e orienta pacientes

Perna de uma mulher com lipedema e varizes.
imagem: Chatgpt)
Um dos principais especialistas no tratamento clínico do lipedema no país lista as cinco principais dúvidas sobre a cirurgia simultânea de varizes e lipedema;

 

O lipedema, frequentemente confundido com obesidade ou linfedema, afeta cerca de 12,3% das mulheres brasileiras. Nessa população, observa-se uma sobreposição significativa com varizes. De acordo o Journal of Vascular Surgery Cases, Innovations and Techniques, publicado no PMC, cerca de 35,5% das mulheres com suspeita de lipedema relataram varizes ou problemas de circulação venosa. A coexistência dessas condições tende a agravar sintomas como dor, sensação de peso, inchaço e fragilidade dos vasos, evidenciando a necessidade de abordagem integrada. Pensando nisso, um dos principais especialistas no tratamento de clínico do lipedema no país e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Dr. Vitor Cervantes Gornati, esclarece as cinco principais dúvidas sobre a cirurgia associada às duas condições.

 

1. É seguro operar lipedema e varizes na mesma cirurgia?

Sim. Quando realizada por uma equipe experiente e especializada, a abordagem simultânea é segura e evita dois procedimentos separados. A avaliação pré-operatória define se o paciente reúne as condições ideais para isso.

 

2. Quais pacientes podem fazer a cirurgia combinada?

Pacientes com diagnóstico confirmado de lipedema e presença de insuficiência venosa significativa. A decisão depende de exames, grau da doença e análise individual de risco e benefício.

 

3. A recuperação é mais difícil quando as duas cirurgias são feitas juntas?

A recuperação pode ser um pouco mais intensa nos primeiros dias, mas costuma ser semelhante à do lipedema isolado. A vantagem é passar por um único período de pós-operatório.

 

4. Tratar varizes junto ajuda no resultado do lipedema?

Sim. Corrigir a insuficiência venosa melhora o fluxo, reduz sintomas e favorece o processo de recuperação e drenagem após a cirurgia do lipedema, trazendo mais conforto e estabilidade.

 

5. Fazer as duas cirurgias juntas aumenta o risco de complicações?

Não necessariamente. O risco depende mais do quadro clínico do paciente do que da combinação em si. Com preparo adequado, protocolos seguros e indicação correta, as taxas de complicação permanecem baixas.

 

II Lipedema World Congress - O cirurgião vascular e um dos principais especialistas no tratamento clínico do lipedema no país, Dr. Vitor Cervantes Gornati, participou do II Lipedema World Congress 2025, principal evento global dedicado à doença, realizado no início deste mês, em Roma, na Itália. Entre as pesquisas brasileiras levadas ao Congresso esteve o estudo “Cirurgia Simultânea de Varizes e Lipedema”, assinado em coautoria pelo especialista e apresentado por ele durante a programação científica.

 

HIV no Brasil: avanço é notório, mas desafios ainda existem

 

Especialista da Inspirali explica a atual situação do país em relação à doença

 

Depois de mais de 30 anos dessa epidemia que já afetou milhares de pessoas, o Brasil tem avançado muito no combate ao HIV e pode-se dizer que o marco mais relevante desta história foi alcançado no ano passado. Segundo o Ministério da Saúde, 96% das pessoas que vivem com HIV no país sabem que têm o vírus, ou seja, foram testadas. Dessas pessoas que têm o diagnóstico, 82% já estão em tratamento efetivo sendo que 95% estão, nesse momento, em supressão viral, ou seja, com a carga viral indetectável, que é o que se espera de uma pessoa em tratamento adequado, já que até o momento trata-se de uma doença que não tem cura. 

Para fazer uma atualização sobre o momento do país em relação à doença, a Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, convidou o infectologista Maurício de Souza Campos, coordenador e professor do curso de medicina da UNIFACS. Confira:

 

- Como está o cenário de combate a AIDS atualmente no Brasil?

R: Temos avançado bastante no número de pessoas em tratamento e nas políticas de ação ao combate do HIV, mas os desafios ainda existem, especialmente por se tratar de uma doença cuja transmissão é pelo contato sexual, com sexo desprotegido. E aí é um alerta principalmente para a população adolescente, que tem demonstrado um certo desapego ao autocuidado, e isso acaba quebrando uma cadeia de prevenção e permitindo que o vírus continue se perpetuando na população e com um controle ainda um pouco tênue.

 

- O que há de novidade em relação à prevenção da doença?

R: Avançamos muito na prevenção do HIV/AIDS. Por se tratar de uma infecção sexualmente transmissível, as estratégias precisam ser múltiplas e não se restringir apenas ao uso de preservativo. Quando falamos em prevenção, falamos na perspectiva de sexo seguro, com o uso de preservativo, de campanha de educação, de testagem em massa. Quanto mais pessoas testadas e diagnosticadas precocemente, mais controle se tem da infecção. Existem outras modalidades de prevenção, como por exemplo a PEP e a PREP. A PEP é a profilaxia pós-exposição, para pessoas que se expuseram risco de contaminação por via sexual ou tiveram algum acidente com perfuro cortante. Situação em que após uma avaliação médica, é prescrita uma combinação de medicamentos para evitar a infecção e o paciente faz uso por 28 dias. Temos também a PrEP - profilaxia pré-exposição - que é uma estratégia também medicamentosa em que a pessoa que se encontra em risco de infecção, seja porque tem múltiplos parceiros, seja porque tem um hábito de manter relação sexual desprotegida, faz uso para evitar a contaminação. É importante lembrar que há a necessidade de uma avaliação médica minuciosa para que a PrEP seja prescrita e orientada. Essas são estratégias que cada vez mais vem se popularizando.

 

- E como está o cenário no mundo?

R: Quando voltamos o nosso olhar para o mundo, vemos dados que são discrepantes. Até dezembro de 2024, aproximadamente 41 milhões de pessoas viviam com HIV ao redor do mundo e só no ano de 2024, aproximadamente 1,3 milhão de novos casos de infecção por HIV foram diagnosticados e 640 mil pessoas morreram por causas relacionadas à infecção do HIV. Mesmo com esses números, de 2010 até o momento percebemos alguns progressos, especialmente com queda de novas infecções e mortes relacionadas ao HIV. Estima-se que houve 54% de queda de pessoas que morreram por causas relacionadas ao HIV na última década, porém esse fenômeno não ocorreu de forma homogênea no mundo. Temos um controle efetivo e crescente da infecção, por exemplo, na Europa Ocidental, nos países asiáticos de economia fortalecida e na Austrália. Mas em regiões onde temos desigualdades sociais graves, relacionadas à pobreza, o cenário é completamente diferente, principalmente na África subsaariana, no leste europeu e no sudeste da Ásia, onde as populações são menos assistidas, especialmente em questões de saúde. Mesmo com todo o esforço da UNAIDS, braço da ONU na luta contra o HIV/AIDS, em universalizar o acesso ao tratamento e a testagem gratuita, os desafios ainda são gigantes. No Brasil, a situação é mais controlada devido ao excelente programa de combate a infeção do Ministério da Saúde.

 

- O que temos de avanço em relação a tratamento?

R: Temos hoje um arsenal imenso de drogas antirretrovirais que são usadas para o controle da infecção, mas importante dizer que não é a cura. É um controle da infecção, onde o paciente convive com HIV com uma carga viral indetectável (situação em que não é identificado a vírus no sangue do paciente através de testes de biologia molecular). Nesse contexto, a pessoa vivendo com HIV não transmite o vírus a terceiros por contato sexual. Em um passado não muito distante, precisávamos fazer uma combinação de várias drogas - daí surgiu o termo coquetel anti AIDS que se popularizou ao redor do mundo - para atingir esses resultados. Às vezes, o paciente chegava a tomar até 16 comprimidos por dia para conseguir ter um controle do HIV e isso era um grande problema porque quanto mais comprimidos, maiores efeitos colaterais e menor a adesão à terapêutica do paciente. Avançamos muito ao longo desses mais de 40 anos e hoje temos drogas de altíssima barreira genética, ou seja, drogas que dificilmente o vírus consegue fazer resistência a elas, com posologia mais simples, com tomada de comprimido em menor quantidade e menos vezes ao dia. Hoje podemos inclusive tratar paciente com um único comprimido/dia em algumas situações. Essa evolução terapêutica foi fator decisivo para alcançarmos resultados mais robustos no combate ao desenvolvimento da doença.

 

- Já existe estudos para vacina contra a doença? Se sim, há previsão?

R: Nos últimos anos, algumas pesquisas têm gerado um otimismo, mesmo que cauteloso. Por exemplo, temos no momento dois estudos sendo conduzidos por indústrias farmacêuticas diferentes e com apoio de organizações de combate ao HIV. Em junho desse ano, esses dois estudos mostraram, pela primeira vez, a possibilidade de uma estratégia de vacinação contra o HIV em etapas. São resultados ainda bem preliminares, mas foi possível demonstrar células do sistema imunológico podem ser ativadas para produzirem anticorpos - proteínas neutralizantes de invasores do corpo - contra as variantes do vírus HIV. Esses estudos mostraram que há um potencial intrínsecos células do sistema imunológico humano de produzir esses anticorpos e bloquear a multiplicação/replicação de muitas variantes do HIV. O HIV é um vírus que sofre mutação muito rápido, então existem muitas variantes, o que dificulta ter uma vacina direcionada. Ainda em 2025 fomos surpreendidos com a publicação de um artigo indicando que vacinas experimentais baseadas na tecnologia do RNA, a mesma tecnologia que permitiu que a pandemia de Covid fosse controlada, se mostraram capazes de ativar células do sistema imune para produzirem anticorpos duradouros contra o HIV. Esses resultados são um marco na história da busca de uma vacina pelo HIV, até porque, historicamente, induzir a produção de anticorpos eficazes contra o HIV tem sido um dos maiores obstáculos da pesquisa de vacinas. Com essa evidência, demos um passo importante para que, no futuro talvez não muito distante, a gente possa ter, sim, uma vacina contra o HIV. Essa vacina seria destinada para população que ainda não convive com HIV, para evitar que essas pessoas se contaminem.

 

- Há possibilidade de erradicação da doença no Brasil? Como estamos em relação a isso?

R: Erradicar uma doença não é algo tão simples. Ao longo da história, a única doença que pode ser dita como efetivamente erradicada é a varíola. Tem doenças que não estão em circulação, mas que não podemos considerar erradicado porque na distribuição do tempo e espaço vez ou outra aparece um caso aleatório rapidamente controlado. Falamos ainda em controle, que é o primeiro passo da erradicação, mas é um passo bem incipiente e eu diria que se conseguirmos chegar ao controle efetivo, estaremos muito próximo da erradicação.

 

- Quais os principais grupos de risco para a doença?

R: Não usamos mais o termo grupo de risco, por conta do estigma que você acaba impondo sobre pessoas de determinado segmento ou classe social. Isso acontecia lá na década de 80 e foi responsável por uma disseminação de fake news em torno da doença. As pessoas relacionavam o HIV a práticas homossexuais, homoafetivas, o que fez com que populações de práticas heterossexuais não se protegessem de forma adequada. Vimos então, no início do século 21, uma virada, com mais de 50% das pessoas infectadas sendo pessoas que se declaravam bissexuais e heterossexuais. Até porque sempre se soube que o HIV não poderia estar relacionado a uma única prática sexual. Então o nome grupo de risco foi erradicado do meio acadêmico. O que usamos são comportamentos arriscados, situações que colocam a pessoa em vulnerabilidade e aumentam a chance de infecção. E ela é uma só, que é a prática de sexo desprotegido. Então existem situações que potencializam a possibilidade de infecção, mas grupo de pessoa não. Focamos na prática, não na pessoa.

 

- Quando ela pode ser fatal?

R: Hoje temos claramente uma relação entre o tratamento e longevidade. Tenho pacientes em tratamento que tem mais de 20 anos de infecção por HIV e que têm uma vida normal, mantendo hábitos de vida saudável. Hoje falar em morte por HIV é falar de pessoas que não estão em tratamento ou porque não tiveram acesso, o que é uma perversidade social que envolve o poder público, ou porque assumiram a responsabilidade de não fazer o tratamento por diversas questões.

Quando o paciente tem um diagnóstico, é importante ter uma equipe multidisciplinar para discutir sobre todos os aspectos da vida do paciente, assim, trabalhamos a saúde numa perspectiva holística, não como uma ausência de doença, mas como algo que precisa ser estudado e avaliado sobre vários aspectos, que podem ser sociais, religiosos, psicológicos. Todas essas questões estão ali e quando trabalhadas de forma adequada, permitem que o paciente tenha uma adesão terapêutica.

 

- O quanto os tratamentos disponíveis hoje são eficazes?

R: Os tratamentos hoje são bem eficazes. Temos drogas que atuam de forma muito rápida e segura com poucos efeitos colaterais permitindo atingir o objetivo primário que é tornar o indivíduo indetectável em relação à carga viral, então essas medicações são altamente seletivas com poucos efeitos colaterais com a boa adesão terapêutica porque a quantidade de comprimidos que se toma é muito pequena. Temos visto medicamentos de altíssima potência e segurança.  Não se deve ter medo de fazer o teste, e se diagnosticado, não tenha medo de se tratar.

 

- O tratamento é disponibilizado pelo SUS?

R: Sim, nós temos uma política no Brasil, do Sistema Único de Saúde, de combate e controle do HIV-AIDS, que é referência no mundo todo. O Brasil tem o maior programa de controle da infecção, dos países signatários da ONU. Aqui conseguimos atender toda a população levando teste, diagnóstico, acompanhamento e tratamento gratuito sem interrupção. Têm pesquisadores do mundo todo, principalmente da área social, que buscam o Brasil para entender como um país de dimensões continentais é capaz de ter um programa tão consolidado e organizada juntando pesquisadores, médicos infectologistas, clínicos gerais, profissionais que atuam na assistência primária, médicos de saúde de família. Então sim, se tem alguma coisa que a gente consegue falar com orgulho no Brasil, entre tantas outras, é o programa de controle de infecção do HIV.

 


Os desafios da adolescência para quem vive com fenilcetonúria

 Rotina alimentar e apoio familiar são essenciais para manter o equilíbrio metabólico e a qualidade de vida de quem convive com a condição
 

A adolescência é uma fase repleta de mudanças e descobertas. Para quem convive com a fenilcetonúria, enfermidade conhecida como PKU, esse período traz desafios ainda maiores. fenilcetonúria, enfermidade conhecida como PKU, esse período traz desafios ainda maiores. A PKU é uma condição genética rara que impede o corpo de processar a fenilalanina, uma substância presente em alimentos ricos em proteínas, como ovos, leite, carne, alguns legumes e em adoçantes, como o aspartame. Quando não metabolizada corretamente, ela se acumula no sangue e no cérebro e pode afetar o funcionamento do sistema nervoso. Por isso, o tratamento desde o nascimento é fundamental e depende de uma dieta muito restrita, associada à suplementação de aminoácidos, essencial para garantir a ingestão adequada de nutrientes. 

Com o início da adolescência, a rotina alimentar passa a coexistir com compromissos sociais, refeições fora de casa e o desejo de não se sentir diferente, o que pode impactar o seguimento da dieta. A endocrinologista pediátrica Dra. Paula Vargas explica que nesta fase muitos jovens começam a flexibilizar a alimentação ou diminuem o uso da suplementação, o que pode prejudicar o equilíbrio metabólico e o bem-estar emocional. “O adolescente quer pertencer ao grupo, e isso é natural. Mas a PKU exige cuidados diários que não podem ser colocados de lado. Quando o jovem tenta se encaixar, a disciplina do cuidado da doença costuma ser afetada, porque ele passa a evitar situações em que sua dieta ou suplementação o fazem se sentir diferente”, afirma. 

Estudos mostram que a PKU, mesmo quando tratada, já pode afetar o estado mental. O excesso de fenilalanina pode diminuir neurotransmissores importantes para o humor, como dopamina e serotonina, e prejudicar a mielina, estrutura essencial para a comunicação entre os neurônios.1 A médica explica que isso não significa que todo adolescente com PKU terá sintomas emocionais, mas o risco é maior. “Quando a fenilalanina sobe, mesmo por períodos curtos, funções como atenção, organização e regulação emocional podem ser afetadas. Por isso, o cuidado multidisciplinar constante é fundamental, em todas as fases da vida”, reforça. 

Esse impacto se intensifica quando o adolescente perde o controle da dieta. Estudos e diretrizes apontam que concentrações de fenilalanina acima de 600 µmol/L (valor considerado elevado) estão associadas a um risco maior de alterações comportamentais e neuropsiquiátricas em jovens com PKU.2,3 De acordo com a especialista, isso acontece de forma silenciosa. “Os efeitos não aparecem de um dia para o outro e podem passar despercebidos no início. É um acúmulo de pequenas oscilações que, com o tempo, prejudicam a memória, a motivação, o humor e a capacidade de concentração. A boa notícia é que, ao retomar a dieta e controlar adequadamente a doença, muitos desses efeitos podem ser revertidos”, destaca. 

A pressão social também pesa nessa fase, e um dos pontos que mais interfere na adesão ao tratamento é a suplementação nutricional. Muitos adolescentes relatam vergonha de usá-la, especialmente fora de casa, já que o cheiro e o sabor podem ser fortes. Essa sensação de ser diferente se soma à restrição alimentar e aumenta a tendência de esconder a rotina do tratamento. Neste sentido, a endocrinologista pediátrica reforça que o apoio emocional e o acompanhamento constante fazem diferença nessa etapa. “Não é apenas explicar por que a suplementação é importante. É ajudar o jovem a enfrentar o desconforto social, a encontrar estratégias para incorporar o uso na rotina e a entender que manter o tratamento o faz sentir-se melhor”, pondera. 

Por isso, o cuidado multidisciplinar é fundamental para apoiar o adolescente em todas as frentes: alimentação, saúde mental, vida escolar e convivência social. Além disso, a médica destaca a necessidade de ampliar a disponibilidade de suplementações mais palatáveis e práticas, além de terapias específicas para a doença que ajudem a melhorar a adesão. “A adolescência é um momento de escolhas e construção de identidade e, para quem convive com PKU, também é um momento de consolidar o autocuidado. Quando o tratamento se integra à rotina com apoio adequado, o jovem preserva sua saúde mental, mantém o equilíbrio metabólico e vive essa fase com mais segurança e liberdade”, finaliza.



Referências


[1] Ashe K, Kelso W, Farrand S, Panetta J, Fazio T, De Jong G, Walterfang M. Psychiatric and Cognitive Aspects of Phenylketonuria: The Limitations of Diet and Promise of New Treatments. Front Psychiatry. 2019 Sep 10;10:561. doi: 10.3389/fpsyt.2019.00561. PMID: 31551819; PMCID: PMC6748028.

[2] van Spronsen FJ, van Wegberg AM, Ahring K, Bélanger-Quintana A, Blau N, Bosch AM, Burlina A, Campistol J, Feillet F, Giżewska M, Huijbregts SC, Kearney S, Leuzzi V, Maillot F, Muntau AC, Trefz FK, van Rijn M, Walter JH, MacDonald A. Key European guidelines for the diagnosis and management of patients with phenylketonuria. Lancet Diabetes Endocrinol. 2017 Sep;5(9):743-756. doi: 10.1016/S2213-8587(16)30320-5. Epub 2017 Jan 10. PMID: 28082082.

[3] van Wegberg AMJ, MacDonald A, Ahring K, Bélanger-Quintana A, Blau N, Bosch AM, Burlina A, Campistol J, Feillet F, Giżewska M, Huijbregts SC, Kearney S, Leuzzi V, Maillot F, Muntau AC, van Rijn M, Trefz F, Walter JH, van Spronsen FJ. The complete European guidelines on phenylketonuria: diagnosis and treatment. Orphanet J Rare Dis. 2017 Oct 12;12(1):162. doi: 10.1186/s13023-017-0685-2. PMID: 29025426; PMCID: PMC5639803.

 

Festas de fim de ano e canetas de emagrecimento: o que realmente acontece ao pausar o uso durante as comemorações

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Com a chegada das festas, cresce a dúvida sobre pausar ou manter as canetas de emagrecimento. Especialistas explicam o impacto da interrupção temporária e como retomar o tratamento com segurança

 

As drogas da classe dos GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, se consolidaram como uma das principais novidades no manejo da obesidade nos últimos anos, criando um novo cenário em consultórios e no mercado de saúde. Ao mesmo tempo em que ampliaram o acesso a tratamentos eficazes, essas medicações também trouxeram um desafio prático para médicos e pacientes: como lidar com períodos de exceção, como as festas de fim de ano, sem comprometer a aderência e os resultados de longo prazo. 

Na prática, muitos usuários optam por pausar a caneta de emagrecimento durante as comemorações, seja para evitar efeitos gastrointestinais em viagens e eventos, seja por acreditar que alguns dias de interrupção não farão diferença significativa. Do ponto de vista farmacológico, uma pausa curta tende mesmo a ter impacto limitado, já que essas drogas possuem meia-vida prolongada e permanecem no organismo por vários dias. Ainda assim, a combinação entre redução da dose, maior oferta de alimentos calóricos e quebra da rotina costuma se traduzir em aumento pontual do consumo e em uma percepção de “fome maior” em relação às semanas anteriores. 

Esse cenário ajuda a explicar por que parte dos pacientes observa uma elevação rápida no peso, especialmente entre o Natal e a primeira semana de janeiro. Segundo especialistas, em grande medida esse ganho é explicado por retenção de líquidos, maior ingestão de carboidratos e flutuações naturais da balança, e não por perda definitiva de resultados. Estudos e a experiência clínica mostram que, quando o tratamento é retomado de forma adequada e o padrão alimentar volta gradualmente ao normal, a tendência é que o peso retorne à trajetória anterior em poucos dias ou semanas, sem caracterizar um efeito rebote clássico. 

O risco maior está menos na pausa em si e mais na forma como o paciente interpreta esse período. Sensação de fracasso, culpa exagerada e tentativas de “compensar” com dietas extremas ou uso inadequado da medicação podem comprometer a segurança e a continuidade do tratamento. Do ponto de vista clínico, o foco não deve ser impedir qualquer oscilação, e sim preservar o vínculo com o plano terapêutico. Estratégias simples, como manter boa hidratação, incluir fontes de fibra nas refeições festivas, preservar algum nível de movimentação física e retomar as aplicações e consultas logo após as férias, costumam ser suficientes para recolocar o paciente no trilho. 

Para o médico Dr. Gabriel Almeida, CREMESP 180956 e RQE 121513, que atua na área de emagrecimento e saúde integrada, é justamente essa perspectiva de longo prazo que precisa ser reforçada com quem faz uso das canetas de emagrecimento. Na avaliação dele, o fim de ano funciona como um teste de realidade para tratamentos voltados a uma doença crônica. “A obesidade é uma condição de longo curso e, por isso, o sucesso do tratamento depende de aderência ao longo dos meses, não de controle absoluto em todos os dias do calendário”, afirma. Ele ressalta que pausas curtas, planejadas e acompanhadas não costumam comprometer os resultados, desde que o paciente retome o protocolo com orientação profissional. “Tratamento eficaz não depende de perfeição, e sim de consistência. O papel da equipe de saúde é ajudar o paciente a atravessar períodos como as festas sem culpa, mas com responsabilidade, entendendo que o objetivo é proteger o projeto terapêutico como um todo”, conclui.

 

Créditos: CO - Assessoria


ChatGPT como guia turístico? Especialista faz alerta sobre os usos da inteligência artificial no planejamento de viagen

Freepik

Especialista em Inteligência Artificial dá dicas de uso consciente da tecnologia, evitando ciladas. 

 

ChatGPT, Gemini, Copilot e outros modelos de inteligência artificial já viraram companhia de muita gente na hora de planejar férias. De passagens aéreas a roteiro dia a dia, basta descrever o perfil da viagem para receber sugestões “sob medida” em segundos. 

Não é pouca coisa: um levantamento internacional sobre o mercado de IA para turismo e hospitalidade estima que esse segmento movimente cerca de US$ 1,32 bilhão até 2029, impulsionado justamente por aplicações como chatbots, monitoramento automático de preços e recomendações personalizadas de passeios e hospedagens. A indústria já aposta na tecnologia como uma das principais frentes de crescimento do setor nos próximos anos. 

Mas, se a IA encurta o caminho entre o desejo e a reserva, também abre espaço para uma nova dúvida: até que ponto é seguro delegar o planejamento da viagem a um robô? “A IA é excelente para organizar ideias, comparar opções e ganhar tempo, mas não deve ser tratada como autoridade absoluta. Ela é o início da pesquisa, não o ponto final”, resume Mariah Sathler, consultora em inteligência artificial e fundadora da Volura.AI.

 

Acertos e erros do “guia turístico” virtual

Usada com critério, a IA pode ser uma grande aliada, principalmente para quem vai a um destino pela primeira vez. Foi o caso da advogada Bruna Dias, que viajou em setembro para Buenos Aires. “Como eu não conhecia a cidade, perguntei ao ChatGPT qual era o bairro mais seguro, a média de temperatura na época, os pontos turísticos próximos a mim... As respostas foram todas certeiras e não tive problemas durante a viagem”, conta. 

A publicitária Thais Peixoto, que viajou com Bruna, conta que também fez pesquisas no ChatGPT, mas conferia as respostas em outra plataforma online, o TikTok: "Eu busquei o roteiro de viagem para cada um dos dias em que estivemos na cidade, visando os principais pontos turísticos. Também fiz algumas perguntas mais específicas, para tirar dúvida, por exemplo: "qual era o melhor tango para ir, de acordo com o meu gosto pessoal". E foi bem útil! Ele acabou indicando aqueles pontos turísticos que são imperdíveis. E para ter mais certeza, eu perguntava no no ChatGPT e também olhava no TikTok. Um complementou o outro e foi bem positivo!" 

Para Mariah, esse é um bom exemplo de uso maduro da tecnologia. “Elas usaram o ChatGPT como curador inicial, mas não pararam ali: cruzaram com outras fontes, olharam vídeos, conferiram localização. A IA ajuda a organizar o mundo de possibilidades, mas a validação ainda é do viajante”, analisa. 

Nem sempre, porém, o resultado é tão positivo. Na sua última viagem a São Paulo, o personal trainer Christian Couto tentou usar a IA como um “GPS de texto” e se frustrou. “Eu estava na Vila Mariana e precisava ir a um local próximo ao Parque Ibirapuera. Pedi ao ChatGPT ajuda para pegar o metrô e saber em qual estação eu deveria descer. A resposta parecia confiável e segui o roteiro informado. No entanto, desci num local que ficava a 30 minutos de carro do meu destino”. 

Mariah Sathler explica que as IAs generativas, como ChatGPT, Gemini e Copilot, são treinadas com base em grandes volumes de dados do passado — e, por isso, podem trazer informações desatualizadas dependendo do tipo de pergunta. “Isso vale tanto para a criação de roteiros quanto para detalhes de deslocamento. Se você precisa de informações atuais, como eventos que estão acontecendo naquela semana, o ideal é ativar a opção de busca na web”, orienta.

Para consultar trajetos, horários de metrô e distâncias reais, a recomendação é recorrer a aplicativos específicos, como o Google Maps. “Nesses casos, o Gemini tende a ser mais confiável do que o ChatGPT porque já está integrado aos produtos do Google, inclusive ao Maps”, acrescenta. 

Segundo a consultora, ferramentas generativas funcionam especialmente bem para:

 

Pré-viagem:

●    Auxiliar a montar a base do roteiro, principalmente em locais onde já existem pontos turísticos muito tradicionais, que dificilmente sofrerão com alguma informação desatualizada da IA.

●    Procurar as melhores opções de hotéis, comparar avaliações e preços. Pedir quais são as avaliações ruins e boas de cada local para se adequar ao que mais você está buscando (um local confortável com academia, ou então um local com mais vida noturna, ou mais sossegado).

 

Já no destino:

●    Já no destino, utilizar como guia turístico. Utilizar a ferramenta de câmera para tirar foto ou vídeo em tempo real e perguntar curiosidades sobre aquela atração.

●    Oferecer ideias de passeios pouco óbvios que podem passar despercebidos em guias tradicionais.

“É como conversar com alguém que já leu muitos guias de viagem, blogs e reviews. Mas essa pessoa não conhece o mundo físico de verdade. Por isso, tudo que envolve horário, endereço, segurança e transporte precisa ser confirmado em fontes oficiais ou atualizadas”, reforça. 

 

5 dicas de como usar IA para planejar a viagem sem cair em ciladas

Para quem quer aproveitar o melhor da inteligência artificial sem transformar a próxima viagem em dor de cabeça, a orientação dos especialistas é clara: usar a tecnologia como apoio, nunca como fonte única. Veja algumas recomendações da consultora:

 

1. Trate o roteiro da IA como rascunho, não como verdade: Use ChatGPT e similares para ter ideias de bairros, atrações e sequências de passeios, mas considere o roteiro como um esboço inicial. Ajuste horários, distâncias e prioridades de acordo com fontes oficiais.

 

2. Use a IA para montar checklists: organização da mala, clima típico do período, opções de transporte do aeroporto ao hotel… Isso ajuda a não esquecer detalhes importantes. “O usuário pode usar a IA para criar listas e checklists com muita facilidade e rapidez. Mas é importante lembrar que valores, horários e até mesmo vias de trânsito podem mudar ao longo do tempo e a base de treinamento dessas ferramentas é sempre o ano anterior ao nosso”, alerta.

 

3. Cruze sempre com pelo menos uma outra fonte humana: A estratégia de Thais, de combinar respostas da IA com vídeos e relatos de outros viajantes, é uma boa prática. Vale consultar: blogs e canais de criadores especializados no destino; comentários recentes em plataformas como Google Maps e TripAdvisor; recomendações de amigos que já foram ao local. “Uma outra boa dica é pegar vídeos do Youtube que tenham os roteiros que você gostou, copiar a transcrição do vídeo e colar em algumas dessas IAs para te ajudar a montar o roteiro com base nele”, sugere Mariah.

 

4. Desconfie de respostas “perfeitas demais”: Roteiros muito redondinhos, que encaixam tudo em poucas horas ou prometem “ver o essencial da cidade em um só dia”, costumam ignorar trânsito, filas e imprevistos. Ajuste o plano para a realidade do deslocamento.

 

5. Cuidado com links e ofertas suspeitas: A especialista indica sempre pedir para que a ferramenta cite a fonte de onde a informação, seja valores de ingresso, regras, condições de uso, e outras. Além disso, é importante conferir fonte por fonte. “Use a inteligência artificial para otimizar seu tempo, para não começar o seu roteiro com uma planilha ou papel em branco. Confira todas as informações ou então procure um profissional especializado.”, finaliza Mariah Sathler. 



Mariah Sathler - consultora em inteligência artificial aplicada aos negócios e fundadora da Volura AI. Com formação executiva em Inteligência Artificial pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts - EUA) e mais de sete anos de experiência no setor de tecnologia, atua como parceira de transformação para empresas que desejam adotar a IA de forma estratégica. Sua metodologia combina diagnóstico de processos, capacitação de equipes e implementação de soluções personalizadas.
https://www.instagram.com/mariahsathler/
https://www.instagram.com/volura.ai/

 

Volta ao presencial: é essa a tendência do mundo do trabalho em 2026?


Depois de anos em que especialistas e empresas apontavam o home office e o modelo híbrido como o futuro do trabalho, a realidade atual mostra sinais claros de que a tendência pode estar se invertendo: cada vez mais companhias anunciam retorno integral ao escritório e reduzem os dias de trabalho remoto. Casos de demissões por resistência ao retorno presencial — como os ocorridos no Nubank — e de desligamentos por baixa produtividade de funcionários remotos, como no Itaú, alimentam o debate: será que o presencial está voltando a ser a regra? 

Nos últimos meses, essa mudança tem chamado atenção e gerado questionamentos sobre produtividade, engajamento e cultura corporativa. Ao mesmo tempo, histórias de colaboradores que tentam “burlar” sistemas de monitoramento ou equilibrar múltiplas tarefas em casa mostram que o modelo híbrido ainda enfrenta desafios estruturais e comportamentais significativos. 

Para Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, a explicação vai além de simples preferência do empregador ou do colaborador. “Por mais que os modelos híbrido e remoto sejam atrativos, tanto empresas quanto trabalhadores não estavam preparados para uma mudança tão abrupta. O que vemos hoje é a consequência de falta de planejamento, orientação e adaptação. Não existe um único culpado — é uma falha sistêmica de preparo”, afirma.

 

Monitoramento e produtividade: a realidade por trás do home office

Uma das grandes polêmicas envolvendo o trabalho remoto é a forma como a produtividade é avaliada. Algumas empresas utilizam métricas digitais detalhadas: monitoramento da memória e do uso do computador, quantidade de cliques, abertura de abas, inclusão de tarefas em sistemas internos e registro de chamados. Para muitos colaboradores, a amplitude desse acompanhamento é surpreendente. “Nem todos percebem que existem ferramentas capazes de medir cada movimento, mesmo fora do escritório. Isso gera desconforto e desconfiança”, explica Tatiana Gonçalves. 

Esses episódios reacendem um debate antigo: o home office e o trabalho híbrido estão realmente em crise ou é apenas uma fase de ajuste?


Home office e híbrido: o desejo versus a prática

Mas, se é um anseio dos trabalhadores, por que as empresas relutam em adotar esse modelo? Ocorre que a transição para o modelo híbrido enfrenta diversos desafios, tanto do ponto de vista estrutural quanto organizacional. A resistência de muitos empregadores é um dos principais obstáculos. Após a pandemia, quando as empresas foram obrigadas a adotar o home office, muitas começaram a experimentar o trabalho híbrido. Contudo, a implementação efetiva desse modelo exige adaptações significativas nas políticas internas, infraestrutura tecnológica e na organização dos contratos de trabalho. 

Segundo Mourival Boaventura Ribeiro, sócio da Boaventura Ribeiro Advogados Associados, "depois da pandemia, as empresas passaram do trabalho remoto para o híbrido, e agora precisam adaptar-se às novas regras legais". A sanção da Lei nº 14.442/22, que regulamenta o trabalho híbrido e remoto, trouxe mudanças importantes, mas a adaptação a essas novas regras tem sido lenta para muitas empresas, que enfrentam dificuldades em ajustar suas estruturas para garantir a eficiência do modelo híbrido.
 

Infraestrutura e segurança: desafios essenciais

Entre os principais desafios da implementação do trabalho híbrido e home office, destaca-se a questão da infraestrutura. Para garantir esses modelos funcionais, é necessário revisar políticas de trabalho, oferecer tecnologia adequada para a comunicação remota e presencial, e garantir que contratos de trabalho estejam adaptados às novas exigências legais. A segurança da informação também é uma preocupação central, especialmente quando os colaboradores trabalham remotamente e acessam sistemas corporativos de casa. A empresa precisa garantir que as ferramentas e os dispositivos usados pelos colaboradores estejam protegidos contra riscos cibernéticos. 

Carol Lagoa, co-founder da Witec, alerta: "Quando um colaborador trabalha remotamente, a empresa precisa garantir que seu equipamento esteja protegido contra vírus e outros riscos. Caso contrário, o risco de ataques cibernéticos pode comprometer a segurança da companhia."
 

Resistência dos empregadores e reconfiguração da gestão

Muitos líderes de empresas ainda não se sentem confortáveis com a ideia de não estarem fisicamente presentes para supervisionar suas equipes. Além disso, a falta de contato constante pode gerar uma sensação de desconexão, dificultando o engajamento e a colaboração entre os membros da equipe. 

Tatiana Gonçalves, CEO da Moema Medicina do Trabalho, afirma que a escolha de quem vai para o modelo híbrido ou home office de trabalho deve ser feita pelos gestores diretos de cada equipe, avaliando as condições do ambiente de trabalho de cada colaborador. A adoção do trabalho híbrido exige autonomia, responsabilidade e uma compreensão detalhada das condições em que cada colaborador se encontra.
 

A importância de adaptar-se às novas normativas

Além das questões estruturais e culturais, as empresas também precisam adaptar-se a novas normativas legais. A Lei nº 14.442/22, que regulamenta o trabalho híbrido e remoto, trouxe mudanças que flexibilizam o controle de jornada para trabalhadores remotos. No entanto, a implementação dessas mudanças tem sido um processo lento e difícil para muitas empresas, que precisam garantir que seus contratos de trabalho e suas políticas internas estejam em conformidade com as novas exigências. 

Tatiana Gonçalves também destaca a importância de cumprir as Normas Regulamentadoras (NR), especialmente a NR 17, que trata de ergonomia no ambiente de trabalho. "Laudos com a NR 17 e o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) são fundamentais para garantir a segurança dos colaboradores, minimizando os riscos de acidente de trabalho ou doenças ocupacionais", explica.
 

O futuro do trabalho: um equilíbrio entre presencial e híbrido

Apesar dos desafios, o trabalho híbrido e o home office continuam a ser opções promissora para muitas empresas que buscam reter talentos e melhorar a satisfação de seus colaboradores. Contudo, é claro que a adoção exige paciência, adaptação e aprendizado contínuo por parte das organizações. 

O futuro do trabalho está sendo redesenhado, no entanto, o caminho para uma transição efetiva ainda está repleto de desafios. Adaptar-se às novas normas legais, garantir infraestrutura adequada e criar políticas internas que atendam tanto às necessidades da empresa quanto às dos colaboradores são passos essenciais para o sucesso de qualquer modelo de trabalho. 

Em última análise, a flexibilidade e a adaptação serão fundamentais para que as empresas consigam equilibrar o trabalho híbrido, home office ou presencial, garantindo produtividade, segurança e bem-estar para todos.


Planejamento e propósito: como começar o ano com metas sustentáveis


Ah, ano novo, vida nova!

Passamos a virada do ano cheios de confiança de que vamos conseguir realizar nossos sonhos e encarar novos desafios: começar ou voltar para a academia, aprender um idioma diferente, praticar atividades físicas, estudar um assunto novo etc.

Mas aí começam as perguntas: como começar o ano com metas sustentáveis? Como acomodar os nossos sonhos em uma prática consistente, sistemática e realizável? Como planejar a minha vida?

Foi esse papo que tive com meus alunos de Relações Internacionais em sala de aula e que gostaria de dividir com você, pois é aplicável a qualquer pessoa interessada em planejar com propósito. Então, essa é a primeira pergunta que cada um precisa fazer a si mesmo diante do espelho: qual é o meu propósito? E que pergunta poderosa! Continue: o que dá sentido prático à minha vida na relação com aqueles à minha volta?

Nosso propósito tem por base as crenças e os valores que sustentamos, mas que se desdobram em ações práticas cotidianas na relação com o outro. Assim, é um processo de autoconhecimento em movimento duplo: olhar para dentro e perceber-se como ser no mundo; olhar para fora e enxergar o seu papel na sociedade. Só você pode fazer isso!

Muito bonito e filosófico tudo isso, mas, afinal, como planejar meu ano novo? Aqui vão três ferramentas incríveis para você garantir o sucesso das suas realizações neste ano!

Comece com uma ferramenta de autoconhecimento: a famosa análise SWOT, acrônimo de strengths, weaknesses, opportunities e threats. No Brasil, chamamos de matriz FOFA (forças, oportunidades, fraquezas e ameaças). A análise SWOT é amplamente usada por pessoas e por organizações e consiste na observação de quatro categorias: duas sobre você; duas sobre o mundo à sua volta.

Em primeiro lugar, analise suas forças e fraquezas com máxima sinceridade – é de você para você! Pergunte a si mesmo: em que sou bom? (essas são suas forças); em que não sou tão bom? (essas são suas fraquezas). Em seguida, observe o que o mundo à sua volta cria de oportunidades levando em conta suas forças e suas fraquezas. Aquilo em que você é bom gera oportunidades de realizações e sucesso mais rapidamente porque você está mais preparado. No entanto, atente-se ao que não domina tão bem, pois isso pode gerar ameaças que dificultem suas conquistas.

Mas pense que suas fraquezas também são oportunidades de crescimento e desenvolvimento de competências! Ter consciência delas é fundamental, pois cria possibilidades para você se fortalecer.
 

“Como eu faço a análise SWOT?”, você deve estar se perguntando. Pegue uma folha de papel, desenhe um grande quadrado e divida-o em quatro quadrados menores. Em cada um, identifique: forças, fraquezas, oportunidades e ameaças.

Em termos práticos, pense, por exemplo, em como você está adaptado às ferramentas tecnológicas e considere seus conhecimentos sobre Inteligência Artificial (IA). Se a área que você busca no mercado de trabalho exige IA como pré-requisito – e ela está em tudo hoje! –, você precisa saber se domina esse conteúdo. Quais são as oportunidades ao aprender IA? Posições e salários melhores. Quais são as ameaças? Queda de produtividade e substituição. Outros exemplos envolvem domínio de idiomas, do pacote Office e do Power BI – ainda básicos no mundo atual.

O exercício de autoconhecimento da matriz SWOT ajuda você a definir objetivos, que são sempre amplos e, nesse caso, voltados a incrementar sua empregabilidade, por exemplo. Mas você pode usar a SWOT para aspectos pessoais, como melhorar a qualidade de vida por meio de novos hábitos alimentares ou cuidados com a saúde mental. Então, não perca tempo: faça sua matriz SWOT!

Agora que você já cumpriu esta etapa de autoconhecimento, entendeu seu propósito e definiu sua matriz SWOT, é importante organizar sua vida com planejamento estratégico – e duas ferramentas também são incríveis para isso!

A primeira são as metas SMART, usadas por empresas e profissionais influentes. A sigla SMART reúne cinco componentes do planejamento estratégico e vem do inglês: specific, measurable, achievable, relevant e time-bound. Em português: metas específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo determinado.

É importante entender que metas são diferentes de objetivos. Objetivos são amplos e geralmente se encaixam em afirmações como “aumentar minha empregabilidade” ou “cuidar da minha saúde mental”. Já metas são ações específicas que permitem alcançar esses objetivos. Elas podem ser medidas: têm início, meio e fim e se encaixam em resultados que podemos contar em horas de estudo, páginas lidas, treinos realizados etc. Aí
temos as duas primeiras fases das metas SMART.

Suas metas SMART devem ser alcançáveis e relevantes. Uma meta alcançável é aquela que você consegue cumprir porque é específica e realista – você sabe que é possível alcançá-la com esforço na medida certa. Ela também é mensurável, ou seja, você consegue acompanhar o esforço em parâmetros concretos. Além disso, a meta precisa ser relevante: tudo o que você está fazendo contribui diretamente para atingir seus objetivos. Caso contrário, é hora de reajustar a rota.

Por fim, o prazo é fundamental. As metas precisam ser realizadas dentro de um período definido: aprender IA em dois meses, fazer uma pós-graduação no próximo ano, aprender a nadar em seis meses etc. O tempo funciona como incentivo para manter a disciplina.

Pegue outra folha de papel e crie cinco colunas, cada uma para um item das metas SMART: “Qual é a meta específica? Qual é a medida? A meta é alcançável? É relevante? Em quanto tempo deve ser realizada?” Escreva. Colocar no papel é assumir um compromisso consigo mesmo.

E agora chegamos à última etapa: o plano de ação! O famoso 5W2H é outra ferramenta poderosa que ajuda você a organizar objetivos e metas no dia a dia, nas menores ações. Ele vem do inglês: what, why, who, when, where, how e how much (o quê, por quê, quem, quando, onde, como e quanto custa).

Comece pelo que você vai fazer. Pode ser aquela pós-graduação ou os estudos para um concurso. Defina qual pós-graduação e pergunte-se: por quê? Porque ela ajuda você a realizar suas metas e alcançar seu objetivo. O “quem” é você. Como o 5W2H é usado por empresas, o item se refere à distribuição de tarefas; aqui, é pessoal.

O “quando” se refere ao tempo dedicado diariamente, com início e fim. O “onde” envolve o local em que a ação será realizada. O “como” trata dos meios e métodos. E o “quanto custa” envolve o investimento: mensalidade, deslocamento, materiais etc.

Pegue uma folha de papel e organize esse esquema com os sete itens do 5W2H. Quando você coloca as coisas no papel, elas se tornam mais reais, você se compromete com elas e organiza sua mente.

Agora você está pronto para este ano! Não tem erro. Entender seu propósito, definir seu objetivo, conhecer suas forças e fraquezas e as oportunidades e ameaças ao seu redor é a receita do sucesso. Planejar metas sustentáveis e um plano de ação fará você perceber como é possível realizar seus sonhos e objetivos. Comece agora!


Leo Braga - professor do Curso de Relações Internacionais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio


Samsung celebra o Dia Internacional do Voluntariado destacando o impacto de seus colaboradores em mentorias do Solve for Tomorrow

 

Iniciativa reforça o papel dos colaboradores como mentores e o impacto do voluntariado intelectual na formação de jovens 

 

No Dia Internacional do Voluntariado, celebrado em 5 de dezembro, a Samsung destaca a importância do voluntariado intelectual por meio das mentorias oferecidas em seu programa global Solve for Tomorrow, que estimula estudantes da rede pública a desenvolverem soluções de impacto social baseadas em STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Implementado pela Samsung em diversos países da América Latina — incluindo Brasil, Chile, México, Colômbia, Peru, Argentina, regiões da América Central, Paraguai e Uruguai — o programa conta anualmente com o apoio de equipes de voluntários que contribuem com o desenvolvimento técnico e pessoal dos jovens participantes. Além de orientarem os estudantes na evolução de seus protótipos, os colaboradores da Samsung também ajudam a fortalecer habilidades de comunicação, argumentação e apresentação.


Mentoria que transforma trajetórias


Ao longo das diferentes etapas do Solve for Tomorrow, os voluntários da Samsung atuam em diferentes frentes, contribuindo por meio de:

  • participação em treinamentos;
  • mentorias especializadas nas áreas de STEM;
  • simulações de bancas avaliadoras;
  • suporte para o aperfeiçoamento das apresentações finais das equipes.

Em alguns países, o apoio começa já na fase inicial do programa, com treinamentos introdutórios de Design Thinking para estudantes e professores, reforçando o compromisso da Samsung com a disseminação de conhecimento e desenvolvimento educacional. 

No Brasil, colaboradores da Samsung realizam mentorias técnicas e inspiracionais e participam de simulações de pitches. No México, Chile, Bolívia e Argentina, voluntários da empresa atuam desde a análise inicial dos projetos até o acompanhamento dos times finalistas. Já na América Central, Paraguai, Uruguai e Peru, o foco está no apoio aos estudantes no desenvolvimento da narrativa e na preparação para o pitch final.

O impacto desse trabalho vai além da evolução técnica dos projetos. O contato direto com profissionais da Samsung amplia repertórios, fortalece habilidades socioemocionais e ajuda a abrir novas perspectivas de futuro para os jovens envolvidos.


O impacto das mentorias no Solve for Tomorrow Brasil

Segundo a professora Priscila da Silva Santos do projeto Apollo SPX, um dos vencedores na categoria Júri Popular da 12ª edição do programa, a etapa de mentorias contribuiu para que seus alunos desenvolvessem habilidades importantes para comunicar o projeto com segurança. “As mentorias nos ajudam a amadurecer e desenvolver a ideia e, nesse processo, o crescimento pessoal dos alunos foi gigante. Desenvolveram a criatividade, habilidades manuais e até a desenvoltura para apresentar o projeto”, conta.

Já a equipe do Projeto-occhio, também finalista da edição, ressaltou que a mentoria na etapa de semifinalistas trouxe novas perspectivas para o desenvolvimento do trabalho, ajudando os integrantes a enxergar pontos que, sozinhos, talvez não percebessem. Além da atenção especial à ergonomia, a mentoria ajudou o grupo a expandir seu olhar em relação a materiais e tecnologias.

A cerimônia de premiação do Solve for Tomorrow Brasil 2025 aconteceu na última terça-feira (2) e está disponível no canal oficial da Samsung Brasil no Youtube. Essas e outras informações sobre o programa estão disponíveis no site oficial e da Samsung Newsroom Brasil.


Por dentro do Solve for Tomorrow

O programa Solve for Tomorrow realizou em 2025 a sua 12ª edição na América Latina e já impactou a vida de mais de 350 mil alunos e professores de 21 países desde 2014. A iniciativa oferece workshops, treinamentos em Design Thinking, mentorias e atividades práticas que preparam os jovens para resolver desafios sociais complexos utilizando STEM. 

A Samsung reforça seu compromisso com o desenvolvimento social nesta data, valorizando iniciativas de voluntariado que incentivam o protagonismo juvenil e estimulam a formação da próxima geração de inovadores da região.



Samsung Newsroom
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Brasileiros correm atrás do seguro-viagem e especialista alerta para “armadilhas invisíveis” nos contratos

Alta na contratação expõe mudança de comportamento do consumidor e reforça a necessidade de atenção redobrada a coberturas, carências e regras de reembolso antes das férias 

 

A reta final do ano e o aumento das viagens de férias e festas vêm puxando a procura por seguro-viagem entre os brasileiros. A combinação de destinos internacionais mais acessíveis, passagens compradas com antecedência e medo de imprevistos, especialmente com saúde, cancelamentos e bagagens, fez o produto deixar de ser visto apenas como custo extra. Empresas do setor projetam, somente neste último trimestre, um avanço de 20% em relação ao mesmo período de 2024. 

“Antes isso era visto como um custo, um empecilho. E agora não. A gente vê que isso está fazendo parte cada vez mais do pacote de viagens”, afirma o advogado especialista em direito do consumidor Stéfano Ribeiro Ferri. 

Segundo o especialista, a tendência é de crescimento contínuo ao longo de todo o ano, e não apenas em dezembro e janeiro. “A expectativa é de crescimento e não apenas pelo aumento da consciência do consumidor, mas também, porque em muitos casos, os seguros são obrigatórios. Então, quando a gente fala de viagens internacionais, muitos países exigem, por exemplo, a contratação de seguros, envolvendo questões de saúde. Então, isso também agrega nos números”. 

Ao mesmo tempo, os seguros se diversificaram: além de saúde, crescem as contratações para cancelamento de viagem, alteração de datas, extravio de bagagem e até modalidades anuais para quem viaja com frequência a trabalho ou lazer. E, na hora de contratar, porém, o maior risco está no que o consumidor não lê. 

Ferri alerta que a maioria das pessoas não se aprofunda nas cláusulas, especialmente quando o seguro vem atrelado ao cartão de crédito ou à agência. “Sempre que a gente fala do seguro saúde, por exemplo, é importante destacar que as pessoas, e isso não é feito pela maioria das pessoas, tem que tomar muito cuidado com todas as cláusulas”, diz. 

Ele reforça que “o principal ponto é sempre ler os contratos de forma detalhada, contar com o auxílio de pessoas que trabalham com isso, sejam as agências de viagem, advogados, tudo que a pessoa possa se cercar para entender se aquela cobertura é, de fato, o que ela precisa”. Em relação a doenças pré-existentes, Ferri lembra que abusos podem ser contestados: “É ônus da empresa comprovar que o consumidor agiu de má-fé” e, mesmo com contrato assinado, “o Código de Defesa do Consumidor dá essa proteção”.


Mais opções

A contratação de seguros para cancelamento também vem ganhando espaço, sobretudo em viagens programadas com grande antecedência. Esses produtos podem cobrir situações como morte de familiar ou problemas graves que impeçam o embarque, protegendo o viajante desde o momento da compra até o início da viagem. 

Ao mesmo tempo, o cenário judicial em casos de voos cancelados pela companhia traz incerteza: processos envolvendo cancelamentos ou alterações atribuídas a fatores externos, como clima ou problemas de pista, foram suspensos pelo STF até que a Corte fixe uma orientação geral. 

Para Ferri, isso torna a prevenção ainda mais necessária, já que recorrer à Justiça nem sempre compensa. “O judiciário está afogado em ações envolvendo relações de consumo, cada vez mais moroso e indenizações menores, o que leva muitos consumidores a acumularem frustração. Então, a prevenção hoje em dia é fundamental e a informação hoje está ao alcance de todos”, analisa Ferri. 

Quando o problema é bagagem, a regra continua clara: primeiro, responde a companhia aérea. “Falando especificamente do extravio, quem tem que indenizar primeiramente o consumidor é a companhia aérea”, explica Ferri. 

Em voos nacionais, a empresa tem sete dias para localizar a mala ou indenizar o passageiro; em voos internacionais, o prazo sobe para 21 dias. “Se a companhia não resolver, o consumidor pode acionar o Judiciário mesmo que tenha seguro contratado. Caso a seguradora indenize, ela depois pode buscar ressarcimento junto à empresa aérea”. 

O advogado orienta ainda a registrar boletim de ocorrência, guardar documentos e acionar o balcão da companhia já no aeroporto, para comprovar a tentativa de solução. 

Na ponta do lápis, a alta na procura por seguro-viagem também impacta preços, especialmente no fim do ano. Ferri lembra que o reajuste em períodos de maior demanda não é, por si só, ilegal. “Em regra, o preço pode ser dinâmico, como é com aplicativos de transporte. Eles vão mudando conforme o horário, conforme a demanda, isso é tudo dentro da lei. O que deve ser monitorado são práticas como combinação de preços ou formação de cartel”. 

Para o consumidor, a melhor defesa continua sendo planejamento e comparação de ofertas: a orientação, segundo o advogado, é “nunca fazer nada na pressa, não simplesmente confiar na agência ou no convênio do seu cartão de crédito, sempre olhar no detalhe, comparar os preços para saber se não está contratando algo muito fora do mercado”.

 

Não caia em armadilhas

>Planeje com antecedência: evite contratar o seguro em cima da hora, apenas para “cumprir requisito” do destino. Com mais tempo, dá para comparar coberturas e preços. 

>Leia o contrato inteiro: verifique limites de cobertura, exclusões, franquias, reembolso, regras de atendimento e se há restrições por idade ou doenças pré-existentes. 

>Fique atento à carência: em seguros como os de celular ou roubo, confira se há período de carência (30, 60 dias, por exemplo) antes de a proteção começar a valer. 

>Cheque se o seguro do cartão é suficiente: muitas vezes a cobertura automática do cartão de crédito é básica ou restrita. Peça a apólice, leia as condições e compare com outras ofertas. 

>Confirme cobertura de saúde no destino: para viagens internacionais, verifique se o valor segurado é compatível com o custo médico local e se há rede credenciada onde você vai ficar. 

>Considere seguro multiviagens se você viaja muito: quem entra e sai de aeroportos o ano todo pode economizar com uma apólice anual em vez de contratar seguro a cada viagem. 

>Guarde todos os comprovantes: em caso de problema com voo ou bagagem, registre a ocorrência no balcão da companhia, guarde protocolos, e, se necessário, faça boletim de ocorrência. 

>Use o seguro sem abrir mão dos seus direitos: ter seguro não impede acionar a companhia aérea, a agência ou o Judiciário quando houver falha de serviço ou dano moral/material.

  

Fonte: Stefano Ribeiro Ferri - Especialista em Direito do Consumidor. Assessor da 6ªTurma do Tribunal de Ética da OAB/SP. Relator da comissão de Direito Civil da OAB –Campinas. Formado em direito pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP)


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