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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Sarcopenia: o que é isso?

“Doutor, sinto-me tão cansado”. “Doutor, minhas pernas não me obedecem mais”. Essas e outras queixas de fraqueza ou astenia são muito comuns em nossos consultórios médicos e podem estar relacionadas à sarcopenia.

 

Mas o que é, afinal, a sarcopenia? A sarcopenia consiste na diminuição progressiva da massa, da força e da função muscular, associada ao declínio da velocidade de contração dos músculos e à piora do desempenho físico. Pode ocorrer, ainda, a substituição do tecido muscular por tecido adiposo. Trata-se de uma condição que acomete principalmente pessoas idosas, levando à rigidez articular, à perda de densidade óssea e ao aumento do risco de fraturas e quedas, comprometendo significativamente a mobilidade e a independência funcional. 

Vale ressaltar que o sistema neuromuscular atinge sua maturidade plena entre os 20 e 30 anos de idade, iniciando, a partir de então, um processo degenerativo, com perdas estimadas entre 1% e 2% ao ano. Aos 60 anos, observa-se uma redução da força muscular máxima entre 30% e 40%. A partir dessa idade, ocorre uma diminuição adicional de aproximadamente 10% por década. Aos 80 anos, na ausência de medidas preventivas, o indivíduo pode apresentar apenas cerca de 50% da massa muscular que possuía na juventude.
 

A sarcopenia pode ser classificada em:

  1. Primária: processo fisiológico que acompanha o envelhecimento, sobretudo associado à redução da atividade física, sem outra causa específica identificável.
     
  2. Secundária: decorrente de fatores adicionais além do envelhecimento, como o sedentarismo ou doenças sistêmicas.

Para se ter uma dimensão da gravidade dessa condição, estima-se que a imobilidade de idosos em leitos hospitalares possa resultar na perda de até 2% da massa muscular por dia, o que pode representar uma perda de aproximadamente 30% em uma internação de apenas 15 dias. 

O diagnóstico é realizado clinicamente, com base nos sintomas relatados pelo paciente, tais como perda de peso, sensação de fraqueza, lentificação da marcha, dificuldade para levantar-se de uma cadeira, dificuldade para subir escadas ou episódios de quedas. Podem ser utilizados questionários específicos e exames complementares, como densitometria, ressonância magnética e bioimpedância. 

E há tratamento? Sim, e ele é altamente eficaz. O principal e mais importante pilar do tratamento é a prática regular de exercícios físicos resistidos, que promovem o aumento da massa muscular e proporcionam melhor qualidade de vida ao idoso. Além disso, recomenda-se uma nutrição adequada e individualizada, com ingestão proteica e calórica apropriada ou suplementação de aminoácidos essenciais. Quando necessário, deve-se realizar a reposição de vitaminas, macro e microelementos em indivíduos que apresentem deficiências.

Portanto, é possível prevenir e tratar essa grave condição, reduzindo o declínio da qualidade de vida e o risco de instabilidade postural e quedas, que podem ser fatais. 

Por fim, deixo como lema de vida: “Não presenteiem seus idosos com pijamas e chinelos. Presenteiem-nos com tênis e roupas esportivas.”

 

Dr. Luiz Antônio da Silva Sá - especialista em Clínica Médica, Geriatria, Gerontologia e professor da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR)


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