“Doutor, sinto-me tão cansado”. “Doutor, minhas pernas não me obedecem mais”. Essas e outras queixas de fraqueza ou astenia são muito comuns em nossos consultórios médicos e podem estar relacionadas à sarcopenia.
Mas o que é, afinal, a sarcopenia? A sarcopenia
consiste na diminuição progressiva da massa, da força e da função muscular,
associada ao declínio da velocidade de contração dos músculos e à piora do
desempenho físico. Pode ocorrer, ainda, a substituição do tecido muscular por
tecido adiposo. Trata-se de uma condição que acomete principalmente pessoas
idosas, levando à rigidez articular, à perda de densidade óssea e ao aumento do
risco de fraturas e quedas, comprometendo significativamente a mobilidade e a
independência funcional.
Vale ressaltar que o sistema neuromuscular
atinge sua maturidade plena entre os 20 e 30 anos de idade, iniciando, a partir
de então, um processo degenerativo, com perdas estimadas entre 1% e 2% ao ano.
Aos 60 anos, observa-se uma redução da força muscular máxima entre 30% e 40%. A
partir dessa idade, ocorre uma diminuição adicional de aproximadamente 10% por
década. Aos 80 anos, na ausência de medidas preventivas, o indivíduo pode
apresentar apenas cerca de 50% da massa muscular que possuía na juventude.
A sarcopenia pode ser classificada em:
- Primária: processo fisiológico que
acompanha o envelhecimento, sobretudo associado à redução da atividade
física, sem outra causa específica identificável.
- Secundária: decorrente de fatores
adicionais além do envelhecimento, como o sedentarismo ou doenças sistêmicas.
Para se ter uma dimensão da gravidade dessa
condição, estima-se que a imobilidade de idosos em leitos hospitalares possa
resultar na perda de até 2% da massa muscular por dia, o que pode representar
uma perda de aproximadamente 30% em uma internação de apenas 15 dias.
O diagnóstico é realizado clinicamente, com
base nos sintomas relatados pelo paciente, tais como perda de peso, sensação de
fraqueza, lentificação da marcha, dificuldade para levantar-se de uma cadeira,
dificuldade para subir escadas ou episódios de quedas. Podem ser utilizados
questionários específicos e exames complementares, como densitometria,
ressonância magnética e bioimpedância.
E há tratamento? Sim, e ele é altamente eficaz.
O principal e mais importante pilar do tratamento é a prática regular de
exercícios físicos resistidos, que promovem o aumento da massa muscular e
proporcionam melhor qualidade de vida ao idoso. Além disso, recomenda-se uma
nutrição adequada e individualizada, com ingestão proteica e calórica apropriada
ou suplementação de aminoácidos essenciais. Quando necessário, deve-se realizar
a reposição de vitaminas, macro e microelementos em indivíduos que apresentem
deficiências.
Portanto, é possível prevenir e tratar essa
grave condição, reduzindo o declínio da qualidade de vida e o risco de
instabilidade postural e quedas, que podem ser fatais.
Por fim, deixo como lema de vida: “Não presenteiem seus
idosos com pijamas e chinelos. Presenteiem-nos com tênis e roupas esportivas.”
Dr. Luiz
Antônio da Silva Sá - especialista em Clínica Médica, Geriatria, Gerontologia e
professor da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná (FEMPAR)
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