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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Cirurgia robótica cresce no Brasil, mas especialistas reforçam que tecnologia só é segura com cirurgiões altamente capacitados

Com expansão crescente no país, a utilização da tecnologia exige profissionais altamente treinados para garantir segurança e resultados positivos 

 

A expansão da cirurgia robótica no Brasil tem despertado entusiasmo entre pacientes e profissionais, mas também um alerta importante sobre segurança e a importância do preparo técnico adequado. Para o diretor médico do centro cirúrgico do Sírio-Libanês e professor da pós-graduação da Faculdade Sírio-Libanês, Sérgio Arap, o uso do robô em sala cirúrgica exige muito mais do que familiaridade com a tecnologia: requer base sólida na cirurgia convencional, treinamento rigoroso e capacidade de tomada de decisão rápida diante de imprevistos. “Assim como um piloto não começa pilotando um Boeing, o cirurgião também não pode iniciar sua carreira operando um robô”, diz. “Ele precisa dominar toda a base da cirurgia, saber manejar situações de emergência e ter plena capacidade de converter o procedimento caso a tecnologia falhe.” 

A formação em cirurgia robótica segue uma trilha extensa, que começa ainda na graduação, quando muitos estudantes já demonstram interesse pela área, mas sem acesso direto ao robô. O contato real com a tecnologia só ocorre na residência cirúrgica, período em que o foco está na prática assistencial e não no treinamento formal em robótica. “Na residência, eles não fazem a parte teórica, nem a prática específica da robótica. Eles colocam a mão na massa na cirurgia convencional”, explica Arap. 

Segundo o especialista, o percurso estruturado da robótica que inclui aulas teóricas, práticas em simuladores, etapas de observação e a realização de procedimentos supervisionados só começa de fato quando o médico ingressa no processo oficial de certificação do robô. Embora alguns programas de residência ofereçam módulos introdutórios, Arap destaca que o certificado só é concedido após critérios rigorosos de desempenho e segurança. “Há uma pressão do mercado para acelerar as formações de novos profissionais, mas não existe cirurgião robótico que não domine a técnica convencional. 

Se o robô parar, o médico precisa assumir imediatamente”, reforça. Para ele, a chegada de recursos de inteligência artificial torna ainda mais urgente formar profissionais capazes de pensar criticamente. “O futuro da medicina exige médicos especialistas em gente, como dizia o professor Adib Jatene. A tecnologia só tem valor quando melhora resultados. Quando não cura, precisa aliviar. Quando não alivia, precisa confortar. Isso nenhuma máquina faz”, conclui Arap. 

É nesse cenário que o urologista piauiense Bigman de Queiroz Barbosa, 52 anos, vive uma guinada em sua trajetória. Formado no Maranhão e com residência no Rio de Janeiro, ele atua há mais de duas décadas na cidade de Floriano, interior do Piauí, onde se tornou referência. Apesar da carreira consolidada, uma lacuna que sempre o incomodou foi não ter tido treinamento em videolaparoscopia durante a formação como médico. “Eu tinha o interesse de implementar a cirurgia urológica minimamente invasiva na minha cidade”, lembra. 

O desejo se concretizou no final do ano passado, quando se inscreveu, incentivado por um colega, no curso de Cirurgia Urológica Minimamente Invasiva do Sírio-Libanês. A rotina exigiu disciplina, já que seria necessário viajar uma semana por mês, de Floriano a São Paulo, durante quase um ano. No meio do percurso, no entanto, veio a surpresa: a turma recebeu a oportunidade de incluir a certificação em cirurgia robótica na formação. “Pensamos que faríamos apenas videolaparoscopia, mas fomos agraciados com a possibilidade de fazer também a robótica. Isso trouxe um ganho enorme para todos”, conta. 

No Piauí, onde não há plataformas robóticas instaladas, a capacitação ganha significado ainda maior. Hoje, pacientes que precisam de cirurgias renais ou de próstata com auxílio do robô precisam buscar atendimento em outros estados. A previsão é que o primeiro equipamento chegue à capital em 2026, e Bigman já prevê o impacto dessa mudança. “Estando capacitados, saímos na frente. Quando o robô chegar ao estado, já estaremos prontos para operar”, afirma. Ele acredita que, com o avanço das tecnologias e a entrada de novos fabricantes, o custo deve cair, abrindo caminho para que cidades menores também passem a contar com o recurso. 

Contudo, o entusiasmo com a robótica não reduz sua consciência sobre o papel do cirurgião. “Toda tecnologia pode falhar. Se isso acontece no meio do procedimento, o cirurgião precisa saber resolver. O importante é a vida do paciente.” Mesmo antes de concluir a formação, ele já planeja realizar o procedimento com robô em meados do próximo ano, utilizando a estrutura do Sírio-Libanês. “Agora é aplicar tudo o que aprendi. Esse curso mudou minha prática”, finaliza. 

Para saber mais sobre os cursos da Faculdade Sírio-Libanês, acesse: Link 

 

SERVIÇO: 

Faculdade Sírio-Libanês
Pós-Graduação em Cirurgia Urológica Minimamente Invasiva e Robótica
Início das aulas 26/03/2026
Mais informações: Aqui 
 


Hospital Sírio-Libanês
Saiba mais em nosso site: Link


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