Profa. Elaine Avelar detalha perigos como desidratação, insolação e acidentes aquáticos, e oferece guia para pais e cuidadores garantirem um lazer sem preocupações
Com a chegada do verão, sinônimo de lazer e atividades ao ar livre, cresce também a preocupação com a segurança e saúde de grupos mais vulneráveis: crianças e idosos. Pensando nisso, Elaine Avelar, Preceptora do curso de Graduação em Enfermagem e Coordenadora da Pós-graduação em Enfermagem em Pediatria e Neonatologia do Centro Universitário Módulo, detalha os principais riscos do período, que incluem desidratação, insolação, intoxicações e acidentes aquáticos, e compartilha medidas preventivas essenciais para um verão tranquilo e seguro.
"O verão, embora associado ao descanso e à convivência
familiar, pode trazer agravos importantes à saúde se não houver cuidados
adequados, especialmente entre crianças e idosos", afirma a docente. Ela
aponta a exposição solar excessiva, hidratação inadequada, alimentação
imprópria, acidentes aquáticos e contato com água contaminada como os
principais fatores de risco.
Os vilões do verão e como combatê-los:
- Desidratação: comum pelo calor intenso e ingestão insuficiente de água.
Sinais incluem fraqueza, mal-estar, boca seca, diminuição de urina e
irritabilidade. A prevenção exige ingestão regular de água, consumo de alimentos
frescos e permanência em ambientes sombreados.
- Insolação e queimaduras solares: exposição prolongada ao sol pode causar dor de cabeça,
tontura, náuseas e queimaduras. A especialista recomenda evitar o sol
entre 10h e 16h, usar protetor solar (FPS 30+ com reaplicação frequente),
chapéus, óculos e roupas leves, cobrindo áreas negligenciadas como orelhas
e pés.
- Intoxicação alimentar: o aumento do consumo de refeições fora de casa e a
conservação inadequada dos alimentos no calor são fatores de risco.
"É fundamental observar a procedência dos alimentos, suas condições
de armazenamento, aparência, odor e higiene do local", alerta a
professora, que indica priorizar alimentos frescos e evitar
ultraprocessados.
- Arboviroses (Dengue, Zika,
Chikungunya): o calor e as chuvas favorecem a
proliferação do Aedes aegypti. A prevenção passa pela eliminação de
focos de água parada e uso de repelente após o protetor solar, seguindo as
orientações do fabricante, especialmente para bebês, idosos e gestantes.
- Acidentes aquáticos: representam um dos maiores riscos em praias e piscinas,
sendo o afogamento silencioso e rápido. "A supervisão deve ser ativa,
contínua e sem distrações como o celular. Crianças nunca devem ficar
sozinhas próximas à água", enfatiza Profa. Elaine. O uso de coletes
salva-vidas certificados é mais seguro que boias infláveis. Em caso de
emergência, SAMU (192) ou Bombeiros (193) devem ser acionados. Outros
cuidados incluem pulseiras de identificação para crianças, combinar pontos
de encontro e ensinar a "bater palmas" se estiverem perdidas.
Identificando e agindo em casos de alerta:
A especialista destaca que, em crianças e idosos, os problemas relacionados ao calor podem evoluir rapidamente.
- Desidratação: observe boca e lábios secos, urina escura ou em pouca quantidade,
irritabilidade, fraqueza, choro sem lágrimas (crianças) ou confusão mental
(idosos). Para casos leves a moderados, oferecer líquidos (água, SRO, água
de coco, chás gelados sem açúcar) em pequenos volumes, frutas ricas em
água e manter a pessoa em ambiente fresco. Evitar bebidas alcoólicas,
gaseificadas, cafeinadas ou alimentos muito salgados/açucarados. Procure
atendimento médico se houver ausência de urina por horas, vômitos/diarreia
persistentes, confusão mental intensa, taquicardia, pele pegajosa ou
recusa persistente de líquidos.
- Insolação: caracterizada por pele quente, avermelhada e seca, febre
alta, dor de cabeça intensa, náuseas, tontura e alteração do nível de
consciência. Ações imediatas incluem retirar a pessoa do sol, resfriar o
corpo com compressas frias, oferecer hidratação (se consciente) e mantê-la
em repouso. Busque ajuda médica urgente se houver confusão mental, vômitos
persistentes, pulso fraco, febre muito alta ou perda de consciência.
Lazer seguro para todos:
Para indivíduos com necessidades especiais, condições de saúde preexistentes ou rotinas diferenciadas, a Profa. Elaine ressalta a importância de uma abordagem individualizada.
- Hidratação personalizada: idosos, com sua redução da sensação de sede, precisam de oferta
regular de líquidos. Para crianças, estratégias lúdicas podem estimular a
ingestão. Pacientes com doenças específicas, como anemia falciforme,
demandam atenção contínua à hidratação.
- Proteção solar e térmica: priorizar roupas claras, leves e com proteção UV. Evitar o
sol nos horários de pico. Manter ambientes ventilados e frescos.
- Gestão da rotina e
previsibilidade: para crianças com TEA, por
exemplo, o uso de cronogramas visuais e a introdução gradual a novos
ambientes ajudam a reduzir a ansiedade. "Respeitar sinais de cansaço
ou sobrecarga sensorial e permitir pausas em locais tranquilos é
essencial", orienta a professora.
- Condições crônicas: pessoas com doenças crônicas devem consultar seus médicos antes do verão para possíveis ajustes na medicação e monitorar sinais de alerta como tontura, confusão ou cãibras.
"A adaptação das orientações de segurança no verão não limita
o lazer, mas o torna mais seguro e responsável. Antecipar riscos é sempre mais
eficaz do que remediar consequências", conclui Elaine.
www.modulo.edu.br
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