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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

São Paulo 472 anos: 74% dizem que a gastronomia é o que faz a cidade sorrir

Sanduíche de mortadela (49%) e Ibirapuera (28%) são os principais símbolos da cidade

Corrida de rua conquista 41% dos paulistanos e pets já estão em 56% dos lares da capital

 

Ao completar 472 anos, São Paulo segue sendo uma cidade que exige fôlego, mas também recompensa quem aprende a conviver com seus excessos. Entre jornadas longas de trabalho, deslocamentos extensos e uma rotina marcada pela pressa, o paulistano constrói sua relação com a cidade a partir de pequenos prazeres cotidianos. É nesse contexto que a comida, o lazer e a cultura aparecem como âncoras emocionais. Pesquisa inédita da Hibou,  instituto especializado em monitoramento e insights de consumo com 1.350 moradores da cidade, mostra que gastronomia (74,2%) e entretenimento (56,7%) são hoje os principais fatores que sustentam o orgulho de viver na capital.


Comida como identidade: São Paulo se reconhece no balcão

A relação do paulistano com a comida vai além do hábito alimentar e se conecta diretamente à forma como a cidade funciona. Em uma metrópole de turnos estendidos, refeições rápidas e encontros improvisados, a comida de balcão ocupa papel central. Para 49,5% dos moradores, o sanduíche de mortadela do Mercado Municipal é o lanche que melhor representa São Paulo, seguido por pastel (33,6%), coxinha (21,8%), sanduíche de pernil (16,2%) e churrasco grego (13,5%).

A pesquisa também revela como essa identidade se adapta ao tempo: entre jovens de 16 a 34 anos, a coxinha lidera (30,8%), superando o pastel (24,5%), mostrando que tradição e renovação convivem lado a lado. Para Ligia Mello, CSO da Hibou, “São Paulo é a visão da indulgência urbana: o paulistano come para se sentir melhor em meio à dureza da rotina”.


Ibirapuera lidera orgulho urbano e espaços de respiro

Em uma cidade marcada por ruídos e excesso de estímulos, os parques assumem papel fundamental na qualidade de vida. O Parque Ibirapuera, recomendado por 28% dos moradores, aparece como principal cartão-postal não apenas por sua beleza, mas por funcionar como espaço de pausa, encontro e prática esportiva. Em seguida vêm a Avenida Paulista (18%), o MASP (11%) e o Museu do Ipiranga (11%), locais que concentram cultura, circulação e manifestações da vida urbana paulistana.


Pets ocupam espaço central nos lares paulistanos

Dentro de casa, os animais de estimação cumprem um papel afetivo importante em uma cidade marcada por solidão urbana e estresse. A pesquisa mostra que 56% dos 4,9 milhões de domicílios paulistanos possuem ao menos um pet, somando 2,5 milhões de cães e 560 mil gatos. Os números ajudam a explicar por que os pets aparecem como fonte de companhia e equilíbrio emocional, mesmo diante da estimativa de 2 milhões de animais em abrigos ou abandonados na cidade.


A cidade que se ouve: música e rádio seguem criando vínculo

São Paulo também se constrói a partir do som. Em um lugar onde o trânsito, o trabalho e o deslocamento fazem parte do cotidiano, a música funciona como companhia constante. A canção “Sampa”, de Caetano Veloso, é apontada por 47% como a música que melhor representa a cidade, seguida por “Êh São Paulo” (20%) e “Trem das Onze” (12%), que retratam diferentes épocas e formas de viver a capital.

Entre os artistas, Demônios da Garoa (20%) e Titãs (10%) lideram a identidade musical, enquanto o rádio permanece relevante como meio de informação e companhia, com Band FM (17%) e Jovem Pan (15%) como as emissoras mais representativas.


Futebol segue soberano no imaginário paulistano

O futebol continua sendo um dos poucos elementos capazes de atravessar classes sociais, idades e territórios. Para 66% dos moradores, o futebol é o principal esporte da cidade, presente nas conversas do dia a dia, na identidade dos bairros e na ocupação dos espaços urbanos, dos grandes estádios às quadras improvisadas.


Corrida de rua traduz um novo ritmo de vida urbana

Ao lado do futebol, a corrida de rua, citada por 41%, reflete um comportamento cada vez mais comum na cidade: a busca por práticas acessíveis, individuais e compatíveis com agendas instáveis. Entre os jovens é de 47,2%. Em parques, avenidas fechadas aos fins de semana e ruas de bairro, a corrida se consolida como uma forma de autocuidado possível dentro da lógica acelerada da metrópole. O voleibol (14%) aparece em seguida.


Paulistanos exageram problemas, mas dados ajudam a relativizar

Embora 58,8% acreditem que São Paulo está entre as cinco cidades com pior trânsito do mundo, a capital ocupa a 66ª posição global e é a entre cidades com mais de 8 milhões de habitantes. O mesmo ocorre com o roubo de celulares: 49% acreditam que SP lidera o ranking nacional, quando cidades como São Luís e Belém apresentam índices superiores. Por outro lado, 53,6% reconhecem corretamente que 1,5 milhão de pessoas circulam diariamente pela Avenida Paulista.


Mudanças climáticas entram no radar do cotidiano

As transformações no clima já fazem parte da leitura que o paulistano faz da cidade. Para 64,7%, as chuvas intensas e as variações extremas de temperatura registradas nos últimos meses estão ligadas às mudanças climáticas globais, indicando uma percepção crescente sobre os impactos ambientais na vida urbana.


Violência e infraestrutura concentram as maiores críticas

Apesar do vínculo afetivo, os problemas estruturais seguem pesando na avaliação da capital. Segurança pública (84,1%) lidera as críticas, seguida por rede elétrica (65%), abastecimento de água (58,4%) e saúde (56,5%). Também aparecem como áreas de piora o transporte público (46%) e a educação fundamental e média (41,9%), reforçando a sensação de desgaste nos serviços básicos.

“O paulistano aprendeu a conviver com uma cidade de contrastes. Há uma valorização do que traz prazer e bem-estar no cotidiano, ao mesmo tempo em que existe uma leitura bastante crítica dos serviços básicos. Não é contradição, é uma adaptação para encontrar formas de seguir vivendo bem  ainda que tenha  muitos desafios”, afirma Lígia.


Deslocamento longo alimenta planos de saída da capital

O tempo gasto no ir e vir aparece como um dos principais fatores de desgaste. 27,3% dos moradores gastam entre 1h e 2h por dia no deslocamento, enquanto 13,1% ultrapassam as duas horas diárias. Hoje, 32,5% têm planos de deixar São Paulo nos próximos anos e 6,2% quer fazer isso já, principalmente para cidades próximas (40,7%) ou para o interior do estado (29,1%). Ainda assim, 17,8% afirmam que amam morar na cidade, e 30,3% aceitariam ganhar menos para trabalhar em regime 100% remoto, buscando qualidade de vida sem romper totalmente com a capital.


Metodologia

Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Hibou nos dias 09 e 10 de janeiro de 2026, via painel digital. Foram coletadas 1.350 respostas completas de moradores da cidade de São Paulo, maiores de 18 anos, das classes ABCD. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.

  

Hibou


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