Com a chegada das férias escolares de julho, muitas famílias já começam a planejar uma pausa na rotina para descansar e aproveitar o tempo juntos. Mas a conjuntura econômica de 2025 traz desafios adicionais: o dólar segue elevado, as passagens aéreas continuam caras e os preços das hospedagens, principalmente em destinos turísticos, atingiram patamares preocupantes. Diante desse cenário, o segredo para viajar sem estourar o orçamento é simples: planejamento e consciência.
“Antes de qualquer coisa, é fundamental fazer um diagnóstico da situação
financeira. Saber se você está endividado, equilibrado ou possui uma reserva
faz toda a diferença na hora de definir o tipo de viagem”, orienta Reinaldo
Domingos, educador financeiro e presidente da DSOP Educação Financeira.
Para quem está com o orçamento apertado
Se as finanças estão comprometidas, o ideal é ajustar as expectativas. “Não é preciso abrir mão do lazer, mas é necessário adequar o plano de viagem à realidade do bolso. Um passeio local, uma viagem curta ou até mesmo momentos especiais em casa podem ser tão prazerosos quanto destinos mais distantes — com a grande vantagem de não gerar dívidas”, destaca Domingos.
Ele recomenda envolver toda a família na decisão. “Quando há diálogo, até as
crianças compreendem a necessidade de adaptação. E muitas vezes são elas que
trazem as ideias mais criativas e acessíveis.”
Para quem está financeiramente equilibrado
Quem já conseguiu colocar as contas em ordem também deve tomar cuidado para não se deixar levar pelo impulso. “Mesmo sem dívidas, o risco é gastar além do planejado, especialmente durante a alta temporada. A dica é simples: antecedência. Reservas feitas com tempo podem gerar economia de até 70% em passagens e 50% em hospedagem”, alerta o especialista.
Outra recomendação é estabelecer limites diários de gastos. “Definir um
orçamento total e distribuí-lo por dia ajuda a evitar sustos na fatura do
cartão de crédito”, afirma Domingos.
Para quem possui reservas ou investimentos
Aqueles que têm
uma reserva financeira estruturada podem considerar destinos internacionais ou
experiências mais sofisticadas. Ainda assim, o cuidado com o planejamento
continua essencial. “O câmbio, o IOF e as taxas extras podem impactar
fortemente o orçamento. É importante diversificar as formas de pagamento,
utilizando uma parte em moeda local e outra em cartões pré-pagos — sempre
atento às tarifas envolvidas”, aconselha.
E para quem
não se planejou?
Mesmo para quem
deixou o planejamento para a última hora, ainda há opções. “Destinos mais
próximos, passeios culturais gratuitos ou viagens curtas podem ser alternativas
viáveis. O mais importante é manter o equilíbrio e começar a se organizar desde
já para as próximas férias”, diz Domingos.
Orientações
práticas para uma viagem sem sustos
Para facilitar o
planejamento, Domingos elaborou um guia com orientações práticas que ajudam a
manter o controle financeiro durante as férias:
- Planeje
com antecedência: Escolha o destino, o formato da viagem e as
datas, considerando o perfil da família.
- Calcule
os custos reais: Inclua transporte, hospedagem, alimentação,
passeios e uma reserva extra de 30% a 50% para imprevistos.
- Adapte
o destino ao seu orçamento: Veja quanto consegue
economizar e só então escolha a viagem.
- Antecipe
compras e reservas: Com antecedência, tudo
tende a sair mais barato.
- Busque
alternativas: Transporte coletivo, voos com escalas ou
aluguel por temporada podem reduzir bastante os custos.
- Organize
os gastos por dia: Ter um teto diário ajuda a manter o
controle.
- Considere
os custos invisíveis: Lembre-se de incluir
gastos com alimentação, transporte local e taxas extras.
- Planeje
o futuro: Para viagens mais caras, investimentos como
Tesouro Selic, CDBs e LCIs são boas opções.
Segundo Domingos,
é possível curtir as férias sem comprometer o orçamento. “Viajar não precisa
ser sinônimo de endividamento. Com organização e escolhas conscientes, dá para
descansar, criar boas memórias e voltar com as contas em ordem”, conclui.
O importante,
reforça ele, é lembrar que o verdadeiro valor das férias está nas experiências
e nos momentos compartilhados — e não no quanto se gastou para vivê-los.






