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quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Trombose e Covid-19: médica hematologista explica a relação

Infecção de Covid-19 favorece formação de coágulos sanguíneos, podendo causar complicações graves; médica hematologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz responde perguntas sobre o tema


A trombose é uma doença que ocorre quando ocorre a formação de um coágulo sanguíneo, que bloqueia o fluxo de sangue, causando dor e inchaço na região afetada. Por se tratar de uma doença perigosa, que pode causar complicações graves, profissionais de saúde promovem anualmente, no dia 13 de outubro, o Dia Mundial de Trombose, para alertar e conscientizar a população. Desde 2020 e da pandemia de Covid-19, a formação de coágulos sanguíneos tem sido apontada como umas das complicações mais preocupantes causadas pela infecção. Com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre a ocorrência de trombose em pacientes com Covid-19, ou aqueles que já tiveram a doença, a Dra. Daniela Palheiro, médica hematologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, responde perguntas sobre o tema, incluindo causas, medidas de prevenção e tratamento. 


Como a Covid-19 está associada ao aumento do risco de trombose em pacientes? 

O aumento do risco de trombose se dá por diversas causas, como inflamação sistêmica. A Covid-19 pode desencadear uma resposta inflamatória excessiva no corpo, conhecida como "tempestade de citocinas", afetando a função do sistema de coagulação e favorecendo a formação de coágulos. Os coágulos sanguíneos, também chamados de trombos, prejudicam a circulação, podendo levar a complicações graves, como ataques cardíacos, derrames e embolia pulmonar. Outro fator importante é a lesão endotelial causada pelo vírus nas células que revestem os vasos sanguíneos, o que também favorece a formação de coágulos.  


Quais grupos de pacientes com Covid-19 têm um risco particularmente elevado de trombose?  

Pacientes hospitalizados em estado grave apresentam risco mais elevado de desenvolver trombose, devido a vários fatores, incluindo inflamação, imobilização prolongada, intervenções médicas invasivas e maior exposição a fatores de risco. Além disso, pacientes com doenças cardiovasculares pré-existentes, como doença cardíaca coronária, hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, e pacientes com comorbidades, como diabetes, obesidade e neoplasias, idosos e mulheres grávidas também estão entre os grupos de risco. 


Quais são os sintomas de trombose que os pacientes com Covid-19 ou que já tiveram a doença devem ficar atentos? 

Os sintomas de trombose variam dependendo do local onde o coágulo sanguíneo se forma. É importante observar que os sintomas de trombose em pacientes com Covid-19 ou em pessoas que já tiveram a doença são semelhantes aos sintomas de trombose em outras situações. Quadros de trombose venosa profunda (TVP) nas veias das pernas ou braços podem levar a inchaço, dor ou sensibilidade, vermelhidão, ou sensação de calor na área afetada. No caso da embolia pulmonar (EP), que ocorre quando um coágulo é transportado até os pulmões por meio da circulação, os sintomas podem ser súbitos e graves, como falta de ar intensa, dor no peito, tosse com sangue e batimento cardíaco acelerado.  


Quais são as medidas de prevenção adotadas em pacientes com Covid-19 para evitar o risco de trombose?  

Durante a pandemia, muitos hospitais adotaram protocolos de anticoagulação profilática para pacientes hospitalizados com Covid-19, especialmente aqueles em estado grave, incluindo a administração de doses baixas de anticoagulantes, como heparina de baixo peso molecular, para reduzir o risco de formação de coágulos. Em casos de pacientes que não podiam receber heparina, dispositivos de compressão pneumática intermitente eram usados para ajudar a prevenir a formação de coágulos em pacientes com Covid-19 que estavam imobilizados ou tinham risco elevado de trombose. Além disso, os profissionais de saúde avaliam o risco de trombose em paciente com Covid-19, com base em fatores como idade, histórico médico, gravidade da doença e presença de outras comorbidades. Pacientes de alto risco para trombose podem precisar de profilaxia após a alta hospitalar. 


Como é feito o tratamento de pacientes com Covid-19 que desenvolvem trombose?  

O tratamento padrão para a trombose envolve o uso de anticoagulantes, como heparina de baixo peso molecular, ou anticoagulantes orais diretos por 3 a 6 meses. Durante a COVID-19 uso de antagonistas de vitamina K é dificultado por interações com outros medicamentos, que podem interferir na eficácia e segurança, por isso em geral não são a primeira escolha. Os anticoagulantes ajudam a prevenir a formação de coágulos adicionais e reduzem o risco de complicações pós-trombóticas. Além do tratamento específico da trombose, os pacientes podem precisar de oxigênio suplementar, tratamento direcionado para complicações respiratórias ou cardiovasculares associadas à doença.  


Os pacientes que se recuperaram da Covid-19 ainda apresentam risco elevado de trombose após a infecção aguda?  

Pacientes com Covid-19 com complicações tromboembólicas têm maior risco de morte e podem ter a qualidade de vida afetada negativamente mesmo após a recuperação. Além disso, dados recentes relatam que o risco de tromboembolismo permanece alto até seis meses após a infecção por Covid-19. Pesquisas estão em andamento para estudar o risco de trombose a longo prazo em pacientes que tiveram Covid-19.  


Quais são as recomendações para o acompanhamento a longo prazo de pacientes com histórico de trombose relacionada à Covid-19?  

Os pacientes que sofreram trombose relacionada à Covid-19 devem continuar a fazer visitas médicas regulares para monitorar sua saúde cardiovascular. Durante as consultas, o médico pode fornecer orientações sobre tratamento e prevenção de tromboses e suas consequências. Uma medida importante para evitar a síndrome pós-trombótica em pacientes com histórico de TVP é o uso de meias elásticas de média compressão. Esta é uma medida simples que diminui sintomas como dor crônica, edema, alterações na colocação da pele, veias varicosas e úlceras no membro. Exames de sangue e imagem periódicos também podem ser realizados para monitorar a saúde dos pacientes. A adoção de um estilo de vida saudável, incluindo dieta equilibrada, atividade física regular, abstenção do tabaco e do álcool em excesso, podem ajudar a reduzir o risco de trombose e melhorar a saúde cardiovascular. 


Há alguma relação entre a vacina de Covid-19 e casos de trombose? 

As vacinas para Covid-19 Astrazeneca e Janssen que usam adenovírus foram relacionadas a um fenômeno muito raro de trombose com trombocitopenia após a primeira dose, também conhecido como VITT, de causa completamente diferente das tromboses usuais. A doença se desenvolve a partir da produção de anticorpos que podem levar a trombose em lugares incomuns, como vasos cerebrais e abdominais até 30 dias depois da vacinação. No entanto, no início da campanha de vacinação em 2021, estudos mostraram que o risco de desenvolver trombose após tomar a vacina era muito menor que após contrair Covid-19. As vacinas desempenharam papel crucial na redução da mortalidade e dos casos graves de Covid-19 no Brasil e no mundo. Em relação ao risco de desenvolver trombose após vacinação, os trabalhos não mostraram risco aumentado, mesmo após vacinas de RNA bivalentes para Covid-19, usadas atualmente. Vale ressaltar que pacientes que já tiveram trombose por outros motivos não tem risco aumentado para desenvolverem VITT, e, portanto, não apresentam contraindicação para vacinação. 

Sobre o Dia Mundial da Trombose No dia 13 de outubro é lembrado o Dia Mundial da Trombose, que tem como objetivo aumentar a consciência sobre a trombose entre profissionais da saúde, pacientes e entidades do governo e do terceiro setor. No entanto, devemos estar em alerta para essa afecção todos os dias. Em âmbito global, a campanha desta efeméride é liderada pela Sociedade Internacional de Trombose e Hemostasia (ISTH, na sigla em inglês) e, no Brasil, por entidades médicas, entre as quais se destaca a Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH). Para saber mais, acesse o site do Dia Mundial da Trombose e também o site da SBTH.  

 

Burnout atinge trabalhadores de RH, vendas, educação, liderança, administrativo e TI, aponta pesquisa da Way Minder


Levantamento realizado, recentemente, pela plataforma Way Minder, startup mineira de solução tecnológica que acabou de ser lançada e visa fortalecer a saúde mental e o bem-estar emocional do indivíduo tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal, mostra alto índice de burnout entre os trabalhadores brasileiros. Conhecida como a síndrome do esgotamento profissional, o burnout foi classificado como doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Dados da empresa, que tem por base a resposta de mais de 600 pessoas apuradas em maio, revelam que as áreas de RH (43), vendas (42,11), educação (42,1) liderança (40,43), administrativo (38,38), TI (36,61) são onde estão os profissionais mais afetados pelo burnout. Esses indicadores acima de 30 sinalizam que a fase da doença está em estágio moderado, acendo sinal de alerta aos usuários e empresas no monitoramento das emoções e uso de estratégias que visam reduzir esse índice. Segundo a Way Minder, a classificação aponta casos nulo de 0 a 18, baixo (19 a 32), moderado (33-49), alto (50-59) e grave (60-75).

 

Entre os possíveis agentes causadores apontados estão: envolvimento emocional intenso, problemas de comunicação, decisões erradas, perda de produtividade, aumento de ausências.

 

“O burnout ser categorizado pela Organização Mundial da Saúde como doença ocupacional tem levado as empresas a ligarem o alerta sobre a qualidade emocional de seus colaboradores, com adoção de ações e ferramentas que possam contribuir com sua qualidade de vida e reduzir os impactos negativos que essa doença pode causar aos negócios. E uma das soluções que estão sendo adotadas é o uso da nossa plataforma de gestão voltado à saúde mental”, aponta Deivison Pedroza, Co-Founder e CEO da Way Minder.

 

Os dados mostram ainda que quando se trata de liderança, o burnout está em todas as esferas, mas com forte sinal de alerta entre os C-Level: CEO, diretor, sócio, com pontuação de 44,41. Já Lideranças como gerentes, coordenadores são pontuados com 37,43; Outras lideranças: sub gerentes, supervisores marcam 39,47 pontos.

 

Se tratando de gerações, entre Lideranças C-Level, os da geração X - pessoas nascidas nas décadas de 1960 e início da de 1980, consideradas mais tradicionais em relação ao trabalho, preferindo carreiras estáveis, são os que apresentam os maiores índices (48,83), ficando muito próximo do nível elevado, quando atinge a pontuação entre 50 e 59. 

 

Ainda entre esse grupo de C-Level, os da Geração Y, que possuem o mesmo perfil de trabalho, esse índice mede 33,93 pontos. Já os Baby boomers apresentaram uma pontuação de 31,5 – grupo de trabalhadores nascidos entre meados da década de 1940 e 1960. Entre a categoria de Lideranças (gerentes, coordenadores), a pontuação fica em: geração Z (41,8); geração X (36) e baby boomers (34,5).

 

Já entre outras lideranças (sub gerentes, supervisores), os babys boomers marcam um índice de 52; Geração X (40,86) e Geração Y (38,56).

 

Pedroza lembra que o burnout nada mais é do que um estágio extremo e prolongado do estresse que a pessoa vem enfrentando. No entanto, quando o estresse é crônico, ou seja, prolongado e intenso, pode levar a exaustão emocional, despersonalização e diminuição do desempenho no trabalho se transformando em um burnout. O burnout é um problema mais complexo e agravado do que o simples estresse, e pode levar a graves consequências para a saúde física e mental dos profissionais.

 

“A situação de estresse tem efeitos negativos que atingem não apenas o indivíduo, mas também as pessoas que estão ao seu redor, toda a família e claro o ambiente de trabalho, com redução de performance. Diante desses dados alarmantes, é imprescindível que as empresas e os profissionais estejam cientes da importância de abordar a saúde mental e o bem-estar emocional de forma abrangente e eficaz”, observa Pedroza.

 

O executivo lembra que a plataforma Way Minder se destaca como uma ferramenta que oferece soluções personalizadas para prevenir e combater essas questões, proporcionando um ambiente de trabalho saudável e promovendo o desenvolvimento pleno dos profissionais.


 

Metodologia

 

A metodologia utilizada pela Way Minder é própria e embasada em mais de 20 anos de pesquisas nas áreas de prevenção de saúde emocional e mental, neurociência, inteligência emocional e psicologia positiva. "Nossa abordagem é sustentada pela aplicação prática de assessments de inteligência emocional e transtornos mentais, como burnout, síndrome de ansiedade e estresse, e por intervenções comprovadas para proteger a saúde mental de mais de 12 mil clientes no Brasil, América Latina e Estados Unidos", destaca Pedroza.

 

Por meio desses assessments validados, é possível obter informações valiosas relacionadas aos riscos de diversos transtornos mentais. "Com base nesses dados, oferecemos intervenções eficazes para desenvolver e fortalecer o autoconhecimento, equilíbrio emocional, otimismo, motivação intrínseca, empatia, propósito individual e ressignificação cognitiva e emocional positiva", conclui.

 

 

Way Minder - startup mineira responsável pela plataforma online de saúde mental e bem-estar emocional.


Amamentação também é decisiva para o desenvolvimento da fala

Especialista do Hospital Paulista destaca estudos que relacionam o aleitamento ao despertar da fala no tempo correto e ao desenvolvimento das habilidades linguísticas nos anos conseguintes

 

Que a amamentação proporciona inúmeros benefícios para o crescimento e desenvolvimento humano, isso já é sabido há muito tempo e comprovado por repetidos estudos. Mas você sabia que o aleitamento também contribui para o despertar da fala nos bebês?

Conforme o Dr. Gilberto Ferlin, otorrinolaringologista e foniatra do Hospital Paulista, essa interação entre mãe e filho é pré-requisito importantíssimo para garantir a chamada “eclosão da fala” no devido tempo. Isso porque o ato de mamar favorece o desenvolvimento das musculaturas da boca, face e mandíbula, além de estimular o crescimento ósseo dessas estruturas do corpo.

"O aleitamento proporciona o desenvolvimento adequado, tanto muscular como osteo dentário, além da coordenação decorrente da maturação neurológica típica. É o período em que se estabelecem as primeiras interações entre o bebê e o nosso meio, iniciando o que virá a ser a cognição e afeto dessa criança", explica o especialista.

Dessa forma, Dr. Ferlin reforça a importância de manter esse elo nos primeiros 24 meses de vida, a exemplo do que preconiza a OMS. "Após os seis meses de vida, o recomendável é que a amamentação seja mantida de forma mista, ou seja, com a introdução de outros alimentos, se possível, até o segundo aniversário da criança ou após. Além da eclosão da fala no devido tempo, já há estudos que apontam que essa interação também contribui para o desenvolvimento das habilidades linguísticas e inteligência não-verbal ao longo da infância", destaca o médico.

Ele menciona um estudo longitudinal, publicado em maio de 2023, com crianças australianas, que reforça essa tese, amparado em uma análise feita em crianças entre 5 e 11 anos.

"Esse é o estudo mais recente, dentre outros vários que já apontam para essa correlação, o que fortalece o entendimento da OMS quanto à importância de se tentar alongar o período de amamentação até os dois anos, também levando em conta essa questão da habilidade linguística.”



Nem sempre é possível

Contudo, é certo que nem todas as mães têm condições de oferecer, ou mesmo de manter, o período de amamentação para além das primeiras semanas de vida dos bebês. Para esses casos, Dr. Ferlin recomenda o acompanhamento especializado para nutrição e orientações profissionais para a mãe, buscando minimizar os prejuízos ao desenvolvimento infantil.

"A mamadeira, embora estimule a sucção da criança e garanta o aporte nutricional satisfatório, não é capaz de prover as interações necessárias para o desenvolvimento da linguagem. As características físicas da mamadeira permitem um padrão de sucção diferente da mama feminina. Nesse sentido, especial atenção deve ser dada a criança durante a alimentação no sentido de estimular a linguagem com adaptações adequados para esse período, como, em geral, naturalmente, as mães o fazem”, explica o especialista.

“Um exemplo disso é a forma como as mães alteram a forma de falar com seus bebês durante a amamentação e os cuidados cotidianos. Com isso, é possível o desenvolvimento das potencialidades infantis, como cognição e afeto, indispensáveis para, no devido tempo, a criança falar", finaliza.


Hospital Paulista de Otorrinolaringologia


Uso excessivo de medicamentos para cólicas menstruais pode mascarar doenças

Especialista defende a busca por outras soluções que podem contribuir para o alívio da dor

 

As cólicas menstruais, também conhecidas como dismenorreia, afetam uma porcentagem significativa das mulheres durante seus anos reprodutivos. Para encontrar alívio do desconforto e da dor, muitas recorrem a anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos de venda livre ou mesmo remédios mais fortes sob prescrição. Mas o uso excessivo desses medicamentos para aliviar as dores pode ser prejudicial à saúde, além de mascarar sintomas de doenças mais graves.

 

O ginecologista Patrick Bellelis, especialista em endometriose e colaborador do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, adverte sobre o uso indiscriminado e frequente de analgésicos. "Embora eles possam fornecer alívio temporário das cólicas, o uso exagerado pode levar a problemas gastrointestinais, renais e até mesmo um risco aumentado de eventos cardiovasculares. É essencial que as mulheres estejam atentas aos riscos potenciais e explorem abordagens alternativas de controle da dor menstrual."

 

Úlceras estomacais, sangramento e dores de estômago também são sintomas comuns do excesso de remédios, principalmente quando tomados com o estômago vazio. Seu uso prolongado pode causar dores de cabeça, complicando ainda mais a situação de quem busca alívio.

 

Mascarar os sintomas das cólicas menstruais com medicamentos pode, ainda, ocultar a identificação de outros problemas de saúde, como a endometriose. "As mulheres que sofrem de dores intensas ou persistentes devem consultar um profissional de saúde para descartar quaisquer condições ginecológicas mais graves ou desequilíbrios hormonais”, frisa o médico. 

 

Em vez de abusar do uso de analgésicos, o especialista recomenda a adoção de uma rotina que possa contribuir para controlar as cólicas, como a prática de exercícios, a baixa ingestão de alimentos multiprocessados, o consumo de alimentos anti-inflamatórios e repouso, quando possível. “Um estilo de vida mais saudável, com preocupação com seu próprio corpo, aliado ao acompanhamento médico periódico, é capaz de promover melhora significativa das cólicas”, finaliza Bellelis.  

 

PATRICK BELLELIS – GINECOLOGISTA - graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina do ABC. Possui título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Laparoscopia e Histeroscopia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO. Doutorado em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo, USP, Brasil. Especialização em Endoscopia Ginecológica e Endometriose pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Faz parte da diretoria da SBE (Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva) desde a sua fundação. Médico Assistente do Setor de Endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo desde 2010. Professor do Curso de Especialização em Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva – Pós- Graduação Latu Senso, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês desde 2011. Professor do Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica – IRCAD – do Hospital de Câncer de Barretos, desde 2012.


O dilema de Maurício Kubrusly frente ao diagnóstico de Demência Fronto Temporal


 

Quem não se lembra do jeito irreverente de fazer jornalismo de Maurício Kubrusly? Hoje, aos 77 anos, morando no Sul da Bahia, o repórter enfrenta um dilema: conviver com o diagnóstico de Demência Fronto Temporal, uma deficiência que altera a capacidade cognitiva do indivíduo e afeta seu poder de captação e manipulação da comunicação, agindo diretamente na escassez das habilidades cognitivas do ser humano e alterando inclusive o humor. 

Essa condição de saúde, interrompe décadas de sucesso na TV brasileira, com sua alegria e improviso ao dar notícia ou contar história no extinto programa “Me leva Brasil". Uma aposentadoria precoce que interrompe a atividade laboral, por conta de um problema de saúde. Situação comum nos dias atuais. Neste caso, existe a deficiência de formulação e compreensão da linguagem e da memória, característica da demência, mostram que se fará necessária a adaptação e ressignificação de toda uma vida. 

Assim como Maurício, muitas pessoas, se encontram neste lugar da “parada”, ou do estacionar seu trabalho e vida social, em decorrência dos cuidados consigo mesmo. O grande ponto aqui é cuidar da saúde e, principalmente, não permitir que uma situação como essa afete seu emocional. 

Uma rede de apoio em casos como esse, se faz fundamental, para que esse indivíduo que esteve ativo ao longo de toda sua vida, viveu sob a mira de holofotes e mantinha um alinhamento social constante, não entre em um estado depressivo, tornando assim, a demência uma porta aberta para transtornos ou outras neuroses oportunistas. 

Toda essa situação hoje vivenciada pelo jornalista, nos faz pensar e refletir que em alguns momentos, nosso corpo pode nos parar. Nossa mente pode nos parar. É preciso ter sabedoria para reconhecer que essa pausa é, extremamente, necessária. Infelizmente, o paciente diagnosticado com essa doença, fica debilitado mentalmente e fisicamente. Perdendo suas funções de linguagem e se torna, de certa forma, dependendo total das pessoas mais próximas. 

Sem dúvida, é um tempo de ressignificar nossas forças e perceber que até os fortes precisam parar. São anos de muitos trabalhos à frente das câmeras que tornaram esse jornalista “familiar” no cenário televisivo, hoje, estacionado por uma lesão cerebral que causa um distúrbio de linguagem e cala a “persona” principal. 

Mas o grande ponto que deve ser observado é que, os sinais já vinham se manifestando há algum tempo, demonstrando que algo estava fora dos eixos. Com isso, o afastamento de suas atividades se tornou necessário, uma vez que, o esquecimento das falas, os apagões momentâneos e a apatia frente a algumas situações, denunciavam um pedido de socorro. 

Diante desta constatação, aproveito para ressaltar a importância de “ouvir” seu corpo. Dar voz à suas dores e aos pequenos sinais de irregularidades, como: dores crônicas, alterações de pele ou físicas inesperadas, dentre outras anormalidades do organismo. Lembrando da máxima psicanalítica de que o corpo fala, certamente, ele pode estar emitindo um alerta para que se tenham mais cuidado com a mente e o físico. Somos as nossas histórias. Somos as nossas dores e alegrias. 

Estamos em constante evolução e claro que, a vida imediatista, nem sempre nos deixa perceber que a desaceleração é necessária. Preservar o emocional e valorizar o cuidado com o organismo e o biológico, são regras indispensáveis para que se viva cada vez mais e com maior qualidade de vida. 

Enfim, lamentamos a notícia do presente diagnóstico de Maurício Kubrusly. Demência é coisa séria. E fica a tristeza em saber que não teremos mais a alegria e o humor do jornalista em novos programas da TV, por conta de sua condição clínica. O que nos leva a refletir que somos suscetíveis a doenças e que estas precisam ser acompanhadas de perto desde os primeiros sinais de qualquer sintoma. 

Afinal, não existe isenção de dor ou invencibilidade para o ser humano. Ainda não chegamos neste estágio. Portanto, a grande lição é viver a cada dia como se fosse o último. Desacelerar. Prestar atenção aos detalhes e aos sinais de desequilíbrio que possam estar sendo emitidos pelo corpo e pela mente, que são fundamentais na construção do bem estar físico e emocional.          

 

Dra. Andréa Ladislau - Psicanalista

 

O que acontece na infância, não fica na infância

Dia 24 de agosto é celebrado o Dia da Infância no Brasil. Especialista mostra como as vivências desta fase da vida têm impacto na formação da personalidade do indivíduo.


A infância é o período que vai desde o nascimento até a puberdade. Estudos comprovam que esta é a fase mais importante do desenvolvimento humano. Até os dois anos de idade, a velocidade de sinapses (conexões) que acontecem no cérebro é inigualável a qualquer outra fase da vida. “A interação da criança com o ambiente por meio de seus órgãos do sentido: tato, visão, paladar, olfato e audição, bem como com as primeiras emoções, garante o processamento de novas informações, oportunizando às células do sistema nervoso alterações neurológicas”, explica Márcia Chammas, psicóloga e orientadora educacional dos anos finais do Ensino Fundamental na Unidade Higienópolis do Colégio Rio Branco.

 

“As experiências vividas na infância, portanto, estabelecem a base do nosso desenvolvimento cognitivo, psíquico e socioemocional, dando sustentação à aprendizagem ao longo de toda a vida. Elas impactam diretamente a formação da personalidade”, acrescenta a especialista.

 

Para que esse impacto seja positivo no desenvolvimento individual, é preciso um olhar atento ao tripé saúde física, saúde emocional e saúde intelectual. Da saúde física, fazem parte a boa alimentação, a hidratação, as atividades físicas e a higiene do sono. A saúde emocional é alcançada por meio de acolhimento, proteção, afeto e criação de vínculos. Já para cuidar da saúde intelectual da criança, é preciso oferecer interações, estímulos e educação formal.

 

Mas, embora a formação da personalidade comece na infância, ela não é concluída nesse período. “Ao longo da adolescência, temos novas oportunidades de ressignificar experiências vividas na infância, afinal é uma fase de grandes transformações: nos âmbitos físico, cognitivo, psicológico, emocional e social. Nesta fase, os comportamentos infantis ficam para trás e os jovens começam a pensar em competências para assumir papéis de impacto na sociedade”, ressalta Márcia.

 

O papel da escola

Além das interações, dos vínculos e da educação formal, necessários para o bom desenvolvimento infantil, a escola é também lugar de cuidar da saúde emocional.

 

Na adolescência, a escola tem papel fundamental. Márcia Chammas lembra que “os profissionais da área da educação, além de conhecimentos de neuropsicologia, necessitam ter habilidades socioemocionais desenvolvidas como empatia, olhar e escuta qualificados, ética, resiliência e responsabilidade social a fim de oportunizar ao jovem que está nessa grande fase de transformação, enxergar-se e enxergar o mundo de uma forma diferente, ressignificando comportamentos, pensamentos e sentimentos oriundos de experiências ruins na infância”.

 

O papel de todos

“A criança é um indivíduo que tem necessidades e direitos, alguém que se constrói por meio de interações e relações que vivencia em família e na escola. Educar consiste em levar em conta a singularidade de cada um, dialogando com seu conhecimento de mundo. Na prática, cuidados com aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos e sociais com as crianças são dever de todos!”, conclui Márcia.

 


Colégio Rio Branco
www.crb.g12.br

Samsung abre vagas para programa de estágio 2024/25

Imagem meramente ilustrativa
Candidatos precisam residir em São Paulo e ter formação prevista para dezembro de 2025; Inscrições vão até o dia 25 de setembro

 


 

O Programa de Estágio 2024/25 da Samsung está com inscrições abertas até o dia 25 de setembro. Para participar do processo seletivo, é necessário que os candidatos residam em São Paulo e estejam cursando áreas relacionadas a Administração, Ciências Econômicas, Comunicação Social, Direito, Engenharias, Publicidade e Propaganda, Psicologia, Marketing e Relações Internacionais. Com vagas para atuação no modelo híbrido – 3 dias no escritório e 2 de home office –, o programa tem duração de 24 meses com início previsto para 15 de janeiro de 2024.

 

Além da inscrição, o processo seletivo do Programa de Estágio da Samsung é composto por provas de inglês, lógica e aderência cultural, além das etapas de entrevista com consultoria, dinâmica em grupo e entrevista final, realizada com os gestores de cada vaga e o time de recursos humanos. Os requisitos incluem conhecimento do pacote Office completo, disponibilidade de seis horas (de segunda à sexta-feira) e conclusão de formação superior em bacharel prevista para dezembro de 2025.

 

Ao concluírem o processo seletivo, os candidatos aprovados receberão, durante o período do programa, benefícios como planos de saúde e odontológico, seguro de vida, Gympass, vale-refeição, vale-transporte ou estacionamento, e bolsa mensal de R$ 2.500. O programa também oferece bolsa de R$ 3.000 nos 13º e 24º mês de atuação do candidato na empresa.

 

“O Programa de Estágio da Samsung é uma oportunidade para que jovens universitários e universitárias obtenham conhecimento prático nas áreas em que estão se especializando, além de poderem contribuir com as ações da empresa por meio de seu conhecimento recém adquirido que eles trazem do ambiente acadêmico. Em contrapartida, oferecemos um espaço de trabalho dinâmico, inovador e multicultural, contribuindo para o desenvolvimento profissional desses colaboradores”, afirma Fauze Diab, diretor sênior de Recursos Humanos na Samsung Brasil.

 

As vagas disponíveis são para atuação no escritório da Samsung, na Região do Morumbi, em São Paulo, e as inscrições para o programa de estágio devem ser realizadas no site https://samsung.across.jobs/, entre os dias 24 de agosto e 25 de setembro de 2023.


 

SERVIÇO 


Inscrições: até 25 de setembro através do link https://samsung.across.jobs/

Cursos: Administração, Ciências Econômicas, Comunicação Social, Direito, Engenharias, Publicidade e Propaganda, Psicologia, Marketing e Relações Internacionais

Formação Superior: Bacharel com conclusão prevista para dezembro de 2025

Idioma: Inglês avançado

Disponibilidade para Estágio: 6 horas/dia

Localidade das vagas: São Paulo (SP)

Início do programa: janeiro de 2024

Benefícios: Bolsa-auxílioAssistência MédicaAssistência OdontológicaSeguro de VidaVale-transporte ou Transporte, Vale-RefeiçãoGympass, entre outros. 



Samsung Electronics Co. Ltd.
https://news.samsung.com/br


Geekie inova ao implementar ferramentas de Inteligência Artificial na educação

2023 é o ano da Inteligência Artificial, que está redefinindo o panorama da sociedade como um todo, incluindo o da educação. O relatório do Fórum Econômico Mundial - Future of Jobs 2023 traz, por exemplo, que a habilidade de interagir com IA e Big Data é a terceira mais valorizada pelas empresas, depois apenas de Pensamento analítico e Pensamento criativo. E nós, que reconhecemos o potencial da IA e também os seus desafios, nos questionamos: devemos barrar essa revolução em nossas salas de aula ou abraçá-la, capacitando estudantes e docentes a navegar por esta nova era? 

Seguindo o nosso DNA de inovação e pioneirismo no uso da tecnologia para transformar a educação brasileira desde o início da nossa empresa, em 2011, nós optamos por investir, sim, no uso da inteligência artificial e levá-la para as salas de aula já no primeiro semestre de 2024. 

E as novidades em nossa plataforma digital de educação que integra momentos práticos de vivências e experiências de construção do conhecimento pelos estudantes foram pensadas com o objetivo de dar ainda mais visibilidade ao processo de aprendizagem, auxiliar docentes com ganhos de eficiência e envolver estudantes no uso consciente e alinhado com o futuro que os esperam. 

Entre as inovações que apresentamos no Geekie One para o próximo ano letivo, destacamos:

 

- Assistente de correção automática de questões dissertativas: Com a ajuda da IA, a Geekie passará a fornecer um assistente de correção que automatiza esse processo, permitindo que professores e professoras dediquem mais tempo ao ensino e menos à correção. Os docentes seguirão tendo a palavra final, validando as sugestões de correções feitas pelo assistente;

 

- Banco de Questões expandido: A categorização do banco de mais de 100 mil questões do Geekie One irá facilitar a preparação de listas de atividades e provas por meio da aplicação de filtros precisos por nível de dificuldade, origem e assunto. Será possível, ainda, criar listas de exercícios multi-capítulos, permitindo a organização de atividades mais diversificadas e ajustadas às necessidades das turmas;

 

- Escola no controle de Provas On-line: Nossa nova funcionalidade garantirá que, durante as atividades avaliativas on-line, os estudantes não possam acessar outras abas ou arquivos em seus dispositivos, aumentando a confiabilidade das respostas e uma visão autêntica do progresso dos estudantes;

 

- Listas de Sondagem dos Objetivos de Aprendizagem: Criadas por um time interno de especialistas em Avaliação com o auxílio de IA, as nossas listas fornecerão aos professores um panorama claro da evolução de cada estudante, o que irá possibilitar intervenções pedagógicas mais direcionadas e eficazes. Em 2024 essa novidade chegará primeiro do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática;

 

- Educação Digital para o Ensino Fundamental abordando a temática da Inteligência Artificial: A Inteligência Artificial será uma das novas temáticas a serem abordadas no ensino fundamental anos finais com conteúdos que irão convidar os alunos a mergulhar no mundo da IA, entender o seu funcionamento, explorar sua criatividade e compreender os impactos e desafios éticos associados a essa tecnologia. Trabalhando sob o tripé dos riscos, desafios e oportunidades do mundo digital para apoiar os estudantes no desenvolvimento de habilidades e competências, traremos propostas de atividades práticas, reflexões sobre o uso intencional, ético e responsável da Inteligência Artificial e a visibilidade de carreira em um mercado de trabalho cada vez mais voltado para a tecnologia. 

 

Na Geekie sempre usamos a tecnologia de forma responsável, aliando a intencionalidade pedagógica clara aos objetivos de aprendizagem planejados para serem alcançados pelos docentes. Nos orgulhamos de estar sempre na vanguarda da implementação da IA na educação brasileira, visto que desde 2013 já a utilizávamos para personalizar o aprendizado, e de seguir trabalhando muito focados e de forma bem acelerada para proporcionar um ambiente de aprendizagem ativa e personalizada cada vez mais dinâmico e visível. E quando a intencionalidade pedagógica e a tecnologia se encontram, resultados extraordinários são alcançados!

 

Camila Karino - CEO da Geekie (www.geekie.com.br), empresa de educação referência em inovação e tecnologia para transformar a educação brasileira. A especialista é psicóloga, Mestre e Doutora em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), com estágio na Universidade de New Brunswick (Canadá), onde estudou “Igualdade, equidade e eficácia do sistema educacional brasileiro”. Camila é também pesquisadora na área de processos de ensino-aprendizagem e de avaliação e foi coordenadora de avaliações no INEP, vinculado ao MEC.


Fraudes Contábeis vs. Governança Corporativa

A fraude corporativa é um problema insidioso com potencial para infligir severos danos às organizações. Fraude pode ser definida como qualquer ato enganoso realizado com intenção maliciosa, visando obter ganho ilegal. Em um ambiente corporativo, isso geralmente inclui atividades como desvio de recursos, manipulação de demonstrações financeiras e apropriação indébita de ativos.

Existem várias razões pelas quais altos executivos podem se envolver em fraudes corporativas. Algumas das principais razões incluem ganância, pressão para atingir metas financeiras, desejo de manter status e poder, falta ou falha nos controles internos, cultura corporativa permissiva ou até mesmo por acreditarem que estão agindo no melhor interesse da empresa.

As fraudes contábeis são um tipo de fraude corporativa que envolve manipulação ou distorção intencional das informações financeiras das empresas. Existem várias razões pelas quais os executivos podem cometer fraudes contábeis, podemos citar principalmente os incentivos pessoais, ou seja, o executivo comete a fraude para obter melhores bônus, opções de vendas de ações ou até mesmo para evitar perdas em investimentos pessoais.

Além disso, outro motivador pode ser manter as aparências, pois os administradores podem estar preocupados em manter uma imagem de sucesso, motivo pelo qual tentam evitar a revelação de problemas financeiros.

Uma das razões mais relevantes da existência das fraudes contábeis seria a falha nos controles internos das empresas. Quando os controles internos são fracos ou ineficazes, em sinergia com processos de monitoramento e auditoria interna e externa falhos ou inadequados, estamos diante do ambiente perfeito para a fraude contábil.

A situação pode tornar-se ainda mais desastrosa se as auditorias externas estiverem envolvidas no esquema. Principalmente pelo fato destas empresas terem o papel crucial de verificar e garantir a precisão e integridade financeira. O objetivo principal das auditorias externas é fornecer uma opinião independente sobre as informações financeiras que estão apresentadas, e se encontram-se em conformidade com os princípios contábeis aplicáveis. Agora, se de alguma forma, as auditorias estão envolvidas na fraude, conjuntamente com membros da alta direção das empresas, podemos inferir que a governança destas empresas seria inexistente, gerando danos financeiros, reputacionais e crimes contra a economia brasileira.

 

Patricia Punder - advogada e compliance officer com experiência internacional. Professora de Compliance no pós-MBA da USFSCAR e LEC – Legal Ethics and Compliance (SP). Uma das autoras do “Manual de Compliance”, lançado pela LEC em 2019 e Compliance – além do Manual 2020. Com sólida experiência no Brasil e na América Latina, Patricia tem expertise na implementação de Programas de Governança e Compliance, LGPD, ESG, treinamentos; análise estratégica de avaliação e gestão de riscos, gestão na condução de crises de reputação corporativa e investigações envolvendo o DOJ (Department of Justice), SEC (Securities and Exchange Comission), AGU, CADE e TCU (Brasil). www.punder.adv.br


Para atingir meta estipulada pelo Marco Legal do saneamento, mercado precisa investir em tecnologia e dado

Mercado de saneamento precisa investir em tecnologia e dados 
  
Imagem de kubinger/Pixabay

Com a meta de que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e à coleta de esgoto, o Marco Legal do Saneamento, em vigor desde julho de 2020, completou três anos. De aumento do investimento à inclusão da iniciativa privada, o mercado evoluiu consideravelmente de lá para cá.

Até 2022, o Marco Legal havia gerado cerca de R$ 72,2 bilhões em investimentos para o setor, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). A nova regulamentação garantiu recursos com a realização de concessão de serviços sob as regras da nova legislação. Ao todo, 19,3 milhões de pessoas foram beneficiadas em 212 municípios com as licitações, que ocorreram, principalmente, nos estados de Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Amapá e Rio de Janeiro.

A medida impôs algumas mudanças ligadas à nova meta. A obrigatoriedade de licitações e a permissão da iniciativa privada de competir nesses processos, além da exigência de que as empresas comprovem a capacidade financeira para viabilizar a meta estipulada, foram algumas delas.

Essas alterações possibilitaram um cenário favorável para promoção de renovações do setor, viabilizando um ambiente de maior concorrência entre as companhias.

Nesse cenário mais competitivo, o solo ficou fértil para o surgimento de novas iniciativas, tanto de empresas públicas, quanto privadas. O marco reacendeu holofotes voltados a demandas represadas, além de chamar atenção para pendências relacionadas à gestão de recursos hídricos, tratamento de água, reserva e a distribuição de água, assim como a coleta e tratamento de esgoto, que precisam ser resolvidas para o cumprimento da meta.

O uso de tecnologia no setor, por sua vez, foi impulsionado, visto que o marco acelerou iniciativas ligadas à inovação, gestão de clientes e automação dos processos. Contudo, a velocidade de desenvolvimento é uma questão que ainda demanda mais atenção.

Apesar da meta estipulada, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), quase três anos após a aprovação do novo Marco Legal, mais de 35 milhões de brasileiros ainda vivem sem água tratada e mais de 100 milhões não têm coleta e tratamento de esgoto. Nesse sentido, qual seria o próximo passo para acelerar os resultados e alcançar o objetivo dentro do tempo estipulado?


Inteligência de dados é a maior aliada do setor

A princípio, compreender o cenário e como se comporta cada projeto para dar direcionamento aos investimentos de maneira inteligente é a medida mais urgente, pois indicará quais iniciativas demandam maior atenção e precisam de uma resolução rápida de problemas. E um dos principais aliados nessa trajetória é o uso da inteligência de dados.

O investimento em uma tecnologia capaz de registrar de maneira precisa informações relacionadas ao consumo, tempo de uso de certos equipamentos e monitoramento de consumo em tempo real de inúmeras variáveis, auxiliam na compreensão do ambiente e garantem tomadas de decisões mais assertivas.

Plataformas de dados que permitam o desenvolvimento de soluções, a otimização dos processos, a criação de novos modelos de negócio e novas experiências dos clientes são exemplos de ferramentas imprescindíveis nesse contexto de inovação e busca pela universalização do saneamento básico no país.

A partir dos dados captados por sensores de IoT, por exemplo, é possível termos uma gestão efetiva dos dados operacionais e trabalharmos com preditividade para o combate de perdas na distribuição de água, automatizar o processo de medição por meio de medidores inteligentes ou mesmo monitorarmos a disponibilidade de água, acelerando processos internos que garantem uma geração de dados precisos, trazendo a possibilidade da implantação de soluções SmartGrid no setor.

Fora isso, o investimento em tecnologia não deve estar ligado apenas a aparelhos físicos, mas também a softwares que auxiliarão na gestão de informações. Nesse sentido, potencializar as plataformas de dados via ferramentas, funcionalidades, técnicas e processos que garantam uma maior governança na gestão do ciclo de vida dos dados é extremamente importante.

Pensando na integração, consumo e exposição desses dados com segurança e agilidade, a adoção de plataforma de gestão de APIs também se apresenta como fundamental, seja para consumir informações externas para determinada análise, ou mesmo expor informações e serviços ao “mundo externo”. Envolver parceiros de negócio para oferecer serviços não regulados, por exemplo, visando novas receitas, ou explorar - por meio de aplicativos e sites - informações e insights gerados, só é possível graças à aplicabilidade do ecossistema de APIs.

A inovação, portanto, depende do trabalho junto a vários parceiros, universidades, instituições de pesquisas, entre outros, e é fundamental adotar uma mentalidade API First para facilitar a interação entre esses atores, assim como agilizar a jornada que vai desde a conceitualização dos problemas e ideias até a implantação e disseminação da tecnologia inovadora.

Entretanto, o investimento em tecnologia da informação ainda é considerado relativamente baixo no setor do saneamento nacional, que muitas vezes precisa priorizar problemas mais primários, como a própria infraestrutura, e lidar com as barreiras do limite financeiro.

Diante desse cenário, o mercado de saneamento é uma fatia que ainda se utiliza pouco da tecnologia disponível na atualidade, tendo ainda poucas empresas com capacidade de possuir e implementar as inovações que estão ao nosso alcance. Nesse sentido, ainda surge o desafio de captar dados de sistemas básicos, devido a plataformas ultrapassadas que, atualmente, estão em operação.

Apesar da democratização da tecnologia no setor ainda ter muito a evoluir, o momento atual é ideal para direcionar os olhares e, principalmente, investimentos em inovação e soluções que serão o piloto central na geração de valor. Embora o mercado já tenha evoluído significativamente, devemos ter a tecnologia como um grande habilitador para que essa trajetória rumo à universalização do saneamento básico no país seja possível.

 

Patrick Baudon - Diretor Comercial do mercado de Energy & Utilities na Engineering Brasil. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), o executivo acumula mais de 15 anos de experiência.


Metaverso pode revolucionar a experiência de compra do brasileiro

Ávido por novidades, o público brasileiro é um dos que mais apreciam redes sociais, pois é nesse ambiente virtual que ele encontra lazer e interação com influencers e marcas. Sempre em busca do que é novo, o Brasil mostrou rápida adesão ao sistema de pagamentos instantâneos PIX e tem o desejo de fazer pagamentos em tempo real por aplicativos de mensagens ou mídias sociais, conforme pesquisa recente da Mastercard. 

Para enriquecer essa mistura, o metaverso é um ingrediente interessante para tornar a experiência de compra do brasileiro mais fascinante. Afinal, esse ambiente virtual imersivo tem um potencial enorme no varejo de tornar as compras online mais atraentes, uma vez que os consumidores podem explorar novidades durante as compras online, de maneira muito mais próxima da experiência de estarem ao vivo na loja que tanto gostam, sem sair de casa. 

No metaverso, ao visitar as lojas de suas marcas preferidas, o cliente não ficará perdido ou entediado porque as marcas poderão mostrar de forma estratégica as maiores e mais atraentes prateleiras para que ele possa ver instantaneamente o que a loja tem a oferecer. Isso é possível porque a cada dia ampliam-se as possibilidades do uso de dados fornecidos pelos consumidores nas suas interações com as marcas nas redes sociais, sites e nas transações de pagamentos. A cada retorno do usuário à loja no metaverso, as empresas podem revelar mais linhas de produtos para surpreendê-lo e encantá-lo. 

A grande vantagem da tecnologia do metaverso comparado a um ambiente bidimensional é que ele mergulha o consumidor na experiência, permitindo que ele “se perca" no ambiente e descubra novas mensagens, detalhes ou produtos associados. A construção desse ambiente personalizado só é possível com dados confiáveis. No Brasil, com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), as empresas têm um ponto de apoio sólido para dar garantias aos seus consumidores de que suas informações estarão protegidas e de que serão usadas adequadamente. 

Um mundo totalmente novo cada vez mais perto 

Hoje, a maioria das empresas ainda está se preparando para adentrar o metaverso. As que já tentaram ações nesse espaço o fizeram como iniciativas de relações públicas. Mas é provável que isso mude rápido porque muitas marcas já procuram saber como podem criar uma loja no metaverso, tentando entender qual experiência eles devem criar e como devem personalizá-la (ou não). 

Nas últimas décadas, mudanças sem precedentes nos levaram do mundo offline para o online e esse ritmo acelerado tende a continuar. As pessoas entrarão com mais frequência em ambientes virtuais com realidade aumentada e vão consumir conteúdos, produtos, arte e música. Esse contato é mais “humano”, multissensorial e emocional graças aos recursos tecnológicos e ficará aos poucos mais distante da experiência atual de olhar para uma imagem estática durante uma compra em um site, como fazemos hoje. Isso é o que define a estrutura do metaverso. 

No exterior, algumas experiências dão sinais de que o investimento em lojas no metaverso é bastante promissor. A princípio, algumas marcas estão experimentando o metaverso para desenvolver consciência, engajamento, lealdade e aprendizado. Marcas de luxo como Burberry, Dolce & Gabbana, Hermés e Gucci, por exemplo, usam NFTs para gerar interesse. Mais de um quarto dos varejistas do Reino Unido dizem que estão se preparando para entrar no metaverso no próximo ano para melhorar a experiência de compra dos clientes. Quase um terço deles (32%) disse que pretende implantar realidade virtual (VR) e 8% afirmaram que pretendem aumentar as oportunidades de publicidade usando VR, de acordo com um novo relatório da consultoria Baringa. 

Enquanto esse processo se desenrola, dois movimentos fortes já coexistem. De um lado, há plataformas como o TikTok, com conteúdo de vídeo básico que os consumidores simplesmente deslizam. Ali os algoritmos são refinados sem que os usuários façam nenhum esforço, o que os tornam populares no Brasil e garantem crescimento rápido de interações com marcas. Por outro lado, agora existem adotantes iniciais que conduzem conteúdo imersivo, onde mundos inteiros são construídos em torno de cada usuário e permitem camadas mais sofisticadas de descoberta e envolvimento mais profundo e duradouro. 

No final, é provável que haja um cruzamento entre esses dois. As empresas poderão negociar com usuários que desejam explorar de forma rápida e espontânea e, de outra forma, com aqueles que buscam uma interação significativa e satisfatória. O usuário, sem dúvida, estará no meio com suas preferências dependentes de seu humor, circunstâncias e tempo. Mas o mais interessante será como as marcas conectam isso ao conteúdo individualizado para criar experiências verdadeiramente pessoais, inovadoras, seguras e confiáveis para seus clientes. 

 

Ander Orcasitas - RVP da Dynamic Yield, empresa da Mastercard, na Europa, América Latina e Caribe

CIC Grajaú leva Cidadania em Movimento ao Jardim Shangrilá

A Secretaria da Justiça e Cidadania (SJC), por meio do Centro de Integração da Cidadania (CIC) Grajaú, promove a ação Cidadania em Movimento, no próximo sábado (12), das 10h às 15h, na sede da Fundação Fé e Alegria, na zona sul da capital.

No evento, serão oferecidos serviços de emissão de 1.ª via de RG para menor de idade, solicitação de certidões (nascimento, casamento e óbito), pré-atendimento do Cejusc, atendimento jurídico, orientação para cadastro de vagas, carteira de trabalho digital, seguro-desemprego, corte de cabelo, maquiagem, esmaltação, vacinação, brincadeiras infantis e outros atendimentos.

A iniciativa ocorre em parceria com a Fundação Fé e Alegria, o Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) e o Instituto Embelleze.

 

Data: Sábado, 26 de agosto de 2023

Horário: 10h às 15h

Local: Av. Carlos Barbosa Santos, 235 - Jardim Shangrilá, São Paulo

Localização: https://goo.gl/maps/r5uhKSGWPHuvpUBM8

 

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