Ávido por novidades, o público brasileiro é um dos que mais apreciam redes sociais, pois é nesse ambiente virtual que ele encontra lazer e interação com influencers e marcas. Sempre em busca do que é novo, o Brasil mostrou rápida adesão ao sistema de pagamentos instantâneos PIX e tem o desejo de fazer pagamentos em tempo real por aplicativos de mensagens ou mídias sociais, conforme pesquisa recente da Mastercard.
Para enriquecer essa mistura, o metaverso é um ingrediente interessante para
tornar a experiência de compra do brasileiro mais fascinante. Afinal, esse
ambiente virtual imersivo tem um potencial enorme no varejo de tornar as
compras online mais atraentes, uma vez que os consumidores podem explorar
novidades durante as compras online, de maneira muito mais próxima da
experiência de estarem ao vivo na loja que tanto gostam, sem sair de
casa.
No metaverso, ao visitar as lojas de suas marcas preferidas, o cliente não
ficará perdido ou entediado porque as marcas poderão mostrar de forma
estratégica as maiores e mais atraentes prateleiras para que ele possa ver
instantaneamente o que a loja tem a oferecer. Isso é possível porque a cada dia
ampliam-se as possibilidades do uso de dados fornecidos pelos consumidores nas
suas interações com as marcas nas redes sociais, sites e nas transações de
pagamentos. A cada retorno do usuário à loja no metaverso, as empresas podem
revelar mais linhas de produtos para surpreendê-lo e encantá-lo.
A grande vantagem da tecnologia do metaverso comparado a um ambiente
bidimensional é que ele mergulha o consumidor na experiência, permitindo que
ele “se perca" no ambiente e descubra novas mensagens, detalhes ou
produtos associados. A construção desse ambiente personalizado só é possível
com dados confiáveis. No Brasil, com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD),
as empresas têm um ponto de apoio sólido para dar garantias aos seus
consumidores de que suas informações estarão protegidas e de que serão usadas
adequadamente.
Um mundo totalmente novo cada vez mais perto
Hoje, a maioria das empresas ainda está se preparando para adentrar o
metaverso. As que já tentaram ações nesse espaço o fizeram como iniciativas de
relações públicas. Mas é provável que isso mude rápido porque muitas marcas já
procuram saber como podem criar uma loja no metaverso, tentando entender qual
experiência eles devem criar e como devem personalizá-la (ou não).
Nas últimas décadas, mudanças sem precedentes nos levaram do mundo offline para
o online e esse ritmo acelerado tende a continuar. As pessoas entrarão com mais
frequência em ambientes virtuais com realidade aumentada e vão consumir
conteúdos, produtos, arte e música. Esse contato é mais “humano”,
multissensorial e emocional graças aos recursos tecnológicos e ficará aos
poucos mais distante da experiência atual de olhar para uma imagem estática
durante uma compra em um site, como fazemos hoje. Isso é o que define a estrutura
do metaverso.
No exterior, algumas experiências dão sinais de que o investimento em lojas no
metaverso é bastante promissor. A princípio, algumas marcas estão
experimentando o metaverso para desenvolver consciência, engajamento, lealdade
e aprendizado. Marcas de luxo como Burberry, Dolce & Gabbana, Hermés e
Gucci, por exemplo, usam NFTs para gerar interesse. Mais de um quarto dos
varejistas do Reino Unido dizem que estão se preparando para entrar no
metaverso no próximo ano para melhorar a experiência de compra dos clientes.
Quase um terço deles (32%) disse que pretende implantar realidade virtual (VR)
e 8% afirmaram que pretendem aumentar as oportunidades de publicidade usando
VR, de acordo com um novo relatório da consultoria Baringa.
Enquanto esse processo se desenrola, dois movimentos fortes já coexistem. De um
lado, há plataformas como o TikTok, com conteúdo de vídeo básico que os
consumidores simplesmente deslizam. Ali os algoritmos são refinados sem que os
usuários façam nenhum esforço, o que os tornam populares no Brasil e garantem
crescimento rápido de interações com marcas. Por outro lado, agora existem
adotantes iniciais que conduzem conteúdo imersivo, onde mundos inteiros são
construídos em torno de cada usuário e permitem camadas mais sofisticadas de
descoberta e envolvimento mais profundo e duradouro.
No final, é provável que haja um cruzamento entre esses dois. As empresas
poderão negociar com usuários que desejam explorar de forma rápida e espontânea
e, de outra forma, com aqueles que buscam uma interação significativa e
satisfatória. O usuário, sem dúvida, estará no meio com suas preferências
dependentes de seu humor, circunstâncias e tempo. Mas o mais interessante será
como as marcas conectam isso ao conteúdo individualizado para criar
experiências verdadeiramente pessoais, inovadoras, seguras e confiáveis para
seus clientes.
Ander Orcasitas - RVP da Dynamic Yield, empresa
da Mastercard, na Europa, América Latina e Caribe
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