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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Problemas de saúde não devem impedir idosos de viajar


Doenças respiratórias podem ser controladas para permitir curtir a terceira idade

Para quem é aposentado, viajar sem prazo para voltar para casa pode ser uma realidade. Segundo dados do IBGE, idosos representam 13% da população brasileira em 2018 e a expectativa é que até 2060 a população com mais de 60 represente 32% do total de brasileirosi. O avanço da medicina e a crescente preocupação da população com um envelhecimento saudável e qualidade de vida contribuem para o aumento da expectativa de vida, que no Brasil é de 75 anos. Para o setor de turismo, estamos falando de um nicho de mercado muito promissor, já que é a única camada da população que cresce.

Na área da saúde, essa geração escolhe alternativas mais saudáveis, exercícios físicos e uma alimentação balanceada. É o que aponta a pesquisa "Silver Seekers: The New Age of Boomer Wellness"ii, da autoridade mundial em previsão de tendências WGSN. Com alguns cuidados e o tratamento correto, é possível viajar sem que doenças respiratórias, como a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), impacte a rotina e o lazer dos idosos.

A DPOC é uma sigla que indica, geralmente, a combinação de doenças que reduzem o fluxo de ar nos pulmões, provocando sintomas como falta de ar, tosse seca e pouca disposição para fazer as atividades do cotidiano. Geralmente, os nomes bronquite crônica e enfisemaiii são os mais usados para se referir a condição.

O diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, Dr. Mauro Gomes, alerta que "os pacientes, muitas vezes, não sabem reconhecer e explicar para o médico exatamente o que estão sentindo. A falta de ar, por exemplo, costuma ser relatada como um cansaço constante. Muitas vezes eles atribuem isso ao sedentarismo, excesso de peso ou à própria idade e não imaginam que já exista uma doença pulmonar. Outras pessoas evitam ir ao consultório também porque sentem culpa pelo hábito de fumar – e não sabem como parar".

Sua principal causa é o tabagismo, mas isso não significa que pessoas que nunca fumaram não devem estar atentas aos sintomas. Poluentes ambientais e gases emitidos pela queima de combustível, também afetam a função pulmonariv e são fatores de risco para desenvolver a doença. Como os sintomas da DPOC são parecidos com os de outras doenças pulmonares, as pessoas que desenvolvem a doença não costumam dar atenção aos sinais no começo da doença e acabam procurando o especialista quando a condição está avançada.

Com a mudança do perfil populacional, o Dr. Mauro Gomes defende uma mudança também na forma como cuidamos da saúde para que um envelhecimento ativo vire realidade para um número cada vez maior de idosos. 

"O normal em qualquer idade é se sentir bem, poder passar tempo de qualidade com a família, viajar para lugares novos e praticar atividades físicas que contribuam para uma vida mais saudável", comenta. Para isso, o diagnóstico precoce é fundamental. "Um dos exames mais simples e acessíveis para o diagnóstico da DPOC é a espirometriav (teste do sopro). A partir dessa primeira triagem, o paciente deve fazer outros exames para avaliar a função pulmonar e ter um diagnóstico mais preciso", completa.

Além do acompanhamento médico, o especialista indica o tratamento regular com medicamentos para evitar restrições no dia a dia do paciente. "O uso contínuo da medicação reduz complicações pela doença e evita limitações na rotina do paciente. O tiotrópio, uma das opções de tratamento, reduz em 16% o risco de morte nos pacientes com DPOC", explica. Medidas além do tratamento convencional também são fundamentais, como a prática de atividade física regular com acompanhamento médico, vacinação contra gripe e pneumonia e não fumar.




Boehringer Ingelheim


O coração no centro das metas mundiais de saúde


A prevenção e redução da incidência de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente as cardiovasculares, é uma das dez metas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2019. O objetivo – somando todas essas enfermidades – é que haja atendimento médico-hospitalar para um bilhão a mais de pessoas este ano, em comparação com números de 2018.

As doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, diabetes e câncer, são responsáveis por mais de 70% de todas as mortes no mundo. São 41 milhões de óbitos por ano, revela a OMS. O mais grave é que essa preocupante estatística inclui 15 milhões de pessoas que falecem prematuramente, ou seja, com idade entre 30 e 69 anos. Mais de 85% desses episódios ocorrem em países de baixa e média renda. A prevenção e mitigação das principais causas reduziria de modo significativo a perda dessas vidas.

A OMS, corroborando conclusões de pesquisas inequívocas, alerta que o aumento dessas doenças tem sido impulsionado por cinco fatores de risco: tabagismo, sedentarismo, uso nocivo do álcool, dietas pouco saudáveis e a poluição do ar. Tais causas também agravam a saúde mental. Metade de todos os transtornos psicológicos começa aos 14 anos, mas a maioria não é detectada e tratada de maneira oportuna. Tais problemas, em muitos casos, levam as pessoas a se descuidarem da saúde como um todo, inclusive com o coração.

Um dos aspectos mais importantes das ações previstas pela OMS para reduzir a incidência das doenças cardiovasculares em 2019 é trabalhar com os governos para atingir a meta global de redução em 15% da inatividade física até 2030. 

Isso será feito por meio da implementação de uma série de políticas que incentivem as pessoas a se mexerem mais todos os dias.

É muito importante que todos, independentemente de campanhas e iniciativas nacionais e internacionais dos governos e organismos multilaterais, equilibrem seus hábitos rotineiros, adotando práticas mais saudáveis. 

Com uma postura responsável com seu próprio corpo, as pessoas melhoram seu bem-estar (e o de suas famílias!), e contribuem para que as estatísticas relativas às mortes por doenças não transmissíveis sejam menos traumáticas a cada ano. Vamos todos, incluindo médicos e profissionais das distintas áreas da saúde, nos engajar com determinação nessa causa em favor da vida! 





Dr. José Francisco Kerr Saraiva - Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).


Cegueira por glaucoma cresce no Brasil


Toxidade do conservante de colírios faz 50% das pessoas interromper o tratamentos. Desconforto pode ser reduzido.


O glaucoma degenera o nervo ótico, parte do olho que conduz as imagens da retina ao cérebro para que possamos enxergar, explica o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier. O envelhecimento da população fez a doença saltar no Brasil de 900 mil casos em 2010 para 2,5 milhões no ano passado.  Isso porque, o censo 2018 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que da população total de 208 milhões., 86,1 milhões têm 40 anos ou mais. A estimativa do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) é de que a doença atinge 3% das pessoas nesta faixa etária.

Queiroz Neto afirma que além da idade, afrodescendentes, quem tem casos na família,  já sofreu trauma ocular, ou tem doenças que alteram a vascularização do olho como a miopia e o diabetes corre maior risco de desenvolver  glaucoma. Isso porque, em 90% dos casos a doença está relacionada ao aumento da pressão intraocular causada por uma falha na drenagem do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocul.ar “Esta falha leva células do nervo óptico à falência e lentamente provoca a perda da visão periférica sem qualquer sintoma”, pontua. Para se ter ideia. o oftalmologista diz que em olhos saudáveis o nervo óptico tem 1,25 milhões de células ganglionares. No estágio avançado do glaucoma, quando o portador percebe redução do campo visual, já são apenas 50 mil células com possibilidade de perder de três mil a cinco mil células ao ano. Isso significa que a perda total da visão pode levar de 10 a 15 anos.

A única forma de preservar a visão é através do uso contínuo de colírios que controlam a pressão intraocular. O problema é que 1 em cada 2 pacientes com glaucoma falham no uso do colírio. O médico explica que isso acontece porque a maioria das pessoas usa colírios com Cloreto de Benzalcónio (BAK) um conservante que leva ao olho vermelho crônico  por causar da toxidade desta substância que causa ressecamento da lágrima,:, ceratite (inflamação da córnea e , simbléfaro (aderência da pálpebra ao globo ocular) ou espessamento da margem palpebral.

Queiroz Neto ressalta que o oftalmologista poderia substituir estes colírios poderiam  por formulas sem conservante, mas esbarra na baixa adesão do paciente ao tratamento com este tipo de colírio por r causa do preço mais alto.  O problema, afirma é que o tratamentos com colírios que contêm conservante pode dificultar os procedimentos cirúrgicos.


O especialista diz que é possível manter o uso de colírios com conservante  e reduzir o desconforto com algumas adaptações que variam  conforme a classe do colírio em uso  e que só podme ser adotadas sob supervisão médica.AOs principais elencados pelo especialista são:

CLASSE FARMACOLÓGICA
DESCONFORTO OCULAR
ADAPTAÇÃO
- Alfa-agonista
- Olho seco, hiperemia, alergia
- Substituir por homólogo com 0,15 do princípio ativo e com conservante virtual.
- Inibidor de anidrase carbônica
-Ardência, sensação de corpo estranho, alergia, ceratite, olho seco
- Trocar de classe farmacológica quando ocorrer ceratite.
- Betabloqueador
- Ardência, olho seco, ceratite
- Associar maleato de timolol a 0,25.
- Prostaglandina
- Ardência, olho seco, pigmentação periocular e da íris, hiperemia, hipertricose.
A vermelhidão diminui em 4 semanas. As alterações de pigmentação e hipertricose só com a troca de colírio.

Queiroz Neto ressalta que a maioria dos portadores de glaucoma tem olho seco. Por isso, independente do colírio utilizado, a dica é tomar cápsula de óleo de linhaça para melhorar a qualidade da lágrima e diminuir o desconforto causado pelos colírios. 


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