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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Festas juninas aumentam alerta para acidentes graves com fogos de artifício

Levantamentos recentes mostram que internações por lesões relacionadas aos artefatos voltaram a subir no Brasil; emergencista alerta para queimaduras, amputações e risco aumentado para crianças 

 

Com o início das festas juninas, o uso de fogos de artifício, rojões, bombinhas e outros artefatos explosivos, além das tradicionais fogueiras, volta a fazer parte das comemorações em muitas regiões do país. A tradição, no entanto, também impõe um alerta importante aos serviços de saúde: todos os anos, esse período é marcado pelo aumento de ocorrências, especialmente queimaduras, traumas nas mãos, lesões oculares, ferimentos na face e, nos casos mais graves, amputações.

Dados do Ministério da Saúde mostram que os acidentes envolvendo artefatos pirotécnicos seguem como causa relevante de atendimento no Sistema Único de Saúde. O Brasil registrou 348 internações em 2023 e 377 em 2024 por ferimentos relacionados à queima de fogos de artifício, o que representa alta de aproximadamente 8,3% em um ano¹.
 

Além das internações, os atendimentos ambulatoriais ajudam a dimensionar a gravidade do problema. Em 2023, foram contabilizados 97 casos relacionados a queimaduras e lesões provocadas pelo manuseio inadequado desses artefatos. Em 2024, esse total subiu para 162, avanço de aproximadamente 67% em relação ao ano anterior². O problema também persistiu em 2025. Apenas nos três primeiros meses de 2025, o Sistema Único de Saúde registrou 628 atendimentos ambulatoriais e hospitalares por queima de fogos de artifício, média de cerca de sete casos por dia, segundo dados do Ministério da Saúde³.  

Para o Dr. Felipe Liger, médico emergencista do Pronto Atendimento do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o principal risco está na falsa sensação de controle. “Fogos de artifício muitas vezes são vistos como parte da brincadeira, especialmente nas festas juninas, mas estamos falando de um artefato explosivo. Quando há falha no manuseio, a lesão pode ser imediata e muito grave, com queimaduras profundas, fraturas, perda de tecido e até amputações. Isso também vale para as fogueiras, símbolo dessa festa.”, afirma. 

Segundo o especialista, mãos, braços, face e olhos estão entre as áreas mais atingidas, justamente pela proximidade com o artefato no momento da explosão. Crianças e adolescentes exigem atenção redobrada, não apenas pelo risco de manipularem bombinhas e rojões, mas também por estarem próximas de adultos que fazem o uso inadequado desses materiais. 

“O ideal é que crianças não manipulem fogos, bombinhas ou qualquer artefato explosivo. Mesmo aqueles considerados pequenos podem causar queimaduras importantes, lesões nos olhos e ferimentos permanentes. Também é fundamental que adultos não acendam fogos próximos a aglomerações, dentro de casas, perto de fogueiras, veículos, fiações ou materiais inflamáveis”, orienta o Dr. Felipe Liger. 

O período junino costuma reunir fatores que ampliam o risco de acidentes: maior circulação de pessoas, consumo de álcool, roupas de tecido sintético, ambientes abertos com pouca estrutura de segurança e uso doméstico de artefatos comprados sem orientação adequada. 

Entre as medidas de prevenção, o médico destaca que fogos devem ser adquiridos apenas em locais autorizados, mantidos longe de crianças e utilizados estritamente conforme as instruções do fabricante. Também é importante nunca tentar reacender um artefato que falhou, não apontar fogos na direção de pessoas, não segurá-los diretamente com as mãos e manter distância segura após o disparo. 

Em caso de queimadura, a recomendação é lavar a área com água corrente em temperatura ambiente, não aplicar manteiga, pasta de dente, pó de café, pomadas caseiras ou qualquer produto sem orientação médica, e procurar atendimento imediatamente quando houver bolhas extensas, dor intensa, ferimentos profundos, sangramento, acometimento de mãos, rosto, olhos, genitais ou sinais de inalação de fumaça. 

“Em acidentes com explosivos, o tempo até o atendimento faz diferença. Algumas lesões parecem pequenas no início, mas podem evoluir com infecção, perda de sensibilidade ou comprometimento funcional. O mais seguro é procurar avaliação médica, principalmente quando há queimadura profunda, trauma nas mãos ou qualquer alteração visual”, reforça o emergencista. 

Mais do que restringir a comemoração, o alerta é para que a tradição seja acompanhada de responsabilidade. Com o aumento das internações entre 2023 e 2025, a prevenção segue como a medida mais eficaz para evitar que a celebração termine em acidentes.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


 

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