Caso recente envolvendo apresentador de TV reacende debate sobre responsabilidade dos tutores e segurança nos espaços públicos
O recente ataque sofrido pelo jornalista José Roberto Burnier, da TV Globo, durante um passeio com seus cães em São Paulo, reacendeu em todo o país o debate sobre a responsabilidade dos tutores e os riscos da circulação de cães sem guia em locais públicos. O episódio, que resultou em ferimentos no apresentador e em um de seus animais, reforça o alerta da campanha nacional #CãoSemGuiaNão, iniciativa que busca conscientizar a população sobre a importância do uso de guia e coleira durante os passeios.
A campanha reúne organizações de proteção animal, médicos-veterinários, adestradores e especialistas em comportamento canino para destacar que passear com cães sem contenção adequada coloca em risco não apenas os próprios animais, mas também outras pessoas e pets que compartilham os espaços públicos. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil registrou 51 mortes causadas por mordidas ou ataques de cães em 2023. O número representa aumento de 27% em relação a 2022, quando foram contabilizadas 40 mortes. Os dados reforçam a necessidade de ampliar ações educativas voltadas à guarda responsável e à prevenção de acidentes.
Para o treinador e especialista em comportamento canino Fernando Lopes, apoiador da campanha, ainda existe uma percepção equivocada de que cães obedientes não precisam utilizar guia durante os passeios.
“Muitos acidentes acontecem justamente com animais considerados dóceis pelos próprios tutores. Um susto, um barulho inesperado, a aproximação de outro cão ou de uma criança podem desencadear reações imprevisíveis. Nenhum tutor consegue garantir controle absoluto de um animal solto em ambiente público”, afirma.
Segundo Lopes, os riscos vão muito além dos ataques. Entre os casos mais comuns estão atropelamentos, fugas, desaparecimentos, brigas entre cães e acidentes envolvendo ciclistas, motociclistas e pedestres.
“O que parece um gesto de liberdade pode terminar em tragédia. Em poucos segundos, um cão pode atravessar uma avenida movimentada, se envolver em uma briga ou provocar um acidente. A guia é um equipamento de segurança, não uma restrição ao bem-estar do animal”, explica.
Além dos riscos à segurança, a prática também pode gerar consequências legais. A legislação brasileira prevê responsabilidade civil dos tutores pelos danos causados por seus animais. Estados e municípios possuem ainda normas específicas que determinam o uso obrigatório de guia, coleira e, em determinadas situações, focinheira para cães de grande porte ou considerados potencialmente perigosos.
A campanha destaca que o uso da guia deve ser encarado da mesma forma que o cinto de segurança em um veículo: uma medida simples que reduz significativamente a possibilidade de acidentes e protege todos os envolvidos.
Como parte da mobilização, os organizadores convidam tutores de todo o Brasil a compartilharem fotos de seus cães passeando de forma segura, utilizando guia e coleira, nas redes sociais com a hashtag #CãoSemGuiaNão.
“Amar o seu cão é também protegê-lo. E proteger o seu cão significa garantir que ele volte para casa em segurança após cada passeio”, conclui Fernando Lopes.
Para mais informações, imagens de divulgação ou agendamento de entrevistas com especialistas, entre em contato com nossa assessoria.

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