Pesquisas recentes investigam como
cavalos percebem sinais emocionais humanos e experiências imersivas propõem
reconexão com a natureza e com a própria essência
Caroline K. Szajman conduz vivências
imersivas em São Francisco Xavier
Divulgação
A interação entre humanos e cavalos tem chamado atenção de
pesquisadores interessados em entender como os animais percebem sinais
emocionais ligados ao estresse, à ansiedade e à linguagem corporal.
Um estudo publicado em 2025 na revista científica Open Veterinary
Journal, intitulado “Emotional contagion in
human–horse interactions: A pilot study investigating the role of stress and
body language in emotional transfer”, analisou
como os animais reagem a sinais sutis do corpo humano, como tensão, respiração,
agitação e linguagem corporal.
Os pesquisadores compararam situações em que participantes ansiosos
podiam se movimentar livremente com outras em que gestos e expressões eram
limitados. Os cavalos apresentaram reações fisiológicas e comportamentais mais
intensas quando as pessoas podiam se expressar naturalmente. Quando os
movimentos eram controlados, essa diferença praticamente desaparecia.
A pesquisa faz parte de um campo de estudos que busca entender de
forma mais consistente como os cavalos respondem à linguagem não verbal humana,
incluindo postura, respiração, tensão corporal e alterações emocionais.
Percepção e coerência
Nos últimos anos, experiências imersivas com cavalos passaram a
despertar interesse em contextos ligados à consciência, equilíbrio emocional,
presença e conexão com a natureza. Nessas experiências, o foco está na forma
como o estado interno da pessoa influencia a relação com o animal.
Há mais de 20 anos dedicada ao autoconhecimento, Caroline K.
Szajman conduz vivências imersivas, na Fazenda Essênia, em São Francisco
Xavier, no interior de São Paulo, como O Chamado do Coração com Cavalos, O Ser
Natureza e U/Manada. Parte do trabalho desenvolvido por Carol envolve práticas
de coerência cardíaca com os cavalos, em experiências voltadas à presença, à
consciência e à reconexão com a natureza.
“O cavalo percebe rapidamente quando existe incoerência entre o que
a pessoa demonstra e o que ela realmente está vivendo internamente. Existe uma
percepção muito sensível da presença, da intenção e do estado emocional. Grande
parte do meu trabalho hoje envolve a coerência cardíaca, a leitura do campo
sistêmico apresentado pelos cavalos, a liberação de padrões antigos, os ajustes
e as percepções de comportamento, além desse reencontro entre coração,
consciência e natureza”, afirma Carol.
Durante as experiências, os participantes observam como estados de
ansiedade, excesso de controle, tensão ou desconexão aparecem imediatamente na
interação com o animal. Às vezes o cavalo acompanha. Às vezes se afasta. Às
vezes interrompe completamente a interação.
“Você pode até tentar controlar o seu comportamento, mas o cavalo
responde ao que é verdadeiro na pessoa. E isso traz consciência sobre lugares
onde muitas vezes ela perdeu conexão consigo mesma, com o corpo, com o coração
e com a própria natureza”, explica.
Sinais fisiológicos
Publicado em 2024 pela revista científica iScience, da Cell Press,
o estudo “Unveiling
directional physiological coupling in human-horse interactions” acompanhou 20 cavalos e 20 pares de humanos durante
diferentes tipos de interação.
Os pesquisadores monitoraram batimentos cardíacos e comportamento
dos animais e das pessoas enquanto permaneciam juntos, interagiam livremente ou
realizavam atividades conduzidas pelos participantes. Em algumas situações,
especialmente quando havia familiaridade entre humano e cavalo, os sinais
fisiológicos de ambos passaram a apresentar padrões semelhantes.
Para Carol, o interesse crescente por experiências desse tipo está ligado ao excesso de estímulo, aceleração e desconexão presentes na vida contemporânea. “O cavalo convida a pessoa para um lugar de presença. Ele responde ao que está acontecendo de verdade. E isso muitas vezes faz com que a pessoa reencontre partes dela mesma que estavam esquecidas”, afirma.
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