Foram 622,1 mil Notificações de Intermediação Preliminar junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar entre janeiro de 2024 e março de 2026, segundo levantamento do Instituto Ética Saúde; Confederação das Unimeds concentra 37,6% das queixas
O país registrou,
nos últimos dois anos, 622.179 queixas de consumidores contra as principais
operadoras de planos de saúde, formalizadas por meio de NIPs (Notificações de
Intermediação Preliminar) junto à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
O número representa uma média de 864 reclamações por dia, de acordo com
levantamento realizado pelo Instituto Ética Saúde (IES).
Os dados integram o Radar Ética Saúde, por meio da plataforma ITES –
Inteligência e Transparência da Ética na Saúde, nova ferramenta desenvolvida
pelo IES para monitoramento contínuo do setor. A plataforma utiliza pesquisa de
informações abertas (Open Source Intelligence), reunindo dados provenientes de
diversas bases públicas, sites, redes sociais e sistemas oficiais, além de
integração via APIs (Application Programming Interface) para extração em tempo
real. O objetivo é identificar, sistematizar e dar transparência a práticas
antiéticas no ecossistema da saúde, incluindo corrupção — pública e privada —,
fraudes, simulações e desvios de finalidade.
De acordo com o estudo, de janeiro de 2024 a março de 2026 foram registradas
622.179 NIPs. Foram contabilizados dados relativos aos 10 principais planos de
saúde brasileiros, que respondem por 42 milhões de vidas, ante a 53 milhões de
brasileiros que possuem planos de saúde.
O levantamento utilizou como métrica a unificação das informações por grupo
econômico, ou seja, aquelas operadoras de planos de saúde que fazem parte de um
mesmo conglomerado empresarial e congênere. O monitoramento dos grupos
econômicos de planos de saúde categorizou os “Top 10” em reclamações pelo consumidor,
que juntos, respondem por cerca de 42 milhões de beneficiários, dos 53 milhões
de brasileiros que utilizam a saúde suplementar.
As principais reclamações dizem respeito a negativas de cobertura, demora na
autorização de procedimentos, restrições de acesso a serviços de saúde,
limitação da rede credenciada e aumentos considerados abusivos, entre outros
fatores que impactam diretamente a experiência do usuário.
A Confederação Nacional das Cooperativas Médicas, que unifica todas as
cooperativas Unimed no Brasil, lidera o ranking de notificações, com 239.165
registros — o equivalente a 37,6% do total. Na sequência aparecem
NotreDame/Hapvida, com 131.963 queixas (20,8%), e Bradesco, com 85.000
notificações (13,4%).
Completam o “Top 10” de queixas formalizadas junto à ANS nos últimos dois anos
os grupos SulAmérica/Rede D’Or (59.231), Amil (54.163), Prevent Senior
(11.719), Porto Seguro/Itaú (10.908), Cassi (10.857), Athena Saúde (10.589) e
Assim Saúde (8.584).
Quando considerado o volume proporcional ao número de vidas atendidas, o
ranking de reclamações é liderado por São Cristóvão, seguido por Bradesco,
Geap, Prevent Senior, SulAmérica/Rede D’Or, Cassi, Amil, Assim Saúde,
NotreDame/Hapvida e Athena Saúde.
“A plataforma ITES amplia a capacidade de monitoramento do setor ao transformar
dados dispersos em inteligência estruturada. Ao integrar informações abertas e
analisá-las de forma contínua, conseguimos identificar padrões, dar
transparência às práticas e fortalecer o controle social — um passo essencial
para promover mais integridade na saúde”, afirma Sérgio Rocha, presidente do
Instituto Ética Saúde.
A plataforma ITES, dentro do Radar Ética Saúde, ainda monitora as práticas
antiéticas, dentre elas a corrupção na saúde, ocorridas no Brasil, utilizando
geolocalização e ranqueando também os Estados mais problemáticos, utilizando
como metodologia de cálculo o número de casos identificados por estado, a
população geral (IBGE), tomando como base a taxa proporcional a cada 100.000
habitantes. E, neste aspecto, o Radar Ética Saúde já conseguiu monitorar 62
casos recentes, o que mostra que as Irregularidades cometidas por Organizações
Sociais de Saúde (OSS) despontam como o mais crítico, podendo ser constatado em
vários estados casos de corrupção, fraudes, superfaturamentos, nepotismo e
outras práticas antiéticas.
“O Instituto Ética Saúde se mostra um grande intermediador entre a população, o
Estado e o setor privado, a fim de promover a identificação, o monitoramento e
proposta de soluções exequíveis para resolver este problema tão antigo e que
afeta em demasia a população brasileira, reduzindo o acesso e a qualidade dos
desfechos dos tratamentos médicos-hospitalares no setor público e na saúde
suplementar”, complementa o presidente Sérgio Rocha.
“Nos propomos a ser a voz, os ouvidos e o corpo técnico da sociedade e do setor
privado, atuando com os Poderes da República e órgãos de fiscalização e
controle, buscando dialogar e propor soluções que sejam efetivas para que este
teratoma social seja sanado de vez. Uma voz técnica, que possa transversalizar
todo setor na saúde na busca pela materialização da ética”, complementa Filipe
Venturini, diretor-executivo do IES.
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