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segunda-feira, 15 de junho de 2026

País tem mais de 800 queixas contra planos de saúde registradas por dia na ANS

Foram 622,1 mil Notificações de Intermediação Preliminar junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar entre janeiro de 2024 e março de 2026, segundo levantamento do Instituto Ética Saúde; Confederação das Unimeds concentra 37,6% das queixas

 

O país registrou, nos últimos dois anos, 622.179 queixas de consumidores contra as principais operadoras de planos de saúde, formalizadas por meio de NIPs (Notificações de Intermediação Preliminar) junto à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). O número representa uma média de 864 reclamações por dia, de acordo com levantamento realizado pelo Instituto Ética Saúde (IES).

Os dados integram o Radar Ética Saúde, por meio da plataforma ITES – Inteligência e Transparência da Ética na Saúde, nova ferramenta desenvolvida pelo IES para monitoramento contínuo do setor. A plataforma utiliza pesquisa de informações abertas (Open Source Intelligence), reunindo dados provenientes de diversas bases públicas, sites, redes sociais e sistemas oficiais, além de integração via APIs (Application Programming Interface) para extração em tempo real. O objetivo é identificar, sistematizar e dar transparência a práticas antiéticas no ecossistema da saúde, incluindo corrupção — pública e privada —, fraudes, simulações e desvios de finalidade.

De acordo com o estudo, de janeiro de 2024 a março de 2026 foram registradas 622.179 NIPs. Foram contabilizados dados relativos aos 10 principais planos de saúde brasileiros, que respondem por 42 milhões de vidas, ante a 53 milhões de brasileiros que possuem planos de saúde.

O levantamento utilizou como métrica a unificação das informações por grupo econômico, ou seja, aquelas operadoras de planos de saúde que fazem parte de um mesmo conglomerado empresarial e congênere. O monitoramento dos grupos econômicos de planos de saúde categorizou os “Top 10” em reclamações pelo consumidor, que juntos, respondem por cerca de 42 milhões de beneficiários, dos 53 milhões de brasileiros que utilizam a saúde suplementar.

As principais reclamações dizem respeito a negativas de cobertura, demora na autorização de procedimentos, restrições de acesso a serviços de saúde, limitação da rede credenciada e aumentos considerados abusivos, entre outros fatores que impactam diretamente a experiência do usuário.

A Confederação Nacional das Cooperativas Médicas, que unifica todas as cooperativas Unimed no Brasil, lidera o ranking de notificações, com 239.165 registros — o equivalente a 37,6% do total. Na sequência aparecem NotreDame/Hapvida, com 131.963 queixas (20,8%), e Bradesco, com 85.000 notificações (13,4%).

Completam o “Top 10” de queixas formalizadas junto à ANS nos últimos dois anos os grupos SulAmérica/Rede D’Or (59.231), Amil (54.163), Prevent Senior (11.719), Porto Seguro/Itaú (10.908), Cassi (10.857), Athena Saúde (10.589) e Assim Saúde (8.584).

Quando considerado o volume proporcional ao número de vidas atendidas, o ranking de reclamações é liderado por São Cristóvão, seguido por Bradesco, Geap, Prevent Senior, SulAmérica/Rede D’Or, Cassi, Amil, Assim Saúde, NotreDame/Hapvida e Athena Saúde.

“A plataforma ITES amplia a capacidade de monitoramento do setor ao transformar dados dispersos em inteligência estruturada. Ao integrar informações abertas e analisá-las de forma contínua, conseguimos identificar padrões, dar transparência às práticas e fortalecer o controle social — um passo essencial para promover mais integridade na saúde”, afirma Sérgio Rocha, presidente do Instituto Ética Saúde.

A plataforma ITES, dentro do Radar Ética Saúde, ainda monitora as práticas antiéticas, dentre elas a corrupção na saúde, ocorridas no Brasil, utilizando geolocalização e ranqueando também os Estados mais problemáticos, utilizando como metodologia de cálculo o número de casos identificados por estado, a população geral (IBGE), tomando como base a taxa proporcional a cada 100.000 habitantes. E, neste aspecto, o Radar Ética Saúde já conseguiu monitorar 62 casos recentes, o que mostra que as Irregularidades cometidas por Organizações Sociais de Saúde (OSS) despontam como o mais crítico, podendo ser constatado em vários estados casos de corrupção, fraudes, superfaturamentos, nepotismo e outras práticas antiéticas.

“O Instituto Ética Saúde se mostra um grande intermediador entre a população, o Estado e o setor privado, a fim de promover a identificação, o monitoramento e proposta de soluções exequíveis para resolver este problema tão antigo e que afeta em demasia a população brasileira, reduzindo o acesso e a qualidade dos desfechos dos tratamentos médicos-hospitalares no setor público e na saúde suplementar”, complementa o presidente Sérgio Rocha.

“Nos propomos a ser a voz, os ouvidos e o corpo técnico da sociedade e do setor privado, atuando com os Poderes da República e órgãos de fiscalização e controle, buscando dialogar e propor soluções que sejam efetivas para que este teratoma social seja sanado de vez. Uma voz técnica, que possa transversalizar todo setor na saúde na busca pela materialização da ética”, complementa Filipe Venturini, diretor-executivo do IES.


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