Especialista alerta para o avanço das fraudes online direcionadas à população 60+ e explica como identificar tentativas de golpe antes que elas causem prejuízos financeiros e emocionais
Os golpes digitais
contra idosos estão cada vez mais sofisticados e passaram a figurar entre as
formas mais recorrentes de violência financeira contra a população 60+.
Aplicativos de mensagens, ligações falsas, perfis clonados e até ferramentas de
inteligência artificial vêm sendo utilizados por criminosos para explorar a
confiança e a vulnerabilidade desse público, causando prejuízos financeiros e
emocionais. A preocupação ganha ainda mais relevância no Dia Mundial de
Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho.
Um levantamento
inédito da Fundação Seade revelou que 82% das pessoas com 60 anos ou mais no
estado de São Paulo já sofreram tentativas de golpes virtuais por meio de
mensagens, e-mails ou ligações fraudulentas. Embora o percentual seja inferior
ao observado entre adultos de 30 a 59 anos, faixa em que os índices superam
90%, o dado mostra que os idosos também estão amplamente expostos aos riscos do
ambiente digital, um cenário que reflete uma realidade observada em todo o
país.
Para o advogado
Mário Henrique Martins, do Martins Cardozo Advogados Associados e especialista
em Direitos Difusos e Coletivos, a combinação entre a rápida
digitalização dos serviços e a evolução das técnicas utilizadas pelos
fraudadores criou um ambiente especialmente desafiador para a população idosa.
“Os criminosos
estão utilizando recursos cada vez mais sofisticados para enganar as vítimas,
explorando sentimentos como confiança, medo e urgência. Em muitos casos, o
prejuízo vai além da questão financeira e afeta diretamente a autonomia, a
segurança e a qualidade de vida do idoso. A informação e a educação continuam
sendo as principais ferramentas de prevenção”, afirma.
Diante desse cenário,
o especialista lista os golpes digitais mais comuns aplicados contra idosos em
2026 e as principais formas de proteção.
1.
Golpe da falsa central bancária
“Os criminosos
costumam criar uma sensação de urgência para impedir que a vítima reflita antes
de agir. Quando alguém pede senhas, códigos de autenticação ou transferências
sob o argumento de proteger uma conta bancária, o primeiro passo deve ser
interromper o contato e buscar confirmação diretamente com a instituição
financeira. Nenhum banco solicita esse tipo de procedimento por telefone”,
alerta o advogado.
2.
Clonagem de voz por inteligência artificial
“A inteligência
artificial tornou os golpes mais sofisticados porque permite reproduzir vozes
com um grau de realismo cada vez maior. Hoje, ouvir a voz de um familiar não é
mais uma garantia de autenticidade. Sempre que houver um pedido de dinheiro
fora do habitual, a orientação é confirmar a situação por outros canais antes
de qualquer transferência”, explica.
3.
Falso pedido de atualização cadastral
“Muitas fraudes
começam com uma mensagem aparentemente simples informando a necessidade de
atualizar dados ou regularizar um cadastro. O objetivo é obter informações
pessoais e bancárias da vítima. Por isso, é fundamental evitar clicar em links
recebidos por mensagens e acessar apenas canais oficiais das empresas ou
instituições envolvidas”, recomenda Mário.
4.
Golpe do falso benefício ou restituição
“Promessas de
valores a receber costumam despertar interesse imediato, especialmente quando
envolvem aposentadorias, benefícios sociais ou restituições. O consumidor
precisa ter em mente que órgãos públicos não exigem pagamentos antecipados para
liberar recursos. Sempre que houver cobrança prévia para acesso a um suposto
direito, existe um forte indicativo de fraude”, ressalta.
5.
Golpe do WhatsApp clonado
“Grande parte dos
casos poderia ser evitada com medidas básicas de segurança digital. A
autenticação em duas etapas cria uma camada adicional de proteção e dificulta
significativamente a ação dos criminosos. Além disso, pedidos urgentes de
dinheiro enviados por aplicativos de mensagens devem ser confirmados
diretamente com a pessoa antes de qualquer decisão”, orienta o advogado.
Informação
é a principal ferramenta de proteção
Segundo Mário, o
enfrentamento à violência digital contra idosos exige uma combinação entre
educação digital, apoio familiar e conscientização jurídica. “Muitos idosos
foram educados em uma cultura baseada na confiança e acabam se tornando alvos
preferenciais de criminosos que exploram justamente essa característica.
Conversar sobre golpes, compartilhar informações e estimular a checagem de
dados antes de qualquer decisão financeira são atitudes simples que podem
evitar prejuízos significativos”, destaca.
O advogado reforça
que conhecer os próprios direitos também é uma forma de proteção. “Em muitos
casos, a vítima acredita que não há o que fazer após o golpe. No entanto,
dependendo das circunstâncias, é possível buscar responsabilização dos
envolvidos e reparação dos danos. A informação continua sendo a melhor defesa
contra qualquer fraude”, conclui o advogado.
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