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quinta-feira, 16 de março de 2017

Silêncio do BNDES sobre caso JBS está sendo questionado como apoio a vantagens indevidas



Banco, que é o segundo maior acionista do Grupo, foi notificado sobre negócios praticados em benefício da família Batista Sobrinho, denominado Partes Relacionadas


Após ser denunciado à CVM, Comissão de Valores Mobiliários, o Grupo JBS enfrenta novos questionamentos sobre os atos da sua administração. O BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, seu segundo maior acionista, foi interpelado para se posicionar contra ou a favor dos atos de administração praticados para favorecer empresas da família controladora, Batista Sobrinho. O Grupo é acusado de negócios com Partes Relacionadas.

O órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, foi notificado sobre os atos da administração do JBS onde os administradores do Grupo favoreceram seu próprio banco, o Banco JBS S/A, hoje Banco Original. A acusação é de ter utilizado recursos da empresa de capital aberto para alavancar os negócios do Original e da JBS Negócios Agropecuários.

A interpelação indaga à Presidência do BNDES se ela apoia os atos da família controladora do JBS ou se adotará medidas para afastar o controlador da administração do frigorífico. De acordo com o advogado Nacir Sales, “o Interpelante, quer saber se o BNDES apoia o uso do frigorífico para favorecer o Banco da família controladora, ou se tomará medidas para afastar o controlador da administração”. A interpelação é promovida pelo produtor rural Gileno Alves Soares. 

A CVM, assim como o Banco Central, foi acionada e analisa a denúncia, porque o JBS não pode realizar negócios em benefício de seus controladores, uma vez que a empresa possui milhares de acionistas que compraram ações na BOVESPA. O interesse dos investidores do mercado de capitais é protegido pela CVM, órgão regulador que por isso mesmo é chamada de “xerife do mercado”.

Já os interesses do BNDES são protegidos pela própria administração do banco, por isso a interpelação ganha relevância, ao colocar ante à presidência do BNDES a ciência formal dos fatos para combatê-los ou apoiá-los com o seu silêncio. “O BNDES não poderá manter a sua atitude de indiferença, sob pena de a própria administração incorrer em responsabilidade. Não sabemos o que o BNDES fez ou o que fará sobre os fatos, e não gostaria de confirmar que o mesmo pratica a cegueira deliberada: nada viu, nada vê, nada diz e nada faz, e é por isso que estamos notificando o banco”, afirma Sales.

O caso é cercado por curiosas coincidências. Quando dos fatos denunciados, o Ministro Henrique Meirelles era Presidente do Banco Central do Brasil, e a representação levada ao BACEN na mesma época dava conta que o Banco Original jamais poderia ter sido fundado da forma que foi, já que seu primeiro presidente, Geraldo Dontal, era réu no processo do Mensalão, não preenchendo a condição legal da "reputação ilibada". Além disso, não poderia ter se utilizado de uma companhia de capital aberto, o maior frigorífico do mundo, para alavancar um banco particular da família controladora do Grupo JBS.

Após sair da presidência do Banco Central, o Ministro Meirelles, sem dar notícias de haver punido publicamente o Banco JBS, veio a presidir a empresa que é dona do Original e controla o Frigorífico JBS. Agora que o caso chega ao BNDES, novamente está sob o poder de Henrique Meireles, o mais influente ministro da área econômica do governo. “A reação do BNDES à interpelação será fundamental para eliminar teorias conspiratórias”, afirma Nacir Sales. Resta saber se serão adotadas medidas para que os ativos do BNDES jamais voltem a ser usados em benefício de uma única empresa e família, por coincidência, a anterior empregadora do Ministro.




Nacir Sales






Cinco dicas para acertar na declaração do Imposto de Renda



 Shutterstock


Especialista Vitor Caninéo destaca alguns pontos que não devem ser esquecidos na hora de preencher o documento


O prazo para início da entrega da declaração do IRPF 2017 já começou, e você já sabe como fazer para evitar a malha fina? Neste ano, os contribuintes poderão fazer o envio do documento à Receita Federal entre os dias 2 de março e 28 de abril. De acordo com a Receita Federal, deverão declarar neste ano, os contribuintes que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70 em 2016. Nesse cenário, surgem muitas dúvidas a respeito do que deve ou não ser declarado no documento. Pensando nisso, o executivo Vitor Caninéo, sócio diretor da ContabExpress – rede especializada em serviços contábeis para pequenas e médias empresas – listou alguns tópicos importantes para evitar a malha fina.

Segundo o especialista, é preciso ficar atento à digitação de valores, inclusão de despesas de forma correta e declaração de dependentes, por exemplo. “Erros simples, como inclusão de despesas não dedutíveis, dados em duplicidade e números errados, podem fazer com a declaração fique retida e, com isso, a pessoa se verá obrigada a prestar contas à Receita Federal, atrasando inclusive o recebimento dos valores devidos”, avalia Caninéo. Nesse sentido, o especialista também avalia os principais tópicos que geram dúvidas.


Quem deve declarar
Neste ano, com a mudança na regra, deverão preencher a declaração do IRPF quem tiver recebido, em 2016, valores tributáveis acima de R$ 28.559,70 ou que tenha recebido rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, com soma superior a R$ 40 mil. Além disso, deve declarar quem obteve, em qualquer mês de 2016, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, realizou operações em bolsas, teve receita bruta em atividade rural superior a R$ 142.798,50, passou a condição de residente no Brasil no ano passo e mantém essa condição, e quem teve, em 31 de dezembro, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 300 mil.


Resgate do FGTS
Neste ano, o governo liberou o pagamento das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que estavam inativas até 31 de dezembro de 2015. “Esses valores são vistos como indenizações, portanto, isentos do imposto de renda. No entanto, podem ser declarados no campo ‘Rendimentos Isentos e Não Tributáveis’, mas é preciso ficar atento, uma vez o IRPF é sempre referente ao que foi recebido no ano anterior, sendo assim, esses pagamentos devem constar apenas no documento de 2018”, avalia o sócio diretor da ContabExpress.


Dependentes
Além dos próprios rendimentos, é possível incluir na declaração do IRPF também os dados referentes aos dependentes, como filhos e pais aposentados, por exemplo. Caninéo explica que é importante ficar atento para que eles não sejam lançados em duplicidade, por exemplo, as despesas dedutíveis de um filho só poderão aparecer no documento enviado pela mãe ou pelo pai, mas nunca na dos dois.


Heranças e dívidas
Muitos contribuintes declaram o recebimento de bens por heranças no campo de Bens e Direitos, mas é importante não esquecer de incluir as informações também na área de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”. O especialista também pontua que é importante ter atenção ao caso das dívidas. “Casos de valores superiores a R$ 5 mil também precisam constar no documento”.


Dados bancários
Ao final do preenchimento, é necessário informar os dados atualizados e corretamente, uma vez que eles serão usados para o recebimento das restituições. O especialista da ContabExpress explica que é importante mencionar essas informações e que o software da Receita Federal garante a segurança para que não haja o vazamento dos dados.






Como trabalhar ao lado de um “gênio” e se dar bem!



Lidar com os diferentes tipos de personalidade dentro de uma empresa é um desafio diário para qualquer profissional. Ter um bom convívio, desfrutar do melhor que a pessoa tem e não se deixar levar pelas questões pessoais garante bons resultados na carreira. Mas, como fazer quando, ao seu lado, trabalha um “gênio”? Luciano Salamacha, professor da FGV Management, especialista em gestão de pessoas e em neurociência aplicada aos negócios, orienta como conviver com essa situação sem estresse e sem competição.

-Trabalhar ao lado de alguém que tem alto nível de inteligência é um privilégio sempre e nunca uma afronta. Hoje em dia, a psicologia considera que não há pessoas mais ou menos inteligentes, mas pessoas com alta capacidade de obter melhor conhecimento em determinadas áreas. A dica é aprender sempre com o colega e já estará ganhando. Não é necessário disputar. 

-Alguns profissionais geniais têm comportamento isolado, socialmente mais recolhido. Às vezes, isso acontece por falta de paciência em debater com colegas com menor conhecimento que ele. Por isso, trabalhar com um gênio requer jogo de cintura. Inclua-o em grupos sociais. Explore com ele assuntos em áreas que você tem um bom desempenho. Ser um gênio no trabalho não quer dizer que seja em todos os setores ou na vida pessoal. 

-Entenda, a arrogância é um sentimento que pode ser decorrente de várias causas. Uma delas é a sensação de ser superior aos outros. Outra, ao contrário do que muita gente possa entender, é justamente uma defesa para esconder insegurança ou incapacidade. A defesa ou a arrogância também podem ser uma espécie de estratégia para não se deixar pressionar ou para impressionar.

-Pessoas normais se agarram aos pontos fortes. Os geniais não fariam diferente. Eles também procuram pegar tudo o que têm de bom e levar esses elementos para a competição. A saída é justamente demonstrar que não estão disputando dentro da empresa quem é melhor nisso ou naquilo, mas que a soma dos talentos das excelências de cada um representar uma verdadeira equipe, e de sucesso. 

-Alguns chefes normalmente inflam o ego do profissional genial com elogios demasiados, elevando sempre as qualidades dele para a equipe. Às vezes, sem perceber, exige da equipe um desempenho igual ao do gênio. O que geralmente não dá certo. Apontar isso ao gestor e não se sentir menor ao ouvir sobre o alto desempenho do gênio fará com que você procure superar o próprio limite e não se frustre por não conseguir alcançar o dele. Mas lembre-se de buscar sempre o seu melhor e não o do outro.

-A comparação é uma das formas que toda pessoa utiliza para saber se tem um bom desempenho ou não. A grande questão é que, quando se trabalha ao lado de um profissional genial, o comparativo está sempre no topo da escala. Então, descubra seu próprio talento e o explore. Querer ser igual à pessoa que é muito boa no que faz pode fazê-lo esquecer-se que tem outros talentos a desenvolver e a ressaltar. 

-É comum no meio corporativo ter mentes criativas, mas, para ser um gênio da gestão, é preciso, além de fazer diferente aquilo que normalmente já é praticado, dar início a um processo inédito na organização, capaz de gerar resultados. No meio corporativo, ou você agrega valor, ou você não fez nada mais do que usar a sua criatividade para resolver os problemas do dia a dia. Então, reconhecer que o colega é mesmo um gênio e aliar-se a ele pode trazer méritos em equipe. 

-É inerente ao ser humano, quando começa a se relacionar com outra pessoa, criar preconceitos sobre suas atitudes, sua fisionomia, seu estilo de vida. Sentenciar determinado conceito sobre uma pessoa é algo que fazemos na maioria dos casos de maneira inconsciente. E é justamente isso, rotular as pessoas em relação a um determinado tipo de comportamento, o maior erro que os profissionais cometem na hora de se relacionar com um gênio. Então, a orientação é eliminar o preconceito.

-Não cometa o erro de disputar quem é o melhor baseado no talento do outro, em vez de expor a mesma situação com base no seu talento. Identifique em que você é bom e não perca a oportunidade de aprender, auxiliar quem é genial do seu lado, porque essa atitude te trará um grande companheiro de trabalho para todas as horas.





Luciano Salamacha - também é Mestre em Engenharia de Produção, com MBA em Gestão Empresarial e Pós-Graduação em Gestão Industrial. É palestrante, professor em programas de Pós-Graduação e Mestrado em instituições de ensino no Brasil, Argentina e EUA. Docente no Instituto Olímpico Brasileiro e na FGV Management, onde foi por sete anos considerado o melhor professor de Estratégia de Empresas nos MBAs, e um dos poucos professores que foram laureados para o Quadro de Honra de Docentes. 



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