Da infância ao envelhecimento, a vacinação é
essencial para prevenir doenças, reduzir complicações e proteger a saúde
coletiva em todas as idades
Embora
frequentemente associada à infância, a vacinação é uma medida de proteção
indispensável ao longo de toda a vida. No Dia Nacional da Imunização, celebrado
em 9 de junho, a médica e professora da disciplina de infectologia
do curso de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic de
Campinas, Valéria Almeida, reforça que adolescentes, adultos e idosos também
precisam manter a carteira vacinal atualizada para reduzir o risco de doenças
infecciosas, hospitalizações e complicações graves.
Nos
últimos anos, a queda na cobertura vacinal e o avanço da desinformação
reacenderam o alerta para doenças que já estavam controladas. “Vacina não é uma
proteção restrita à infância. O sistema imunológico muda ao longo da vida e, em
diferentes fases, precisamos reforçar a proteção contra doenças que podem
trazer complicações importantes”, explica a médica.
Vacinação em cada fase da vida
Infância: proteção desde os primeiros meses
É
na infância que se concentra grande parte do calendário vacinal. Nessa fase, as
vacinas ajudam a prevenir doenças potencialmente graves, como poliomielite,
sarampo, meningite, coqueluche e hepatites. Além da proteção individual, a
imunização infantil também reduz a circulação de vírus e bactérias na
comunidade. “A vacinação de bebês e crianças é uma das principais estratégias
de saúde pública para evitar surtos e controlar doenças infecciosas. A
vacinação previne inúmeras doenças infeciosas, que especialmente em bebês podem
causar sequelas ou até mesmo o óbito. Além disso, vacinas como a do VSR ajudam
a evitar infecções respiratórias durante o pico de circulação do vírus,
deixando não apenas os pais mais tranquilos e crianças protegidas, mas os
hospitais menos sobrecarregados”, destaca.
Adolescência: reforços e novas proteções
Na
adolescência, muitas famílias deixam de acompanhar a carteira vacinal, o que
pode levar à perda de reforços importantes. Vacinas contra HPV, meningite
meningocócica e reforços contra tétano e difteria fazem parte das recomendações
dessa faixa etária.
Segundo
o especialista, essa também é uma fase estratégica para conscientizar os jovens
sobre prevenção. “É muito comum que os pais de adolescentes descuidem das
vacinas dessa faixa etária. No entanto, é nesta fase que o adolescente começa a
assumir mais autonomia sobre a própria saúde e deve ser incentivado a
vacinar-se e a entender a importância da vacinação para a vida adulta”.
Vida adulta: vacinas esquecidas e baixa adesão
Entre
adultos, é comum a falsa percepção de que não existem mais vacinas necessárias.
No entanto, imunizantes como gripe, hepatite B, febre amarela, tríplice viral e
reforços contra tétano seguem sendo recomendados em diferentes situações.
A
vacinação anual contra a gripe e as doses atualizadas contra Covid-19 continuam
sendo especialmente importantes para pessoas com doenças crônicas,
profissionais da saúde, gestantes e grupos mais vulneráveis. “Muitos adultos só
descobrem que estão com a carteira vacinal desatualizada quando precisam
viajar, engravidar ou passam por algum problema de saúde”, explica a médica.
Envelhecimento: mais proteção para um sistema imunológico fragilizado
Com
o avanço da idade, o sistema imunológico sofre um processo natural de
enfraquecimento, tornando os idosos mais suscetíveis a infecções e complicações
graves. Isso é chamado de imunossenescência.
Nessa
fase, vacinas contra gripe, pneumonia, Covid-19, herpes-zóster e VSR ganham
ainda mais relevância. “Doenças respiratórias que poderiam parecer simples
podem levar à internação em idosos. A vacinação ajuda a reduzir casos graves,
hospitalizações e mortalidade”.
Desinformação e queda da cobertura vacinal
Além
da baixa adesão, a disseminação de informações falsas sobre vacinas nos últimos
anos também preocupa profissionais de saúde. “Quando a população deixa de se
vacinar, doenças antes controladas podem voltar a circular. O sarampo é um dos
principais exemplos disso, já que a queda da cobertura vacinal favorece novos
surtos e aumenta o risco de transmissão. Outras doenças imunopreveníveis, como
poliomielite, coqueluche e meningite, também podem reaparecer quando há baixa
adesão às vacinas. A vacinação é uma proteção individual e coletiva e depende
da participação de toda a sociedade”, reforça a infectologista.
Para
ajudar a população a acompanhar as recomendações vacinais em cada fase da vida,
informações atualizadas sobre o calendário de imunização podem ser consultadas
no site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
São Leopoldo Mandic
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