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O uso de Inteligência Artificial vem se
consolidando no ambiente educacional, especialmente após a integração na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que
prevê o uso da ferramenta como apoio aos professores, para personalizar o
ensino e ampliar possibilidades de aprendizado. Entretanto, é preciso
disciplina e maturidade de todas as partes, para que essa implementação cumpra
seu propósito educacional.
Para Victor Haony, assessor pedagógico da Mind Makers, solução educacional que trabalha com a
disciplina Mundo Computacional, a proposta de currículo de ensino de computação
da SOMOS Educação, que insere a IA como ferramenta no plano pedagógico, oferece
diversos benefícios, principalmente na otimização do tempo docente.
Na prática, a Inteligência Artificial
facilita o dia a dia do docente, tornando o papel do professor mais estratégico
em sala de aula. “O professor recebe auxílio ao elaborar planos de aula e
sequências didáticas, na criação de exercícios adaptados, na produção de
materiais de revisão e simulados, além de dados de desempenho dos estudantes,
facilitando que tenha uma visão geral sobre o nível de aprendizagem da turma e
individualizada, por aluno”, indica o especialista.
Entretanto, Haony ressalta que,a ferramenta
não substitui o papel do docente. Pelo contrário, ele ganha ainda mais
relevância como mediador, curador de conteúdo e responsável pela construção do
pensamento crítico dos alunos.
O contato direto do aluno com a solução
também pode ser grande aliado nos estudos. Por meio da IA, com a orientação
correta, o estudante pode buscar exercícios com diferentes níveis de
dificuldade, além de explicações em formatos variados, que sejam adequadas às
suas necessidades, com feedbacks imediatos e recomendações
de estudo, de acordo com o ritmo de aprendizado.
Dessa forma, as escolas que usam a tecnologia
de maneira planejada, tanto para os alunos como para os professores, conseguem
notar o desenvolvimento pleno de competências exigidas no século XXI. “As
escolas costumam relatar maior engajamento dos estudantes, melhoria no acompanhamento
individual da aprendizagem, ganho de tempo para os professores, fortalecimento
de habilidades digitais de ambas as partes, além da possibilidade de
desenvolver competências como resolução de problemas, criatividade, análise
crítica e colaboração”, comenta o especialista.
Entretanto, Haony também alerta sobre
desafios e riscos que precisam ser considerados pela gestão escolar antes de
aderir à IA. Para ele, as questões relacionadas à privacidade e proteção de
dados, assim como desigualdade de acesso tecnológico dentro do ambiente
escolar, precisam ser colocadas em pauta pela coordenação.
Além disso, quando a implementação não é
feita de maneira planejada e orientada, existem questões que podem demonstrar
que o aluno ainda não está amadurecido para ter total acesso à IA. Para Haony,
quando um jovem perde a confiança em sua capacidade de argumentação e depende
das respostas prontas da ferramenta, assim como também quando usa de maneira
excessiva ou inapropriada, são atitudes que refletem imaturidade no uso da
ferramenta.
Uso
consciente da IA exige maturidade dentro e fora da sala de aula
De acordo com o assessor pedagógico da Mind
Makers, existem sinais de que a escola está no caminho certo para atingir
maturidade no uso da solução. Confira:
- Uso de maneira
pedagógica e não “experimental”:
integrar a IA aos objetivos de aprendizagem, ao invés de tratar apenas como
ferramenta produtiva;
- Preparo dos professores
para medir o uso da tecnologia:
o crescimento de profissionais preparados para aplicar o pensamento
computacional, permite um uso mais crítico e intencional;
- Personalização do
aprendizado em escala:
o uso da ferramenta com o intuito de adaptar o ensino e promover
acessibilidade dentro de sala de aula;
- Debates sobre ética,
autoria e pensamento crítico: a
discussão constante com os alunos sobre a função da IA e imposição de
limites, favorece o uso consciente;
- Integração da ferramenta
com metodologias ativas:
a cultura maker - metodologia que foca no aprendizado prático e na criação
de soluções inovadoras para problemas cotidianos -, por exemplo, alinhada
com a IA, fortalece a resolução de problemas, projetos interdisciplinares
e aprendizagem criativa, fortalecendo o protagonismo.
Por fim, apesar da forte presença da IA no
contexto educacional, o Victor Haony reforça a necessidade de um equilíbrio. E
para isso, a escola precisa potencializar as capacidades humanas, valorizando a
argumentação, criatividade, comunicação, autonomia e empatia.
Mind Makers

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