Especialista destaca que a gripe pode desencadear complicações cardiovasculares graves, especialmente em grupos de risco
Com a chegada dos meses mais frios e o aumento da
circulação de vírus respiratórios, autoridades de saúde têm reforçado o alerta
para a vacinação contra a gripe. Em São Paulo, a campanha de imunização contra
a influenza segue em andamento, mas a adesão ainda está abaixo da meta
estipulada pelos órgãos de saúde, acendendo um sinal de atenção em meio ao
crescimento dos casos da doença.
Dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde mostram milhares de casos de
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)
associados à influenza nos primeiros meses do ano, além de centenas de mortes
relacionadas à doença. Hoje, a cobertura vacinal do estado em grupos
prioritários está em 45,1%, número ainda distante da meta de 90% estabelecida.
A preocupação vai além dos sintomas respiratórios
tradicionalmente associados à gripe. Estudos científicos demonstram que a
infecção por influenza pode aumentar significativamente o risco de eventos
cardiovasculares graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral
(AVC), especialmente em idosos, pessoas com doenças crônicas e pacientes que já
apresentam fatores de risco cardíaco.
A relação entre gripe e problemas cardíacos ocorre
porque a infecção desencadeia uma resposta inflamatória intensa no organismo.
Esse processo pode aumentar a coagulação sanguínea, favorecer a ruptura de
placas de gordura nas artérias e elevar a sobrecarga sobre o sistema
cardiovascular.
Estudos indicam que o risco de infarto pode ser até
seis vezes maior na primeira semana após uma infecção por influenza. Também há
evidências de aumento do risco de AVC e de agravamento de quadros como
insuficiência cardíaca em pacientes infectados.
"A gripe costuma ser encarada como uma doença
respiratória simples, mas seus impactos podem ser muito mais amplos. Quando o
organismo combate uma infecção viral, ocorre uma reação inflamatória importante
que pode desestabilizar doenças cardiovasculares já existentes ou até
desencadear eventos agudos, como infarto e AVC. Por isso, a vacinação é uma
medida que protege não apenas os pulmões, mas também o coração", explica o
Dr. Cláudio Nazareno, cardiologista do hospital Hcor.
Além de reduzir o risco de infecção e de formas
graves da doença, pesquisas apontam que a vacinação contra a influenza está
associada à diminuição de eventos cardiovasculares em pacientes de maior risco.
Por esse motivo, sociedades médicas nacionais e internacionais recomendam a
imunização anual para pessoas com doenças cardíacas, diabetes, hipertensão e
outras condições crônicas.
Os especialistas reforçam que a vacinação continua
sendo a principal forma de prevenção, especialmente entre idosos, gestantes,
crianças e pessoas com comorbidades. Medidas como higienização frequente das
mãos, etiqueta respiratória e evitar contato próximo com pessoas sintomáticas
também ajudam a reduzir a transmissão do vírus.
Hcor

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