Especialista alerta para sinais de atenção no
pós-parto e reforça a importância de acolhimento à pessoa puérpera
A chegada de um bebê traz uma série de mudanças e
adaptações, especialmente relacionadas aos cuidados com o recém-nascido. Ao
mesmo tempo, o pós-parto também demanda atenção especial à saúde de quem passou
por uma gestação.
Entre dores físicas, alterações hormonais, privação de sono e oscilações
emocionais, o organismo passa por um processo interno de recuperação que
pode durar semanas ou meses.
Dados
recentes reforçam a necessidade de ampliar o olhar para esse período.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 1.347 mortes em 2024. Grande parte dessas ocorrências
acontece justamente durante a gravidez
ou até 42 dias após o parto, período conhecido como puerpério.
Para
o Dr. André Clemente, ginecologista e obstetra do Hospital Maternidade Paulino
Werneck, do Rio de Janeiro, a recuperação precisa deixar de ficar em segundo plano. “Existe uma expectativa social de que a pessoa no pós-parto deve
estar feliz o tempo todo e se recupere rapidamente, mas
o puerpério é um período de grande
impacto físico e emocional. O corpo passou por meses de adaptação e por um
evento intenso que é o parto, seja ele natural ou cesárea. É mais que
necessário que exista um tempo de recuperação”, explica.
Recuperação física: o corpo leva tempo para se reorganizar
Nas
primeiras horas e dias após o parto, o organismo inicia uma série de mudanças
para retornar gradualmente às condições anteriores à gravidez. O útero começa a
diminuir de tamanho, há eliminação de sangue e secreções, mudanças hormonais
bruscas e adaptações na amamentação.
Entre
os sintomas físicos mais comuns estão sangramento vaginal intenso nos primeiros
dias, cólicas uterinas, dores na região íntima ou na cicatriz da cesariana,
inchaço, constipação, cansaço extremo e desconforto nas mamas. “A recuperação não é automática. O
corpo precisa de repouso, hidratação, alimentação adequada e acompanhamento
médico. Cada pessoa terá um processo diferente”, afirma Dr. Clemente.
O
especialista também alerta para sinais que não devem ser ignorados, como febre,
sangramento excessivo, dor intensa, pressão alta, dificuldade para respirar,
desmaios ou secreção com odor forte.
Recuperação emocional: os desafios psicológicos do pós-parto
Além
das transformações físicas, o puerpério também representa uma fase de grande
vulnerabilidade emocional. A queda hormonal somada ao cansaço, às mudanças na rotina e às novas
responsabilidades relacionadas aos cuidados com o bebê, podem
gerar sofrimento psicológico significativo. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz), cerca de 25% das pessoas gestantes no Brasil apresentam sintomas de
depressão pós-parto, índice considerado elevado em comparação à média global.
Nos
primeiros dias, é comum ocorrer o chamado “baby blues”, quadro caracterizado por choro frequente, irritabilidade,
insegurança e sensibilidade emocional. Porém, quando os sintomas persistem ou
se intensificam, é fundamental buscar ajuda especializada.
“Muitas
pessoas sentem culpa por não conseguirem viver o pós-parto da forma
que ele costuma ser retratado nas redes sociais. Falar sobre exaustão, medo, dor
e sofrimento emocional ainda é um tabu. Precisamos acolher essas vivências e reforçar que pedir ajuda faz parte do cuidado”, destaca o médico.
O especialista reforça que a rede de apoio e o acompanhamento multiprofissional fazem diferença tanto na recuperação física quanto emocional. “O nascimento de um bebê também marca o início de uma nova etapa de vida, que exige atenção, escuta e suporte para atravessar esse período com segurança”, finaliza.
Hospital Maternidade Paulino Werneck - localizado na Ilha do Governador do Rio de Janeiro
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial
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