Infectologista alerta para doenças respiratórias altamente transmissíveis, especialmente influenza, COVID-19 e sarampo, como grandes preocupações sanitárias relacionadas ao mundial que será sediado pelos EUA, México e Canadá
Grandes eventos internacionais são capazes de reunir pessoas do
mundo todo em um mesmo local e em um mesmo determinado período de tempo. Apesar
disso, poucas competições são tão movimentadas e populares quanto a Copa do
Mundo da FIFA. Nesta próxima edição de 2026, o evento promete ser ainda maior
ao ser sediado, de forma inédita, em três países diferentes: Estados Unidos da
América, México e Canadá. Apesar do empolgamento com as seleções e os jogos,
existem também preocupações de saúde associadas à fruição de um grande evento
internacional como este?
Para a Dra. Luísa Chebabo, infectologista da Casa de Saúde São
José, a Copa do Mundo pode ser, sim, um evento preocupante em termos
sanitários. “Grandes eventos internacionais favorecem a disseminação de doenças
infecciosas porque reúnem, em um mesmo local, pessoas vindas de diferentes
países e regiões, que podem carregar patógenos distintos. Ambientes com grandes
aglomerações, circulação intensa de viajantes e contato próximo entre pessoas
aumentam significativamente a transmissão de doenças, especialmente as
respiratórias. Além disso, indivíduos infectados podem viajar ainda no período
assintomático, facilitando a introdução e a propagação de patógenos em
diferentes países durante e após o evento”, explica a médica.
Com base nessa preocupação, a especialista elaborou um checklist
mínimo para quem pretende ir à Copa do Mundo da FIFA 2026, com vacinas que
estão todas presentes no calendário vacinal brasileiro:
- Tríplice viral (contra o sarampo, caxumba e rubéola);
- Influenza;
- COVID-19;
- Difteria, tétano e coqueluche.
Segundo a infectologista, as principais preocupações relacionadas
ao grande evento do futebol mundial são doenças respiratórias altamente transmissíveis,
como influenza, COVID-19 e sarampo. O sarampo, inclusive, é motivo de apreensão
para as autoridades sanitárias atualmente por ser uma doença extremamente
contagiosa, mas, ao mesmo tempo, facilmente prevenível por uma vacina altamente
eficaz e segura.
Em fevereiro deste ano, a Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS) emitiu um alerta sobre o aumento significativo de casos de sarampo nas
Américas. Comparando os dados de 2024 e 2025, a doença cresceu 32 vezes em
apenas um ano: foram quase 15 mil casos confirmados no ano passado. Já em 2026,
foram confirmados outros mil casos de sarampo nas primeiras três semanas do
ano.
“Nos últimos anos, diversos países registraram aumento expressivo
no número de casos de sarampo, além de outras doenças facilmente preveníveis,
devido à queda das coberturas vacinais, o que favorece o reaparecimento de
surtos mesmo em regiões onde a doença estava previamente controlada”, comenta a
Dra. Luísa Chebabo.
No continente americano, México, Canadá e EUA lideram os casos de
sarampo: justamente os países-sede da Copa. O Brasil, em comparação, confirmou
somente 38 infecções em 2025, sem novos registros no início de 2026. Apesar
disso, os três países que irão sediar a competição não exigem vacinas
obrigatórias para a entrada. Para a infectologista da Casa de Saúde São José,
isso pode aumentar o risco de circulação internacional de doenças infecciosas,
facilitando tanto a disseminação local quanto a exportação de casos para outros
países.
Por isso, o ideal é realizar uma avaliação médica antes da viagem,
preferencialmente com um especialista em medicina do viajante, para atualização
do cartão vacinal e orientação individualizada. “De forma geral, pessoas com o
calendário vacinal brasileiro atualizado já estão protegidas contra a maioria
das doenças de maior preocupação em eventos de grande porte. Ainda assim,
alguns destinos podem exigir cuidados adicionais ou vacinas específicas”,
completa a especialista.
Além de manter a vacinação atualizada, outros cuidados importantes
podem ajudar a reduzir significativamente o risco de infecções durante viagens,
recomenda a Dra. Luísa Chebabo:
- Higienize
frequentemente as mãos;
- Adote
etiqueta respiratória (usar o antebraço para cobrir a boca e o nariz na
hora de tossir ou espirrar, usar lenços descartáveis, evitar contato com o
rosto e usar máscaras, caso sinta-se mal), especialmente em ambientes
fechados ou lotados;
- Evite
viajar em caso de sintomas infecciosos;
- Tenha
atenção à qualidade da água e dos alimentos consumidos;
Conheça previamente os riscos epidemiológicos do destino.
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