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sábado, 10 de outubro de 2026

Os 3 hábitos comuns que merecem atenção a partir dos 35

Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon, explica por que escolhas aparentemente inofensivas da rotina podem ter relação com o equilíbrio hormonal ao longo dos anos.

 

Você investe em uma rotina completa de skincare, dorme cinco ou seis horas porque “não tem tempo” e passa o dia beliscando alguma coisa entre uma refeição e outra. Isoladamente, esses hábitos parecem não ter nenhuma relação. Mas, quando o assunto é saúde hormonal, o organismo não funciona em compartimentos. 

Depois dos 35 anos, não existe uma mudança hormonal automática que acontece de uma hora para outra. O que passa a ganhar importância é o efeito acumulado da rotina: qualidade do sono, alimentação, composição corporal, estresse e até a exposição frequente a determinadas substâncias presentes em produtos utilizados diariamente. 

“Existe uma tendência de procurar uma solução muito sofisticada para saúde hormonal enquanto alguns hábitos básicos continuam desorganizados. Não adianta pensar apenas em suplemento, tratamento ou exame se você dorme mal todos os dias, se alimenta sem nenhum padrão e não presta atenção àquilo a que está exposto de forma recorrente”, explica o Dr. Rodolfo Gusmão, médico integrativo e CEO do Instituto Aeon.
 

1. Fazer skincare sem olhar o que existe no produto 

Ter uma rotina de cuidados com a pele não é o problema. A questão, segundo Dr. Rodolfo, é que a escolha de cosméticos costuma considerar textura, fragrância, promessa de resultado e ativos dermatológicos, mas raramente leva em conta a exposição repetida a determinadas substâncias. 

Parabenos e ftalatos, por exemplo, estão entre os compostos estudados pela ciência por seu potencial de interferir na sinalização hormonal. Eles fazem parte de um grupo conhecido como disruptores endócrinos, substâncias que podem interferir na ação natural dos hormônios no organismo. 

Isso não significa que usar um cosmético com determinado ingrediente provocará, sozinho, um desequilíbrio hormonal. A preocupação científica envolve fatores como tipo de composto, dose, frequência e diferentes fontes de exposição. 

“Não é para ter medo do skincare nem abandonar os cosméticos. É para começar a olhar a saúde da pele de uma forma mais ampla. Aquilo que você aplica todos os dias merece atenção, assim como aquilo que oferece ao organismo por meio da alimentação, do sono e dos seus hábitos”, explica o médico. 

Para o especialista, essa visão também ajuda a quebrar outra ideia comum: a de que cuidar da pele acontece apenas de fora para dentro. Proteínas, vitaminas, minerais e uma alimentação adequada também fornecem elementos necessários para manutenção e renovação dos tecidos.
 

2. Tratar o sono como luxo. 

Dormir quando “sobra tempo” talvez seja um dos hábitos mais normalizados da vida adulta. O problema é que, biologicamente, o sono está longe de ser um luxo. 

Durante o sono profundo acontece uma parcela importante da liberação do hormônio do crescimento, o GH, envolvido em processos de reparação e metabolismo. O sono também participa da regulação do cortisol e da sensibilidade à insulina. 

Um pequeno estudo publicado no JAMA ajuda a mostrar como a privação de sono pode repercutir rapidamente no organismo. Pesquisadores acompanharam dez homens jovens e saudáveis submetidos a uma semana dormindo cinco horas por noite. Ao final do período, os níveis diurnos de testosterona estavam entre 10% e 15% menores do que durante a fase em que dormiram cerca de dez horas. Por se tratar de um estudo pequeno e de curta duração, o resultado não deve ser generalizado, mas reforça a relação entre sono e regulação hormonal. 

“Dormir não é tempo perdido. É durante o sono que o organismo executa processos que você não consegue compensar simplesmente tomando mais café ou dormindo até mais tarde no fim de semana. Quando o sono vira luxo, a recuperação do corpo também começa a pagar essa conta”, afirma Dr. Rodolfo.
 

3. Comer o tempo inteiro porque “não dá tempo de fazer uma refeição 

Um café aqui, uma barrinha depois, um pedaço de alguma coisa entre reuniões e mais um lanche antes do jantar. Para quem tem uma rotina corrida, passar o dia beliscando pode parecer mais prático do que organizar refeições. Mas o organismo também atravessa diferentes estados metabólicos entre os períodos de alimentação. 

Um dos mecanismos estudados nesse contexto é a autofagia, processo natural pelo qual as células degradam e reciclam componentes danificados. A importância dessa descoberta foi reconhecida em 2016, quando o pesquisador japonês Yoshinori Ohsumi recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por seus estudos sobre os mecanismos da autofagia. 

Isso não significa, entretanto, que exista um número mágico de horas sem comer capaz de ativar a “limpeza celular”, nem que todas as pessoas devam fazer jejum intermitente. 

“A ideia não é parar de comer ou transformar jejum em regra. O ponto é que comer o dia inteiro, muitas vezes sem fome e sem qualquer organização, também merece ser revisto. O espaçamento entre refeições pode fazer sentido para algumas pessoas, mas precisa respeitar metabolismo, rotina, objetivo e condição clínica”, explica o especialista.
 

Depois dos 35, o básico passa a importar ainda mais
 

Para Dr. Rodolfo, não existe uma idade exata em que os hormônios “desregulam”. Os 35 anos funcionam muito mais como um convite para observar hábitos que podem ter sido tolerados durante anos, mas que começam a cobrar mais atenção conforme o organismo envelhece. 

Mais do que buscar uma solução isolada, cuidar da saúde hormonal envolve olhar para aquilo que acontece repetidamente: como se dorme, o que se come, como está a composição corporal, o nível de estresse e até quais produtos fazem parte da rotina. 

“Depois dos 35, talvez a pergunta não seja apenas qual hormônio você precisa dosar ou qual suplemento precisa tomar. Antes disso, vale perguntar: como você está dormindo? Como está se alimentando? O que você repete todos os dias? Saúde hormonal também é construída na rotina”, conclui Dr. Rodolfo.
 

Instituto Aeon

 

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