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sábado, 10 de outubro de 2026

Dia Internacional da Saúde Mental: 5 comportamentos “normais” do cotidiano que estão esgotando as mulheres

 Culpa por descansar, dificuldade de dizer não e necessidade de dar conta de tudo: psicóloga explica como padrões socialmente aceitos viram fontes invisíveis de ansiedade e exaustão

 

Nem sempre o que afeta a saúde mental feminina surge como um grande trauma ou um evento dramático. Na maioria das vezes, o desgaste acontece de forma silenciosa e progressiva, diluído em comportamentos do dia a dia que a sociedade aprendeu a encarar como “normais”. No Dia Internacional da Saúde Mental, o alerta se volta para o impacto desses hábitos cotidianos na vida das mulheres. 

A dificuldade de dizer não, a culpa ao parar para descansar, a cobrança invisível para dar conta de todas as áreas da vida, a comparação constante e a sobrecarga de estar sempre disponível para os outros são padrões frequentemente romantizados, mas que cobram um alto preço emocional. 

Para Elis Carla Sardeto Silva, psicóloga clínica da Starbem e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o primeiro obstáculo para o bem-estar feminino é a naturalização desse cansaço: “Quando determinados comportamentos são repetidos durante anos, deixamos de percebê-los como fontes de sofrimento. A mulher pode estar profundamente exausta, mas interpretar isso apenas como ‘parte da rotina’. O primeiro passo para mudar é perceber que aquilo que foi normalizado no cotidiano pode estar custando a saúde mental”. 

Abaixo, a especialista detalha os cinco comportamentos cotidianos que mais causam desgaste emocional nas mulheres:
 

1. A culpa por descansar

Mesmo sem urgências pendentes, muitas mulheres sentem que deveriam estar produzindo, cuidando da casa, da família ou adiantando demandas do trabalho. “Descanso não precisa ser justificado pela produtividade. Quando só nos permitimos parar depois de cumprir todas as tarefas da lista, o descanso vira uma recompensa distante, e não uma necessidade biológica e emocional. Isso gera um ciclo permanente de exaustão”, explica Elis.

 

2. A dificuldade de dizer “não”

Aceitar convites, tarefas extras, favores e responsabilidades para evitar conflitos, não decepcionar ou não parecer egoísta.“Dizer não, não significa falta de carinho ou de profissionalismo. Muitas vezes, estabelecer um limite é a única forma de preservar a qualidade das relações e da própria saúde, entregando apenas o que é sustentável sem nos anular.”

 

3. A ilusão do “dar conta de tudo”

A pressão para administrar carreira, vida doméstica, maternidade, relacionamentos, aparência e saúde com excelência contínua. “A ideia de perfeição em todas as áreas cria uma expectativa impossível de sustentar. Na TCC, incentivamos trocar a lógica do ‘dar conta de tudo’ pela pergunta: ‘o que é prioridade real para mim hoje?’. Nem todos os pratos precisam girar com a mesma intensidade ao mesmo tempo.”

 

4. A comparação constante com outras mulheres

A armadilha de usar a rotina, o corpo, a maternidade ou o sucesso profissional aparente de outras mulheres (especialmente nas redes sociais) como régua de autoavaliação. “A comparação se torna tóxica quando usamos um recorte editado da vida alheia para julgar a nossa vida inteira. Nas redes, vemos resultados e momentos selecionados; não temos acesso às angústias e bastidores daquela pessoa.”

 

5. Estar permanentemente disponível para os outros

Responder mensagens no ato, resolver problemas familiares, antecipar necessidades alheias e assumir o papel de suporte emocional contínuo. “Cuidar de quem amamos não significa estar disponível 24 horas por dia. Quando a mulher sente que não pode se ausentar, pedir espaço ou simplesmente dizer que não está bem, há um desequilíbrio que precisa ser corrigido.”


Como quebrar esse ciclo sem culpa?

Para a especialista da Starbem, cuidar da saúde mental feminina não exige grandes revoluções imediatas, mas sim pequenos ajustes de rota pautados na autocompaixão e na comunicação assertiva:

 

Mapeie os dreno de energia: Durante uma semana, note quais situações e pedidos provocam a sensação instantânea de aperto no peito ou ansiedade.

 

Redefina o descanso: Reserve momentos de pausa na agenda como compromissos inegociáveis, sem precisar “merecer” parar.
 

Pratique respostas assertivas: Use frases diretas e sem longas justificativas para impor limites (ex: "Agradeço o convite/pedido, mas no momento não consigo assumir essa demanda").
 

Divida responsabilidades: Delegue tarefas domésticas e profissionais sem centralizar o controle por medo de não sair "do seu jeito". 

“Cuidar da saúde mental feminina não deve começar apenas quando o esgotamento ou o burnout se instalam. Começa no momento em que a mulher decide questionar o que está aceitando como ‘normal’ e passa a respeitar os próprios limites”, conclui Elis Carla.


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