Prática integrativa é procurada por pessoas que buscam bem-estar e autoconhecimento; terapeuta explica como diferentes essências são associadas a estados emocionais e reforça que recurso não substitui acompanhamento médico ou psicológico
Nunca se falou tanto sobre saúde mental. Ansiedade, insegurança, tristeza, angústia e dificuldade para lidar com as emoções fazem parte da realidade de muitas pessoas e ajudam a explicar por que o cuidado emocional ganhou espaço na rotina e também nas discussões sobre qualidade de vida.
Uma pesquisa internacional da Ipsos, realizada em 30 países, mostra a dimensão dessa preocupação no Brasil: 52% dos brasileiros apontaram a saúde mental como um dos principais temas de preocupação, à frente, inclusive, do receio de receber um diagnóstico de câncer, citado por 37% dos entrevistados.
Nesse cenário, cresce também o interesse por práticas integrativas e complementares, utilizadas por algumas pessoas como parte de uma rotina de autocuidado e busca por equilíbrio emocional. Entre elas estão os florais de Bach, sistema desenvolvido pelo médico britânico Edward Bach e composto por 38 essências florais.
Para a psicanalista e terapeuta integrativa Karina Ferrari, a procura por esse tipo de prática está relacionada, principalmente, ao desejo de compreender melhor as próprias emoções e encontrar recursos para lidar com diferentes momentos da vida.
“Os florais de Bach são
utilizados como um recurso de cuidado emocional e autoconhecimento. A proposta
é trabalhar aspectos relacionados à forma como a pessoa vivencia determinadas
emoções, favorecendo um processo de maior percepção e equilíbrio”, explica
Karina, fundadora do Instituto Karina Ferrari de Treinamento e Desenvolvimento
Humano.
Três essências que podem ser associadas a diferentes estados emocionais
Dentro do sistema criado por Edward Bach, cada essência é tradicionalmente relacionada a determinados estados emocionais. Segundo Karina, três delas podem ser interessantes para compreender como os florais são utilizados no contexto do cuidado emocional.
Cherry Plum — tradicionalmente associada a momentos em que a pessoa sente dificuldade de controlar pensamentos, emoções ou impulsos. “É uma essência relacionada à busca por maior autocontrole e clareza diante de situações em que existe a sensação de estar perdendo o controle”, explica a terapeuta.
White Chestnut — é associada a pensamentos repetitivos e à dificuldade de interromper uma espécie de “diálogo interno” constante. “É procurada por pessoas que percebem a mente muito agitada, com pensamentos recorrentes que dificultam o descanso e a tranquilidade”, afirma Karina.
Larch — tradicionalmente relacionada
à autoconfiança e à percepção das próprias capacidades. “É uma essência que
trabalha questões ligadas à autoestima e à confiança. Muitas vezes, a pessoa
enxerga suas limitações com muito mais força do que reconhece suas qualidades e
potencialidades”, explica.
Um recurso complementar, não substituto de tratamento
Karina ressalta que o uso dos florais deve ser compreendido dentro de uma perspectiva de cuidado complementar. Em situações de sofrimento emocional intenso, transtornos mentais ou qualquer quadro que necessite de diagnóstico e tratamento, o acompanhamento com profissionais habilitados é fundamental.
“Práticas integrativas podem fazer parte de uma jornada de autocuidado, mas não substituem acompanhamento médico ou psicológico quando ele é necessário. O mais importante é olhar para a saúde mental de maneira integral e buscar ajuda adequada sempre que houver sofrimento persistente ou dificuldade para lidar com a própria rotina”, orienta.
Para a terapeuta, cuidar da saúde emocional também passa por reconhecer os próprios sentimentos e buscar ferramentas que contribuam para uma relação mais consciente consigo mesmo.
“O bem-estar não acontece de
uma hora para outra. É resultado de um processo de cuidado, autoconhecimento e
escolhas que favoreçam uma vida mais equilibrada”, conclui Karina.
Nenhum comentário:
Postar um comentário