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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Itaú alerta para uso de contas de “passagem” em golpes e fraudes

Além de ofertas de dinheiro fácil em troca do uso de contas bancárias, criminosos podem utilizar dados e biometria das vítimas para abrir contas sem o conhecimento delas

 

Anúncios publicados nas redes sociais oferecem dinheiro para que pessoas disponibilizem suas contas bancárias a terceiros. O Itaú Unibanco alerta que essas ofertas, muitas vezes apresentadas como oportunidades de renda fácil, podem estar associadas ao recrutamento de pessoas para atuar como “laranjas” na movimentação de valores provenientes de golpes e fraudes. 

Na prática, criminosos usam essas contas para movimentar rapidamente o dinheiro recebido de uma vítima de golpe. Os valores podem ser transferidos entre várias contas antes de chegar ao destino final, dificultando o rastreamento e a recuperação dos recursos. 

Em algumas situações, dados pessoais, documentos ou registros biométricos obtidos em abordagens enganosas podem ser usados indevidamente em tentativas de abertura de contas sem a ciência do titular. Por isso, é importante ter cautela diante de pedidos inesperados de fotos, vídeos ou confirmações de identidade, ainda que apresentados como parte de atualizações cadastrais ou da liberação de benefícios. 

A prática ocorre em um cenário de forte expansão dos crimes patrimoniais digitais. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, considerando modalidades tradicionais e digitais, alta de 429,8% em relação a 2018. O levantamento estima ainda que 15,8% da população com mais de 16 anos, cerca de 26,3 milhões de pessoas, tenha sido vítima de algum golpe no período analisado. 

“Quando alguém disponibiliza a própria conta em troca de remuneração, permite que ela seja utilizada para movimentar dinheiro obtido por meio de golpes e fraudes e se expõe a consequências financeiras e legais. Também é importante proteger os dados pessoais e a biometria para evitar que criminosos tentem abrir contas sem o conhecimento da vítima”, afirma Ana Leda Guedes Tavares, superintendente de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco. 

O compartilhamento ou aluguel de contas e acessos bancários pode gerar responsabilização nas esferas civil e penal, conforme as circunstâncias e o grau de participação do titular. Já quem tem uma conta aberta indevidamente em seu nome pode enfrentar transtornos financeiros e precisar comprovar que não realizou as movimentações associadas à fraude. 

A prevenção é uma das frentes de combate às fraudes. Identificar movimentações suspeitas e dificultar a circulação dos recursos após o golpe também são medidas essenciais. “Quanto mais barreiras houver nesse caminho, menor será a capacidade dos criminosos de movimentar o dinheiro”, afirma Ana Leda. 

Para identificar abordagens suspeitas, o Itaú recomenda atenção aos seguintes sinais:

  • Promessas de dinheiro rápido ou pagamento percentual para emprestar, vender ou alugar uma conta, receber valores e transferi-los a terceiros;
  • Pedidos de cartão, senha, token ou acesso ao aplicativo, além de mensagens que busquem pessoas dispostas a realizar transferências em nome de terceiros;
  • Solicitações para movimentar recursos cuja origem ou finalidade não estejam claras;
  • Pedidos para tirar fotos, gravar vídeos ou realizar reconhecimento facial, especialmente após contatos inesperados, em abordagens no espaço público ou por meio de links recebidos em mensagens;
  • Solicitações de documentos e dados pessoais em sites, aplicativos ou canais cuja autenticidade não possa ser confirmada.

Além de nunca compartilhar cartões, senhas, tokens ou acessos bancários, a recomendação é não realizar operações com valores de origem desconhecida e evitar o envio de documentos, fotos ou vídeos de reconhecimento facial em resposta a abordagens não solicitadas. Diante de qualquer contato suspeito, a pessoa deve interromper a conversa e procurar diretamente os canais oficiais da instituição envolvida. 

Outra camada de proteção é o BC PROTEGE+, serviço gratuito do Banco Central que permite informar ao sistema financeiro que o titular de um CPF ou CNPJ não deseja abrir novas contas nem ser incluído como titular ou representante em contas de terceiros naquele momento. Quando a proteção está ativada, as instituições financeiras não podem realizar essas operações até que o próprio usuário desative a restrição. O serviço pode ser ativado ou desativado na área logada do Meu BC, com uma conta gov.br de nível prata ou ouro e verificação em duas etapas habilitada. 

Se houver menção ao Itaú em uma abordagem suspeita ou se o cliente identificar uma movimentação que não reconhece, a orientação é entrar em contato imediatamente com o banco.



Central de Atendimento Itaú Unibanco
4004-4828 – Capitais e regiões metropolitanas
0800-970-4828 – Demais localidades


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