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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Anabolizantes no universo fitness: testosterona e esteroides podem alterar ciclo menstrual, fertilidade e até a anatomia íntima feminina


Ginecologista explica os efeitos de substâncias como oxandrolona e stanozolol no organismo feminino, incluindo alterações hormonais e genitais, e alerta para os riscos do uso sem acompanhamento médico
 

 

O treino evolui, a carga aumenta e o corpo muda, mas o que acontece quando os efeitos buscados no espelho começam a aparecer em outras partes do organismo? Entre mulheres que recorrem a substâncias com ação androgênica para favorecer o ganho de massa muscular e a redução de gordura, as consequências ultrapassam a composição corporal. Alterações no ciclo menstrual, acne, aumento de pelos, mudanças na voz e modificações na anatomia genital estão entre os efeitos que merecem atenção médica.

Segundo a ginecologista e especialista em cirurgia íntima Dra. Mariana Macedo, substâncias como testosterona, oxandrolona e stanozolol atuam sobre mecanismos hormonais que também influenciam o funcionamento do organismo feminino. “Quando uma mulher utiliza um hormônio ou esteroide com atividade androgênica, não estamos falando apenas de uma mudança estética. A exposição inadequada aos andrógenos interfere na regulação hormonal e pode repercutir em diferentes tecidos, com efeitos que variam conforme a substância, dose, duração do uso e características individuais”, explica.

Uma das primeiras manifestações pode aparecer no ciclo menstrual. A ação androgênica interfere no eixo hormonal responsável pela ovulação e pela produção dos hormônios ovarianos, favorecendo ciclos irregulares, redução ou ausência da menstruação. A alteração também pode comprometer temporariamente a fertilidade, já que a ovulação pode ser interrompida durante o período de exposição.

Entre as alterações que podem atingir a região íntima está o aumento do clitóris, conhecido como clitoromegalia. A estrutura responde à ação dos andrógenos e pode sofrer aumento de volume durante a exposição a determinadas substâncias. “A clitoromegalia precisa ser avaliada de maneira individualizada. É importante saber quando a alteração começou, se houve progressão, quais sintomas estão presentes e qual foi o histórico de exposição hormonal. Algumas mulheres relatam desconforto físico ou atrito, enquanto outras sofrem principalmente com o impacto emocional provocado pela mudança anatômica”, explica a ginecologista.

O uso sem acompanhamento também dificulta a identificação precoce de efeitos adversos. Protocolos compartilhados em redes sociais, academias ou grupos de treino não levam em consideração histórico ginecológico, condições de saúde, medicamentos, predisposições individuais e objetivos reprodutivos.

“Uma estratégia utilizada por outra pessoa não equivale a uma indicação médica. A resposta aos anabolizantes é individual, e o acompanhamento permite identificar alterações enquanto elas estão acontecendo, além de avaliar exames, sintomas e possíveis contraindicações”, destaca Mariana.

A avaliação médica antes, durante e depois da exposição permite acompanhar o funcionamento hormonal e reprodutivo e observar quais alterações apresentam recuperação após a suspensão. Algumas manifestações podem regredir, enquanto outras características físicas podem permanecer, tornando necessária uma avaliação especializada.

Quando alterações anatômicas persistem e provocam desconforto físico ou emocional, a conduta deve ser definida individualmente. Entre as possibilidades está a clitoroplastia, procedimento cirúrgico realizado para remodelar ou reduzir o tecido clitoriano aumentado, preservando, sempre que possível, estruturas responsáveis pela sensibilidade e pela função sexual.

“Uma indicação cirúrgica não deve partir apenas de uma comparação estética. É necessário avaliar anatomia, sintomas, função, sensibilidade e o impacto da alteração na vida da paciente. Quando a cirurgia é indicada, o planejamento precisa priorizar a preservação da sensibilidade e da função genital, já que se trata de uma região com estruturas fundamentais para a resposta sexual”, conclui a especialista.

  

Dra. Mariana Macedo - CRM/PB 12851 | CRM/SP 287714 | RQE 8302 - médica ginecologista, especialista em Cirurgia Íntima e Ginecologia Regenerativa, com atuação voltada ao cuidado integral da saúde feminina. Sua abordagem combina excelência médica, atendimento humanizado e as mais modernas tecnologias para oferecer tratamentos seguros, naturais e personalizados. Atende nos estados de São Paulo e da Paraíba, dedicando-se a promover saúde, bem-estar e autoestima.

 

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