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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Da lousa à IA: o que o Brasil precisa fazer para modernizar o ensino básico

IMAGEM: DC
Claudia Costin defende a superação do ensino passivo, a valorização dos professores e o combate às desigualdades para preparar os alunos para os desafios do século XXI

 

Entre avanços que merecem ser comemorados e desafios estruturais que impõem limites ao desenvolvimento do país, a gestão da educação pública no Brasil pode ser analisada com base nos dados do Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e da Pnad Contínua Educação 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Brasil, 82% dos estudantes estão no ensino público e, entre 2015 e 2025, a educação básica brasileira registrou uma redução nas taxas de abandono escolar, segundo o IBGE. Nos anos finais do ensino fundamental, a taxa caiu de 3,2%, em 2015, para 0,9% em 2025 (uma queda de 2,3 pontos percentuais no período). Já no ensino médio, a taxa atual é de 2,2% - um recuo de 4,6 pontos percentuais ao longo da década, cuja taxa era de 6,8%.

Embora os números apontem para uma melhora na trajetória escolar, a educadora Claudia Costin, presidente do Instituto Singularidades e ex-diretora de educação do Banco Mundial, diz que o país ainda convive com gargalos históricos que comprometem marcos importantes dos anos iniciais, a conclusão da educação básica, o acesso à educação superior e a formação de capital humano qualificado.

Para além disso, a educadora destaca que a consolidação da escola em tempo integral e a busca pela alfabetização na idade certa foram passos corretos, mas ainda há frentes estruturais que exigem evolução no Brasil.

Ao falar ao Diário do Comércio sobre os principais desafios na educação para os próximos anos, Claudia aponta que o próximo governo terá de superar a prática ultrapassada do ensino focado apenas na transmissão passiva de conteúdo, adaptando a sala de aula à era da inteligência artificial (IA) para formar pensadores autônomos.

Ela aponta que, ao analisar o que os diferentes partidos políticos planejam para a área da educação, encontrou diretrizes semelhantes no essencial, com foco na alfabetização e matemática, e diferenças principalmente em pautas ideológicas secundárias, como a questão do homeschooling e das escolas cívico-militares.


A evolução da educação pública brasileira

Ao contrário da percepção comum de que a educação brasileira sofre com constantes rupturas a cada troca de governo, a educadora afirma que as últimas décadas foram marcadas mais por convergências do que por descontinuidades no setor. No entanto, ela alerta que, para acompanhar as transformações tecnológicas e superar um atraso histórico no ensino básico, o próximo presidente precisará "pressionar o acelerador" em reformas estruturais - da formação de professores à expansão da jornada em tempo integral.



Mariana Missiaggia
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/da-lousa-a-ia-o-que-o-brasil-precisa-fazer-para-modernizar-o-ensino-basico


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