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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Câncer de mama no Brasil: INCA estima 78,6 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028

Avanço da doença no país reflete envelhecimento populacional, mudanças de hábitos e aumento dos diagnósticos em mulheres jovens, enquanto a medicina evolui rumo a tratamentos personalizados e cirurgias preservadoras

 

O Brasil deve registrar 78,6 mil novos casos de câncer de mama a cada ano no triênio 2026–2028, segundo dados atualizados do Instituto Nacional de Câncer. A neoplasia segue como a de maior incidência na população feminina nacional, representando aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos no grupo, com maior concentração de risco na Região Sudeste. Além das transformações demográficas como o envelhecimento populacional, a elevação nos números reflete mudanças comportamentais e no padrão reprodutivo, além da expansão da obesidade, do sedentarismo e da maior eficiência na detecção precoce pela rede de saúde.  

Outra tendência consolidada pela comunidade médica é o aumento na incidência de tumores em mulheres com menos de 40 anos. Por estarem fora da faixa etária habitual do rastreamento populacional de rotina, essas pacientes costumam ter a doença identificada após o surgimento de sinais clínicos e apresentam, com maior frequência, subtipos tumorais biologicamente mais agressivos ou associados a fatores genéticos hereditários.  

Segundo o mastologista do Grupo São Lucas Rafael Pelorca (CRM: 133355-SP / RQE: 60427 / RQE: 39000), o cenário atual exige um olhar atento que vai além do clássico nódulo palpável na mama. "Alterações no mamilo como inversão recente, descamação ou secreção sanguinolenta, aparecimento de pele com aspeto de casca de laranja, assimetrias progressivas e até mesmo caroços na região da axila sem presença de nódulo mamário evidente, são sinais que frequentemente acabam sendo subestimados no dia a dia", afirma.  

A abordagem preventiva também passa por uma transição. Em vez de focar apenas no conceito de exames universais para toda a população, a medicina atual prioriza a estratificação de risco individual, integrando histórico familiar, características teciduais da mama e hábitos de vida. Recursos tecnológicos avançados, como a mamografia 3D, a ressonância magnética e os painéis de testagem genética, já fazem parte da rotina clínica e auxiliam na definição do nível de vigilância necessário para cada perfil de paciente.  

De acordo com o médico, a conduta terapêutica da mastologia foi totalmente transformada nas últimas anos pela medicina de precisão. "O foco do tratamento deixou de considerar isoladamente o porte da cirurgia para se voltar à biologia molecular do tumor, permitindo o uso de terapias-alvo, imunoterapia e drogas conjugadas a anticorpos que atuam como mísseis guiados, aumentando expressivamente a resposta ao tratamento com menor toxicidade aos tecidos saudáveis", explica.  

No campo cirúrgico, o avanço da oncoplástica e das abordagens minimamente invasivas permitiu substituir ressecções radicais por cirurgias conservadoras e reconstruções imediatas. Essas técnicas garantem segurança oncológica ao mesmo tempo em que proporcionam recuperação pós-operatória mais rápida e menor incidência de complicações locais. Essa preservação física atua diretamente na saúde mental e na qualidade de vida da mulher, atenuando o impacto emocional do diagnóstico, facilitando a reabilitação funcional e acelerando a retomada do bem-estar e da rotina social. 

Tratando de prevenção, o protocolo centra-se na individualização do risco, no diagnóstico precoce por rastreamento adequado e na conscientização corporal. "É muito importante que a mulher faça acompanhamento e exames de rotina, principalmente a partir dos 40 anos, com seu médico de confiança, tenha autoconhecimento das mamas e priorize um estilo de vida que inclua alimentação saudável, prática de exercícios, redução no consumo de álcool e, quando necessário, terapia de reposição hormonal", conclui o especialista.  

 


Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)


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