Especialista da Pro Matre explica como o envelhecimento dos ovários interfere nas chances de gravidez e por que o planejamento reprodutivo ganha importância diante do adiamento da maternidade
A maternidade tem acontecido cada vez mais tarde. Mudanças nos projetos de vida, maior participação feminina no mercado de trabalho, busca por estabilidade financeira e profissional e transformações nos modelos familiares estão entre os fatores que levam muitas mulheres a adiar a primeira gravidez. Do ponto de vista médico, porém, o avanço da idade provoca mudanças importantes na capacidade reprodutiva feminina e torna o planejamento da gestação ainda mais relevante.
A fertilidade feminina apresenta uma redução progressiva ao longo dos anos, com uma queda mais acentuada a partir dos 35 anos. Isso ocorre porque a mulher nasce com uma quantidade determinada de óvulos, cuja quantidade diminui naturalmente ao longo da vida. Além da redução da reserva ovariana, há também mudanças na qualidade dos óvulos, que podem interferir nas chances de fecundação e no desenvolvimento da gestação.
“Não existe uma idade em que a fertilidade desapareça de uma hora para outra. É um processo progressivo. O que observamos é uma redução das chances de engravidar espontaneamente à medida que a idade avança, principalmente pela diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos”, explica a Dra. Carla Dalascio, obstetra da Pro Matre Paulista.
A
idade também está associada ao aumento da ocorrência de alterações
cromossômicas nos óvulos e embriões. Com isso, podem aumentar tanto as
dificuldades para engravidar quanto o risco de aborto espontâneo. Isso, no
entanto, não significa que mulheres acima dos 35 ou 40 anos não possam
engravidar naturalmente. A idade é um importante fator de probabilidade, mas
não determina, isoladamente, a capacidade reprodutiva de cada mulher.
Outro
ponto que costuma gerar dúvidas é a chamada reserva ovariana. Exames como o
hormônio antimülleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais podem
contribuir para a avaliação médica, mas não devem ser interpretados
isoladamente como um diagnóstico de fertilidade. Duas mulheres da mesma idade
podem apresentar reservas ovarianas diferentes, e uma boa reserva ovariana
também não significa, necessariamente, que a gravidez ocorrerá sem
dificuldades.
“É
comum que a mulher procure avaliação depois de realizar um exame de reserva
ovariana e queira saber se ainda consegue engravidar. Mas nenhum exame isolado
consegue responder a essa pergunta. Precisamos considerar a idade, o histórico
menstrual, as condições clínicas, o funcionamento dos ovários, o útero e também
os fatores relacionados ao parceiro”, afirma a obstetra.
Quando procurar avaliação
Para
mulheres com 35 anos ou mais que estejam tentando engravidar, o tempo
recomendado para buscar uma avaliação médica costuma ser menor. De acordo com
recomendações internacionais, a investigação pode ser indicada após seis meses
de tentativas sem sucesso nessa faixa etária. A partir dos 40 anos, uma
avaliação mais precoce pode ser recomendada.
Essa orientação não significa que toda gravidez após os 35 anos seja considerada de risco. O que muda é a atenção necessária a determinados fatores antes e durante a gestação. Um acompanhamento individualizado permite avaliar as condições de saúde, o histórico reprodutivo e possíveis fatores que possam interferir na gravidez.
A idade materna mais avançada também pode estar associada a uma maior ocorrência de algumas complicações obstétricas, como hipertensão e diabetes gestacional, o que reforça a importância do acompanhamento pré-natal desde o início da gravidez. A avaliação adequada permite identificar riscos e estabelecer uma estratégia de cuidado de acordo com as características de cada paciente.
Para
mulheres que desejam adiar a maternidade, a consulta médica também pode ser
importante antes mesmo de começar a tentar engravidar. O planejamento
reprodutivo permite discutir o momento da gravidez, avaliar fatores individuais
e, em situações específicas, conversar sobre alternativas como a preservação de
óvulos.
“Planejamento reprodutivo não significa dizer para uma mulher quando ela deve ser mãe. Significa oferecer informação para que ela possa tomar essa decisão conhecendo os impactos que a idade pode ter sobre a fertilidade e as possibilidades que podem ser avaliadas individualmente”, conclui a Dra. Carla Delascio.
Diante de uma realidade em que a maternidade é cada vez mais adiada, informação e acompanhamento médico podem ajudar a tornar a decisão de engravidar mais consciente. O objetivo é permitir que cada mulher conheça seu cenário reprodutivo e tenha acesso, no momento adequado, às alternativas disponíveis.
Pro Matre Paulista
www.promatre.com.br
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