Médico da Hapvida
explica como o déficit calórico prolongado prejudica a tireoide e pode
desencadear doenças tanto em atletas profissionais como em praticantes amadores
de exercícios
Submeter
o corpo a dietas extremamente restritivas e a rotinas intensas de treinos na
busca por emagrecimento, definição muscular ou performance esportiva pode
custar caro à saúde. Um exemplo aconteceu no último dia 1º de outubro, quando a
tenista norte-americana Emma Navarro, número 24 do mundo, de 25 anos, anunciou
uma pausa na carreira após diagnósticos de RED-S (Deficiência Relativa de
Energia no Esporte) e Tireoidite de Hashimoto.
A atleta relatou que os distúrbios,
decorrentes em parte de uma dieta inadequada, causavam tonturas, dores de
cabeça, fadiga constante e dificuldade de concentração.
O endocrinologista Rodrigo Gomes de
Souza, gerente médico corporativo de centros clínicos ambulatoriais da Hapvida,
explica que quando o organismo recebe menos energia do que gasta por períodos
prolongados, um mecanismo de defesa é acionado para entrar em modo de economia,
reduzindo o ritmo do metabolismo e comprometendo o sistema hormonal.
Esse estresse metabólico está
diretamente ligado à baixa disponibilidade energética. “Nessas situações, o
organismo reduz a atividade do eixo que controla a tireoide. Na prática, é como
se o organismo percebesse que 'está faltando combustível' e diminuísse o ritmo
do metabolismo para gastar menos energia”, diz Souza.
Dietas restritivas são problema
A falta contínua de energia e a
inflamação celular geradas por dietas severas também podem atuar como peças
adicionais em um quebra-cabeça complexo, contribuindo para a manifestação ou o
agravamento da Tireoidite de Hashimoto, doença autoimune mais comum da
tireoide. Em pessoas geneticamente predispostas, a restrição alimentar extrema
e o estresse biológico favorecem um ambiente inflamatório que faz com que um
quadro silencioso passe a se manifestar.
“É possível que a tireoide já esteja
funcionando abaixo do ideal, de forma discreta, antes mesmo de aparecerem
sintomas claros. Nesse cenário, dietas muito restritivas ou rotinas de treino
excessivamente intensas podem funcionar como um gatilho. É como se o organismo
já estivesse no limite e, diante de uma grande falta de energia, essa situação
se tornasse mais evidente”, pontua o médico.
Atenção aos sinais
Quando o organismo entra em colapso
energético, os sinais vão além da falta de resultados na academia. Sintomas
como cansaço persistente que não melhora com o descanso, dificuldade para
perder peso mesmo com pouca comida, perda de massa muscular, queda de libido,
falhas ou ausência do ciclo menstrual e lesões por estresse repetidas são
alertas claros emitidos pelo corpo.
Nos casos em que o diagnóstico de
Hashimoto coincide com a baixa disponibilidade energética, a conduta médica
exige mais do que a simples prescrição de remédios. “Não basta simplesmente
'repor o hormônio'. É preciso também corrigir a falta de energia disponível
para que o organismo volte a funcionar adequadamente”, afirma o especialista.
Para quem percebeu que o corpo parou
de responder aos treinos ou dá sinais constantes de exaustão, o caminho é
reajustar a rota imediatamente. O médico recomenda reduzir a intensidade dos
treinos, reintroduzir nutrientes e carboidratos em proporções adequadas e
buscar avaliação médica especializada para checar taxas hormonais e metabólicas
como os primeiros passos para restabelecer a saúde do organismo.
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