Durante o XI Simpósio Internacional de
Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, especialistas apresentaram os avanços que
estão redefinindo o cuidado, com destaque para cirurgia robótica, radioterapia
de alta precisão e terapias personalizadas
Os
avanços da medicina de precisão estão transformando o tratamento dos cânceres
urológicos (tumores que atingem órgãos como próstata, bexiga, rins, testículos
e pênis). Se antes o principal objetivo era controlar a doença e aumentar a
sobrevida, hoje a prioridade também é preservar a qualidade de vida dos
pacientes durante e após o tratamento, reduzindo impactos e efeitos colaterais,
e permitindo que eles mantenham sua autonomia e retomem suas atividades mais
rapidamente.
A
mudança ocorre em um cenário de alta incidência desses tumores. Segundo
estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil deve registrar
cerca de 91 mil novos casos de câncer de próstata e de bexiga em 2026.
Cirurgia
robótica, radioterapia de alta precisão, terapias-alvo, imunoterapia e métodos
diagnósticos cada vez mais sofisticados estão tornando possível oferecer um
cuidado mais personalizado e menos invasivo. Esses avanços estiveram entre os
principais temas debatidos no XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia da
Oncologia D'Or, realizado este mês em Brasília.
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| XI Simpósio Internacional de Uro-Oncologia Oncologia D'Or realizado em Brasília neste mês Divulgação |
"Hoje, celebramos a cura com preservação da qualidade de vida. Esse passou a ser um dos objetivos da uro-oncologia moderna", afirma o radio-oncologista Allisson Borges, diretor executivo de Radioterapia da Oncologia D'Or e diretor-geral do Hospital DF Star.
Segundo
o especialista, essa mudança é resultado da combinação entre novas tecnologias,
tratamentos mais precisos e uma abordagem multidisciplinar.
"A
cirurgia robótica nos permite realizar procedimentos menos invasivos, com
menores taxas de complicações, como sangramentos, impotência sexual e
incontinência urinária, além de excelentes resultados oncológicos. Mas essa
transformação vai muito além da cirurgia. Hoje também contamos com
imunoterapias, terapias-alvo e outras estratégias sistêmicas capazes de
aumentar a eficácia do tratamento e reduzir os efeitos adversos, poupando
tecidos saudáveis e proporcionando mais qualidade de vida aos pacientes."
A
radioterapia também evoluiu muito no tratamento de cânceres urológicos.
Antigamente, a falta de precisão dos aparelhos aumentava o risco de efeitos
adversos ao atingir tecidos saudáveis. “Atualmente, os equipamentos possuem
tecnologias como a Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), a Radioterapia
Volumétrica Modulada em Arco (VMAT) e sistemas de monitorização do alvo, como o
Clarity, que monitoriza o movimento da próstata, aumentando muito a precisão do
tratamento. Hoje, conseguimos distribuir a dose de radiação de maneira mais
segura, com menor irradiação nos tecidos sadios, possibilitando a execução de
tratamentos chamados de radiocirurgia”, explica.
A
personalização do tratamento começa antes mesmo da definição da terapia. Exames
de imagem mais sofisticados, biópsias guiadas, análise de marcadores
moleculares, testes genéticos e o uso crescente do PET-CT permitem compreender
melhor as características de cada tumor e definir a estratégia terapêutica mais
adequada para cada paciente.
"O
uso de ressonâncias específicas para esses tumores, a evolução das biópsias de
próstata, o acesso à anatomia patológica de ponta, com avaliação de marcadores
moleculares e da assinatura genética do câncer, além da crescente utilização do
PET-CT, têm sido fundamentais para indicar o tratamento certo para o paciente
certo, no momento certo", destaca.
Para
Allisson Borges, essa evolução representa uma das maiores transformações da
uro-oncologia nas últimas décadas. O cuidado deixa de ser centrado apenas no
controle da doença e passa a considerar também os impactos do tratamento na
vida do paciente, preservando funções importantes, reduzindo complicações e tornando
as decisões terapêuticas cada vez mais individualizadas.
Essa
mudança de paradigma foi um dos eixos centrais do XI Simpósio Internacional de
Uro-Oncologia da Oncologia D'Or, da Rede D’Or, que reuniu especialistas
brasileiros e internacionais para discutir como a incorporação de novas
tecnologias, da medicina personalizada e da atuação multidisciplinar está
redefinindo o cuidado aos pacientes com tumores urológicos. O encontro foi
coordenado pelos doutores Miguel Srougi, Allisson Borges e Bruno Carvalho
Oliveira.

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