Centro de Oncologia Campinas desenvolve
programa focado na linha de cuidados que envolve corpo, mente e espírito
O
combate ao câncer não se resume à eliminação das células malignas. Alguns dos
principais centros oncológicos do mundo lançam mão da medicina integrativa como
meio de priorizar a totalidade do tratamento contra a doença. A abordagem
combina tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia,
com práticas complementares baseadas em evidências científicas. É o cuidado que
envolve corpo, mente e espírito.
O
Centro de Oncologia Campinas (COC) tem investido cada vez mais em diretrizes
vão além da quimioterapia e da radioterapia. A instituição desenvolve um
programa robusto de medicina integrativa, que oferece terapias complementares
para atender tanto pacientes em tratamento ativo quanto aqueles já em fase de
reabilitação ou acompanhamento pós-tratamento. São atividades gratuitas
direcionadas também àqueles que já superaram o câncer.
O
programa de medicina integrativa do COC inclui uma gama diversificada de
práticas terapêuticas. Entre as modalidades oferecidas estão: ioga, reiki e
acupuntura; arteterapia, atividade física e nutrição personalizadas; e cuidado
psicológico para o paciente e familiares.
O
termo “medicina integrativa” possui definição precisa entre especialistas. “É a
subespecialidade que une tratamentos médicos convencionais com modalidades
complementares seguras e eficazes. Prioriza a totalidade do paciente e baseia
todas as decisões em evidências científicas rigorosas”, detalha o oncologista
Fernando Medina, diretor do COC.
"O
tratamento contra o câncer vai além do combate à doença. Paralelamente à
eliminação das células cancerosas, é preciso cuidar da mente, do espírito e do
restante do corpo do paciente", explica Medina.
Uma
das inovações do programa do Centro de Oncologia Campinas é a inclusão de
terapias artísticas. A arteterapia — que inclui trabalhos com argila, pintura,
colagem e outras expressões — permite que o paciente explore e comunique
aspectos emocionais que muitas vezes não conseguem ser verbalizados. A técnica,
mediada por psicólogos especializados, utiliza a arte em barro como ferramenta
de expressão e transformação emocional.
A
dança também está inserida no rol de atividades terapêuticas do COC,
trabalhando a expressão corporal, o movimento e a liberação emocional de forma
lúdica e acolhedora.
Programa gratuito
O
diferencial do programa do COC é sua abrangência. As terapias integrativas não
se destinam apenas aos pacientes em tratamento ativo — quimioterapia,
radioterapia ou imunoterapia —, mas também àqueles que já concluíram o
tratamento e buscam reabilitação física e emocional, além de prevenção de
recorrências.
"O
propósito da oncologia integrativa é otimizar a qualidade de vida, atenuando os
efeitos físicos e emocionais que podem envolver esse período da vida do
paciente", destaca o oncologista.
As
aulas e atividades acontecem de forma gratuita na recém-inaugurada Casa de
Bem-Estar, um lugar pensado para oferecer cuidados. Localizada em frente à sede
do Centro de Oncologia Campinas, à rua Alberto de Salvo, 432, em Barão Geraldo,
a Casa do Bem-Estar promove o senso de comunidade essencial para a sustentação
do atendimento humanizado priorizado pelo COC.
A
Casa do Bem-Estar é também um ponto de encontro, um local para troca de
experiências e vivências fora da área do Centro de Oncologia Campinas. Todas as
atividades são supervisionadas por profissionais e têm acompanhamento da
psico-oncologista do COC, Ana Luiza Nobile Cassiani.
Indicações
Estudos
recentes indicam que mais de três quartos dos pacientes oncológicos recorrem a
alguma forma de terapia complementar durante o tratamento. O problema é que,
historicamente, isso acontecia às escondidas dos oncologistas, muitas vezes
baseado em dicas de internet ou relatos de terceiros, sem supervisão médica
adequada.
A
medicina integrativa visa justamente trazer essas práticas para dentro do
ambiente hospitalar, onde podem ser monitoradas, protocoladas e integradas ao
plano de tratamento global.
A
seleção das práticas alternativas é rigorosa e baseada em revisões sistemáticas
de literatura médica. Algumas modalidades, porém, acumulam evidências
suficientes para serem recomendadas por sociedades médicas internacionais.
“A
acupuntura é um exemplo emblemático. Pesquisas consistentes demonstram sua
eficácia no controle de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, alívio
de dor neuropática e redução de xerostomia (boca seca) causada por
radioterapia. Tanto que guidelines de oncologia de todo o mundo a recomendam
como parte do arsenal terapêutico”, esclarece Medina.
O
exercício físico supervisionado é outro caso de sucesso. Contrariando a antiga
crença de que o paciente oncológico deve repousar, estudos robustos mostram que
a atividade física regular reduz fadiga, melhora a qualidade de vida, fortalece
o sistema imunológico e pode até mesmo influenciar positivamente a resposta ao
tratamento.
Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas.
Telefone: (19) 3787-3400.
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