Especialista em empreendedorismo Flávio
Hideo Mikami analisa avanço do movimento
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O
empreendedorismo entre pessoas com mais de 60 anos tem ganhado força no Brasil,
impulsionado tanto pela necessidade de complementar a renda quanto pela busca
por realização pessoal e autonomia na maturidade. O fenômeno acompanha o
envelhecimento da população e a permanência cada vez maior dos idosos na vida
economicamente ativa.
Segundo
dados recentes do IBGE, a participação de pessoas idosas no mercado de trabalho
segue em crescimento, com destaque para atividades autônomas e pequenos
negócios, o que evidencia uma mudança no perfil do empreendedor brasileiro.
Para
o especialista em empreendedorismo Flávio Hideo Mikami, o avanço desse público
no mundo dos negócios é resultado de múltiplos fatores. “Vejo uma combinação
clara entre renda e realização pessoal. A renda complementar é um motivador
importante, mas o desejo de continuar ativo, produtivo e aplicar a experiência
de vida tem um peso cada vez maior entre os empreendedores 60+”, explica.
Outro
ponto estrutural é a insuficiência da aposentadoria frente ao custo de vida
atual, o que tem levado muitos idosos a empreender como estratégia de
sustentação financeira. “Para grande parte da população, a aposentadoria não
cobre totalmente as despesas mensais. O empreendedorismo surge, então, como uma
alternativa de autonomia financeira e segurança”, afirma Mikami, que também é
empresário e proprietário do Arcoworking e 365 Coworking.
Setorialmente,
os empreendedores seniores tendem a se concentrar em áreas que valorizam
conhecimento acumulado e exigem menor investimento inicial, como serviços,
consultoria, educação, comércio, saúde e artesanato. “São segmentos que
permitem flexibilidade e aproveitam a bagagem profissional e as redes de
relacionamento construídas ao longo da vida”, destaca.
Apesar
do crescimento, a formalização ainda representa um desafio relevante,
especialmente no modelo de Microempreendedor Individual (MEI). Barreiras
tecnológicas e falta de informação estão entre os principais entraves.
“Informação e tecnologia ainda são obstáculos. Muitos têm dificuldade com
processos digitais, desconhecem os benefícios da formalização e sentem
insegurança em relação à burocracia e ao acesso a crédito”, pontua.
O
avanço do empreendedorismo 60+ também tende a impactar positivamente a
economia, ampliando a base de arrecadação, movimentando economias locais e
estimulando novos modelos de trabalho. “Esse movimento gera novos negócios,
fortalece a economia local e reduz a dependência de políticas assistenciais,
além de promover um mercado de trabalho mais diverso e inclusivo”, analisa o
especialista.
A
tendência, segundo Mikami, é de crescimento contínuo nos próximos anos,
especialmente diante da transição demográfica brasileira. “O empreendedorismo
sênior tende a crescer bastante. Programas de capacitação digital, simplificação
de processos, linhas de crédito específicas e ambientes de trabalho inclusivos,
como coworkings preparados para esse público, são fundamentais para apoiar
esses empreendedores e potencializar seus negócios”, conclui.
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