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terça-feira, 3 de março de 2026

Dia Mundial da Obesidade – 4 de março

Obesidade e diabetes tipo 2 crescem no Brasil, mostra pesquisa 

Sociedade Brasileira de Diabetes analisa dados do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, e diz que obesidade aumentou 118% no país desde 2006; diabetes tipo 2 cresceu 135% no mesmo período

 

O diabetes tipo 2 e a obesidade são dois dos principais desafios de saúde pública global. Consideradas doenças crônicas não transmissíveis, ambas compartilham fatores de risco, mecanismos fisiológicos e determinantes sociais, formando uma “dupla epidemia” que cresce de forma acelerada no mundo e no Brasil.

“Os últimos dados do levantamento Vigitel 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostram que, desde que essa pesquisa começou a ser feita, em 2006, até a última coleta de dados, em 2024, houve um aumento de 118% na prevalência de obesidade”, afirma dra. Cintia Cercato, coordenadora do departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da Sociedade Brasileira de Diabetes. 

Isso significa que 60% da população brasileira apresenta excesso de peso, o que acaba impactando também o número de pessoas que convivem com o diabetes tipo 2, uma vez que a obesidade está extremamente relacionada com o desenvolvimento da doença. “Os dados do Vigitel mostram que, entre 2006 e 2024, houve um aumento de 5,5% para 12,9% nos casos de pessoas com diabetes, o que representou um crescimento de 135% ao longo desses 18 anos”, esclarece dra. Cintia. “São números que impressionam porque, se a gente pensar na população brasileira como um todo, estamos falando que cerca de 19,9 milhões de adultos hoje convivem com o diabetes.” 

Com isso, Brasil está entre os países que têm a maior prevalência de diabetes tipo 2. De acordo com o IDF – Federação Internacional de Diabetes, o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial.

Já está mais do que comprovado que a obesidade é um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2. O acúmulo de gordura corporal, especialmente na região abdominal, altera o metabolismo da glicose e leva à resistência à insulina — mecanismo central para o desenvolvimento da doença. A obesidade vem crescendo em todo o mundo, e o mesmo ocorre com o diabetes tipo 2: atualmente são cerca de 589 milhões de pessoas com a doença no mundo, o equivalente a uma em cada nove. 

Esse cenário brasileiro traz implicações muito importantes para o sistema de saúde brasileiro, uma vez que a combinação de obesidade e diabetes acaba acarretando um aumento do risco cardiovascular, vascular e doença renal crônica, além das complicações crônicas do diabetes, como as neuropatias, que levam às amputações, e a cegueira. “Por isso a Sociedade Brasileira de diabetes considera extremamente importante discutir a obesidade como uma doença crônica que pode trazer uma série de consequências, incluindo o diabetes do tipo 2”, explica dra. Cintia. “Políticas públicas para prevenir a obesidade são muito importantes”, alerta. Ela defende a inclusão, no sistema público, da promoção de dietas saudáveis e aumento de atividade física. “Também é preciso desenvolver linhas de cuidado para obesidade para as pessoas que já têm a doença”, diz. “Os diversos setores da sociedade devem trabalhar juntos para reduzir o crescimento dessas condições crônicas na nossa população.”
 

Estigma e acolhimento 

A psicóloga Priscila Pacoli, do Departamento de Psicologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, concorda que o tratamento da obesidade merece atenção, inclusive dos próprios profissionais da saúde. “Existe um estigma contra a obesidade que não é apenas um sentimento ruim, ele acaba sendo uma barreira clínica, pois as pessoas relutam em buscar ajuda médica”, explica. “Com medo do preconceito e do julgamento, as pessoas decidem esperar estar com peso melhor ou conseguir incluir uma rotina de exercício antes de ir ao médico”, lembra. 

De acordo com a psicóloga, esse medo do julgamento afasta as pessoas do tratamento, o que causa mais complicações. “Por isso nós, profissionais de saúde, precisamos combater o aumento da obesidade, do diabetes tipo 2 e, para isso, o primeiro passo é a gente transformar os nossos consultórios em zonas livres de estigma”, explica. “Para colocar isso na prática, precisamos entender que a obesidade e o diabetes são condições de saúde extremamente complexas, influenciadas por genética, ambiente, biologia e não são falhas de caráter ou uma falta de força de vontade, como muitos costumam dizer.” 

Ela também sugere uma mudança na linguagem, como parar de rotular a pessoa pela doença. “Então ela não é obesa, ela é uma pessoa que convive com obesidade. Assim como não é diabético, é pessoa que convive com diabetes.” “Com esse tratamento mais humano, sem julgamento, o paciente deixa de se esconder e assume seu próprio cuidado, seu próprio tratamento.”


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