quarta-feira, 4 de março de 2026

Medicina integrativa: quando o tratamento contra o câncer vai além do combate à doença

Centro de Oncologia Campinas desenvolve programa focado na linha de cuidados que envolve corpo, mente e espírito


 O combate ao câncer não se resume à eliminação das células malignas. Alguns dos principais centros oncológicos do mundo lançam mão da medicina integrativa como meio de priorizar a totalidade do tratamento contra a doença. A abordagem combina tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia, com práticas complementares baseadas em evidências científicas. É o cuidado que envolve corpo, mente e espírito.

O Centro de Oncologia Campinas (COC) tem investido cada vez mais em diretrizes vão além da quimioterapia e da radioterapia. A instituição desenvolve um programa robusto de medicina integrativa, que oferece terapias complementares para atender tanto pacientes em tratamento ativo quanto aqueles já em fase de reabilitação ou acompanhamento pós-tratamento. São atividades gratuitas direcionadas também àqueles que já superaram o câncer.

O programa de medicina integrativa do COC inclui uma gama diversificada de práticas terapêuticas. Entre as modalidades oferecidas estão: ioga, reiki e acupuntura; arteterapia, atividade física e nutrição personalizadas; e cuidado psicológico para o paciente e familiares.

O termo “medicina integrativa” possui definição precisa entre especialistas. “É a subespecialidade que une tratamentos médicos convencionais com modalidades complementares seguras e eficazes. Prioriza a totalidade do paciente e baseia todas as decisões em evidências científicas rigorosas”, detalha o oncologista Fernando Medina, diretor do COC.

"O tratamento contra o câncer vai além do combate à doença. Paralelamente à eliminação das células cancerosas, é preciso cuidar da mente, do espírito e do restante do corpo do paciente", explica Medina.

Uma das inovações do programa do Centro de Oncologia Campinas é a inclusão de terapias artísticas. A arteterapia — que inclui trabalhos com argila, pintura, colagem e outras expressões — permite que o paciente explore e comunique aspectos emocionais que muitas vezes não conseguem ser verbalizados. A técnica, mediada por psicólogos especializados, utiliza a arte em barro como ferramenta de expressão e transformação emocional.

A dança também está inserida no rol de atividades terapêuticas do COC, trabalhando a expressão corporal, o movimento e a liberação emocional de forma lúdica e acolhedora.


 Programa gratuito

O diferencial do programa do COC é sua abrangência. As terapias integrativas não se destinam apenas aos pacientes em tratamento ativo — quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia —, mas também àqueles que já concluíram o tratamento e buscam reabilitação física e emocional, além de prevenção de recorrências.

"O propósito da oncologia integrativa é otimizar a qualidade de vida, atenuando os efeitos físicos e emocionais que podem envolver esse período da vida do paciente", destaca o oncologista.

As aulas e atividades acontecem de forma gratuita na recém-inaugurada Casa de Bem-Estar, um lugar pensado para oferecer cuidados. Localizada em frente à sede do Centro de Oncologia Campinas, à rua Alberto de Salvo, 432, em Barão Geraldo, a Casa do Bem-Estar promove o senso de comunidade essencial para a sustentação do atendimento humanizado priorizado pelo COC.

A Casa do Bem-Estar é também um ponto de encontro, um local para troca de experiências e vivências fora da área do Centro de Oncologia Campinas. Todas as atividades são supervisionadas por profissionais e têm acompanhamento da psico-oncologista do COC, Ana Luiza Nobile Cassiani.


 Indicações

Estudos recentes indicam que mais de três quartos dos pacientes oncológicos recorrem a alguma forma de terapia complementar durante o tratamento. O problema é que, historicamente, isso acontecia às escondidas dos oncologistas, muitas vezes baseado em dicas de internet ou relatos de terceiros, sem supervisão médica adequada.

A medicina integrativa visa justamente trazer essas práticas para dentro do ambiente hospitalar, onde podem ser monitoradas, protocoladas e integradas ao plano de tratamento global.

A seleção das práticas alternativas é rigorosa e baseada em revisões sistemáticas de literatura médica. Algumas modalidades, porém, acumulam evidências suficientes para serem recomendadas por sociedades médicas internacionais.

“A acupuntura é um exemplo emblemático. Pesquisas consistentes demonstram sua eficácia no controle de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, alívio de dor neuropática e redução de xerostomia (boca seca) causada por radioterapia. Tanto que guidelines de oncologia de todo o mundo a recomendam como parte do arsenal terapêutico”, esclarece Medina.

O exercício físico supervisionado é outro caso de sucesso. Contrariando a antiga crença de que o paciente oncológico deve repousar, estudos robustos mostram que a atividade física regular reduz fadiga, melhora a qualidade de vida, fortalece o sistema imunológico e pode até mesmo influenciar positivamente a resposta ao tratamento.

 

COC - Centro de Oncologia Campinas
Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas.
Telefone: (19) 3787-3400.


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