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quarta-feira, 4 de março de 2026

Março Lilás: casos de câncer de colo do útero devem crescer 14% no Brasil

Vírus HPV, que é prevenível por meio da vacinação, está relacionado a cerca de 99% dos casos e reforça a necessidade de ampliar prevenção

 

No mês do Março Lilás, dedicado à conscientização sobre o câncer de colo do útero, os recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) são um alerta: proteger a saúde da mulher passa, necessariamente, por falar de prevenção contra o HPV, e é fundamental envolver também os homens nessa conversa. O INCA projeta mais de 19 mil novos casos no país anualmente, sendo o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres de maneira geral. Esses números são a previsão do instituto para o triênio de 2026 a 2028. Para o triênio de 2022 a 2025, a estimativa era de pouco mais de 17 mil casos por ano no Brasil, o que representa um aumento de aproximadamente 14% de incidência. 

O câncer de colo do útero (ou cervical) é o tipo de câncer que mais mata mulheres até os 35 anos no Brasil e o segundo mais letal entre aquelas com até 60 anos, sendo que cerca de 20 mulheres morrem todos os dias em decorrência da doença. Aproximadamente 99% dos casos estão relacionados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), que pode ser prevenida pela vacinação. Além disso, a doença pode ser evitada por meio de exames de rotina (Papanicolau e o novo rastreamento, o DNA HPV) e do tratamento adequado de lesões pré‑cancerígenas. 

"O câncer de colo do útero pode levar décadas para se manifestar após a infecção por HPV e a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção ao vírus. É essencial combinar vacinação com exames de rotina e tratamento adequado de lesões pré‑cancerígenas para a erradicação da doença", afirma a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil. “Também é fundamental garantir que as mulheres diagnosticadas tenham acesso aos tratamentos disponíveis. Os avanços contínuos em terapias e tecnologias médicas ampliaram as possibilidades de cuidado, com diagnósticos mais precisos e terapias direcionadas. Ao integrar todas as etapas, da prevenção ao tratamento, reforçamos uma abordagem completa e centrada na vida das pacientes."

 

Vacinação: eixo central da estratégia para eliminar o câncer de colo do útero

Estima-se que 8 a cada 10 pessoas sexualmente ativas terão contato com um ou mais tipos do vírus durante a vida. O preservativo não previne 100% o contágio, pois o vírus é transmitido pelo contato direto entre pele e mucosas, inclusive em áreas não cobertas pela camisinha, por isso a vacinação é importante estratégia de prevenção. A vacinação está disponível nas redes pública e privada.

No Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina quadrivalente está disponível para:

  • meninas e meninos de 9 a 14 anos, com um catch-up temporário dos 15 aos 19 anos;
  • pessoas vivendo com HIV/Aids até 45 anos;
  • pacientes transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea até 45 anos;
  • usuários de PrEP de 15 a 45 anos;
  • vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos;
  • pacientes oncológicos até 45 anos.

Na rede privada, há ainda a disponibilidade da vacina nonavalente, para homens e mulheres entre 9 e 45 anos.

Diante da forte ligação entre o HPV e o câncer de colo do útero, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma tríade de metas para prevenir e, futuramente, erradicar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública:

  • 90% das meninas totalmente vacinadas contra o HPV até os 15 anos;
  • 70% das mulheres avaliadas com teste de alto desempenho até os 35 e novamente aos 45 anos;
  • 90% das mulheres diagnosticadas com lesões cervicais tratadas adequadamente.


HPV ao longo da vida da mulher

Uma meta-análise global, conduzida em cinco continentes com mais de 1 milhão de mulheres com exames citológicos normais, mostrou que a infecção pelo HPV não é um problema restrito à juventude. A prevalência global foi de 11,7%, com dois picos de infecção:

  • nas mais jovens, até 25 anos, a taxa chegou a 24%;
  • após os 45 anos, a prevalência voltou a subir, podendo atingir até 10%.

“Os dados desafiam a ideia de que o risco diminui com a idade e reforçam a necessidade de prevenção e rastreamento contínuos – da adolescência à maturidade”, explica Dra. Márcia.

Além disso, a falta de conhecimento a respeito do HPV entre as mulheres é um entrave para a erradicação do câncer de colo do útero. Uma pesquisa do EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e do Instituto Locomotiva mostrou que 6 a cada 10 mulheres não sabem que o câncer cervical é, em 99% dos casos, causado pelo HPV. Ainda de acordo com a pesquisa, 8 em cada 10 mulheres desconhecem ao menos uma informação essencial sobre o HPV.

 

HPV não é só “problema de mulher”

Embora o HPV seja frequentemente associado ao câncer de colo do útero, o vírus afeta tanto mulheres quanto homens. Entre os homens, cerca de um em cada cinco apresenta tipos de alto risco, associados ao desenvolvimento de câncer. 

Uma pesquisa recente com 300 homens brasileiros de 20 a 45 anos revelou que:

  • 1 em cada 3 homens acredita que o HPV afeta apenas mulheres;
  • apenas cerca de um terço sabe que a infecção pode levar ao câncer;
  • 45% acreditam que o uso da camisinha é suficiente para prevenir o HPV.

Entre os cânceres HPV relacionados estão os de cavidade oral, estando entre os sete tipos de câncer mais incidentes entre os homens (quando não considerados os tumores de pele não melanoma), que representam cerca de 71% dos casos estimados para cada ano de 2026 a 2028, o que reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção também para o público masculino. Além da vacinação, conhecer os sintomas, ter o uso adequado de preservativo e a importância de procurar avaliação médica para diagnóstico precoce.

 

MSD no Brasil


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