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quarta-feira, 4 de março de 2026

Sobrecarga feminina amplia riscos físicos e emocionais

Rotina de trabalho, casa e cuidados postergam check-ups e acompanhamento da saúde mental das mulheres

 

A soma das jornadas, como trabalho, casa, família e cuidado de outras pessoas, segue postergando a saúde das mulheres para o fim da lista. Em 2022, mulheres com 14 anos ou mais se dedicaram, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e/ou ao cuidado de pessoas, quase o dobro de tempo entre homens (11,7 horas), segundo o IBGE. Essa sobrecarga aparece nos consultórios como consultas adiadas, exames fora do prazo e uma busca por atendimento apenas quando sintomas persistem ou se agravam. 

Do ponto de vista da prevenção, o atraso tem efeito direto sobre o rastreamento e a detecção precoce. Nas capitais e do Distrito Federal, o Vigitel do Ministério da Saúde mostra que, em 2024, 75,2% das mulheres de 50 a 69 anos relataram ter realizado mamografia nos últimos dois anos. Já a cobertura do exame citopatológico (Papanicolau), entre mulheres de 25 a 64 anos, ficou em 80,3% no mesmo período. Embora positivos, os indicadores não anulam os riscos: lacunas individuais permanecem quando o acompanhamento é irregular, feito fora do tempo recomendado ou interrompido por falta de tempo de agenda. 

A dimensão emocional também pesa. O Vigitel aponta aumento no diagnóstico médico de depressão entre mulheres nas capitais e no DF, chegando a 19,7% em 2024. No mesmo levantamento, 31,7% das pessoas relataram sintomas de insônia, índice maior entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%). 

“Quando a mulher passa muito tempo operando no modo ‘dar conta de tudo’, ela tende a normalizar sinais que deveriam acender alerta: exaustão persistente, alterações de sono, ansiedade, sintomas depressivos, dor pélvica e sangramentos fora do padrão. Adiar avaliação e acompanhamento transforma incômodos tratáveis em quadros mais complexos”, afirma Dra. Aline Marques, ginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana. 

O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário do câncer de mama. De acordo com a estimativa mais recente disponível do Ministério da Saúde e do INCA (válida até 2025), o Brasil deve registrar 73.610 novos casos de câncer de mama. O levantamento aponta ainda que o SUS realizou 4,4 milhões de mamografias em 2024, sendo 2,6 milhões na faixa etária prioritária (50 a 74 anos), e registrou mais de 20 mil óbitos por câncer de mama em 2023. 

“Quando a saúde fica para depois, o risco chega antes. É por isso que incluir o cuidado físico e mental na rotina, com a mesma prioridade das outras responsabilidades, não é opção, é necessidade”, completa Dra. Aline.

 

Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br

 

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