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terça-feira, 3 de março de 2026

Mitos que sabotam seu emagrecimento e a sua saúde

 

Quando a promessa é de resultado rápido, o risco é grande: muita gente se frustra, desiste e ainda prejudica o próprio corpo. É o que se vê nas promessas de “secar em 15 dias”, treinos que “queimam gordura localizada”, jejuns milagrosos e suplementos que “resolvem tudo”. Quem tenta emagrecer ou melhorar o corpo esbarra o tempo todo em soluções rápidas e, muitas vezes, em informações confusas. 

Na vida real, os números contam outra história. Dados do inquérito Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, mostram que 62,6% dos brasileiros adultos estão com excesso de peso e 25,7% já vivem com obesidade. No mesmo período, o diagnóstico de diabetes em adultos passou de 5,5% para 12,9% e os casos de pressão alta foram de 22,6% para 29,7%. Em resumo: não é só uma questão de estética, é um sinal de que o corpo está pedindo cuidado. 

O médico Gilberto Ururahy, especialista em medicina preventiva e diretor-médico da Med-Rio Check-up, ajuda a separar mito de realidade. Na visão dele, entender o que realmente funciona é um passo importante para cuidar da saúde sem cair em armadilhas. 

“Não falta informação. O que falta é clareza. Muitos mitos viram verdade na cabeça das pessoas e acabam sabotando justamente quem está tentando se cuidar”, diz o médico. 

Veja abaixo sete equívocos comuns e o que vale guardar para o dia a dia.

 

Se o peso diminui na balança depois do treino, já emagreci

Muita gente treina, corre para a balança e comemora cada grama a menos. Só que aquela queda imediata quase sempre é apenas perda de líquido, não de gordura. Durante o exercício, o corpo sua para regular a temperatura, o que reduz o peso por algumas horas. 

“Gordura não derrete em meia hora. Emagrecimento é processo, não é o número do dia”, afirma Ururahy. O foco precisa estar em constância, qualidade do treino e alimentação equilibrada, não em variações diárias da balança.

 

Treinar em jejum seca mais rápido

A ideia é tentadora: acordar, ir direto para o treino e acreditar que o corpo vai “puxar” gordura como fonte de energia. Na prática, o efeito pode ser o oposto. 

Exercício em jejum pode reduzir desempenho, causar tontura, mal-estar e até aumentar o risco de hipoglicemia em algumas pessoas. “O alimento é o combustível do músculo. Quando o organismo está sem energia, tende a se proteger, não a acelerar o gasto calórico”, explica o médico. 

Existem protocolos com jejum estudados em situações específicas, sempre com supervisão. Para a maioria das pessoas, principalmente iniciantes, treinar alimentado de forma leve e adequada é mais seguro e mais fácil de manter.

 

Ganhei peso fazendo musculação, então engordei

É uma queixa frequente: a pessoa começa a treinar, melhora a rotina e, mesmo assim, vê o peso subir. Vem a frustração e a sensação de que “nada funciona”. 

“Quando a musculação entra na rotina, é esperado que a massa muscular aumente. Músculo pesa mais do que gordura no mesmo volume. Então o peso pode subir um pouco, mesmo com o corpo ficando mais firme e saudável”, diz Ururahy. 

Por isso, olhar apenas o número da balança engana. Medidas de cintura e quadril, avaliação de composição corporal e, principalmente, como a pessoa se sente no dia a dia são indicadores mais importantes que um único número.

 

Quem malha precisa obrigatoriamente de suplemento

Com o crescimento da indústria de suplementos, muita gente passou a achar que treinar sem pó proteico é “perder tempo”. 

“Suplemento não é regra. Em muitos casos, uma alimentação bem ajustada supre perfeitamente as necessidades de proteína, carboidrato e micronutrientes”, afirma o médico. 

O uso sem necessidade pode sobrecarregar rins e fígado e ainda trazer calorias extras desnecessárias. Quando há indicação real, o complemento deve ser recomendado por médico ou nutricionista, de acordo com exames, rotina e objetivos.

 

Isotônico é sempre a melhor hidratação

Bebidas esportivas costumam ser associadas à ideia de desempenho, energia e treino pesado. Mas, para a maioria das pessoas, a água continua suficiente. 

“Isotônico faz sentido em exercícios prolongados, com grande perda de suor, como corridas longas ou treinos muito intensos, e mesmo assim com orientação”, explica Ururahy. 

Para atividades moderadas, o consumo exagerado pode trazer açúcar e sódio em excesso, sem ganho real. No dia a dia, a regra é simples: hidratar bem com água, ajustando a quantidade ao clima, ao tipo de treino e ao quanto a pessoa transpira.

 

Sou magro, então não preciso fazer atividade física

Magreza não garante saúde. É cada vez mais comum encontrar pessoas com peso aparentemente saudável, mas com colesterol alto, pressão descontrolada ou resistência à insulina. 

“Sedentarismo é fator de risco por si só. Mesmo com peso adequado à estatura, quem não se movimenta aumenta a chance de ter problemas cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas”, alerta o médico. 

A atividade física regular protege o coração, melhora o humor, ajuda no sono e preserva a massa muscular, fundamental para manter a autonomia por mais tempo ao longo da vida. Estar magro e parado não é sinônimo de estar bem.

 

Abdominal sozinho resolve a barriga 

Outro clássico: fazer muitas séries de abdominais na esperança de “secar” a região da cintura. 

“O abdominal fortalece a musculatura, o que é ótimo para coluna e postura, mas ele não decide de onde o corpo vai tirar gordura. Não existe queima localizada”, explica Ururahy. 

Para reduzir gordura abdominal, entram três pilares: alimentação equilibrada, exercícios aeróbicos (como caminhada, corrida, bicicleta, natação) e treino de força. O abdominal é aliado, não solução isolada.

 

Cada corpo, um ritmo

Um ponto que o médico faz questão de reforçar é a comparação constante com o corpo dos outros. 

“Cada pessoa tem uma história, um metabolismo, um ponto de partida. O parâmetro mais honesto é você com você mesma(o): como estava há seis meses, como está hoje, o que já mudou”, diz Ururahy. 

Perseguir o corpo de outra pessoa quase sempre termina em frustração e cobrança exagerada. Mudar o estilo de vida leva tempo, é construção de anos, não de semanas. Como resume o médico, cuidar da saúde é um gesto de carinho com você, não uma forma de se castigar o tempo todo.

 

O que funciona de verdade?

Entre tanta informação desencontrada, o caminho que a ciência aponta é simples na teoria, embora não seja fácil de manter na prática. O médico destaca alguns pontos de partida.

 

Movimento regular

Pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, distribuídos ao longo da semana, ajudam a reduzir o risco de doenças crônicas, segundo recomendações internacionais.

 

Alimentação que cabe na vida real

Mais comida de verdade (frutas, legumes, verduras, grãos, proteínas de boa qualidade) e menos produtos ultraprocessados. O que pesa é o conjunto: o que a pessoa faz na maior parte dos dias, não uma refeição isolada.

 

Sono e rotina

Dormir pouco e mal aumenta a fome, dificulta o controle de peso e reduz energia para treinar. Manter horários minimamente estáveis para dormir e acordar impacta direto o corpo e o humor.

 

Acompanhamento profissional

“Cada organismo responde de um jeito. Ter acompanhamento médico e, quando possível, nutricional e de educação física, ajuda a ajustar o plano à realidade de cada pessoa”, diz Ururahy. 

Disciplina é algo construído aos poucos, como qualquer hábito. A boa notícia é que dá para começar de onde você está, com o corpo que você tem hoje. Abandonar mitos, respeitar o próprio ritmo e olhar para a saúde com mais atenção e menos culpa é um passo concreto em direção a uma vida mais longa, leve e preventiva. 

 


Gilberto Ururahy - Diretor-médico especializado em medicina preventiva na Med-Rio Check-up, membro honorário da Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação, Chairman do Comitê de Saúde, diretor da Câmara de Comércio França-Brasil e coordenador do Comitê de Saúde. É coautor dos livros: Como tornar-se um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (Rocco), Emoções e saúde (Rocco) e Saúde é prevenção (Rocco, com o médico Galileu Assis).


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